REsp 2125753 - DECISAO
O Recurso Especial não foi conhecido por ausência de prequestionamento de matérias apontadas (falta de debate pelo tribunal a quo) e por ausência de similitude com o Tema n. 1.033/STJ; assim, não se aferiu o mérito e aplicou-se o entendimento de que o relator, com fundamento nos arts. 932, III, do CPC/2015 e 34,...
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- Parties
- Recorrente: UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE; Recorrido: Sindicato
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 April 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- Não conheço do Recurso Especial
- Legal Topics
- Prescrição, Protesto Judicial, Cumprimento De Sentença, Prequestionamento, Interrupção Da Prescrição
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Parties
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE
Recorrente
Sindicato
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Se o protesto judicial interrompe o prazo prescricional da pretensão executória mesmo contra a Fazenda Pública
- 2 Aplicabilidade do Tema n. 1.033/STJ ao caso concreto
- 3 Exigência de prequestionamento para conhecimento do recurso especial
Ratio Decidendi
O Recurso Especial não foi conhecido por ausência de prequestionamento de matérias apontadas (falta de debate pelo tribunal a quo) e por ausência de similitude com o Tema n. 1.033/STJ; assim, não se aferiu o mérito e aplicou-se o entendimento de que o relator, com fundamento nos arts. 932, III, do CPC/2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, do RISTJ, não conhece do recurso.
Court Disposition
Não conheço do Recurso Especial
Orders
- NÃO CONHEÇO do Recurso Especial
- Publique-se e intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE, contra acórdão prolatado, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no julgamento de Agravo de Instrumento, assim ementado (fl. 411e): PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. TÍTULO JUDICIAL. REAJUSTE DE 3,17%. PRESCRIÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. PROTESTO. INTERRUPÇÃO DO PRAZO. AGRAVO DE INSTRUMENTO NÃO PROVIDO. 1. Insurgência recursal em face de decisão que, em sede de impugnação ao cumprimento de sentença apresentado pela Universidade Federal de Pernambuco, rejeitou a alegação de prescrição da pretensão executória, acolheu a impugnação e homologou o parecer contábil, que concluiu pela regularidade dos cálculos apresentados pela Universidade Federal de Pernambuco- UFPE. 2. No caso vertente, verifica-se que o trânsito em julgado da sentença executada ocorreu em 09 de março de 2007, contudo, antes do quinquídio legal, o Sindicato ajuizou ação cautelar de protesto em 07/02/2012, cujo despacho inicial exarado em 14/02/2012 interrompeu o prazo prescricional, que reiniciou, pela metade, nos termos do art. 202, II, do Código Civil c/c art. 3ºdo Decreto-Lei nº. 4.597/41. Assim, o prazo prescricional voltou a fluir em 07/08/2014. 3. Como a parte agravada promoveu o presente cumprimento de sentença em 29/07/2014, não há que se falar em prescrição da pretensão executória. 4. No julgamento dos embargos de declaração do REsp 1.336.026/PE, o C. STJ modulou o entendimento do acórdão referido para determinar que " as decisões transitadas em julgado até17/3/2016 (quando ainda em vigor o CPC/1973) e que estejam dependendo, para ingressar como pedido de cumprimento de sentença, do fornecimento pelo executado de documentos ou fichas financeiras (tenha tal providência sido deferida, ou não, pelo juiz ou esteja, ou não, completa a documentação), o prazo prescricional de 5 anos para propositura da execução ou cumprimento (STJ - EDREsp 1.336.026/PE - Primeira Seção - de sentença conta-se a partir de 30/6/2017" Relator Ministro Og Fernandes - Data do Julgamento: 22/06/2018). 5. É de se consignar que a medida cautelar de protesto tem o condão de interromper o prazo prescricional ainda que contra a Fazenda Pública, viabilizando nova contagem de prazo, em conformidade com o disposto no art. 9º do Decreto 20.910/32 6. Agravo de instrumento não provido. Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: A suspensão do feito, em razão da afetação do Tema n. 1.033/STJ; eArts. 1º, 8º e 9º do Decreto n. 20.910/1932; 2º do Decreto-Lei n. 4.597/1942; 202 do Código Civil de 2002; bem como 485, I e VI, e 330, I, e § 1º, I, do Código de Processo Civil de 2015 - deveria ter sido decretada a prescrição, considerando que o protesto judicial pelo sindicato não pode ter como causa a própria inércia ou omissão do requerente da medida. Ademais, "a propositura de Ação Coletiva interrompe a prescrição apenas para o ajuizamento da ação individual, não interrompendo os efeitos da prescrição das parcelas pretéritas cujo marco inicial deve ser o da propositura da ação individual respectiva" (fl. 441e).Com contrarrazões, o recurso foi admitido (fls. 514/515e). Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte, na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. Não obstante interposto contra acórdão proferido em agravo de instrumento, entendo relevante registrar o cabimento do presente recurso especial, porquanto ausente a possibilidade de modificação do decisum originário, considerando não se tratar de decisão precária. Portanto, a insurgência endereçada a esta Corte é o caminho apropriado para impedir a preclusão da matéria. O Recurso Especial não comporta conhecimento. No caso, inaplicável o Tema n. 1.033/STJ, por ausência de similitude. Isso porque o discutido no representativo da controvérsia trata da possibilidade de "interrupção do prazo prescricional para pleitear o cumprimento de sentença coletiva, em virtude do ajuizamento de ação de protesto ou de execução coletiva por legitimado para propor demandas coletivas" (naquele caso, protesto apresentado pelo Ministério Público e proveito aos beneficiários de ação civil pública ajuizada por associação - IDEC) e o presente caso diz respeito à medida cautelar de protesto proposta pelo Sindicato, com repercussões para os indivíduos. No que se refere à questão referente à aplicação dos arts. 485, I e VI, e 330, I, e § 1º, I, do Código de Processo Civil de 2015, em razão de inépcia ou falta de condição da ação, observo que a insurgência carece de prequestionamento, uma vez que não foi analisada pelo tribunal de origem. Com efeito, o prequestionamento significa o prévio debate da questão no tribunal a quo, à luz da legislação federal indicada, com emissão de juízo de valor acerca dos dispositivos legais apontados como violados. No caso, o tribunal de origem não analisou, ainda que implicitamente, a aplicação dos suscitados arts. 485, I e VI, e 330, I, e § 1º, I, do Código de Processo Civil de 2015. É entendimento pacífico desta Corte que a ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia pelo tribunal a quo impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula 282 do Colendo Supremo Tribunal Federal: "é inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". Nesse sentido: ADMINISTRATIVO, PROCESSUAL CIVIL E CONSUMIDOR. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ENSINO SUPERIOR. PRETENSÃO DE DEVOLUÇÃO DAS TAXAS DE DIPLOMA. PRAZO PRESCRICIONAL. FATO DO SERVIÇO. ARTIGO 2º DA LEI N. 9.870/1999. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 282 DO STF. 1. No caso, não há se falar em violação do art. 26, inciso II, do Código de Defesa do Consumidor, porquanto inaplicável o prazo decadencial a que alude este artigo, uma vez que não se trata de responsabilidade do fornecedor por vícios aparentes ou de fácil constatação existentes em produto ou serviço, mas de danos causados por fato do serviço, consubstanciado pela cobrança indevida da taxa de diploma, razão pela qual incide o prazo qüinqüenal previsto no art. 27 do CDC. 2. O artigo 2º da Lei n. 9.870/1999 não foi apreciado pelo Tribunal de origem, carecendo o recurso especial do requisito do prequestionamento, nos termos da Súmula n. 282 do STF. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.327.122/PE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/04/2014, DJe 15/04/2014 - destaque meu); ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. ENQUADRAMENTO. LICENÇA-PRÊMIO NÃO GOZADA. CÔMPUTO COMO TEMPO EFETIVO DE EXERCÍCIO. LEI 11.091/05. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83 DO STJ. FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA NÃO ATACADO. SÚMULA 182 DO STJ. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. 1. A orientação do STJ é de que, se a licença-prêmio não gozada foi computada como tempo efetivo de serviço, para fins de aposentadoria, conforme autorização legal, não pode ser desconsiderada para fins do enquadramento previsto na Lei 11.091/05. 2. É inviável o agravo que deixa de atacar os fundamentos da decisão agravada. Incide a Súmula 182 do STJ. 3. Fundamentada a decisão agravada no sentido de que o acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento do STJ, deveria a recorrente demonstrar que outra é a positivação do direito na jurisprudência do STJ. 4. A tese jurídica debatida no Recurso Especial deve ter sido objeto de discussão no acórdão atacado. Inexistindo esta circunstância, desmerece ser conhecida por ausência de prequestionamento. Súmula 282 do STF. 5. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1.374.369/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/06/2013, DJe 26/06/2013 - destaque meu). Quanto ao mérito, a tese segundo a qual "a propositura de Ação Coletiva interrompe a prescrição apenas para o ajuizamento da ação individual, não interrompendo os efeitos da prescrição das parcelas pretéritas cujo marco inicial deve ser o da propositura da ação individual respectiva" (fl. 441e) não encontra amparo nos arts. 1º, 8º e 9º do Decreto n. 20.910/1932; 2º do Decreto-Lei n. 4.597/1942; bem como 202 do Código Civil de 2002, o que impede a apreciação em recurso especial. Com efeito, incide na espécie, por analogia, o óbice contido na Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal segundo a qual: "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, os seguintes precedentes: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUTORIZAÇÃO DE PESQUISA E LAVRA DE MINÉRIOS. PEDIDO PROTOCOLADO NO ÚLTIMO DIA DA LICENÇA ANTERIOR. ACÓRDÃO A QUO QUE CONCLUI, COM BASE NOS FATOS E PROVAS CONSTANTES DOS AUTOS, SER DESARRAZOADO O INDEFERIMENTO DO REQUERIMENTO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. ARTIGO 18, INCISO I, DO CÓDIGO DE MINERAÇÃO. DISPOSITIVO LEGAL QUE NÃO CONTEM COMANDO CAPAZ DE SUSTENTAR A TESE RECURSAL E INFIRMAR O JUÍZO FORMULADO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA N. 284 DO STF. (..) 2. Não pode ser conhecido o recurso especial se o dispositivo apontado como violado não contem comando capaz de sustentar a tese recursal e infirmar o juízo formulado no acórdão recorrido. Incidência, por analogia, da orientação posta na Súmula 284/STF. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 385.170/GO, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2014, DJe 08/08/2014). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO RESCISÓRIA. PEDIDO. DIREÇÃO CONTRA SENTENÇA. EXISTÊNCIA DE ACÓRDÃO POSTERIOR QUE A SUBSTITUIU. PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. ARTS. 485, V, E 512 DO CPC. SÚMULA 284/STF. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. (..) 2. Há deficiência argumentativa quando o preceito legal apontado como violado (arts. 485, V, e 512 do CPC) não é suficiente para amparar a tese defendida no recurso especial. Precedentes. (..) 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1.369.630/BA, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/10/2013, DJe 20/11/2013). Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do RISTJ, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA