AREsp 2084005 - DECISAO
Rejeitaram-se os embargos porque a decisão embargada não apresentou omissão, contradição ou obscuridade nos termos do art. 619 do CPP; aplicou-se o entendimento do STF (ARE 848.107, Tema 788) de que a prescrição da pretensão executória se conta a partir do trânsito em julgado, e a tese do HC 176.473/PR sobre...
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- Parties
- Embargante: RICARDO ADRIANO DE LUNA FARIAS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 April 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
- Outcome
- Rejeito os embargos de declaração.
- Legal Topics
- Prescrição, Pretensão Executória, Embargos De Declaração, Trânsito Em Julgado, Interrupção Da Prescrição
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Parties
RICARDO ADRIANO DE LUNA FARIAS
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 Se a publicação do acórdão recorrível interrompe a prescrição da pretensão executória
- 2 Distinção entre prescrição da pretensão punitiva e prescrição da pretensão executória
- 3 Admissibilidade dos embargos de declaração quando visam reexame do julgado
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos porque a decisão embargada não apresentou omissão, contradição ou obscuridade nos termos do art. 619 do CPP; aplicou-se o entendimento do STF (ARE 848.107, Tema 788) de que a prescrição da pretensão executória se conta a partir do trânsito em julgado, e a tese do HC 176.473/PR sobre interrupção pela publicação do acórdão relaciona-se à pretensão punitiva, não à executória, de modo que os embargos visavam mero inconformismo e reapreciação do julgado.
Court Disposition
Rejeito os embargos de declaração.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO RICARDO ADRIANO DE LUNA FARIAS opõe embargos de declaração à decisão de fls. 695-698, em que indeferi o pedido de reconhecimento da prescrição da pretensão executória. Nas razões recursais, a defesa aponta a ocorrência de contradição no decisum, ao argumento de que "a redação do artigo 117 do Código Penal diz expressamente que a prescrição interrompe pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis, portanto o lapso temporal da prescrição da pretensão executória voltou a ser contabilizado a partir da Publicação do acórdão e não do trânsito em julgado do referido acórdão" (fl. 707). Requer sejam acolhidos e providos os presentes embargos, a fim de que seja declarada extinta a punibilidade do embargante. Decido. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça consigna que, "de acordo com o disposto no art. 619 do Código de Processo Penal, os embargos de declaração, como recurso de correção, destinam-se a suprir omissão, contradição, ambiguidade ou obscuridade existente no julgado. Não se prestam, portanto, para a revisão de julgado em caso de mero inconformismo da parte" (AgRg no REsp n. 1.850.458/RS, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, 5ª T., DJe 26/2/2021). São inadmissíveis, portanto, quando, a pretexto da necessidade de esclarecimento, aprimoramento ou complemento da decisão embargada, objetivam, em essência, a reapreciação do caso. Na espécie, a decisão embargada foi clara ao afirmar que o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu que o prazo de prescrição para o Estado executar a pena começa a ser contado a partir da condenação definitiva (trânsito em julgado) para a acusação e a defesa. O entendimento foi adotado na sessão virtual encerrada em 30/6/2023, por maioria de votos, no julgamento do Agravo em Recurso Extraordinário ARE n. 848.107, e tem repercussão geral (Tema 788). Ao contrário do que afirma o embargante, a tese firmada pelo STF no HC n. 176.473/PR no sentido no sentido de que o acórdão meramente confirmatório também é causa interruptiva da prescrição, não se aplica à hipótese dos autos, haja vista o marco interruptivo previsto no art. 117, IV, do Código Penal, dizer respeito à prescrição da pretensão punitiva, e não da pretensão executória. Com efeito, a decisão embargada não foi contraditória, porquanto apontou claramente as razões para indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição da pretensão executória. Diante de tais considerações, não existem os vícios descritos no art. 619 do CPP no aresto combatido. A irresignação do embargante se resume ao inconformismo com o resultado que lhe foi desfavorável. Não há fundamento que justifique a oposição dos embargos de declaração, os quais se prestam apenas a sanar eventual omissão, contradição ou obscuridade da decisão impugnada, e não a reapreciar a causa. À vista do exposto, rejeito os embargos de declaração. Publique-se e intimem-se. EMENTA