REsp 1883463 - DECISAO
Negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal Regional aplicou corretamente a jurisprudência do STJ segundo a qual as ações indenizatórias contra armazéns gerais estão sujeitas ao prazo prescricional trimestral do art. 11 do Decreto n.º 1.102/1903; a discussão sobre a qualificação da embargada como...
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- Parties
- Recorrente: COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO - CONAB
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Final Recurso Especial Negado Provimento
- Outcome
- nego provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Prescrição, Contrato De Depósito, Armazém Geral, Ação Indenizatória, Perda Superveniente Do Objeto, Prequestionamento, Súmulas
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Parties
COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO - CONAB
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Final Recurso Especial Negado Provimento
Legal Issues
- 1 prazo prescricional aplicável às ações indenizatórias contra armazéns gerais
- 2 cabimento da ação de depósito quando o depósito vinculado a operações de EGF ou AGF
- 3 qualificação de pessoa jurídica como armazém geral
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal Regional aplicou corretamente a jurisprudência do STJ segundo a qual as ações indenizatórias contra armazéns gerais estão sujeitas ao prazo prescricional trimestral do art. 11 do Decreto n.º 1.102/1903; a discussão sobre a qualificação da embargada como armazém geral foi considerada incidente em autos distintos e a insurgência não repondeu de forma específica e suficiente aos fundamentos do acórdão recorrido, atraindo os óbices das Súmulas 83 do STJ e 283/284 do STF e reconhecendo a perda superveniente do objeto.
Court Disposition
nego provimento ao recurso especial
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de recurso especial, com fundamento nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, interposto por COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO - CONAB, em face de acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fl.1973): AGRAVO. DECISÃO MONOCRÁTICA. AÇÃO ORDINÁRIA. CONTRATODE DEPÓSITO. AGF. CLASSIFICAÇÃO DOS GRÃOS DEPOSITADOS. DESÁGIO. PERDA SUPERVENIENTE DO OBJETO. IRRELEVÂNCIA DADISCUSSÃO DIANTE DA PRESCRIÇÃO DA AÇÃO INDENIZATÓRIA EDO NÃO CABIMENTO DA AÇÃO DE DEPÓSITO.1. Uma vez descumprido o dever de entrega de mercadoria objeto de contrato de depósito, por desaparecimento ou perecimento, em princípio, pode o depositante socorrer-se de, no mínimo, duas ações distintas para resguardar o seu direito violado. De um lado, é possível o ajuizamento da ação indenizatória prevista no Decreto n.º 1.102/1903 para obter a indenização em pecúnia ou a restituição dos produtos depositados, a qual se encontra sujeita ao prazo prescricional de 3 (três)meses, contados do dia em que a mercadoria foi ou deveria ter sido entregue, consoante o disposto no artigo 11 do mesmo diploma. De outro, cabível a propositura de uma ação de depósito em busca da restituição da coisa depositada, nos moldes preceituados pelos artigos 901 a 906 da Lei Processual, submetida, na vigência do atual Código Civil, a uma prescrição de dez anos, conforme artigo 205.2. Tendo sido reconhecida a prescrição da ação de cobrança em demanda correlata e assentado o entendimento de que, consoante o Superior Tribunal de Justiça, não cabe ação de depósito quando o negócio houver sido firmado como garantia de outro contrato ou vinculado a operações de EGF ou AGF, resta caracterizada a perda superveniente do objeto da ação em que se discute a ocorrência ou não do deságio dos grãos com vistas ao afastamento da pretensão de cobrança da CONAB. Os embargos de declaração foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, a recorrente alega dissídio jurisprudencial e violação aos arts. 1022 do NCPC; 1º do Decreto 1.102/1903; 168, parágrafo único, 192 202, I e 205 do CC. Sustenta, em síntese, além de negativa de prestação jurisdicional, que o prazo prescricional aplicável à hipótese é o decenal, além de que houve interrupção do prazo prescricional com o ajuizamento da ação cautelar Afirma, ainda, que "o contrato social da recorrida, registrado perante a Junta Comercial, e devidamente acostado aos autos originários - evento2-OUT34 - é a prova documental definitiva de que aquela não atua, e jamais atuou, como armazém geral, na conformidade do que dispõe o art. 1º do Decreto n. 1.102/1903." É o relatório. Decido. De início, rejeita-se a alegada violação do art. 1.022 do CPC/15, uma vez que o eg. TJCE analisou os pontos essenciais ao deslinde da controvérsia, dando-lhes robusta e devida fundamentação. Com efeito, é uníssona a jurisprudência desta eg. Corte no sentido de que o magistrado não está obrigado a responder a todos os argumentos apresentados pelos litigantes, desde que aprecie a lide em sua inteireza, com suficiente fundamentação. Nesse sentido, destacam-se: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE AFRONTA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INOVAÇÃO RECURSAL. VÍCIOS DE CONSTRUÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA DO CONDOMÍNIO. DECISÃO MANTIDA. (..) 2. Inexiste afronta ao art. 1.022 do CPC/2015 quando o acórdão recorrido analisou todas as questões pertinentes para a solução da lide, pronunciando-se, de forma clara e suficiente, sobre a controvérsia estabelecida nos autos. (..) 4. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 1071467/SP, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 10/10/2017, DJe 17/10/2017) Além disso, quanto à alegada violação do art. 202, I, do CC, verifica-se que o conteúdo normativo do dispositivo invocado no apelo nobre não foi apreciado pelo Tribunal a quo, tampouco foi alvo dos embargos declaratórios opostos, para sanar eventual omissão. Dessa forma, à falta do indispensável prequestionamento, incide, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. ARTS. 46, 52, II, V, 54, § 3º, DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR E 359, I, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 282 DO STF. LIMITAÇÃO DA TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME CONTRATUAL E FÁTICO DOS AUTOS. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS. JUROS COMPOSTOS. TARIFA DE CADASTRO. TARIFA DE REGISTRO. CABIMENTO. MORA CONFIGURADA. 1. Ausente o prequestionamento, exigido inclusive para as matérias de ordem pública, incide o óbice do enunciado n. 282 da Súmula do STF. (..) 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1595931/RS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 30/11/2020, DJe 07/12/2020) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS 282 E 356/STF. CONCLUSÃO ESTADUAL ACERCA DA AUSÊNCIA DE PREJUÍZOS PRATICADOS PELA RECORRIDA E DANOS MORAIS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Os arts. 32, caput, da Lei n. 8.906/1994 e 2º e 4º do Estatuto do Idoso não foram objeto de prequestionamento no julgado da segunda instância e os insurgentes não opuseram embargos de declaração objetivando suprir eventual ocorrência de vícios do art. 1.022 do CPC/2015. Aplicação das Súmulas 282 e 356/STF. (..) 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1549709/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/06/2020, DJe 25/06/2020) Quanto ao prazo prescricional, a jurisprudência do STJ firmou no sentido de que, em razão do princípio da especialidade, o prazo prescricional nas ações de indenização contra produtos armazenados é de três meses (art. 11 do Decreto 1.102/1903). Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPARAÇÃO POR DANOS MATERIAIS AJUIZADA CONTRA ARMAZÉM GERAL. RETENÇÃO TEMPORÁRIA DE MERCADORIA. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. DECRETO 1.102/1903. PRESCRIÇÃO TRIMESTRAL. PRAZO INICIAL. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Em razão do princípio da especialidade, o prazo prescricional nas ações de indenização contra armazéns gerais é de três meses (art. 11 do Decreto 1.102/1903). Precedentes. 2. No caso, considerando que o suposto dano teria decorrido da não entrega da mercadoria, o prazo inicial deve ser contado da data em que a mercadoria reclamada deveria ter sido entregue. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1624226/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 29/08/2017, DJe 21/09/2017) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. DESEMBARQUE E TRANSPORTE DE MERCADORIA EM PORTO. AVARIA. INDENIZAÇÃO. PAGAMENTO PELA SEGURADORA. SUB-ROGAÇÃO. AÇÃO DE REGRESSO. PRESCRIÇÃO. PRAZO TRIMESTRAL. INAPLICABILIDADE AO OPERADOR PORTUÁRIO. LIMITAÇÃO A EMPRESA DE ARMAZÉM GERAL. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. 1. A seguradora, após arcar com a indenização securitária, sub-roga-se nos direitos do segurado, inclusive no que tange ao prazo prescricional, para poder buscar o ressarcimento do que despendeu. 2. Ante o princípio da especialidade, o prazo prescricional de três meses previsto no art. 11 do Decreto nº 1.102/1903 aplica-se somente às pretensões indenizatórias dirigidas contra empresas de armazéns gerais ou contra armazéns gerais alfandegados (art. 53 da Lei nº 5.025/1966). 3. O prazo de prescrição trimestral do art. 11 do Decreto nº 1.102/1903 não pode ser estendido para as ações de indenização ajuizadas contra o operador portuário, visto que as regras jurídicas sobre prescrição devem ser interpretadas estritamente, repelindo-se a exegese extensiva ou analógica. 4. A figura do armazém geral não se confunde com a do operador portuário, apesar de este também possuir a função de depositário, dentre outras. Com efeito, operador portuário é a pessoa jurídica pré-qualificada para exercer as atividades de movimentação de passageiros ou movimentação e armazenagem de mercadorias, destinadas ou provenientes de transporte aquaviário, dentro da área do porto organizado, possuindo legislação e tratamento jurídico particulares (Lei nº 8.630/1993, vigente à época dos fatos, atualmente Lei nº 12.815/2013). 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 121.152/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/12/2015, DJe 03/02/2016) Dessa forma, incide ao caso o óbice contido na Súmula 83 do STJ. Por fim, a corte estadual concluiu que "a qualificação da embargada com armazém geral, para fins de aplicação ou não do Decreto nº 1.102/1903, é discussão pertinente aos autos nº 5000778-69.2011.404.7106, em que se reconheceu a prescrição da ação indenizatória, mas não nestes autos, extinto pela perda superveniente do objeto." (fl. 20270) Ocorre que a parte insurgente não rebateu de forma específica e suficiente a referida fundamentação, o que atrai, na hipótese, a incidência, por analogia, da Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N. 182 DO STJ. RECONSIDERAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL. ERRO MÉDICO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. ALEGAÇÕES DISSOCIADAS DO FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 283 E 284/STF. REAVALIAÇÃO DO CONJUNTOFÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.7/STJ. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. CITAÇÃO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DO STJ. SÚMULA N. 83/STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO INTERNO PROVIDO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. (..) 2. É inadmissível o recurso especial que não rebate fundamento do acórdão recorrido, trazendo alegações dissociadas do que ficou decidido pelo Tribunal de origem. Incidência das Súmulas n. 283 e 284 do STF. (..) (AgInt no AREsp 1659434/SP, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 15/06/2020, DJe 18/06/2020) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE SEGURO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS ABRANGIDA PELA COBERTURA POR DANOS CORPORAIS. AUSENTE CLÁUSULA DE EXCLUSÃO. REVISÃO SÚMULAS 5 E 7/STJ. ALEGADA NECESSIDADE DE ABATIMENTO DE INDENIZAÇÃO ORIUNDA DE SINISTRO DISTINTO. PARADIGMA DISTINTO. INTERPRETAÇÃO INCORRETA. FALTA DE IMPUGNAÇÃODOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULAS N. 283 E 284 DO STF. (..) 2. O recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido suficiente para mantê-lo não deve ser admitido, a teor das Súmulas n. 283 e 284 do STF. (..) (AgInt no AREsp 1393349/SC, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 08/06/2020, DJe 12/06/2020) Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial. Publique-se. EMENTA