AREsp 2583129 - DECISAO
O acórdão recorrido aplicou corretamente o prazo prescricional decenal, por se tratar de pretensão fundada em inadimplemento contratual, em consonância com a jurisprudência do STJ; as questões relativas à causa de pedir e ao enriquecimento ilícito não foram prequestionadas nos termos exigidos (ausência de indicação...
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- Parties
- Agravante: JOÃO COELHO DE MORAES - ESPÓLIO (ESPÓLIO DE JOÃO)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo E Recurso Especial (conhecimento E Julgamento)
- Outcome
- Conheço do agravo; conheço em parte do recurso especial; nego provimento ao recurso especial; majoro os honorários advocatícios em 5%.
- Legal Topics
- Prescrição, Enriquecimento Sem Causa, Parceria Pecuária, Responsabilidade Civil, Prequestionamento, Honorários Advocatícios
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Parties
JOÃO COELHO DE MORAES - ESPÓLIO (ESPÓLIO DE JOÃO)
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo E Recurso Especial (conhecimento E Julgamento)
Legal Issues
- 1 Prazo prescricional aplicável à pretensão fundada em inadimplemento contratual (décenal vs. trienal)
- 2 Natureza da causa de pedir (enriquecimento sem causa vs. reparação civil) e incidência do art. 206 do CC
- 3 Inviabilidade de partilha de crias e alegação de enriquecimento ilícito e culpa do autor
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido aplicou corretamente o prazo prescricional decenal, por se tratar de pretensão fundada em inadimplemento contratual, em consonância com a jurisprudência do STJ; as questões relativas à causa de pedir e ao enriquecimento ilícito não foram prequestionadas nos termos exigidos (ausência de indicação de violação ao art. 1.022 do NCPC), de modo que não puderam ser conhecidas; assim, conheceu-se do agravo, conheceu-se em parte do recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento ao recurso, majorando-se em 5% os honorários advocatícios.
Court Disposition
Conheço do agravo; conheço em parte do recurso especial; nego provimento ao recurso especial; majoro os honorários advocatícios em 5%.
Orders
- Conhecer do agravo em recurso especial.
- Conhecer em parte do recurso especial.
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DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por JOÃO COELHO DE MORAES - ESPÓLIO (ESPÓLIO DE JOÃO) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre. Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 813/823). É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, o agravo e passo ao exame do recurso especial, que não merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alíneas a e c, da CF, ESPÓLIO DE JOÃO alegou a violação dos arts. 206, §3º, II, IV e V, e 884 do CC, 492 do NCPC, bem como dissídio jurisprudencial, aduzindo que (1) prescreve em três anos a pretensão de recebimento de prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias, a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa e a de responsabilidade civil; (2) a causa de pedir da demanda refere-se ao enriquecimento sem causa, à reparação civil e às perdas e danos, de modo que o magistrado não pode adotar a regra de prescrição prevista no art. 206 do CC; e (3) diante da rescisão do contrato verbal de parceria pecuária, em face da venda do gado remanescente, é inviável a partilha de crias, sob pena de enriquecimento ilícito, sendo do autor a culpa pelo inadimplemento, visto que se recusou a receber o gado a ele devido (e-STJ, fls. 385/400). (1) Da prescrição ESPÓLIO DE JOÃO aduziu ofensa ao art. 206, §3º, II, IV e V, do CC, asseverando que prescreve em três anos a pretensão para recebimento de prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias, a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa e a responsabilidade civil. Sobre o tema o Tribunal estadual consignou que prescreve em dez anos a pretensão fundada em inadimplemento contratual, por inexistir qualquer regra especial para o caso concreto, confira-se: Em se tratando de contrato de parceria verbal sem prazo determinado, onde se discute inadimplemento contratual e a consequente reparação civil, ou seja, não há cobrança de dívida líquida constante de instrumento público ou particular, com relação ao prazo prescricional da pretensão do autor, deve-se aplicar a regra geral prevista o artigo 205 do Código Civil (dez anos) (e-STJ, fl. 321). No mesmo sentido, esta Corte Superior possui jurisprudência consolidada de que prescreve em dez anos a pretensão fundada em inadimplemento contratual, referindo-se à responsabilidade aquiliana o prazo trienal previsto no art. 206, §3º, V, do CC. Confiram-se os seguintes precedentes: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OFENSA A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. INVIABILIDADE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. MÚTUO VERBAL. PRESCRIÇÃO DECENAL. SÚMULA 83/STJ. FUNDAMENTO AUTÔNOMO INATACADO. SÚMULA 283/STF. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA CONHECER DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. O recurso especial não é meio adequado para analisar suposta violação a dispositivo constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal, definida no art. 102, III, da Constituição Federal de 1988. 2. O Superior Tribunal de Justiça assentou que, "para a caracterização do dissídio jurisprudencial, nos termos do art. 1.029, §1º, do Código de Processo Civil de 2015 e 255, §§ 1º e 3º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, é necessária a demonstração da similitude fática e da divergência na interpretação do direito entre os acórdãos confrontados, não bastando a simples transcrição de ementas" (AgInt nos EDcl no AgInt no AREsp 2.158.522/MG, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 28/9/2023). 3. No caso, o Tribunal local consignou que foi comprovada a ocorrência de mútuo verbal e que o prazo prescricional aplicado seria o decenal. 4. Acórdão que está em harmonia com a jurisprudência desta Corte Superior, no sentido de que, "não havendo prazo específico para manifestar a pretensão de cobrança de valor inadimplido em contrato de mútuo verbal, é aplicável o prazo ordinário de 10 (dez) anos, previsto no art. 205 do Código Civil" (REsp 1.510.619/SP, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, julgado em 27/4/2017, DJe de 19/6/2017). 5. A existência de fundamento do acórdão não atacado, que seja independente e por si só sustente a decisão, atrai, por analogia, a aplicação da Súmula 283/STF, 6. Agravo interno provido para conhecer do agravo e negar provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp n. 2.489.964/SP, relator Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, j. em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024.) CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, MATERIAIS E LUCROS CESSANTES. CONTRATO DE PARCERIA AGRÍCOLA. RESCISÃO UNILATERAL. RESPONSABILIDADE CIVIL CONTRATUAL. PRESCRIÇÃO DECENAL. ART. 205 DO CC/02. PRECEDENTES. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM, PARA EXAME DO MÉRITO. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A Corte Especial, no recente julgamento do EREsp. n 1.281.594/SP, de relatoria do Ministro FELIX FISCHER, reafirmou o entendimento de que "a unidade lógica do Código Civil permite extrair que a expressão "reparação civil" empregada pelo seu art. 206, § 3º, V, refere-se unicamente à responsabilidade civil aquiliana". Situação não verificada no caso dos autos. 3. Determinação de devolução dos autos à primeira instância para reabertura da fase instrutória. 4. Agravo interno parcialmente provido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.557.071/MG, de minha relatoria, Terceira Turma, j. em 10/8/2020, DJe de 14/8/2020.) Assim, porque os fundamentos adotados pelo acórdão recorrido estão em consonância com o entendimento firmado nesta Corte, deve ser ele mantido. Dessa forma, incide a Súmula nº 568 do STJ. (2) e (3) Da causa de pedir e do enriquecimento ilícito ESPÓLIO DE JOÃO afirmou a violação dos arts. 884 do CC e 492 do NCPC, sustentando que (2) a causa de pedir da demanda refere-se ao enriquecimento sem causa, à reparação civil e às perdas e danos, de modo que o magistrado não pode adotar a regra de prescrição prevista no art. 206 do CC; e (3) diante da rescisão do contrato verbal de parceria pecuária, em face da venda do gado remanescente, é inviável a partilha de crias, sob pena de enriquecimento ilícito, sendo do autor a culpa pelo inadimplemento, visto que se recusou a receber o gado a ele devido. Verifica-se que o Tribunal estadual não emitiu pronunciamento sobre o tema objeto da insurgência. Contudo, não obstante a oposição, naquela instância, de embargos de declaração alegando omissão quanto aos temas, não houve debate prévio no Tribunal estadual. Importante destacar que a jurisprudência do STJ entende que, para a admissão do prequestionamento ficto, nos termos do art. 1.025 do NCPC, em recurso especial, exige-se a anterior oposição dos embargos de declaração, além da indicação de violação do art. 1.022 do NCPC, para que se possibilite ao Órgão julgador verificar a existência do vício no acórdão recorrido. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. INSTRUMENTO CONTRATUAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. OMISSÃO E DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. JULGAMENTO IMEDIATO DA CAUSA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. CLÁUSULA DE QUITAÇÃO GERAL E PLENA. AUSÊNCIA DE DOLO, COAÇÃO OU ERRO. TESE NÃO PREQUESTIONADA. SÚMULAS 282 E 356/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO VIOLADO. SÚMULA 284/STF. HONORÁRIOS RECURSAIS. MAJORAÇÃO. CABIMENTO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou de forma fundamentada sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. Inadmissível o recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal local (enunciado n. 211 da Súmula do STJ). 3. O prequestionamento ficto, previsto no art. 1.025 do CPC/2015, só é admissível quando, após a oposição de embargos de declaração na origem, a parte recorrente suscitar violação ao art. 1.022 do mesmo diploma, porquanto somente dessa forma é que o órgão julgador poderá verificar a existência do vício e proceder à supressão de grau, providência não adotada no recurso especial apresentado. 4. No tocante à parte em que a insurgência foi inadmitida, ratifica-se que os arts. 840 e 849 do Código Civil não foram debatidos pelo acórdão recorrido, o que configura a ausência do indispensável prequestionamento da matéria e atrai a incidência das Súmulas 282 e 356/STF. 5. A falta de indicação, de forma clara e precisa, dos dispositivos legais que teriam sido eventualmente violados ou que tiveram sua interpretação divergente à jurisprudência desta Corte impede o conhecimento do recurso, por deficiência na sua fundamentação, conforme preceitua a Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal. 6. No caso, estão presentes os requisitos cumulativos necessários à majoração dos honorários sucumbenciais prevista no art. 85, § 11, do CPC/2015, conforme as regras definidas pela Terceira Turma deste Tribunal Superior - nos EDcl no AgInt no REsp n. 1.573.573/RJ, desta relatoria, julgado em 4/4/2017, DJe de 8/5/2017. 7. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1.839.431/MG, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. em 08/02/2021, DJe 12/02/2021) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 489, § 1º, do CPC DE 2015. ACÓRDÃO RECORRIDO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO. ALEGADA AFRONTA AOS ARTIGOS 337, § 4º, 502 E 805, DO CPC DE 2015. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 282/STF. PREQUESTIONAMENTO FICTO PREVISTO NO ART. 1.025 DO CPC/2015. NECESSIDADE DE SE APONTAR VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. "Se os fundamentos do acórdão recorrido não se mostram suficientes ou corretos na opinião do recorrente, não quer dizer que eles não existam. Não se pode confundir ausência de motivação com fundamentação contrária aos interesses da parte, como ocorreu na espécie. Violação do art. 489, § 1º, do CPC/2015 não configurada" (AgInt no REsp 1.584.831/CE, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 14/6/2016, DJe 21/6/2016). 2. As matérias referentes aos arts. 337, § 4º, 502 e 805, do CPC de 2015, não foram objeto de discussão no acórdão recorrido, apesar da oposição de embargos de declaração, não se configurando o prequestionamento, o que impossibilita a sua apreciação na via especial (Súmula n. 282/STF). 3. Ressalto que o STJ não reconhece o prequestionamento pela simples interposição de embargos de declaração. Persistindo a omissão, é necessária a interposição de recurso especial por afronta ao art. 1.022 do CPC de 2015 (antigo art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sob pena de perseverar o óbice da ausência de prequestionamento. 4. "A admissão de prequestionamento ficto (art. 1.025 do CPC/15), em recurso especial, exige que no mesmo recurso seja indicada violação ao art. 1.022 do CPC/15, para que se possibilite ao Órgão julgador verificar a existência do vício inquinado ao acórdão, que uma vez constatado, poderá dar ensejo à supressão de grau facultada pelo dispositivo de lei". (REsp 1639314/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/04/2017, DJe 10/04/2017). 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1.464.168/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Quarta Turma, j. em 10/03/2020, DJe 17/03/2020) Contudo, no caso dos autos, apesar da oposição dos aclaratórios, a análise do tema agora tratado não pode ser feita em razão da ausência de indicação de violação ao disposto no art. 1.022 do NCPC. Assim, o recurso não pode ser conhecido quanto ao ponto por falta de prequestionamento. Nessas condições, CONHEÇO do agravo para CONHECER EM PARTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO. MAJORO em 5% o valor dos honorários advocatícios anteriormente fixados em desfavor de ESPÓLIO DE JOÃO, nos termos do art. 85, § 11, do NCPC. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do NCPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. PARCERIA PECUÁRIA. CONTRATO VERBAL. PRESCRIÇÃO. DECENAL. CRIAS. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. CAUSA DE PEDIR DIVERSA. PREQUESTIONAMENTO. INEXISTÊNCIA. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.