AREsp 2359470 - DECISAO
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial porque o recurso não indicou dispositivo de lei apto a demonstrar nulidade de citação, a matéria não foi prequestionada na origem, e incidiram óbices de súmula (deficiência de fundamentação e ausência de prequestionamento), nos termos do art. 21‑E, V, do...
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- Parties
- Recorrente: REGINALDO LEONARDO DE SOUSA; Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ; Denunciado/corréu: JOSÉ HUGO DE LIMA FILHO; Denunciada/corré: MARIA DAS DORES MOURA DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decidido
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, com fundamento no art. 21‑E, V, do Regimento Interno do STJ.
- Legal Topics
- Prescrição, Suspensão Do Processo, Citação Por Edital, Extinção Da Punibilidade, Prequestionamento, Deficiência De Fundamentação, Súmulas Constitucionais E Infraconstitucionais
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Parties
REGINALDO LEONARDO DE SOUSA
Recorrente
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ
Recorrido
JOSÉ HUGO DE LIMA FILHO
Denunciado/corréu
MARIA DAS DORES MOURA DA SILVA
Denunciada/corré
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decidido
Legal Issues
- 1 validade da citação por edital e diligências para citação pessoal
- 2 suspensão do prazo prescricional nos termos do art. 366 do CPP
- 3 incidência da prescrição e extinção da punibilidade
Ratio Decidendi
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial porque o recurso não indicou dispositivo de lei apto a demonstrar nulidade de citação, a matéria não foi prequestionada na origem, e incidiram óbices de súmula (deficiência de fundamentação e ausência de prequestionamento), nos termos do art. 21‑E, V, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, com fundamento no art. 21‑E, V, do Regimento Interno do STJ.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo de REGINALDO LEONARDO DE SOUSA contra decisão proferida no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ que inadmitiu o recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal - CF, contra acórdão proferido no julgamento no Recurso em Sentido Estrito n. 0760465-24.2021.8.18.0000. Consta dos autos que o Juiz de Direito da 3ª Vara Criminal da Comarca de Teresina extinguiu a punibilidade do recorrente, pela prescrição da pretensão punitiva estatal, na forma do art. 107, IV do Código Penal - CP. O recorrente foi denunciado, juntamente com José Hugo de Lima Filho e Maria das Dores Moura da Silva, pela prática do crime de estelionato (fl. 413). Recurso em Sentido Estrito interposto pela acusação foi provido para afastar a extinção da punibilidade do recorrente, em razão da suspensão, nos termos do art. 366, do Código de Processo Penal - CPP (fl. 424). O acórdão ficou assim ementado: "PROCESSUAL PENAL. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. CRIME DE ESTELIONATO. RECURSO INTERPOSTO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. CITAÇÃO POR EDITAL. RÉU INERTE. DECISÃO DE SUSPENSÃO DO PROCESSO E DA PRESCRIÇÃOPELO MAGISTRADO DE PRIMEIRO GRAU. ARTIGO 366 DOCÓDIGO DE PROCESSO PENAL. SÚMULA 415 DO STJ. POSSIBILIDADE DE AFASTAR EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. PROCESSO SUSPENSO ATÉ 2025. RECURSO CONHECIDO EPROVIDO.1. In casu, o Juiz de Direito da 3ª Vara Criminal da Comarca de Teresina deixou de considerar que o prazo prescricional em relação ao recorrido está suspenso desde a data de 10/07/2013, quando foi determinada a suspensão do curso de processo e do prazo prescricional, após a sua devida citação por edital (ID 5429599, fls.269/277) e este quedou-se inerte, deixando de apresentar qualquer defesa ou pronunciamento nos autos.2. Considerando ainda que por inteligência da Súmula 415 do Superior Tribunal de Justiça, o período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da pena cominada, então a prescrição referente ao acusado está suspensa por 12 (doze) anos, ou seja, desde 10/07/2013 até 09/07/2025.3. Recurso conhecido e provido, para afastar a extinção da punibilidade do recorrido REGINALDO LEONARDO DE SOUSA, posto que o feito encontra-se suspenso com relação a ele, nos termos do artigo 366, do Código de Processo Penal." (fls. 412/413) Em sede de recurso especial (fls. 430/438), a defesa apontou violação ao art. 109, III, do CP, porque não foram feitas as devidas diligências no sentido de citar pessoalmente o recorrente, para incidência da SUSPENSÃO DO PROCESSO, uma vez que só fora realizada uma tentativa de citação, logo em seguida sendo determinada a citação por edital do recorrido. Requer seja reformado o acórdão recorrido. Contrarrazões do MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ (fls. 442/450). O recurso especial foi inadmitido no TJ em razão de: a) óbice da Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal - STF e; b) óbice da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça - STJ (fls. 451/454). Em agravo em recurso especial, a defesa impugnou os referidos óbices (fls. 459/466). Contraminuta do Ministério Público (fls. 470/477). Os autos vieram a esta Corte, sendo protocolados e distribuídos. Aberta vista ao Ministério Público Federal - MPF, este opinou pelo desprovimento do recurso (fl. 493). É o relatório. Decido. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo em recurso especial, passo à análise do recurso especial. O recurso especial não comporta conhecimento. Vê-se que o único dispositivo de lei indicado por violado diz respeito à prescrição. O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ afastou a prescrição e a extinção da punibilidade do recorrente em razão da suspensão do feito nos seguintes termos do voto do relator: "No caso, o Magistrado sentenciante considerou a prescrição estatal aos acusados, alegando que entre a data do recebimento da denúncia, em 03/07/2009, e a data da apreciação do fato pela sentença, em 05/07/2021, decorreu mais de 12 anos. Ocorre que o Juiz de Direito da 3ª Vara Criminal da Comarca de Teresina deixou de considerar que o prazo prescricional em relação ao recorrido está suspenso desde a data de 10/07/2013 (ID5429599, fls. 279), quando foi determinada a suspensão do curso de processo e do prazo prescricional, após a sua devida citação por edital (ID 5429599, fls. 269/277) e este quedou-se inerte, deixando de apresentar qualquer defesa ou pronunciamento nos autos, in verbis (ID5429599, fls. 279): " Tendo em vista o teor da certidão de fls. 144 dos autos determino a suspensão do processo e do prazo prescricional em relação aos acusados Reginaldo e Maria das Dores, nos termos do art. 366 do CPP, que deverá ficar limitado a 12 anos, a contar desta data. Em relação ao acusado José Hugo determino o prosseguimento do feito, com a designação de audiências, intimações e providências necessárias. Constata-se que citado por edital, não compareceu em juízo e nem constituiu defensor, por este motivo, o Magistrado de primeiro grau determinou a suspensão do processo e do prazo prescricional, nos termos do art. 366 do Código de Processo Penal, que diz: Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312". Considerando ainda que por inteligência da Súmula 415 do Superior Tribunal de Justiça, o período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da pena cominada, então a prescrição referente ao acusado está suspensa por 12 (doze) anos, ou seja, desde 10/07/2013até 09/07/2025. (..) Portanto, o feito deve permanecer suspenso com relação ao acusado REGINALDO LEONARDO DE SOUSA, pelo período de 12 (doze) anos. Dessa forma, constata-se que não transcorreu o lapso temporal exigido para prescrição da pretensão punitiva estatal em face do recorrido, visto que o processo encontra-se suspenso desde julho de 2013 até os dias atuais. Por fim, esclarece-se que em relação ao outro denunciado, JOSÉ HUGO DE LIMA FILHO, como não houve a suspensão do processo e do curso do prazo prescricional, posto que apresentou defesa, mostra-se correta a sentença que extinguiu a sua punibilidade em razão da prescricional da pretensão punitiva estatal, face ao transcurso de período superior à 12(doze) anos desde a data de recebimento da denúncia, qual seja 03/07/2009 até a prolação da sentença em05/07/2021." (fls. 415/418). Destarte, o recurso especial não se mostra apto a alterar o decisum, pois deveria a parte ter indicado artigo de lei que comportasse a nulidade de citação, que é a tese defensiva. Além disso, percebe-se que após o julgamento do Recurso em Sentido Estrito acusatório, tal matéria sequer foi objeto de aclaratórios na origem, sendo o caso de ausência de prequestionamento. Assim, incidentes os óbices das Súmulas ns. 284/STF; e 282 e 356 do STF, em razão da deficiência de fundamentação e ausência de prequestionamento. Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, com fundamento no art. 21-E , V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA