AREsp 1946488 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo, por conformidade com a jurisprudência da Segunda Seção: os valores pagos por força de liminar posteriormente revogada devem ser restituídos; o prazo prescricional aplicável é decadencial de 10 anos (art. 205 CC), cujo termo inicial é o trânsito em julgado da decisão que confirma a...
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- Parties
- Ré: CERES; Exequente: exequente
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão
- Outcome
- Nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Prescrição, Cumprimento De Sentença, Tutela Antecipada, Ressarcimento, Repetibilidade/irrepetibilidade, Correção Monetária, Honorários Advocatícios, Litigância De Má Fé, Gratuidadede Justiça, Suspenção/ Tema Repetitivo
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Parties
CERES
Ré
exequente
Exequente
Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão
Legal Issues
- 1 prazo prescricional aplicável à pretensão de ressarcimento de valores pagos por força de liminar posteriormente revogada
- 2 termo inicial da prescrição (trânsito em julgado vs data da revogação da liminar)
- 3 possibilidade de execução nos próprios autos para restituição de valores pagos em virtude de liminar revogada
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo, por conformidade com a jurisprudência da Segunda Seção: os valores pagos por força de liminar posteriormente revogada devem ser restituídos; o prazo prescricional aplicável é decadencial de 10 anos (art. 205 CC), cujo termo inicial é o trânsito em julgado da decisão que confirma a revogação da liminar; o ressarcimento pode ser obtido em cumprimento de sentença nos próprios autos; não se aplica a irrepetibilidade por boa-fé diante da provisoriedade da liminar; e o INPC foi fixado como índice de correção na ausência de demonstração da aplicação da TR.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência da Súmula n. 7/STJ (e-STJ fls. 471/473). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (e-STJ fls. 309/311): AGRAVOS DE INSTRUMENTO. JULGAMENTO SIMULTÂNEO. VALORES NÃO ABARCADOS NO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. ALEGAÇÃO DE PRESCRIÇÃO. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO AVENTADAS NO POSTERIOR RECURSO DE EMBARGOS DECLARATÓRIOS. INEXISTENTE. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. SOBRESTAMENTO. PET 12.482/DF. INADMISSIBILIDADE. RESSARCIMENTO. VALORES PAGOS NA VIGÊNCIA DE LIMINAR. POSTERIOR REVOGAÇÃO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. REJEIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INPC. ALEGAÇÃO DE IRREPETIBILIDADE E BOA-FÉ. IMPROCEDÊNCIA. IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. RECONHECIMENTO DE EXCESSO DE EXECUÇÃO. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. PROVEITO ECONÔMICO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. ALTERAÇÃO DA VERDADE DOS FATOS. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. 1. Não se conhece do agravo do executado quanto ao tema atinente à prescrição da pretensão de cobrança de valores que não estão abarcados no cumprimento de sentença, tendo em vista a ausência de interesse recursal. 2. O fato de não terem todos os pontos sido posteriormente questionados em sede de embargos de declaração, não implica a preclusão das demais questões enfrentadas pela decisão embargada, uma vez que referido recurso possui caráter integrativo e aclaratório, não servindo para rediscussão de todos os fundamentos, possuindo como fim tão somente sanar eventuais vícios de omissão, contradição, obscuridade ou erro material. 3. A determinação de suspensão exarada pelo STJ na Pet 12.482/DF restringe-se aos feitos sem trânsito em julgado, o que não é o caso do cumprimento de sentença a que se subjazem os presentes agravos, em que houve a formação da coisa julgada material antes da ordem de suspensão. 4. Considerando a provisoriedade da decisão cautelar que determinou o pagamento, pela ré CERES, de reajuste de complementação de aposentadoria aos beneficiários, a superveniência do julgamento desfavorável ao autor confere à ré o direito de ser ressarcida dos valores que pagou por força da decisão liminar revogada, na medida em que a improcedência do pedido aduzido na inicial importa na declaração de que os valores pagos por força da liminar são indevidos, devendo ser restituídos. 5. O cumprimento de sentença constitui via adequada para o réu obter o ressarcimento dos valores pagos na vigência de decisão liminar posteriormente revogada, não havendo que se falar em inadequação da via eleita. 6. A prescrição da pretensão executiva não pode ser contabilizada a partir do acórdão de apelação que reformou a sentença de procedência, mas sim, a partir do trânsito em julgado da última decisão proferida na fase de conhecimento, sobretudo quando se verifica que a matéria permaneceu controversa nas cortes superiores, sobrevindo acertamento definitivo do direito somente após decisão proferida no STF. 7. Considerando que a pretensão de ressarcimento diz respeito a valores pagos na vigência de liminar posteriormente revogada, mostra-se irrelevante a natureza material de tais verbas para efeito de contagem do prazo prescricional. 8. Não existindo na legislação prazo prescricional específico para a pretensão de ressarcimento de valores pagos por força de liminar posteriormente revogada, aplica-se o prazo prescricional geral de 10 anos estabelecido no artigo 205 do CC. 9. Não há que se falar em irrepetibilidade, a pretexto de recebimento de boa-fé, em relação a valores pagos por força de liminar posteriormente revogada, uma vez que a parte autora teve ciência, desde o início, da provisoriedade da decisão liminar. 10. À míngua de comprovação de que a TR seria o índice aplicável aos benefícios pagos ao executado, não merece reparos a decisão agravada, que estabeleceu o INPC como índice de correção monetária sobre os valores a serem ressarcidos em virtude de liminar posteriormente revogada. 11. Correta a decisão que, acolhendo, em parte, a impugnação ao cumprimento de sentença e reconhecendo excesso de execução, condena a exequente ao pagamento de honorários em percentual sobre o excesso verificado, correspondente ao proveito econômico obtido pelo devedor. 12. Verificando-se que a credora efetivamente promoveu a alteração da verdade dos fatos com o fim de se beneficiar e ver afastada sua sucumbência quanto ao excesso de execução reconhecido pela decisão agravada, incidindo assim no disposto pelo art. 80, inc. II, do CPC, deve ser considerada litigante de má-fé. 13. Considerando ser relativa a presunção de pobreza emanada da declaração firmada pela parte, o benefício da gratuidade não pode ser deferido de forma automática, quando não é possível concluir estar a parte enquadrada no que dispõe a legislação pertinente. Deve ser oportunizado à parte executada a comprovação de que preenche os requisitos legais para concessão do benefício. 14. Agravo do executado parcialmente conhecido e, na parte conhecida, desprovido. Agravo da exequente conhecido e parcialmente provido. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 356/361). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 364/391), interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte requereu preliminarmente o sobrestamento do recurso para aguardar o julgamento da revisão do Tema Repetitivo n. 692/STJ (PET n. 12.482/DF). No mérito, alegou dissídio jurisprudencial e violação dos seguintes dispositivos legais, sob os respectivos fundamentos: (i) arts. 190, 205 e 206, § 3º, II, do CC, sustentando ser trienal o prazo prescricional aplicável ao pedido de devolução de valores recebidos por força de decisão em que se antecipam os efeitos da tutela, para proceder à revisão de benefício de previdência privada, por serem relativos a "rendas vitalícias", (ii) art. 189 do CC, sob o argumento de que o termo inicial da contagem do prazo prescricional deve coincidir com a data em que revogada a liminar, e não com o trânsito em julgado da ação, (iii) art. 1.707 do CC, afirmando a irrepetibilidade dos valores de natureza alimentar recebidos de boa-fé, e (iv) arts. 302 e 523 do CPC/2015 e 811 do CPC/1973, sob a alegação de inadequação da via eleita, pois a parte recorrida não poderia requerer a devolução dos valores pagos em cumprimento de sentença, por não haver título executivo judicial com conteúdo condenatório. No agravo (e-STJ fls. 477/492), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta apresentada (e-STJ fls. 497/503). É o relatório. Decido. Tendo em vista o julgamento em 11/5/2022 da PET n. 12.482/DF (acórdão publicado no DJE de 24/5/2022), reafirmando a tese firmada no julgamento do Tema Repetitivo n. 692/STJ, fica prejudicado o pedido de sobrestamento do recurso. Em relação ao prazo prescricional aplicável, ao termo inicial da prescrição, à repetibilidade dos valores e à adequação da via eleita, observa-se que o acórdão recorrido, ao decidir que (i) "a prescrição da pretensão executiva não pode ser contabilizada a partir do acórdão que julgou a apelação da ré CERES, mas sim, a partir do trânsito em julgado da última decisão proferida na fase de conhecimento", (ii) "a pretensão de ressarcimento da exequente CERES diz respeito a valores pagos na vigência de liminar posteriormente revogada, sendo irrelevante a natureza material de tais verbas para efeito de contagem do prazo prescricional", e, como "não existe na legislação prazo prescricional específico para a pretensão de ressarcimento de valores pagos por força de liminar", aplica-se "o prazo geral de 10 anos estabelecido no artigo 205 do CC", (iii) "A teor do que dispunha o parágrafo único do artigo 811 do CPC/1973, e, atualmente, conforme disposição contida no parágrafo único do artigo 302 do CPC/2015, tal ressarcimento pode se dar em sede de cumprimento de sentença, não havendo necessidade de ajuizamento de ação autônoma para pleitear a repetição dos valores despendidos na vigência da decisão precária de antecipação de tutela posteriormente revogada" e (iv) "não há que se falar em irrepetibilidade, a pretexto de recebimento de boa-fé, em relação a valores pagos por força de liminar posteriormente revogada", pois "a decisão liminar que determinou a manutenção do reajuste de mais de 46% na complementação de aposentadoria foi proferida em caráter provisório, de modo que desde o início o ora executado tinha ciência da litigiosidade da matéria e da possibilidade de reversão da decisão, o que, de fato, ocorreu" (e-STJ fls. 315/318), o fez em conformidade com a orientação jurisprudencial da Segunda Seção desta Corte. Confira-se: RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS COMPLEMENTARES. DECISÃO LIMINAR. REVOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. EXECUÇÃO NOS MEUS AUTOS. POSSIBILIDADE. PRAZO PRESCRICIONAL DECENAL. TERMO INICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO QUE CONFIRMA A REVOGAÇÃO DA LIMINAR. NÃO OCORRÊNCIA DA PRESCRIÇÃO. 1- Recurso especial interposto em 1/4/2021 e concluso ao gabinete em 27/5/2021. 2- O propósito recursal consiste em definir: a) se os valores de benefícios previdenciários complementares recebidos por força de decisão liminar posteriormente revogada devem ser restituídos; b) se é possível proceder à execução, nos próprios autos, objetivando a restituição de valores despendidos a título de decisão liminar posteriormente revogada; c) o fundamento da pretensão à restituição dos valores despendidos a título de decisão liminar e o prazo prescricional a que está submetida; d) o termo inicial do referido prazo; e f) o índice de correção monetária incidente sobre os valores a serem restituídos. 3- Em sessão de julgamento realizada em 25/10/2022, diante da divergência instaurada no âmbito da Terceira Turma acerca do prazo prescricional, afetou-se o julgamento do presente recurso à Segunda Seção. 4- Esta Corte Superior perfilha o entendimento de que "os valores de benefícios previdenciários complementares recebidos por força de tutela antecipada posteriormente revogada devem ser devolvidos, ante a reversibilidade da medida antecipatória, a ausência de boa-fé objetiva do beneficiário e a vedação do enriquecimento sem causa" (REsp 1555853/RS, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/11/2015, DJe 16/11/2015). 5- É possível proceder à execução, nos próprios autos, objetivando o ressarcimento de valores despendidos a título de tutela provisória, posteriormente revogada, sendo desnecessário, portanto, o ajuizamento de ação autônoma para pleitear a devolução do numerário. Precedentes. 6- Muito embora a decisão que deferiu a tutela de urgência possa ser encarada como causa imediata dos referidos pagamentos, é imperioso observar que, a rigor, a verdadeira causa, isto é, a causa mediata do recebimento da complementação de aposentadoria é o próprio contrato de previdência privada entabulado entre recorrente e recorrida, motivo pelo qual não há que se falar, na espécie, em enriquecimento sem causa. 7- É de 10 anos o prazo prescricional aplicável à pretensão de restituição de valores de benefícios previdenciários complementares recebidos por força de decisão liminar posteriormente revogada, tendo em vista não se tratar de hipótese de enriquecimento sem causa, de prescrição intercorrente ou de responsabilidade civil. 8- Na específica hipótese dos autos, que cinge controvérsia acerca da revogação de decisão liminar, o termo a quo do prazo prescricional é a data do trânsito em julgado do provimento jurisdicional em que se confirma a revogação da liminar, pois este é o momento em que o credor toma conhecimento de seu direito à restituição, pois não mais será possível a reversão do aresto que revogou a decisão precária. 9- Na espécie, tendo em vista que o trânsito em julgado ocorreu em 31/3/2016 e que o cumprimento de sentença voltado à restituição dos valores recebidos por força de decisão precária foi proposto em 13/3/2020, é imperioso concluir que não houve o decurso do prazo prescricional decenal previsto no art. 205, do CC/02. 10- Recurso especial não provido. (REsp n. 1.939.455/DF, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 26/4/2023, DJe de 9/6/2023.) Aplica-se a Súmula n. 83/STJ. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se. EMENTA