REsp 2149465 - DECISAO
Reconheceu-se a prescrição da pretensão executiva porque o título executivo transitou em julgado em 1996 e o cumprimento de sentença relativo à obrigação de fazer foi ajuizado apenas em 2014, ultrapassando o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 1º do Decreto 20.910/1932 e consolidado na jurisprudência do...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: ESTADO DO PIAUÍ; Recorrida: Impetrante (Procuradora do Estado)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 June 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Recurso Especial
- Outcome
- Dou provimento ao recurso especial para reconhecer a prescrição da pretensão executiva.
- Legal Topics
- Prescrição, Cumprimento De Sentença, Obrigação De Fazer, Teto Remuneratório, Mandado De Segurança
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ESTADO DO PIAUÍ
Recorrente
Impetrante (Procuradora do Estado)
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 prescrição da pretensão executória
- 2 termo inicial da contagem do prazo prescricional
- 3 aplicação do art. 1º do Decreto n. 20.910/32
Ratio Decidendi
Reconheceu-se a prescrição da pretensão executiva porque o título executivo transitou em julgado em 1996 e o cumprimento de sentença relativo à obrigação de fazer foi ajuizado apenas em 2014, ultrapassando o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 1º do Decreto 20.910/1932 e consolidado na jurisprudência do STJ e nas Súmulas do STF, não havendo nos autos indicação de suspensão ou interrupção do prazo.
Court Disposition
Dou provimento ao recurso especial para reconhecer a prescrição da pretensão executiva.
Orders
- Reconhecer a prescrição da pretensão executiva.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo ESTADO DO PIAUÍ com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal. O feito decorre de agravo de instrumento interposto pelo ente público em fade de decisão, proferida em sede de mandado de segurança, que determinou o reajuste salarial da parte recorrida como Procuradora do Estado de 4ª Classe, com valor da causa atribuído em CR$ 500.000,00 (quinhentos mil cruzeiros), em maio de 1992. O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ negou provimento ao agravo de instrumento em acórdão assim ementado: AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. SUBSÍDIO DOS DESEMBARGADORES DO TRIBUNAL DOS ESTADOS COMO TETO REMUNERATÓRIO. 1. De acordo com o art. 37, inciso XI, da CF, aplica-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos porcento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41/2003). 2. Passando à análise acerca de qual subsídio se considera como teto remuneratório do redutor constitucional aplicado ao caso em questão, tendo sido equiparada a impetrante à Procuradora do Estado, nos termos do acórdão (ID Num. 5703059Págs. 145/154) transitado em julgado, e mantida no julgamento da Ação Rescisória nº 98.001604-5, é decorrência lógica que se aplique o teto previsto na Constituição Federal, não havendo que se falar em julgamento ultra petita. 3. Decisão mantida. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. No presente recurso especial, o recorrente aponta violação do art. 1º do Decreto n. 20.910/32. Sustenta, em síntese, que a pretensão estaria prescrita porquanto o título judicial transitou em julgado em 1996 e o referido cumprimento de sentença foi proposto apenas em 2014. Apresentadas contrarrazões pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Decido. Em relação à prescrição, o Tribunal de origem assim consignou à fl. 835: Trata-se de Mandado de Segurança em que foi concedida a segurança à impetrante para reconhecer o seu direito a receber os mesmos vencimentos, direitos e demais vantagens dos Procuradores Gerais do Estado do Piauí, conforme disposto pela Lei Delegada nº 91/74, com trânsito em julgado em 1996 (ID Num. 5703059 Págs. 285/286). (..) Por sua vez, ultrapassado também o argumento de reconhecimento do prazo prescricional, em virtude de que a ilegalidade e descumprimento da decisão judicial se renova a cada mês, já que se trata de obrigação de trato sucessivo, a verdade é que a implementação no contracheque da impetrante decorrente da equiparação já ocorreu desde 2014, dando-se cumprimento ao decisum soberano, estando a dúvida pairando tão somente quanto ao subsídio utilizado como parâmetro para fins de aplicação do teto remuneratório. O entendimento adotado no acórdão do Tribunal a quo destoa da jurisprudência desta Corte Superior, a qual é firme no sentido de que, em conformidade com as Súmulas n. 150 e 383 do STF, a ação de execução promovida contra a Fazenda Pública prescreve em 5 anos, contados do trânsito em julgado da sentença de conhecimento. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA. CONTAGEM. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ARESTOS CONFRONTADOS. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. HISTÓRICO DO PROCESSO 1. Cuida-se de Embargos de Divergência opostos a acórdão da Primeira Turma que reconheceu a prescrição da pretensão executória, sob o fundamento de que "o lapso prescricional de cinco anos para se promover a execução contra a Fazenda Pública conta-se da data do trânsito em julgado da sentença condenatória". 2. Os recorrentes sustentam que o aresto diverge do entendimento da Segunda Turma e da Corte Especial. Apontam como paradigmas os acórdãos proferidos no Agravo em Recurso Especial 1.671.305/MT e no Recurso Especial 1.340.444/RS. Defendem, em síntese, que "os acordãos tratam de vantagens remuneratórias pagas mensalmente em salários de servidor público e discorrem sobre a prescrição do direito, sendo que a 2ª Turma e a Corte Especial entendem que prescrevem somente as parcelas pertinentes à prescrição quinquenal afastando a aplicação do art. 1º do Decreto 20.910/32. Veja que não se trata de "prescrição superveniente", "intercorrente" ou "fundo de direito", mas sim de "prestação de trato sucessivo" com a aplicação da Súmula 85/STJ, conforme destacado nos acórdãos paradigmas." (fl. 3208, e-STJ). DA AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ARESTOS CONFRONTADOS 3. Nos termos da jurisprudência do STJ, para que os Embargos de Divergência sejam admitidos, faz-se necessária a demonstração, entre outros requisitos, de que: a) os acórdãos embargado e paradigma sejam de mérito, ou de que um deles, embora não conheça do Recurso, tenha apreciado a controvérsia; b) a divergência seja atual; c) haja similitude entre as premissas fáticas que envolvem os casos enfrentados no acórdão embargado e no paradigma; d) as soluções jurídicas conferidas a esses casos sejam distintas. 4. O acórdão embargado tratou da prescrição da pretensão executória, afirmando que o seu termo inicial é a data do trânsito em julgado do título executivo. 5. Não há divergência entre as Turmas que compõem a Primeira Seção sobre o tema. A propósito: "o entendimento proferido no acórdão do Tribunal a quo encontra consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, a qual é firme no sentido de que, em conformidade com as Súmulas n. 150 e 383 do STF, a ação de execução promovida contra a Fazenda Pública prescreve em 5 anos, contados do trânsito em julgado da sentença de conhecimento." (AgInt no AREsp n. 1.030.850/RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 17/5/2023). No mesmo sentido: "o acórdão proferido na Corte de origem contraria o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça de que, "ainda que originadas de um mesmo título judicial, as duas pretensões (fazer e dar) são distintas, motivo pelo qual o prazo prescricional para ambas inicia-se com o trânsito em julgado do título executivo judicial e corre paralelamente sem que o exercício da pretensão em uma obrigação reflita sobre a outra."" (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.998.075/AL, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 13/12/2022). 6. Por outro lado, a decisão da Segunda Turma indicada como paradigma afastou a prescrição do fundo do direito, aplicando a Súmula 85/STJ, em feito que ainda estava na fase de conhecimento. Em nenhum momento tratou-se da prescrição da pretensão executória, o que descaracteriza a similitude fática entre os casos confrontados. 7. O aresto proferido pela Corte Especial, por sua vez, abordou a autonomia das pretensões de execução das obrigações de fazer e de pagar. Esse tema não foi debatido no decisum embargado. CONCLUSÃO 8. Agravo Interno não provido. (AgInt nos EREsp n. 1.862.562/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, julgado em 12/12/2023, DJe de 20/12/2023.- grifei) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. REVALORAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS DELINEADOS NO ACÓRDÃO RECORRIDO. POSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. INAPLICABILIDADE. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. OBRIGAÇÕES DE FAZER E DE PAGAR. PRAZO PRESCRICIONAL ÚNICO. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA DA OBRIGAÇÃO DE FAZER. OCORRÊNCIA. 1. "A jurisprudência do STJ é pacífica em reconhecer excepcionalmente a possibilidade de revaloração jurídica dos fatos, sobretudo quando se tratar de aplicação equivocada de norma ou princípio jurídico" (AgInt no AREsp n. 1.540.671/PR, relator Ministro MANOEL ERHARDT - Desembargador Convocado do TRF5, PRIMEIRA TURMA, DJe de 17/8/2022). 2. "Havendo execuções de naturezas diversas, .. a regra é de que ambas devem ser autonomamente promovidas dentro do prazo prescricional. Excepciona-se apenas a hipótese em que a própria decisão transitada em julgado, ou o juízo da execução, dentro do prazo prescricional, reconhecer que a execução de um tipo de obrigação dependa necessariamente da prévia execução de outra espécie de obrigação" (REsp n. 1.340.444/RS, relator para acórdão Ministro HERMAN BENJAMIN, CORTE ESPECIAL, DJe de 12/6/2019). 3. "Segundo entendimento desta Corte, o lapso prescricional de cinco anos para se promover a execução contra a Fazenda Pública conta-se da data do trânsito em julgado da sentença condenatória, consoante disposto no art. 1º do Decreto 20.910/1932 e na Súmula 150/STJ" (AgInt no REsp n. 1.378.709/PR, relator Ministro PAULO SÉRGIO DOMINGUES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 20/4/2023). Nesse mesmo sentido: REsp n. 1.921.188/DF, relator Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 10/6/2022. 4. Hipótese que não cuida de prescrição intercorrente, "porquanto não houve interrupção do lapso prescricional, mas de prescrição direta pela inobservância do prazo previsto no art. 1º do Decreto n. 20.910/1932. Assim, "tratando-se de prescrição direta, pode sua decretação ocorrer de ofício, sem prévia oitiva da exequente, nos termos do art. 219, § 5º, do CPC" (AgRg no AREsp 515.984/BA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 27/6/2014). No mesmo sentido: REsp 1.755.323/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 19/11/2018" (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.252.854/SP, relator Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 9/8/2019). 5. Caso concreto em que, tal como consignado no acórdão recorrido, inexistindo controvérsia de que o trânsito em julgado do título executivo judicial ocorreu em 19/8/2005 e que a execução de sentença inicialmente ajuizada pela parte ora agravante sucedeu em 10/8/2010, referiu-se exclusivamente à obrigação de pagar coisa certa, o posterior requerimento de cumprimento de sentença em 23/9/2014, dessa vez em relação à obrigação de fazer encartada no título executivo, deu-se após o transcurso do prazo prescricional. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.882.057/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 1/3/2024.) No caso, não consta dos autos qualquer informação sobre eventual suspensão ou interrupção do prazo prescricional, razão pela qual, a pretensão executória promovida há mais de cinco anos do trânsito em julgado do título judicial encontra-se prescrita. Em concreto, o Tribunal de origem consignou que o título judicial transitou em julgado em 1996 e que o cumprimento de sentença somente foi proposto em 2014, estando, de fato prescrito. Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, dou provimento ao recurso especial para reconhecer a prescrição da pretensão executiva. Publique-se. Intimem-se. EMENTA