AREsp 2492875 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem corretamente concluiu que a ação é cobrança de notas fiscais, sujeita ao prazo quinquenal do art. 206, §5º, I, do Código Civil, e a alteração dessa conclusão demandaria reexame de provas, obstado pela Súmula 7/STJ, além de haver precedentes desta...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: HEINZ BRASIL S.A.; Agravada: Madeireira Agravada
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática Que Conheceu Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Prescrição, Ação De Cobrança De Notas Fiscais, Reexame De Provas Em Recurso Especial (súmula 7/stj), Súmula 83/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
HEINZ BRASIL S.A.
Agravante
Madeireira Agravada
Agravada
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática Que Conheceu Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 prazo prescricional aplicável à cobrança de notas fiscais
- 2 possibilidade de reexame do acervo fático-probatório em recurso especial
- 3 incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem corretamente concluiu que a ação é cobrança de notas fiscais, sujeita ao prazo quinquenal do art. 206, §5º, I, do Código Civil, e a alteração dessa conclusão demandaria reexame de provas, obstado pela Súmula 7/STJ, além de haver precedentes desta Corte que confirmam a aplicação do quinquenal.
Court Disposition
Agravo interno desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão monocrática que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 18/06/2024 a 24/06/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE AGRAVANTE. 1. O entendimento do Tribunal de origem coaduna-se com o desta Corte Superior, no sentido de que o prazo aplicável para ação de cobrança de notas fiscais é o quinquenal. Incidência da Súmula 83/STJ . 2. Derruir a conclusão do acórdão recorrido de que a cobrança dos autos se refere a notas fiscais demandaria o reexame das provas dos autos, providência vedada em sede de recurso especial, ante o óbice estabelecido pela Súmula 7/STJ. Precedentes. 3 . Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): Cuida-se de agravo interno, interposto por HEINZ BRASIL S.A., contra a decisão monocrática de fls. 136-138, e-STJ, da lavra deste signatário, que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial da ora insurgente. O apelo extremo (art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da CF/88), a seu turno, desafiou acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, assim ementado (fl. 75, e-STJ): AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE COBRANÇA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NOTAS FISCAIS. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. 1. O artigo 206, § 5º, inciso I, do Código Civil, estabelece o prazo de cinco anos para prescrição da pretensão da cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular, a contar da data do vencimento do débito, como é o caso dos autos, porquanto, trata-se de ação de cobrança fundada em ausência de pagamentos de notas fiscais. 2. Se os serviços foram prestados pela Madeireira Agravada no ano de 2017, conforme demonstram as notas fiscais e canhotos juntados ao processo e a ação foi ajuizada em 25/11/2021, não há que se falar em prescrição, conforme decidido pelo ilustre magistrado sentenciante. AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO E DESPROVIDO. Nas razões do recurso especial (fls. 88-92, e-STJ), a insurgente alega que o acórdão recorrido violou o artigo 206, §3º, IV e V, do CC, aduzindo que a demanda de origem se trata, na verdade, de uma ação por reparação civil ou mesmo uma pretensão de enriquecimento sem causa, devendo ser aplicado o prazo prescricional trienal. Em juízo de admissibilidade, o Tribunal a quo inadmitiu o recurso especial (fls. 111-113, e-STJ), dando ensejo à interposição do agravo (fls. 117-120, e-STJ). Não foi apresentada contraminuta (fl. 128, e-STJ). Em decisão monocrática (fls. 136-138, e-STJ), o agravo foi conhecido para não conhecer do recurso especial, sob os seguintes fundamentos: i) o entendimento do Tribunal de origem coaduna-se com o desta Corte Superior, no sentido de que o prazo aplicável para ação de cobrança de notas fiscais é o quinquenal, e ii) alterar a conclusão quanto à natureza da ação demandaria a incursão no acervo fático-probatório acostado aos autos, razão pela qual incide o óbice previsto na Súmula n. 7/STJ. Daí o presente agravo interno (fls. 142-147, e-STJ), no qual a agravante reitera que seja reconhecida a prejudicial de mérito relativa à prescrição trienal, devendo ser afastado o óbice da Súmula 7/STJ. Não foi apresentada impugnação (fl. 154, e-STJ). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE AGRAVANTE. 1. O entendimento do Tribunal de origem coaduna-se com o desta Corte Superior, no sentido de que o prazo aplicável para ação de cobrança de notas fiscais é o quinquenal. Incidência da Súmula 83/STJ . 2. Derruir a conclusão do acórdão recorrido de que a cobrança dos autos se refere a notas fiscais demandaria o reexame das provas dos autos, providência vedada em sede de recurso especial, ante o óbice estabelecido pela Súmula 7/STJ. Precedentes. 3 . Agravo interno desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): O agravo interno não merece acolhida, porquanto os argumentos tecidos pela parte agravante são incapazes de infirmar a decisão agravada, motivo pelo qual merece ser mantida, por seus próprios fundamentos. 1. Não prospera a alegação da agravante de aplicação do prazo prescricional trienal. Consoante assentado, a recorrente aponta ofensa ao artigo 206, §3º, IV e V, do CC, aduzindo que a demanda de origem se trata, na verdade, de uma ação por reparação civil ou mesmo uma pretensão de enriquecimento sem causa, devendo ser aplicado o prazo prescricional trienal. A respeito da aplicação do prazo prescricional, o Tribunal de origem assentou que (fls. 78-79, e-STJ): De início, ao contrário do que alega a parte Recorrente, verifico que o prazo para ajuizamento da ação de cobrança lastreada em canhotos e notas fiscais é quinquenal conforme previsto no artigo 206, § 5º, inciso I, do Código Civil. "Art. 206. Prescreve: (..). §5º Em cinco anos: I - a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular;" (..) Dessa forma, na hipótese em estudo, os serviços foram prestados pela Madeireira Agravada no ano de 2017, conforme demonstram as notas fiscais e canhotos juntados no movimento 01, arquivos 06, 08 e 09, dos autos de origem, e a ação foi ajuizada em 25/11/2021, não havendo falar-se em prescrição, nos termos como decidiu o ilustre magistrado. O entendimento do Tribunal de origem coaduna-se com o desta Corte Superior, no sentido de que o prazo aplicável para ação de cobrança de notas fiscais é o quinquenal. Nesse sentido, confira-se: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. NOTA FISCAL. PRAZO PRESCRICIONAL. CINCO ANOS. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O STJ concluiu que a caracterização do prequestionamento ficto exige que no mesmo recurso seja apontada violação ao art. 1.022 do CPC/2015, a fim de que esta Corte possa aferir a existência do vício do acórdão a viabilizar a supressão de instância admitida no art. 1.025 do CPC/15. 2. A pretensão à cobrança de dívida materializada em nota fiscal prescreve em cinco anos, nos termos do art. 206, § 5º, do CC/2002, independentemente de aposição de assinatura pelo devedor. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1310894/SP, Rel. Ministro LÁZARO GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª REGIÃO), QUARTA TURMA, julgado em 18/09/2018, DJe 26/09/2018) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL (CPC/1973).AÇÃO MONITÓRIA. DÍVIDA DECORRENTE DE NOTAS FISCAIS. PRAZO PRESCRICIONAL. QUINQUENAL. DÍVIDA LÍQUIDA. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535, DO CPC. AUSÊNCIA. AGRAVO DESPROVIDO COM APLICAÇÃO DE MULTA. (AgInt nos EDcl no AREsp 812.190/MT, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/09/2016, DJe 30/09/2016) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE PRODUTOS DE PETRÓLEO E SERVIÇOS ESPECIAIS DE PAVIMENTAÇÃO ASFÁLTICA. NOTAS FISCAIS. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Consoante entendimento desta Corte Superior, a cobrança de dívida representada por notas fiscais, emitidas por força de relação contratual de fornecimento de produtos, submete-se à prescrição quinquenal prevista no art. 206, § 5º, I, do Código Civil de 2002, pois as notas fiscais equiparam-se a instrumento particular para fins de definição do prazo prescricional de cinco anos para cobrança de dívida líquida. Precedentes. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.274.545/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 16/5/2022, DJe de 20/6/2022.) Ademais, alterar a conclusão de que se trata de ação de cobrança de notas fiscais demandaria a incursão no acervo fático-probatório acostado aos autos, razão pela qual incide o óbice previsto na Súmula nº 7/STJ. Sendo assim, incidem os óbices das Súmulas 7 e 83 do STJ. De rigor, portanto, a manutenção da decisão agravada. 2. Do exposto, nega-se provimento ao agravo interno. É como voto.