HC 847793 - DECISAO
Denega-se a ordem porque o acórdão corretamente considerou que o aditamento da denúncia, recebido em 25/09/2006, trouxe fatos novos e incluiu novos corréus, configurando alteração substancial da exordial e, nos termos da jurisprudência do STJ, constituindo marco interruptivo da prescrição, não havendo extinção da...
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- Parties
- Paciente/impetrante: LOURENÇO ROMMEL PONTE PEIXOTO; Respondente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória
- Outcome
- Ordem denegada
- Legal Topics
- Prescrição, Aditamento Da Denúncia, Lavagem De Dinheiro, Corrupção, Fraude Em Licitação
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Parties
LOURENÇO ROMMEL PONTE PEIXOTO
Paciente/impetrante
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Respondente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória
Legal Issues
- 1 Se o recebimento do aditamento da denúncia em 25/09/2006 constitui marco interruptivo da prescrição
- 2 Se o aditamento trouxe fatos novos ou apenas incluiu novos acusados sem alterar substancialmente a narrativa, afetando a prescrição
Ratio Decidendi
Denega-se a ordem porque o acórdão corretamente considerou que o aditamento da denúncia, recebido em 25/09/2006, trouxe fatos novos e incluiu novos corréus, configurando alteração substancial da exordial e, nos termos da jurisprudência do STJ, constituindo marco interruptivo da prescrição, não havendo extinção da punibilidade por prescrição.
Court Disposition
Ordem denegada
Orders
- Denego a ordem.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO LOURENÇO ROMMEL PONTE PEIXOTO alega sofrer coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pela Corte de origem, que "deu provimento ao recurso do MPF, para anular a sentença, no ponto em que decretou a prescrição pela pena em perspectiva, para determinar que a ação tenha seguimento quanto aos crimes não atingidos pela prescrição da pena em abstrato (arts. 317 e 333 do CP, e art. 1º, V e VII, da Lei 9.613/1998)". A defesa pretende o reconhecimento da prescrição, sob o argumento de que "o aditamento da denúncia não trouxe nenhum fato novo - apenas a inclusão de novos personagens e a pormenorização dos mesmos acontecimentos -, o novo recebimento não poderia ter sido marco interruptivo da prescrição. Esse o cenário, os crimes remanescentes teriam sido alcançados por essa causa de extinção da punibilidade em 27.06.20, pois o primeiro recebimento da denúncia se deu em 28.06.04". Ao final, a defesa pleiteia "a concessão da ordem de habeas corpus para trancar a ação penal nº 0020853-11.2004.4.01.3400 pela extinção da punibilidade diante da prescrição da pretensão punitiva do Estado. Tudo isso com fulcro no art. 61 do CPP c/c art. 109, inciso II do CP aplicado aos art. 333 do CP e art. 1º, incisos V e VII da Lei nº 9.613/98". Decido. O acórdão ora impugnado ofereceu os seguintes fundamentos quanto ao tema: .. Como consta do relatório, o Ministério Público Federal ofertou uma denúncia no ano de 2004, no âmbito da denominada "Operação Vampiro". A inicial acusatória foi recebida pelo Juizo da 10a Vara Federal no dia 28/06/2004, conforme decisão acostada às fls. 1.546/1.547. Após o avanço das investigações o órgão ministerial apresentou nova peça acusatória (fls. 4.475/4.537) na qual o MPF inseriu fatos novos, advindo do avanço das investigações, ratificou os termos da denúncia anterior, e incluiu mais 14 (quatorze) acusados. O magistrado de primeira instância recebeu a peça acusatória integrativa no dia 25/09/2006 (fls. 5.379/5.387). Desse modo, deve ser considerada a data do recebimento do aditamento da denúncia, qual seja: 25/09/2006, como o marco interruptivo da prescrição. Isso porque, é remansosa a jurisprudência dos Tribunais no sentido de que "a decisão que recebe o aditamento espontâneo próprio real material configura novo marco interruptivo da prescrição, porquanto" a referida peça acrescenta aspectos fáticos que determinam alteração substancial da narrativa anterior" (STJ. RHC 89.527/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, DJe 11/4/2018) .. Com efeito, no caso se verifica que à peça acusatória inicial foram acrescidos novos fatos ocorridos no ano de 2003 e 2004 ao tópico 11.1 da denúncia a demonstrar a, suposta, existência de organização criminosa com atuação junto ao Ministério da Saúde e voltada para a fraude a licitações mediante a corrupção de servidores públicos federais, envolvendo movimentação de grande volume de ativos financeiros caracterizando lavagem de dinheiro. Nesta parte a peça acusatória trouxe grande quantidade transcrições de interceptação telefônica que não estavam na peça original. Ainda, o item III da denúncia original, que trata da imputação de fraude ao caráter competitivo e violação de sigilo de proposta apresentada em licitação - artigos 90 e 94 da Lei 8666/93 -, e corrupção passiva e ativa - artigos 317e 333 do Código Penal foi completamente substituído pelo apresentado no aditamento à denúncia. O item IV da denúncia original também foi substituído pelo apresentado no aditamento à denúncia. O item IV trata, especificamente, sobre o, suposto, tráfico de influência para a liberação do produto da empresa Ely Lilly e da fraude ao Pregão 120/2003. Trata o item IV também da lavagem dos valores pagos pelos serviços prestados pela organização criminosa que teria sido providenciado em duas remessas, a primeira no dia 22 de janeiro de 2004, no valor de R$ 723.800,00 (setecentos e vinte e três mil e oitocentos mais), e a segunda no dia 6 de fevereiro de 2004, no valor de R$ 350.000,00 (trezentos e cinquenta mil reais). Aqui também foram acrescidos novos fatos e acusados envolvidos, tudo suportado por transcrição de interceptações telefônicas. Verifica-se, portanto, que a acusação, no aditamento à denúncia, trouxe novos fatos para compor a acusação, assim como apontou a atuação de acusados não referidos na denúncia original. Assim, no caso, é forçoso reconhecer que o aditamento da denúncia importou em modificação substancial do conteúdo da exordial acusatória, como a inclusão de novos fatos criminosos e de novos corréus, portanto, acarreta a interrupção da prescrição. .. (fls. 34-36) Na espécie, o acórdão impugnado, após consignar que o Parquet Federal ofertou uma denúncia no ano de 2004, no âmbito da denominada "Operação Vampiro" cuja inicial acusatória foi recebida pelo Juizo da 10a Vara Federal no dia 28/06/2004", ressaltou que, com "o avanço das investigações o órgão ministerial apresentou nova peça acusatória na qual o MPF inseriu fatos novos, .. ratificou os termos da denúncia anterior, e incluiu mais 14 (quatorze) acusados", tendo a respectiva peça acusatória integrativa sido recebida no dia 25/09/2006". Concluiu, a partir de tais elementos - bem como esmiuçando e cotejando as duas peças ministeriais -, que "deve ser considerada a data do recebimento do aditamento da denúncia, qual seja: 25/09/2006, como o marco interruptivo da prescrição porque é remansosa a jurisprudência dos Tribunais no sentido de que "a decisão que recebe o aditamento espontâneo próprio real material configura novo marco interruptivo da prescrição, porquanto" a referida peça acrescenta aspectos fáticos que determinam alteração substancial da narrativa anterior" (STJ. RHC 89.527/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, DJe 11/4/2018)". Portanto, forçoso concluir que o acordão vai ao encontro do entendimento firmado por este Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual "o recebimento do aditamento da denúncia, para fins de inclusão de corréu anteriormente não mencionado na inicial acusatória, é considerado causa interruptiva da prescrição, nos termos do artigo 117, inciso I, do Código Penal" (AgRg no Ag 1265868/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 09/04/2013, DJe 22/04/2013). Nesse mesmo sentido: EDcl no AgRg no AREsp n. 1.884.479/SP, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 14/12/2021, DJe de 17/12/2021. À vista do exposto, denego a ordem. Publique-se. Intimem-se. EMENTA