REsp 2157518 - DECISAO
O Tribunal manteve o acórdão do TJPR que afastou a prescrição das execuções individuais em razão da ocorrência de causa suspensiva e de interrupção do prazo prescricional (reconhecimento inequívoco do direito pelo Estado e atos que interromperam o prazo), entendendo que a apreciação integral da matéria exigiria...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Recurso Especial negado provimento
- Legal Topics
- Prescrição, Cumprimento Individual De Sentença Coletiva, Execução Individual, Suspensão Da Prescrição, Interrupção Da Prescrição, Modulação De Efeitos, Temas 877/stj E 880/stj
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Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Prescrição da pretensão executiva em cumprimento individual de sentença coletiva
- 2 Aplicabilidade dos Temas 877/STJ e 880/STJ ao caso
- 3 Efeito da suspensão e da interrupção do prazo prescricional
Ratio Decidendi
O Tribunal manteve o acórdão do TJPR que afastou a prescrição das execuções individuais em razão da ocorrência de causa suspensiva e de interrupção do prazo prescricional (reconhecimento inequívoco do direito pelo Estado e atos que interromperam o prazo), entendendo que a apreciação integral da matéria exigiria reexame de fatos e provas, vedado no Recurso Especial pela Súmula 7/STJ; assim, não se aplica ao caso a tese do Tema 880/STJ por razões temporais e fáticas, razão pela qual o Recurso Especial foi negado provimento.
Court Disposition
Recurso Especial negado provimento
Orders
- Nego provimento ao Recurso Especial.
- Caso exista nos autos prévia fixação de honorários, majoração dos honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado, em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, §11, do CPC, observados os limites aplicáveis.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. PREVIDÊNCIA PÚBLICA. RESTITUIÇÃO DE QUANTIA RELATIVA À DIFERENÇA ENTRE ALÍQUOTA COBRADA E EFETIVAMENTE DEVIDA, A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO PRE VIDE NCLÁRIA. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTIVA. EVOCORRÊNCIA. HIPÓTESE DE DISTINÇÃO (DISTINGUISHING) AO TEMA 880/STJ. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA QUE NÃO FOI ABORDADA PELO STJ. PARCTICULARIDADES DO CASO CONCRETO QUE EVIDENCIAM A OCORRÊNCIA DE CAUSA SUSPENSIVA E INTERRUPTIVA DA PRESCRIÇÃO. RECONHECIMENTO, PELO ESTADO, DO DIREITO DO SINCATO PROPOR EXECUÇÃO COLETIVA, QUE CONSTITUI ATO QUE INTEROMPE A PRESCRICÃO. ARTIGO 202, VI, DO CC. EXECUÇÕES INDIVIDUAIS AJUIZADAS ANTES DO DECURSO DO PRAZO FINAL. PRESCRIÇÃO AFASTADA. DECISÃO MANTIDA, AINDA QUE POR FUNDAMENTO DIVERSO. Os Embargos de Declaração foram rejeitados. O recorrente aponta violação dos arts. 523, 524 e 534 do CPC sob o argumento de que a pretensão está prescrita, pois o cumprimento individual foi proposto após cinco anos do trânsito em julgado da sentença coletiva. Defende que, sem causa de suspensão do prazo prescricional, devem ser aplicadas as teses jurídicas dos Temas 877/STJ e 880/STJ, com o reconhecimento da prescrição. Contrarrazões às fls. 341-415. Petição dos recorridos às fls. 533-655. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 16.7.2024. Para melhor compreensão da controvérsia, transcrevo os seguintes fundamentos do decisum recorrido (fls. 215-2017): (..) Concluindo: entre 09/04/2016 a 10/04/2017, transcorreu o prazo prescricional de um ano. Operada a suspensão, o prazo voltou a fluir em 12/03/2018, pelo restante (quatro anos), findando-se em 12/03/2022 No caso, como a execução individual foi proposta em 14/04/2021, não se encontra prescrita. Não bastasse a existência de causa suspensiva da prescrição, caracterizada pelo reconhecimento expresso da existência de condição suspensiva, entendo que, mesmo assim, as execuções individuais, no caso, não foram atingidas pela prescrição, porque houve interrupção pelo reconhecimento inequívoco do direito das partes, quanto à existência de débito e à possibilidade de execução, bem como concordância quanto a necessidade da apresentação de documentos. (..) No caso, o ato de reconhecimento inequívoco foi praticado em 30/09/2020. Assim, por força do disposto no artigo 9º, do Decreto 20.910/1932, o prazo prescricional voltou a correr pela metade (2,5 anos), findando em 30/03/2023. Logo, não há que se falar em prescrição. Depreende-se que foi afastada a prescrição diante das especificidades relativas à suspensão e à interrupção do prazo prescricional. Logo, a análise da sua ocorrência possui peculiaridades que foram devidamente apreciadas pelo Colegiado estadual e não podem ser reexaminadas pelo Superior Tribunal de Justiça ante o óbice da Súmula 7/STJ. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO EXECUÇÃO INDIVIDUAL EM AÇÃO COLETIVA. PRESCRIÇÃO. NÃO FORNECIMENTO DOS ELEMENTOS DE CÁLCULO. MODULAÇÃO DE EFEITOS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE. 1. Cuidaram os autos, na origem, de Agravo de Instrumento em Impugnação à Execução Individual de sentença em Ação Mandamental Coletiva. A sentença rejeitou a impugnação. O acórdão negou provimento ao Agravo. 2. O recorrente afirma que houve, além de divergência jurisprudencial, ofensa ao art. 1º da Lei 20.910/1932. Sustenta que, configurada a demora no fornecimento de informações pela Administração Pública, incumbe ao credor ajuizar Medida Cautelar de protesto visando à interrupção da fluência do prazo prescricional. 3. A irresignação não merece prosperar. Extrai-se do acórdão vergastado e das razões de Recurso Especial que não se aplica à hipótese dos autos o decidido no Tema 880/STJ. Com efeito, apreciando os Embargos de Declaração no Recurso Representativo de Controvérsia no REsp 1.336.026/PE, a Primeira Seção decidiu, na sessão de julgamento de 13.6.2018, modular os efeitos do que fora decidido no referido recurso representativo, utilizando como marco temporal de aplicação da resolução da controvérsia o dia 30.6.2017, data da publicação do acórdão, com fundamento no § 3º do art. 927 do CPC/2015. Dessa forma, para as decisões transitadas em julgado até 17.3.2016 que estejam dependendo do fornecimento pelo executado de documentos e fichas financeiras (tenha tal providência sido deferida, ou não, pelo juiz ou esteja, ou não, completa a documentação), o prazo prescricional para a propositura da execução conta-se a partir de 30.6.2017. 4. No que se refere à avaliação da sistemática de cálculos e do atraso na obtenção de documentos, o acolhimento da pretensão recursal demanda reexame do contexto fático-probatório, o que não se admite ante o óbice da Súmula 7/STJ. 5. Recurso Especial não conhecido (REsp 1.809.008/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 17/6/2019.) Com a mesma orientação, recentes decisões monocráticas: REsp 2.151.637/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 16.7./2024; REsp 2.153.326/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 2.7.2024; REsp 2.134.834/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe de 24.4.2024; e REsp 2.128.013/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, DJe de 13.6.2024. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial . Caso exista nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA