AREsp 2307295 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, com fundamento na jurisprudência do STJ, decidiu-se que em execução individual de sentença coletiva ilíquida o termo inicial do prazo prescricional é a data da liquidação/homologação dos cálculos, não o trânsito em julgado da ação coletiva; assim, o recurso especial foi conhecido e negado...
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- Parties
- Recorrente: ESTADO DO MARANHÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Recurso Especial / Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial; Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Mérito Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento
- Legal Topics
- Prescrição, Liquidação De Sentença, Execução Individual De Sentença Coletiva, Honorários Sucumbenciais, Prequestionamento
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Parties
ESTADO DO MARANHÃO
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Interno Em Recurso Especial / Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial; Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Mérito Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 qual é o termo inicial do prazo prescricional na execução individual de sentença coletiva ilíquida
- 2 se houve omissão da Corte de origem quanto ao entendimento do STJ
- 3 se a liquidação depende apenas de simples cálculos aritméticos e se isso afeta o começo da prescrição
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, com fundamento na jurisprudência do STJ, decidiu-se que em execução individual de sentença coletiva ilíquida o termo inicial do prazo prescricional é a data da liquidação/homologação dos cálculos, não o trânsito em julgado da ação coletiva; assim, o recurso especial foi conhecido e negado provimento e, havendo prévia fixação de honorários, estes foram majorados em 10% conforme art. 85, §11, do CPC/2015.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento
Orders
- Negar provimento ao recurso especial
- Majorar em 10% os honorários sucumbenciais já arbitrados em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015, observados os limites dos §§ 2º e 3º
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo de decisão que inadmitiu recurso especial interposto pelo ESTADO DO MARANHÃO, contra acórdão proferido pelo TJMA, assim ementado: AGRAVO INTERNO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. HOMOLOGAÇÃO DOS CÁLCULOS TRANSITADO EM JULGADO. AÇÃO COLETIVA Nº 6.542/2005. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. I -Tratando-se de sentença ilíquida o termo inicial para a contagem do prazo prescricional, não é o trânsito em julgado da ação coletiva, ocorrido em 05 de novembro de 2008, mas a data liquidação da sentença exequenda, que somente ocorreu em 15 de outubro de 2018, com a homologação dos cálculos apresentados pela contadoria judicial. Tendo a ação sido ajuizada no ano de 2020, não há que se falar em prescrição (fl. 493). Nas razões do recurso especial inadmitido, aponta violação dos arts. 1º do Decreto 20.910/1932 e 489, §1º, IV, 509, §2º e 1.022, parág. único, II, do CPC, aos seguintes fundamentos: a) "o manejo da Ação de Cumprimento (nesta abrangida eventual liquidação e/ou execução) da obrigação de fazer não impede e nem interrompe a prescrição para o manejo da Ação de Cumprimento da obrigação de pagar por serem obrigações distintas, com pretensões distintas e prazos prescricionais distintos e independentes" (fl. 566) e b) o Tribunal de origem foi omisso quanto à existência de entendimento do STJ acerca da consumação da prescrição em casos como o dos autos. É o relatório. Quanto à alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC, verifica-se que a Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Concorde-se ou não com o resultado do julgamento, não é possível alegar negativa de prestação jurisdicional, porque a solução apresentada resolveu suficientemente a questão. No mérito, o entendimento adotado pela Corte de origem, segundo o qual, "tratando-se de sentença ilíquida, tenho que o termo inicial para a contagem do prazo prescricional não é o trânsito em julgado da ação coletiva, ocorrido em 05 de novembro de 2008, mas sim da data liquidação da sentença exequenda, que somente ocorreu em 15 de outubro de 2018, com a homologação dos cálculos apresentados pela contadoria judicial", encontra amparo na jurisprudência do STJ, conforme demonstram os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO COLETIVA. EXECUÇÃO INDIVIDUAL. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO. LIQUIDAÇÃO. SÚMULA 83/STJ. PROVIMENTO NEGADO. 1. Nos termos do acórdão recorrido, o Tribunal de origem assim se manifestou sobre a controvérsia: "tratando-se de sentença ilíquida, não merece prosperar a prescrição pronunciada pelo magistrado de base, visto que o termo inicial para a contagem do prazo prescricional, não é o trânsito em julgado da ação coletiva, ocorrido em 05 de novembro de 2008, mas a data liquidação da sentença exequenda, que somente ocorreu em 15 de outubro de 2018, com a homologação dos cálculos apresentados pela contadoria judicial (Id 8160464)" (fl. 468). 2. O Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que a liquidação é fase do processo de cognição, só sendo possível iniciar a execução se o título, certo pelo trânsito em julgado da sentença de conhecimento, estiver também líquido (EREsp 1.426.968/MG, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Seção, DJe de 22/6/2018). 3. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento do STJ, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide na presente hipótese a Súmula 83/STJ: "não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". 4. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no AgInt no AREsp n. 1.976.342/MA, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 18/8/2023). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO CONTRA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. RECONSIDERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. PRAZO PRESCRICIONAL. INÍCIO APÓS LIQUIDAÇÃO DO TÍTULO. SIMPLES CÁLCULOS ARITMÉTICOS. REEXAME PROBATÓRIO VEDADO. SÚMULA 7/STJ. 1. Hipótese em que a decisão agravada consignou: "Na espécie, não houve o prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente" (fl. 188, e-STJ). 2. Assiste razão ao agravante no que se refere ao cumprimento do requisito do prequestionamento. Afasta-se, portanto, o óbice apontado e passa-se a analisar as razões recursais. 3. O Tribunal de origem afastou a alegação de prescrição do agravante por considerar que o início do prazo para o cumprimento individual de sentença coletiva se dá com a homologação dos cálculos de liquidação. 4. O Superior Tribunal de Justiça consignou, nos Embargos de Divergência no REsp 1.426.968/MG: "a Primeira Seção, no REsp 1.336.026/PE, julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973, assentou que "o entendimento externado pelo STF leva em conta que o procedimento de liquidação, da forma como regulado pelas normas processuais civis, integra, na prática, o próprio processo de conhecimento. Se o título judicial estabelecido no processo de conhecimento não firmara o quantum debeatur, somente efetivada a liquidação da sentença é que se poderá falar em inércia do credor em propor a execução, independentemente de tratar-se de liquidação por artigos, por arbitramento ou por cálculos"." (EREsp 1.426.968/MG, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Seção, DJe 22.6.2018). 5. No mais, aferir se a liquidação de sentença depende, de fato, apenas de simples cálculo aritmético, como defendido nas razões recursais, demandaria reexame probatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. 6. Agravo Interno provido para reconhecer o requisito do prequestionamento e, na sequência, conhecer do Agravo para negar provimento ao Recurso Especial (AgInt no AREsp n. 2.188.767/MA, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 13/3/2023, DJe de 4/4/2023). Isso posto, conheço do agravo para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias de origem, majoro, em desfavor da parte recorrente, em 10% o valor já arbitrado (na origem), nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo, bem como os termos do art. 98, § 3º, do mesmo diploma legal. Publique-se. Intime-se. EMENTA