AREsp 2689708 - DECISAO
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial em razão da deficiência de fundamentação do recorrente, notadamente pela ausência de indicação precisa dos dispositivos legais supostamente violados, nos termos da Súmula n. 284 do STF; majoram-se os honorários advocatícios em 15% com fundamento no art. 85,...
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- Parties
- Recorrente: FRANCISCO RICARDO BRITO DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Prescrição, Cobrança Extrajudicial, Recurso Especial, Admissibilidade, Súmula 284/stf, Honorários Advocatícios
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Parties
FRANCISCO RICARDO BRITO DA SILVA
Recorrente
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 possibilidade de cobrança extrajudicial de dívida prescrita
- 2 contrariedade a precedentes do STJ (REsp 2.088.100 e REsp 2.094.303)
- 3 inadmissibilidade do recurso especial por falta de indicação de dispositivos legais (Súmula 284/STF)
Ratio Decidendi
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial em razão da deficiência de fundamentação do recorrente, notadamente pela ausência de indicação precisa dos dispositivos legais supostamente violados, nos termos da Súmula n. 284 do STF; majoram-se os honorários advocatícios em 15% com fundamento no art. 85, §11, do CPC, observados os limites legais.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por FRANCISCO RICARDO BRITO DA SILVA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE NULIDADE DADÍVIDA C C AÇÃO DECLARATÓRIA DE PRESCRIÇÃO C CREPARAÇÃO POR DANOS MORAIS. ACORDO CERTO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. IMPOSSIBILIDADE. SUCUMBÊNCIA RECURSAL. MAJORAÇÃO.APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA, MAS DESPROVIDA. SENTENÇA MANTIDA. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega a impossibilidade de cobrança extrajudicial de débito prescrito, trazendo a seguinte argumentação: Cuida-se de Recurso Especial em face da r. decisão que entendeu pela possibilidade de cobrança extrajudicial do débito prescrito, violando tese fixada com intuito pacificador pelo do C. STJ. .. A decisão vergastada entendeu lícita a cobrança extrajudicial do débito prescrito, não obstante a recente decisão do C.STJ nos REsp 2.088.100 e REsp 2.094.303, estabelece precedente claro de que ocorrido o instituto da prescrição não se pode cobrar a dívida mesmo extrajudicialmente, apesar desta subsistir como obrigação natural. Patente, portanto, a contradição presente entre o r.acórdão e entendimento firmado por este Colendo STJ. A divergência acontece quando se reconhece que a cobrança poderia ser extrajudicial, admitindo assim, que pode o credor exercer a sua pretensão, ainda que apenas fora do processo. A pretensão (termo usado na lei) é a possibilidade de exigir o cumprimento da dívida, uma vez paralisada a pretensão em razão da prescrição, não é mais possível admitir o referido comportamento do credor. A contradição e a omissão estão exatamente aí - reconhecer a prescrição da pretensão com a aplicação do texto da lei e ao mesmo tempo dizer que a prescrição da pretensão é apenas parcial. Não se nega que há distinção entre a perda do próprio direito material em relação à perda do direito processual. Não se nega o direito do credor ao recebimento da dívida, que pode permanecer incólume até sua satisfação, mas, o ponto é que seu pagamento teria que ocorrer por vontade do devedor de pagar, e não pela pretensão do credor de receber, com cobranças judiciais ou extrajudiciais, após a sua prescrição. Aliás, a Terceira Turma do C. STJ, esclarece exatamente esta contradição, no julgamento do RESP 2.088.100 e do RESP 2.094.303, em decisão proferida em 17/10/2023, ações em que o débito se encontrava inscrito junto à plataforma Limpa Nome do Serasa, como "conta atrasada", sendo este, exatamente o caso dos autos. .. Portanto, os Ministros do STJ, deixaram claro seu entendimento, em forma de precedente, em Recurso Especial, pela primeira vez, a fim de gerar segurança jurídica sobre o tema que: DÍVIDAS PRESCRITAS NÃO PODEM SER COBRADAS EXTRAJUDICIALMENTE. Ultrapassadas tais considerações feitas na seção de julgamento dos RESP 2.094.303 e 2.088.100, que a parte autora entende como importantíssimas para a compreensão da real intenção dos Nobres Ministros ao firmarem o precedente, é importante destacar o seguinte trecho do acórdão: .. Diante de todo o exposto, a parte autora vem requerer que seja provido o presente Recurso Especial para afastar a violação ao precedente firmado por este C. STJ no REsp 2.094.303 e REsp 2.088.100 e, consequentemente, declarar inexigível o débito prescrito discutido sub judice, bem como fixar a reparação moral pretendida (fls. 325/335). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada Súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26.8.2020.) Na mesma linha: "Quanto às alegações de excesso de prazo, em conjunto com os pedidos de absolvição ou de redimensionamento da pena, com abrandamento de regime e substituição da pena por restritivas de direitos, a recorrente não indicou os dispositivos legais considerados violados, o que denota a deficiência da fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência do enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal." (AgRg nos EDcl no REsp n. 1.977.869/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 20.6.2022.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26.6.2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4.5.2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14.8.2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29.6.2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14.8.2020; REsp n. 1.114.407/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18.12.2009; AgRg no EREsp n. 382.756/SC, Rel. Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17.12.2009; AgInt no AREsp n. 2.029.025/AL, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 29.6.2022; AgRg no REsp n. 1.779.821/MG, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 18.2.2021; e AgRg no REsp n. 1.986.798/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15.8.2022. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA