AREsp 2665031 - DECISAO
Conheceu-se do agravo em parte e, na parte conhecida, negou-se provimento, por entender que o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do STJ e com o entendimento do STF na ADI 6.096/DF, de modo que não se aplica decadência que impeça a discussão do fundo de direito; restrita fica a prescrição às...
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- Parties
- Agravante: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Agravada: Parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão De Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Prescrição, Decadência, Termo Inicial / Data De Início Do Benefício (dib/dcb), Restabelecimento De Benefício Previdenciário, Adicional De 25%, Prova Pericial E Convencimento Motivado, Honorários Advocatícios, Correção Monetária E Juros, Prequestionamento
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Agravante
Parte autora
Agravada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão De Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo
Legal Issues
- 1 inadmissão do recurso especial
- 2 aplicabilidade de prazo prescricional/decadencial em caso de indeferimento, cessação ou cancelamento de benefício previdenciário
- 3 fixação do termo inicial (DIB/DCB) para restabelecimento de benefício
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo em parte e, na parte conhecida, negou-se provimento, por entender que o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do STJ e com o entendimento do STF na ADI 6.096/DF, de modo que não se aplica decadência que impeça a discussão do fundo de direito; restrita fica a prescrição às parcelas quinquenais pretéritas, e inexistiu omissão capaz de ensejar a admissão do recurso especial quanto à fixação da DIB na data da citação, por ausência de prequestionamento pelo Tribunal de origem.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
Orders
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial
- Na parte conhecida, negar provimento ao recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra a decisão que inadmitiu o recurso especial do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL no qual se insurgira, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da CF/1988, contra o acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO assim ementado: PREVIDENCIARIO. PROCESSO CIVIL. AUXILIO POR INCAPACIDADE PERMANENTE. CESSASÃO INDEVIDA DO BENEFÍCIO. DIB. RESTABELECIMENTO DE BENEFÍCIO. LAUDO PERICIAL. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. MAJORAÇAO BENEFÍCIO. ARTIGO 45 LEI 8213/91. DECRETO 3.048/99. REFORMA SENTENÇA. MAJORAÇÃO HONORÁRIOS. APELAÇÃO INSS DESPROVIDA. APELAÇÃO AUTOR PROVIDA. 1- Nas hipótese em que a controvérsia paire sobre o restabelecimento de benefício previdenciário, a jurisprudência tem se manifestado no sentido de que a correspondente concessão judicial não constitui novo benefício, mas a restauração de uma benesse indevidamente interrompida. Assim, o termo inicial, em tais circunstâncias, deve corresponder à data de cessação indevida do benefício (01/07/14). 2- No que compete à avaliação da prova pericial, necessário se faz a referência ao princípio da persuasão racional do magistrado ou princípio do convencimento motivado, podendo o julgador embasar suas decisões nas provas existentes nos autos, não estando adstrito ao laudo pericial, conforme dispõe o artigo 479 do CPC.3- O magistrado pode, fundamentadamente, discordar das conclusões do perito, observando os demais elementos probatórios alcançados nos autos e, inclusive, considerando os aspectos socio econômicos, profissionais e culturais do segurado, ainda que o laudo pericial apenas tenha concluído pela sua incapacidade parcial para o trabalho. 4- No tocante a incidência do adicional de 25%, a necessidade de ajuda de terceiros foi atestada pelo laudo psiquiátrico, bem como, pela curatela concedida, o que enseja o pagamento do adicional de 25%(vinte e cinco por cento) previsto no art. 45 da Lei 8213-1991. Ademais, a parte autora é portadora de esquizofrenia, e conforme consta no anexo I do Decreto 3.048/99 no item 7, a "alteração das faculdades mentais com grave perturbação da vida orgânica e social" e, no item 9, a "incapacidade permanente para as atividades da vida diária "é uma hipótese de majoração de 25% no benefício de aposentadoria por incapacidade permanente, não restando dúvida, quanto ao direito da parte Autora ao acréscimo em comento. 5- Reforma-se a sentença para restabelecer o benefício de auxilio por incapacidade permanente desde a DCB (01/07/14), bem como, aplicar o adicional de 25%, observada a prescrição quinquenal das prestações previdenciárias. 6- Na forma do artigo 85, § 4º, II, do CPC, tratando-se de acórdão ilíquido proferido em demanda da qual a Fazenda Pública faça parte, a fixação dos honorários será feita na fase de liquidação, observando-se os critérios estabelecidos no artigo 85, §§ 2º e 3º, bem como a majoração prevista no §11, em 1% (um por cento) do mesmo diploma legal, bem como o disposto na Súmula nº 111 do STJ. 7. Às diferenças devidas deverão ser aplicados os índices de correção monetária e juros conforme Temas 905-STJ e 810-STF, observando-se a prescrição quinquenal contada do ajuizamento da ação. Contudo, a partir de 09/12/2021, data de entrada em vigor da Emenda Constitucional nº 113/2021, a atualização monetária, a remuneração do capital e a compensação da mora devem observar o índice da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), acumulado mensalmente, nos termos do artigo 3º da referida Emenda Constitucional. 8. Provimento à apelação da autora e desprovimento à apelação do INSS. Opostos embargos de declaração, foram eles rejeitados (fl. 419). Nas razões do seu recurso especial (fls. 431/436), a parte agravante sustenta violação dos arts. 240 e 1.022, II, do CPC; 1º do Decreto 20.910/1932. Argumenta, para tanto: (a) que houve a negativa de prestação jurisdicional; (b) que, no caso em que há cessação ou indeferimento do benefício, o prazo prescricional é de 5 (cinco) anos, a contar da cessação ou do indeferimento e (c) ainda que se entenda não ser o caso de extinção do feito pela prescrição, impõe-se, ao menos, a fixação da DIB na data da citação. Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo (fls. 453/454), razão pela qual se interpôs o agravo em recurso especial ora em análise. É o relatório. Inexiste a alegada violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, consoante se depreende da análise do acórdão recorrido. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia, não padecendo o julgado de nenhum erro, omissão, contradição ou obscuridade. Destaco que julgamento diverso do pretendido, como neste caso, não implica ofensa aos dispositivos de lei invocados. No mérito recursal, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI 6.096/DF, precedente fixado em controle concentrado de constitucionalidade, firmou a tese de que configura violação do direito fundamental ao benefício previdenciário fazer incidir os institutos da prescrição e da decadência nas hipóteses de indeferimento, cancelamento ou cessação de benefício previdenciário. Nesse sentido, cito os seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PENSÃO POR MORTE. REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. TRANSCURSO DE MAIS DE CINCO ANOS ATÉ O AJUIZAMENTO DA AÇÃO. PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 6.096/DF, da relatoria do Ministro Edson Fachin, ao declarar a inconstitucionalidade do art. 24 da Lei 13.846/2019, na parte em que foi dada nova redação ao art. 103 da Lei 8.213/1991, destacou que, mesmo nos casos de indeferimento, cancelamento ou cessação de benefício, não há falar em prescrição do fundo de direito, porque nessas hipóteses nega-se o benefício em si considerado, de forma que, "caso inviabilizada pelo decurso do tempo a rediscussão da negativa, é comprometido o exercício do direito material à sua obtenção". 2. Está superado o entendimento firmado por esta Corte Superior nos EDcl nos EREsp 1.269.726/MG, tendo em vista que o art. 102, § 2º, da Constituição Federal confere efeito vinculante às decisões definitivas em ação direta de inconstitucionalidade em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta nos âmbitos federal, estadual e municipal. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.590.354/MG, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 9/5/2023, DJe de 15/5/2023.) PROCESSUAL CIVIL. PENSÃO POR MORTE. ADI 6.096/DF. PRAZO DECADENCIAL. INDEFERIMENTO, CANCELAMENTO OU CESSAÇÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 24 DA LEI 13.846/2019, QUE DEU NOVA REDAÇÃO AO ART. 103 DA LEI 8.213/1991. IMPOSSIBILIDADE DE INVIABILIZAR O PRÓPRIO PLEITO DE CONCESSÃO DO BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO EM RAZÃO DO TRANSCURSO DE PRAZO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 85/STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. O STF, no julgamento da ADI 6.096, ao declarar a inconstitucionalidade do art. 24 da Lei 13.846/2019, que deu nova redação ao art. 103 da Lei 8.213/1991, inadmitiu a incidência de prazo decadencial para o caso de indeferimento, cancelamento ou cessação de benefício previdenciário, na medida em que "importa ofensa à Constituição da República e ao que assentou esta Corte em momento anterior, porquanto, não preservado o fundo de direito na hipótese em que negado o benefício, caso inviabilizada pelo decurso do tempo a rediscussão da negativa, é comprometido o exercício do direito material à sua obtenção". 3. Diante do decido pelo STF na ADI 6.096/DF, não é possível impedir o pleito de concessão do benefício originário em razão do transcurso de prazo após o indeferimento administrativo. Assim, a prescrição se limita às parcelas pretéritas vencidas no quinquênio que antecedeu à propositura da ação, nos termos da Súmula 85/STJ. 4. Nesse sentido, a Súmula 81 TNU (com redação de 9.12.2020): "A impugnação de ato de indeferimento, cessação ou cancelamento de benefício previdenciário não se submete a qualquer prazo extintivo, seja em relação à revisão desses atos, seja em relação ao fundo de direito". 5. Recurso Especial não provido. (REsp n. 1.914.552/SE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 13/12/2022, DJe de 19/12/2022.) Verifico, portanto, que a conclusão veiculada no acórdão está em harmonia com a orientação do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema. Por fim, a alegação referente ao termo inicial a partir da citação não é suficiente para se ter a questão de direito como prequestionada, instituto que, para sua caracterização, exige, além da alegação, a discussão e a apreciação judicial pelo Tribunal de origem. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) considera que a ausência de enfrentamento pelo Tribunal de origem da matéria impugnada, objeto do recurso, não obstante a oposição de embargos de declaração, impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos do enunciado 211 de sua Súmula. Tampouco se pode dizer que o Tribunal de origem se omitiu quanto ao ponto, pois nos embargos de declaração opostos ao acórdão recorrido não se requereu pronunciamento sobre o tema. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Publique-se. Intimações necessárias. EMENTA