AREsp 2716498 - DECISAO
Conheço do agravo, mas não conheço do Recurso Especial porque o fundamento recursal se apoia em alegada violação de enunciado de súmula (Súmula 85 do STJ), hipótese vedada para fins de admissão do Recurso Especial nos termos da Súmula 518 do STJ, além de inexistir prequestionamento da matéria pela Corte de origem.
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE VALINHOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial (conhecimento Do Agravo)
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Prescrição, Recurso Especial, Súmula, Mandado De Segurança, Prequestionamento, Honorários Advocatícios
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Parties
MUNICÍPIO DE VALINHOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial (conhecimento Do Agravo)
Legal Issues
- 1 admissibilidade do Recurso Especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula
- 2 incidência da Súmula 518 do STJ
- 3 ausência de prequestionamento pela Corte de origem
Ratio Decidendi
Conheço do agravo, mas não conheço do Recurso Especial porque o fundamento recursal se apoia em alegada violação de enunciado de súmula (Súmula 85 do STJ), hipótese vedada para fins de admissão do Recurso Especial nos termos da Súmula 518 do STJ, além de inexistir prequestionamento da matéria pela Corte de origem.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Não conhecer do Recurso Especial.
- Majorar os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por MUNICÍPIO DE VALINHOS à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL - MUNICÍPIO DE VALINLIOS - PRETENSÃO DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA COM BASE NA LEI MUNICIPAL Nº 2.018/86 POSSIBILIDADE - SERVIDOR ADMITIDO ANTES REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO PELA LEI MUNICIPAL 4.878/13 - CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 1º, §§1º A 5O, DA REFERIDA LEI RECONHECIDA NOS AUTOS DA AÇÃO DECLARATÓRIA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº 2133155-46.2015.8.26.0000, COM TRÂNSITO EM JULGADO EM 28/05/2020 - PRESCRIÇÃO AFASTADA - RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO - SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA REFORMADA - RECURSO PROVIDO. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 9º do Decreto n. 20.910/32 e à Súmula n. 85 do STJ, no que concerne ao reconhecimento da ocorrência da prescrição do fundo do direito tendo em vista que a impetração do mandado de segurança interrompeu o prazo, que voltou a correr pela metade, e a ação foi ajuizada após 2 anos e 6 meses da interrupção, trazendo a seguinte argumentação: O Município cessou o pagamento da complementação de aposentadoria do então servidor público, que impetrou Mandado de Segurança, que teve a segurança denegada. O fato de ter se valido da via estreita interrompe a prescrição, nesse sentido: .. -fl. 674. Notavelmente equivocado o acórdão, primeiro porque a prescrição não é de 5 (cinco) anos, mas pela metade desse prazo, posto que interrompida, segundo porque o próprio fundamento da improcedência da ação é justamente a Súmula 85 do Superior Tribunal de Justiça mencionada. .. Evidentemente, percebe-se que foi negado o próprio direito, tanto que impetrado mandado de segurança segundo se observa pelo debate no acórdão nas fls. 664, assim, a prescrição é de fundo de direito, e a decisão nega vigência ao artigo 9º da Lei 20.910/32 e viola a própria Súmula 85 do Superior Tribunal de Justiça. .. Destarte, a Administração negou o direito, impetrou-se mandado de segurança, o prazo foi interrompido pela metade e a recorrido ingressou com a ação após 2 (dois) anos e 6 (seis) meses, após a interrupção, na medida em que o trânsito em julgado ocorreu em ocorreu no dia 27/09/2016 (não houve certificação nos autos do trânsito em julgado segundo se observa pela íntegra do processo) e a ação apenas foi ajuizada em setembro de 2020 (fls. 4) - (fl. 676). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, não é cabível Recurso Especial fundado na ofensa a enunciado de súmula dos tribunais, inclusive em se tratando de súmulas vinculantes. Assim, incide o óbice da Súmula n. 518 do STJ: "Para fins do art. 105, III, "a", da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula". Nesse sentido: "A interposição de recurso especial não é cabível com fundamento em violação de súmula vinculante do STF, porque esse ato normativo não se enquadra no conceito de lei federal previsto no art. 105, III, "a" da CF/88". (REsp n. 1.806.438/DF, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 19.10.2020.) Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.630.476/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13.8.2020; AgInt no AREsp 1.630.025/SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe 14.8.2020; AREsp 1.655.146/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 7.8.2020; AgRg no REsp 1.868.900/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 3.6.2020; AgInt no REsp 1.743.359/MG, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe 30.3.2020; AgRg no AREsp n. 1.632.328/CE, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 2.9.2020. Ademais, não houve o prequestionamento da tese recursal, porquanto a questão postulada não foi examinada pela Corte a quo sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: " .. o Distrito Federal alega violação do art. 91, § 1º, do CPC. Nesse quadrante, não houve prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentido de que a realização de perícia por entidade pública somente ser possível quando requerida pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. " (AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26.5.2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17.6.2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.9.2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4.5.2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA