AREsp 2520598 - DECISAO
O Tribunal manteve que, no contrato de financiamento imobiliário, o termo inicial do prazo prescricional é a data de vencimento da última parcela, e concluiu que a escritura pública e as planilhas de atualização demonstram a liquidez, certeza e exigibilidade do título; como a alteração dessa conclusão exigiria...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão
- Outcome
- Nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Prescrição, Título Executivo Extrajudicial, Financiamento Imobiliário, Liquidez E Exigibilidade, Inovação Recursal, Honorários Advocatícios, Gratuidade De Justiça
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão
Legal Issues
- 1 termo inicial da prescrição em contrato de financiamento imobiliário
- 2 liquidez, certeza e exigibilidade do título executivo
- 3 inovação recursal nos termos do art. 1.014 do CPC
Ratio Decidendi
O Tribunal manteve que, no contrato de financiamento imobiliário, o termo inicial do prazo prescricional é a data de vencimento da última parcela, e concluiu que a escritura pública e as planilhas de atualização demonstram a liquidez, certeza e exigibilidade do título; como a alteração dessa conclusão exigiria revolvimento de matéria fática e probatória vedado em recurso especial, o agravo foi negado.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo
Orders
- Majorar os honorários advocatícios em 20% do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC/2015
- Observar a regra do §3º do art. 98 do CPC/2015 quanto à gratuidade da justiça
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência das Súmulas n. 7 e 83 do STJ (e-STJ fls. 680/684). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (e-STJ fl. 602): EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - DIREITO PROCESSUAL CIVIL - INOVAÇÃO RECURSAL - ART. 1.014, CPC - CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO - EMBARGOS À EXECUÇÃO - PRESCRIÇÃO - INÍCIO DO PRAZO - PRESTAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO - VENCIMENTO DA ÚLTIMA PARCELA DO CONTRATO - LIQUIDEZ, CERTEZA E EXIGIBILIDADE - CONFIGURAÇÃO. 1- Não se conhece em grau de recurso de matéria não deduzida na petição inicial, tampouco apreciada na sentença, pois o juízo recursal é de controle e não de criação (1.014, CPC). 2- Nos termos do artigo 206, §5º, inciso I, do Código Civil, é quinquenal o prazo prescricional para pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular. 3- O entendimento consolidado da jurisprudência é no sentido de que o termo inicial do prazo prescricional, quando as prestações são de trato sucessivo, é a data de vencimento da última parcela do contrato. 4- Conforme disposto no artigo 783 do Código de Processo Civil: "A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de obrigação certa, líquida e exigível". Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 637/642). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 645/658), fundamento no art. 105, III, "a", da CF, a parte recorrente alegou violação dos seguintes dispositivos legais: (i) arts. 189 e 206, § 5º, I, do CC, defendendo a prescrição da pretensão fundada no título exequendo de que tratam os autos, sob o argumento de que o termo inicial do prazo prescricional quinquenal é o momento em que a parte tornou-se inadimplente. Subsidiariamente, requer que seja "reconhecida a prescrição das parcelas executadas com vencimentos há mais de 5 anos anteriores à execução" (e-STJ fl. 654), e (ii) arts. 2º da Lei n. 5.741/1971 e 373, I e II, do CPC/2015, apontando a inexigibilidade do título que fundamenta a execução. No agravo (e-STJ fls. 687/700), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta apresentada às fls. 704/712 (e-STJ). É o relatório. Decido. Quanto ao termo inicial da prescrição no caso concreto, a Corte estadual concluiu que "é a data de vencimento da última parcela do contrato" (e-STJ fl. 610). Referida conclusão está em consonância com o entendimento jurisprudencial deste Tribunal Superior, segundo o qual o termo inicial do prazo prescricional das pretensões referentes a contrato de financiamento imobiliário caso dos autos é ún ico e corresponde à data de vencimento da última parcela. A propósito: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO DE MÚTUO. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. DATA DA ÚLT IMA PARCELA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O parcelamento do saldo devedor, nos contratos de financiamento imobiliário, não configura relação de trato sucessivo, pois não referencia prestações decorrentes de obrigações periódicas e autônomas, que se renovam mês a mês, mas sim parcelas de uma única obrigação, qual seja a de quitar integralmente o valor financiado até o termo final do contrato. 2. Por se tratar de obrigação única (pagamento do valor total financiado), desdobrada em prestações para facilitar o adimplemento por parte do devedor, o termo inicial do prazo prescricional também será único, correspondendo à data de vencimento da última parcela do financiamento. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no REsp n. 2.120.954/SC, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 27/6/2024.) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ORDINÁRIA. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. DATA DO VENCIMENTO DA ÚLTIMA PRESTAÇÃO. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Com efeito, quanto ao termo inicial do prazo prescricional das pretensões referentes ao contrato de financiamento habitacional firmado entre as partes, a jurisprudência deste Superior Tribunal é pac ífica no sentido de que, no caso do mútuo imobiliário, o início da fluência do prazo prescricional deve se dar no dia do vencimento da última parcela. 2. Agravo interno improvido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.248.618/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024.) Por conseguinte, não há falar em ofensa aos arts. 189 e 206, § 5º, I, do CC. Aplicáveis as Súmulas n. 83 e 568 do STJ. Quanto aos requisitos do título extrajudicial, o Tribunal de origem entendeu que (e-STJ fls. 611/612, destaquei): O título é revestido de liquidez quando o seu valor é conhecido, determinado e certo, quando não há discussão a respeito de sua existência, ou seja, possui todos os elementos necessários para evidenciar a sua exatidão. Por sua vez, o título será exigível quando for vencido e não pago, não sendo subordinado a mais nenhuma condição, representando o débito cujo pagamento já é devido e não foi pago pelo devedor. A apelante (embargante) alega a existência de distorções duvidosas no instrumento de base da presente execução, que obstam o reconhecimento da liquidez, certeza e exigibilidade do título e sua consequente execução. Entretanto, conforme reconhecido pelo magistrado singular, a escritura pública de compra e venda com pacto adjeto de hipoteca (ordem nº 5, pp. 26/32), bem como as planilhas de atualização do débito (ordem nº 5, pp. 54/60) demonstram todos os requisitos necessários ao provimento da execução. Dessa forma, rejeita-se a tese de iliquidez, incerteza e inexigibilidade do negócio de financiamento imobiliária que instrui a execução. Nesse contexto, modificar a conclusão do Tribunal de origem quanto à presença dos requisitos do título executivo demandaria revolvimento fático-probatório, providência vedada em sede especial, a teor das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Deferida a gratuidade da justiça na instância de origem, deve ser observada a regra do § 3º do art. 98 do CPC/2015. Publique-se e intimem-se. EMENTA