REsp 2112454 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e deu-se-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que este, à luz das teses firmadas pelo STJ (aplicação do prazo decenal do art. 205 do CC às demandas contra gestores privados e adoção da teoria da actio nata para fixar o...
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- Parties
- Recorrente: PEDRO JOSIAS LEITE; Recorrido: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecimento Parcial E Retorno Ao Tribunal De Origem Para Reanálise Da Prescrição
- Outcome
- Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, parcialmente provido.
- Legal Topics
- Prescrição, Teoria Da Actio Nata, Pis/pasep, Legitimidade Passiva, Recursos Repetitivos (tema 545, Tema 1.150)
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Parties
PEDRO JOSIAS LEITE
Recorrente
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecimento Parcial E Retorno Ao Tribunal De Origem Para Reanálise Da Prescrição
Legal Issues
- 1 qual é o prazo prescricional aplicável às ações de recomposição de saldo de contas vinculadas ao PIS/PASEP (decenal previsto no art. 205 do CC ou quinquenal do Decreto-Lei 20.910/32);
- 2 qual o termo inicial do prazo prescricional (data do último crédito ou data em que o titular tomou ciência do desfalque - teoria da actio nata);
- 3 aplicabilidade do prazo quinquenal do Decreto-Lei 20.910/32 a pessoas jurídicas de direito privado (sociedades de economia mista/administradores das contas)
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e deu-se-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que este, à luz das teses firmadas pelo STJ (aplicação do prazo decenal do art. 205 do CC às demandas contra gestores privados e adoção da teoria da actio nata para fixar o termo inicial), reexamine a ocorrência de prescrição, pois o Tribunal de origem não apreciou a data em que o autor comprovadamente tomou ciência do prejuízo, o que exige exame fático-probatório vedado a esta Corte por força da Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, parcialmente provido.
Orders
- Determino o retorno dos autos ao Tribunal de origem para analisar a prescrição nos termos da fundamentação.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por PEDRO JOSIAS LEITE, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, no qual se insurge contra o acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO assim ementado (fl. 165): ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL - CEF. PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA NÃO APLICADA. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. DATA EM QUE O CREDITAMENTO NÃO FOI REALIZADO CORRETAMENTE. NÃO PROVIMENTO DA APELAÇÃO. 1. Trata-se de apelação interposta contra sentença proferida pelo Juízo Federal da 3ª Vara Federal da Paraíba, que julgou liminarmente improcedente o pedido inicial, pronunciando a prescrição. 2. O apelante aduziu que é aposentado pela iniciativa privada e teve sua inscrição no PIS. Sustentou que o valor depositado em sua conta individual do PIS não correspondia ao valor que era efetivamente devido, tendo em vista que não foi reajustado pelos índices de correção. 3. Em sua apelação, o recorrente defende, em síntese, que a pretensão de reparação sujeita-se à prescrição decenal inserida no art. 205 do Código Civil e que deve ser aplicada a Teoria da actio nata, de modo que o prazo prescricional só teve início em 2021, momento em que o autor, em posse do extrato do PIS, submeteu-o à análise do perito contábil, o qual constatou que banco não aplicou os índices de correção monetária e juros, tendo sido realizados saques indevidos. 4. O Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o REsp 1.205.277/PB, submetido ao rito dos repetitivos (Tema 545), firmou entendimento no seguinte sentido: "nas ações indenizatórias para percepção de diferenças de correção monetária incidente sobre o saldo das contas vinculadas ao PIS/PASEP, o prazo prescricional é quinquenal, nos moldes do art. 1º do Decreto nº 20.910/32". O termo inicial do prazo prescricional é a data em que o direito alegado teria sido violado, que, no caso, corresponde à data em que o valor da correção monetária e dos juros teria sido creditado a menor. 5. No mesmo sentido, precedentes deste egrégio Tribunal: (PROCESSO: 08131097520214058200, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL ARNALDO PEREIRA DE ANDRADE SEGUNDO (CONVOCADO), 3ª TURMA, JULGAMENTO: 15/09/2022; PROCESSO: 08112060520214058200, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL FERNANDO BRAGA DAMASCENO, 3ª TURMA, JULGAMENTO: 25/08/2022; PROCESSO: 08115871320214058200, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 3ª TURMA, JULGAMENTO: 30/06/2022; PROCESSO: 08068177420214058200, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL ROGÉRIO DE MENESES FIALHO MOREIRA, 3ª TURMA, JULGAMENTO: 30/06/2022). (PROCESSO: 08131097520214058200, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL ARNALDO PEREIRA DE ANDRADE SEGUNDO (CONVOCADO), 3ª TURMA, JULGAMENTO: 15/09/2022; PROCESSO: 08112060520214058200, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL FERNANDO BRAGA DAMASCENO, 3ª TURMA, JULGAMENTO: 25/08/2022; PROCESSO: 08115871320214058200, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 3ª TURMA, JULGAMENTO: 30/06/2022; PROCESSO: 08068177420214058200, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL ROGÉRIO DE MENESES FIALHO MOREIRA, 3ª TURMA, JULGAMENTO: 30/06/2022). 6. Considerando que o demandante efetivou o saque integral dos valores relativos à conta PIS em 20/06/2007 e que a ação foi ajuizada em 2022, a pretensão deduzida em juízo encontra-se fulminada pela prescrição. 7. Apelação desprovida, mantendo-se integralmente a sentença que reconheceu a ocorrência da prescrição. Sem honorários recursais, em razão da ausência de condenação em primeira instância. A parte recorrente sustenta a existência de violação aos dispositivos ora indicados pelas seguintes razões: (a) Arts. 205 do Código Civil e 1º do Decreto-Lei 20.910/1932: aplica-se o prazo prescricional de 10 anos para a pretensão de cobrança de valores decorrentes de irregularidades na aplicação de índices para correção monetária do saldo depositado em sua conta vinculada ao Programa de Integração Social (PIS); (b) Art. 189 do Código Civil: aplica-se a teoria da actio nata para definir o termo inicial do prazo prescricional, de modo a considerar que, neste caso, ela somente teve conhecimento dos prejuízos que sofreu em 21/7/2021, data em que obteve extrato ou microfilmagem da conta. Argumenta, ainda, a possibilidade de se aplicar o prazo trintenário de prescrição do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), dada a similitude desse fundo com o PIS-PASEP. A parte adversa apresentou contrarrazões (fls. 203/211). O recurso foi admitido na origem (fl. 230). É o relatório. Relativamente à tese de prescrição trintenária, o recurso especial encontra-se deficientemente fundamentado uma vez que não foi indicado expressamente qual dispositivo de lei federal teria sido contrariado pelo acórdão recorrido, ou seria objeto de dissídio interpretativo. Tal circunstância consubstancia deficiência na fundamentação recursal, motivo pelo qual não é possível conhecer do recurso especial. Incide no presente caso, por analogia, a Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal (STF): "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. MORTE DENTRO DA PRISÃO. CARÊNCIA DE PROVA DOS RENDIMENTOS DO FALECIDO OU DE SEUS GASTOS PARA COM OS FILHOS. MONTANTE DOS ALIMENTOS REDUZIDO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS ARTIGOS VIOLADOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. REDUÇÃO DO VALOR DA PENSÃO ALIMENTÍCIA. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É inadmissível o recurso especial que deixa de apontar o dispositivo de lei federal que o Tribunal de origem teria violado, incidindo a Súmula 284 do STF. .. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.803.437/MS, relator Ministro Manoel Erhardt - Desembargador Convocado do TRF5, Primeira Turma, julgado em 27/9/2021, DJe de 29/9/2021, sem destaques no original.) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIÇO DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO. FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA RECORRENTE E ATIVA DO AUTOR. SUPOSTA VIOLAÇÃO ÀS LEIS Nº 7.347/85, 8.078/90 E 11.445/2007. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO ESPECÍFICA DOS DISPOSITIVOS SUPOSTAMENTE VIOLADOS PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA 284/STF. FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. DANOS MORAIS. LAUDO PERICIAL. ACÓRDÃO BASEADO NO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. ACÓRDÃO FUNDAMENTADO EM MATÉRIA CONSTITUCIONAL. INVIABILIDADE DE ANÁLISE EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não havendo a indicação precisa e específica dos dispositivos legais supostamente violados, é inadmissível o inconformismo por deficiência na sua fundamentação. Aplicação da Súmula nº 284 do Supremo Tribunal Federal. .. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.859.333/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 14/9/2021, DJe de 16/9/2021, sem destaques no original.) No restante, assiste razão à parte recorrente. O Superior Tribunal de Justiça firmou a orientação, no julgamento de recurso especial repetitivo, segundo a qual "a pretensão ao ressarcimento dos danos havidos em razão dos desfalques em conta individual vinculada ao Pasep se submete ao prazo prescricional decenal previsto pelo art. 205 do Código Civil", e "o termo inicial para a contagem do prazo prescricional é o dia em que o titular, comprovadamente, toma ciência dos desfalques realizados na conta individual vinculada ao Pasep" (Tema 1.150), consoante o acórdão cuja ementa transcrevo a seguir: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. PASEP. MÁ GESTÃO DOS VALORES DEPOSITADOS. LEGITIMIDADE PASSIVA DO BANCO DO BRASIL. PRESCRIÇÃO DECENAL PREVISTA NO ART. 205 DO CÓDIGO CIVIL. TERMO INICIAL DA PRESCRIÇÃO. TEORIA DA ACTIO NATA. CIÊNCIA DOS DESFALQUES NA CONTA INDIVIDUALIZADA. 1. As questões a serem definidas nesse Repetitivo são: a) a possibilidade ou não de o Banco do Brasil figurar no polo passivo de demanda na qual se discute eventual falha na prestação do serviço quanto a conta vinculada ao Pasep, saques indevidos e desfalques, além da ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidas pelo Conselho Diretor do referido programa; b) qual o prazo prescricional a que a pretensão ao ressarcimento dos danos havidos em razão dos desfalques em conta individual vinculada ao Pasep se submete - se o decenal previsto pelo artigo 205 do Código Civil ou o quinquenal estipulado pelo art. 1º do Decreto 20.910/1932; c) se o termo inicial para a contagem do prazo prescricional é o dia em que o titular toma ciência dos desfalques ou a data do último depósito efetuado na conta individual vinculada ao Pasep. LEGITIMIDADE PASSIVA DO BANCO DO BRASIL PARA FIGURAR NA DEMANDA 2. O Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) foi instituído pela Lei Complementar 8, de 3.12.1970, que prevê a competência do Banco do Brasil para a administração do Programa e manutenção das contas individualizadas para cada servidor, recebendo comissão pelo serviço prestado. A Lei Complementar 26, de 11.9.1975, unificou, a partir de 1º.7.1976, sob a denominação de PIS-Pasep, os fundos constituídos com os recursos do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídos pelas Leis Complementares 7/70 e 8/70, respectivamente. 3. O art. 7º do Decreto 4.751/2003 previa que a gestão do Pasep compete ao Conselho Diretor do Fundo, cujos representantes são designados pelo Ministro de Estado da Fazenda. De igual modo, o art. 10 do mesmo diploma normativo estabelecia que ao Banco do Brasil, como administrador do Programa, além de manter as contas individualizadas dos participantes do Pasep, cabe creditar, nas referidas contas, a atualização monetária, os juros e o resultado das operações financeiras realizadas, processar as solicitações de saque e de retirada e efetuar os correspondentes pagamentos, conforme autorizado pelo Conselho Diretor do Fundo PIS-Pasep. 4. Destaque-se que, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a União deixou de depositar valores nas contas do Pasep do trabalhador, limitando-se sua responsabilidade ao recolhimento mensal ao Banco do Brasil S.A., nos termos do art. 2º da LC 8/1970. Por força do art. 5º da referida Lei Complementar, a administração do Programa compete ao Banco do Brasil S.A., bem como a respectiva manutenção das contas individualizadas para cada trabalhador, de modo que a responsabilidade por eventuais saques indevidos ou má gestão dos valores depositados na conta do Pasep é atribuída à instituição gestora em apreço. 5. O STJ possui o entendimento de que, em ações judiciais nas quais se pleiteia a recomposição do saldo existente em conta vinculada ao Pasep, a União deve figurar no polo passivo da demanda. 6. No entanto, no caso dos autos a demanda não versa sobre índices equivocados de responsabilidade do Conselho Gestor do Fundo, mas sobre responsabilidade decorrente da má gestão do banco, em razão de saques indevidos ou de não aplicação dos índices de juros e de correção monetária na conta do Pasep. Conclui-se que a legitimidade passiva é do Banco do Brasil S.A. Nesse sentido: AgInt no REsp 1.898.214/SE, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 29.4.2021; AgInt no REsp 1.867.341/DF, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 7.10.2021; REsp 1.895.114/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 14.4.2021; AgInt no REsp 1.954.954/CE, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 25.3.2022; e AgInt no REsp 1.922.275/CE, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 29.6.2021. INCIDÊNCIA DO PRAZO PRESCRICIONAL DECENAL PREVISTO NO ART. 205 DO CÓDIGO CIVIL 7. O Banco do Brasil S.A. aduz que ocorreu a prescrição do direito do autor em virtude da adoção do prazo quinquenal estabelecido no art. 1º do Decreto-Lei 20.910/1932, cujo termo inicial deveria ser a data do recolhimento das últimas contribuições para o Pasep, que, segundo a instituição financeira, ocorreu em 1988. 8. Contudo, o STJ possui orientação pacífica de que o prazo quinquenal previsto no art. 1º do Decreto-Lei 20.910/1932 não se aplica às pessoas jurídicas de direito privado. No caso em espécie, sendo a ação proposta contra o Banco do Brasil, sociedade de economia mista, deve-se afastar a incidência do referido dispositivo, bem como da tese firmada no julgamento do Recurso Especial 1.205.277/PB, sob a sistemática dos Recursos Repetitivos, de que: "É de cinco anos o prazo prescricional da ação promovida contra a União Federal por titulares de contas vinculadas ao PIS/PASEP visando à cobrança de diferenças de correção monetária incidente sobre o saldo das referidas contas, nos termos do art. 1º do Decreto-Lei 20.910/32" (grifei). 9. Assim, "as ações movidas contra as sociedades de economia mista não se sujeitam ao prazo prescricional previsto no Decreto-Lei 20.910/1932, porquanto possuem personalidade jurídica de direito privado, estando submetidas às normas do Código Civil." (AgInt nos EDcl no AREsp 1.902.665/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 10.8.2022). Nesse mesmo sentido: AgInt no AREsp 1.795.172/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 27.5.2021; e AgInt no REsp 1.812.518/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21.8.2020. 10. Ressalte-se que não se emprega o prazo prescricional previsto no art. 10 do Decreto 2.052/1983, o qual prevê que "A ação para cobrança das contribuições devidas ao PIS e ao PASEP prescreverá no prazo de dez anos, contados a partir da data prevista para seu recolhimento". Isso porque no caso dos autos não se estão cobrando as contribuições, mas, sim, a indenização por danos materiais decorrente da má gestão dos depósitos. 11. Assim, nas demandas ajuizadas contra a instituição financeira em virtude de eventual má gestão ou descontos indevidos nas contas do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público - Pasep, deve-se aplicar o prazo prescricional previsto no art. 205 do Código Civil de 10 anos. DIES A QUO PARA A CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL 12. O Superior Tribunal de Justiça entende que, conforme o princípio da actio nata, o curso do prazo prescricional do direito de reclamar inicia-se somente quando o titular do direito subjetivo violado passa a conhecer o fato e a extensão de suas consequências. (EREsp 1.106.366/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, DJe de 26.6.2020.) 13. Sobre a matéria em debate, o STJ tem precedentes: AgInt no REsp 1.928.752/TO, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 23.6.2021; e REsp 1.802.521/PE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma DJe 30.5.2019. 14. Verifica-se que o termo inicial para a contagem do prazo prescricional é o dia em que o titular toma ciência dos desfalques realizados na conta individual vinculada ao Pasep. TESES JURÍDICAS A SEREM FIXADAS 15. Em relação ao presente Tema, fixam-se as seguintes Teses: i) o Banco do Brasil possui legitimidade passiva ad causam para figurar no polo passivo de demanda na qual se discute eventual falha na prestação do serviço quanto à conta vinculada ao Pasep, saques indevidos e desfalques, além da ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidas pelo Conselho Diretor do referido programa; ii) a pretensão ao ressarcimento dos danos havidos em razão dos desfalques em conta individual vinculada ao Pasep se submete ao prazo prescricional decenal previsto pelo art. 205 do Código Civil; e iii) o termo inicial para a contagem do prazo prescricional é o dia em que o titular, comprovadamente, toma ciência dos desfalques realizados na conta individual vinculada ao Pasep. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO 16. No caso dos autos, em relação às Teses ora fixadas, o acórdão de origem decidiu de acordo com o entendimento deste STJ, de modo que não merece reforma. 17. O recorrente afirma que houve violação ao art. 17 do CPC/2015, uma vez que estaria ausente o interesse de agir da parte contrária, já que não se demonstrou que o valor atualizado seria indevido. Verifica-se, contudo, que a Corte de origem não emitiu juízo de valor em relação ao citado dispositivo legal, tampouco foram opostos Embargos de Declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o prequestionamento, de modo que incide a Súmula 282 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada." CONCLUSÃO 18. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, não provido. (REsp n. 1.895.941/TO, relator Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 13/9/2023, DJe de 21/9/2023.) Constou no acórdão, ainda, que " .. o STJ possui orientação pacífica de que o prazo quinquenal previsto no art. 1º do Decreto-Lei 20.910/1932 não se aplica às pessoas jurídicas de direito privado" (item 8 da ementa), e que "o Superior Tribunal de Justiça entende que, conforme o princípio da actio nata, o curso do prazo prescricional do direito de reclamar inicia-se somente quando o titular do direito subjetivo violado passa a conhecer o fato e a extensão de suas consequências .. " (item 12 da ementa). Não obstante o caso examinado no recurso submetido à sistemática dos recursos especiais repetitivos tenha o Banco do Brasil S/A no polo passivo, e verse sobre o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP), e não sobre o PIS, suas premissas e suas conclusões são aplicáveis à situação destes autos. Desde a edição da Lei Complementar 26/1975, o PIS e o PASEP foram unificados, sendo o PIS administrado pela Caixa Econômica Federal e o PASEP, pelo Banco do Brasil S/A, ambas pessoas jurídicas de direito privado sob controle estatal. Ressalto, por fim, que o Tema repetitivo 545, indicado no voto condutor do acórdão recorrido, trata de ações ajuizadas contra a União, e não contra o banco gestor, consoante o distinguishing realizado no acórdão referente ao Tema repetitivo 1.150 (item 8 da ementa). No caso dos autos, por não ter o Tribunal de origem adotado a teoria da actio nata, não houve manifestação acerca da data em que a parte autora tomou conhecimento do prejuízo sofrido, circunstância que demanda exame de elementos fático-probatórios e não pode ser verificada por esta Corte Superior em razão do que dispõe a Súmula 7/ STJ. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, a ele dou parcial provimento; determino o retorno dos autos ao Tribunal de origem para analisar a prescrição, nos termos da fundamentação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA