REsp 2178311 - DECISAO
Não conheço do recurso especial porque o Tribunal de origem não enfrentou a questão da origem ilícita dos bens, faltando prequestionamento; não é cabível prequestionamento ficto por ausência de demonstração de ofensa ao art. 619 do CPP; ademais, a matéria demandaria reexame de prova (Súmula 7/STJ); assim, com...
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- Parties
- Recorrente: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 December 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Prescrição, Restituição De Bens, Prequestionamento, Admissibilidade, Súmula 7/stj, Súmula 211/stj
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento da matéria relativa à origem ilícita dos bens
- 2 possibilidade de prequestionamento ficto condicionado à indicação de ofensa ao art. 619 do CPP
- 3 impossibilidade de exame pelo STJ de matérias que exigem reexame de prova (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Não conheço do recurso especial porque o Tribunal de origem não enfrentou a questão da origem ilícita dos bens, faltando prequestionamento; não é cabível prequestionamento ficto por ausência de demonstração de ofensa ao art. 619 do CPP; ademais, a matéria demandaria reexame de prova (Súmula 7/STJ); assim, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do Regimento Interno do STJ, o recurso não foi conhecido.
Court Disposition
não conheço do recurso especial.
Orders
- Com fundamento no art. 255, § 4º, I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, assim ementado (fls. 3.058-3.068): "APELAÇÃO CRIMINAL - PRESCRIÇÃO - EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE - PROCEDENTE - RESTITUIÇÃO DE BENS - VIABILIDADE". Os embargos de declaração foram rejeitados. Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta violação dos arts. 120 e 121 do CPP, além do art. 91 do CP. Aduz para tanto, em síntese, que estariam comprovados o uso do veículo como instrumento de crime e a origem ilícita do dinheiro, a impedir sua restituição, mesmo com a prescrição da pretensão punitiva. Com contrarrazões (fls. 3.116-3.132), o recurso especial foi admitido na origem (fls. 3.144-3.145). Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo provimento do recurso (fls. 3.174-3.177). É o relatório. Decido. O recurso não supera o juízo de admissibilidade, pois não há prequestionamento da tese recursal. Com efeito, apesar da oposição dos embargos de declaração, o Tribunal de origem não se manifestou sobre a matéria tratada pela parte recorrente, o que atrai a incidência da Súmula 211/STJ. Tampouco pode ser admitido o prequestionamento ficto do tema, pois o recurso especial não demonstrou ofensa ao art. 619 do CPP, para que fosse possível aferir eventual omissão da Corte local. Nesse sentido: "PENAL. PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PREQUESTIONAMENTO FICTO. INAPLICABILIDADE. REINCIDÊNCIA DO RÉU E PENA-BASE ESTABELECIDA NO MÍNIMO LEGAL. REGIME SEMIABERTO. POSSIBILIDADE. CRIMES DE VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO E LESÃO CORPORAL. DELITOS AUTÔNOMOS. BENS JURÍDICOS DISTINTOS. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "Entende esta Corte que o prequestionamento ficto é possível até mesmo na esfera penal, desde que no recurso especial tenha o recorrente apontado violação ao art. 619 do CPP (dispositivo do CPP correspondente ao art. 1.022 do CPC), a fim de permitir que o órgão julgador analise a (in)existência do vício assinalado e, acaso constatado, passe desde então ao exame da questão suscitada, suprimindo a instância inferior, se necessário, consoante preleciona o art. 1.025 do CPC. Precedentes." (AgRg no REsp 1.669.113/MG, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 19/4/2018, DJe 11/5/2018). .. 4. Agravo regimental desprovido". (AgRg no REsp n. 1.902.294/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/3/2021, DJe de 8/3/2021.) Ressalte-se que, consoante o entendimento desta Corte Superior, mesmo as matérias de ordem pública exigem prequestionamento. Nesse sentido: "PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECEPTAÇÃO. NECESSÁRIO DEMONSTRAR PREJUÍZO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO QUE INADMITIU O RECURSO ESPECIAL. NULIDADE. IRRELEVÂNCIA. NECESSIDADE DE PREENCHIMENTO DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. I - A ausência de impugnação dos fundamentos da decisão que não admitiu o recurso especial impõe o não conhecimento do agravo em recurso especial. II - In casu, parte agravante deixou de infirmar, de maneira adequada e suficiente, as razões apresentadas pelo eg. Tribunal de origem para negar trânsito ao recurso especial com relação à incidência das Súmulas 282, 356 e 284, todas do STF. III - "A alegação de que seriam matérias de ordem pública ou traduziriam nulidade absoluta não constitui fórmula mágica que obrigaria as Cortes a se manifestar acerca de temas que não foram oportunamente arguidos ou em relação aos quais o recurso não preenche os pressupostos de admissibilidade" (AgRg no AREsp n. 982.366/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Nefi Cordeiro, DJe de 12/03/2018). Agravo regimental desprovido". (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.721.960/SC, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 20/10/2020, DJe de 12/11/2020.) Ademais, nada há no acórdão recorrido que indique a origem ilícita dos bens - mesmo porque o Tribunal local simplesmente não se pronunciou sobre o tema. Assim, além de não estar prequestionada, a tese recursal esbarra na Súmula 7/STJ, por exigir o exame direto de dados probatórios que não constam no aresto impugnado. Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA