REsp 2190556 - DECISAO
O acórdão concluiu que o Tema 880/STJ não se aplica porque a execução individual não dependia da apresentação de documentação pelo executado; assim, o prazo prescricional de cinco anos para a execução individual começou a correr a partir do trânsito em julgado da sentença (10.03.2000), tendo decorrido mais de cinco...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: RIEDEL RESENDE E ADVOGADOS ASSOCIADOS; Recorrente: MARIA DO CARMO GOMES DO NASCIMENTO; Recorrente: MARIA DO CARMO DO NASCIMENTO MONTEIRO; Recorrente: MARIA DO CARMO PEREIRA; Recorrente: MARIA DO CARMO PEREIRA PORTO; Recorrente: MARIA DO LIVRAMENTO GUEDES SALVIANO; Recorrente: MARIA DO PERPETUO SOCORRO ALVES DE SOUSA; Recorrente: MARIA DO ROSARIO DE FATIMA DOS SANTOS OLIVEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática (conhecimento Parcial E Negativa De Provimento)
- Outcome
- Conheço parcialmente do Recurso Especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Prescrição, Honorários Advocatícios, Tema 880/stj, Trânsito Em Julgado, Embargos De Declaração
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
RIEDEL RESENDE E ADVOGADOS ASSOCIADOS
Recorrente
MARIA DO CARMO GOMES DO NASCIMENTO
Recorrente
MARIA DO CARMO DO NASCIMENTO MONTEIRO
Recorrente
MARIA DO CARMO PEREIRA
Recorrente
MARIA DO CARMO PEREIRA PORTO
Recorrente
MARIA DO LIVRAMENTO GUEDES SALVIANO
Recorrente
MARIA DO PERPETUO SOCORRO ALVES DE SOUSA
Recorrente
MARIA DO ROSARIO DE FATIMA DOS SANTOS OLIVEIRA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática (conhecimento Parcial E Negativa De Provimento)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do Tema 880/STJ às execuções cuja liquidação não dependa de documentos do executado
- 2 Termo a quo do prazo prescricional para execução individual de sentença coletiva
- 3 Efeito da execução coletiva sobre o prazo prescricional da execução individual
Ratio Decidendi
O acórdão concluiu que o Tema 880/STJ não se aplica porque a execução individual não dependia da apresentação de documentação pelo executado; assim, o prazo prescricional de cinco anos para a execução individual começou a correr a partir do trânsito em julgado da sentença (10.03.2000), tendo decorrido mais de cinco anos sem causa suspensiva ou interruptiva, o que impõe o reconhecimento da prescrição executória; não havendo omissão adequada nos embargos, estes foram rejeitados; o recurso especial foi conhecido parcialmente e, nessa extensão, negado provimento, tendo sido majorados os honorários em 10% nos termos do art. 85, §§ 11 e 3º.
Court Disposition
Conheço parcialmente do Recurso Especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
Orders
- Embargos de declaração rejeitados
- Majorar em 10% (dez por cento) o montante dos honorários advocatícios, nos termos do art. 85, §§ 11 e 3º, do CPC
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por RIEDEL RESENDE E ADVOGADOS ASSOCIADOS, MARIA DO CARMO GOMES DO NASCIMENTO, MARIA DO CARMO DO NASCIMENTO MONTEIRO, MARIA DO CARMO PEREIRA, MARIA DO CARMO PEREIRA PORTO, MARIA DO LIVRAMENTO GUEDES SALVIANO, MARIA DO PERPETUO SOCORRO ALVES DE SOUSA, MARIA DO ROSARIO DE FATIMA DOS SANTOS OLIVEIRA contra acórdão pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, assim ementado (fls. 1.260/1.261e): APELAÇÃO CÍVEL. PROCESSO CIVIL. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. PRESCRIÇÃO. TEMA 880/STJ. INAPLICABILIDADE. PRAZO. TERMO A QUO. TRÂNSITO EM JULGADO. SUSPENSÃO. INOCORRÊNCIA. HONORÁRIOS. EQUIDADE. INCABÍVEL. PERCENTUAL. 1. O entendimento sufragado no Tema 880/STJ, que renovou o prazo prescricional para as execuções fundadas em títulos transitados até 17.03.2016, somente se aplica se a demanda estava dependendo da apresentação de documentos ou fichas financeiras pelo executado. 2. Não evidenciada a necessidade de prévia apresentação de documentos em poder do executado, a execução individual da sentença coletiva deve ser intentada no prazo de cinco anos do seu trânsito em julgado. 3. O ajuizamento da execução coletiva da obrigação de fazer não obsta o prazo prescricional da execução individual da obrigação de pagar. Precedentes. 4. Transcorrido mais de cinco anos da sentença coletiva, sem que houvesse causa interruptiva ou suspensiva, deve-se pronunciar a prescrição executória. 5. À luz da jurisprudência do STF, prestigia-se o entendimento da possibilidade de fixação dos honorários por equidade quando, excepcionalmente, vislumbra-se desarrazoada disparidade entre a atividade do advogado e o ônus imposto à parte vencida para remunerá-lo. 6. Deu-se parcial provimento ao recurso. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que (fls. 1365/1391e): i) Arts. 1.022, II, e 489, § 1º, IV, do Código de Processo Civil de 2015 - omissões relevantes já indicadas nos Embargos de Declaração opostos. Consoante se verifica da petição ID 60819034, em face do Acórdão ID 60361368 foram opostos Embargos de Declaração com o fito de sanar os seguintes aspectos, não apreciados pelo E. Tribunal a quo: (i) impossibilidade de vinculação entre as decisões proferidas no presente cumprimento de sentença individual e no cumprimento de sentença coletivo relativo ao RESP 1.301.935/DF; ii) Arts. 97 e 104 do Código de Defesa do Consumidor: Conforme se verifica do voto Acórdão ora Recorrido, o c. Tribunal a quo decretou a prescrição do crédito exequendo sob a justificativa, também, de que a matéria já teria sido apreciada no REsp n. 1301935/DF, onde tramita a demanda coletiva originária do presente cumprimento de sentença individual, usando, inclusive, uma decisão proferida naqueles autos como paradigma. Com a máxima vênia, o referido acórdão proferido nos autos do REsp nº 1301935/DF em nada compromete a regular tramitação dos presentes autos, uma vez que aquela decisão, NÃO TRANSITADA EM JULGADO e proferida nos autos de execução coletiva, não vincula o presente processo. Outrossim, cumpre consignar que aquela demanda judicial em nada interfere na regular marcha destes autos, uma vez que é direito dos autores optarem pela execução individual de direito garantido em sentença coletiva. .. Dentro do entendimento do colacionado dispositivo, é possível afirmar que a liquidação e a execução da sentença coletiva, quando divisível o objeto, podem ser promovidas tanto de forma individual pelos próprios detentores do direito, como coletivamente, através de substituto processual legalmente definido. Isso porque entre ações coletivas e ações individuais opera diversidade de partes, pedidos e causa de pedir não caracterizando, na espécie, o instituto da litispendência; e ii) Arts. 313, VI, a, do Código de Processo Civil de 2015 : Ou seja, se o título transitou em julgado antes de 17.03.2016, não há que se falar em prescrição de pretensão executória, na medida em que o termo inicial consiste na data de 30.06.2017. Logo, não haveria como se exigir do exequente que tivesse apresentado cálculos unilaterais, com base no §1º do art. 604 do CPC/1973. Com contrarrazões, o recurso foi admitido (fl. 1.488e). Feito breve relato, decido. Nos termos do art. 932, III e IV, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, mediante decisão monocrática, respectivamente, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida, bem como a negar provimento a recurso ou a pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas no art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, precedente desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE NÃO EXAMINOU O MÉRITO DA CONTROVÉRSIA EM VIRTUDE DA INCIDÊNCIA À ESPÉCIE DA SÚMULA N. 7 DESTA CORTE. DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONFIRMADA NO JULGAMENTO DO AGRAVO INTERNO. SÚMULA N. 315/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. VÍCIOS INEXISTENTES. I - Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. II - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. III - Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." (EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (desembargadora Convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016). IV - O acórdão é claro e sem obscuridades quanto aos vícios indicados pela parte embargante, conforme se confere dos seguintes trechos: Mediante análise dos autos, verifica-se que o acórdão embargado concluiu pela impossibilidade de se analisar o mérito do recurso especial em razão da incidência, no ponto, da Súmula n. 7/STJ. Tal situação impede, por si só, o conhecimento desta via de impugnação, pois não se admite a interposição de embargos de divergência na hipótese de não ter sido analisado o mérito do recurso especial, a teor da Súmula n. 315 desta Corte Superior: "Não cabem embargos de divergência no âmbito do agravo de instrumento que não admite recurso especial." V - Nesse mesmo sentido trago à colação julgado desta Corte Especial: AgInt nos EREsp n. 1.960.526/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Corte Especial, julgado em 7/3/2023, DJe de 13/3/2023. VI - A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: E Dcl no AgInt no RMS 51.806/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp 1.532.943/MT, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. VII - Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt nos EAREsp n. 1.991.078/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Corte Especial, julgado em 9/5/2023, DJe de 12/5/2023). No caso, a parte Recorrente alega omissão relevante já indicada nos Embargos de Declaração. Todavia, ao prolatar o acórdão recorrido, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos (fl. 1.281e): Observe que não se trata de vinculação de decisão, mesmo por que não há litispendência entre as demandas, mas de reconhecimento da inaplicabilidade do Tema 880/STJ à situação, porque desnecessária a juntada de documentação pelo executado, e de inocorrência de quaisquer outra causa suspensiva ou interruptiva do lapso prescricional iniciado com o trânsito em julgado da sentença ocorrido em 10.03.2000. Com efeito, depreende-se da leitura da decisão que a controvérsia foi examinada de forma satisfatória, mediante apreciação da disciplina normativa e do cotejo ao firme posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. O procedimento encontra amparo em reiteradas decisões no âmbito desta Corte Superior, de cujo teor merece destaque a rejeição dos embargos declaratórios uma vez ausentes os vícios do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (v.g. Corte Especial, EDcl no AgInt nos EAREsp n. 1.990.124/MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe de 14.8.2023; 1ª Turma, EDcl no AgInt nos EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.745.723/RJ, Rel. Min. Sérgio Kukina, DJe de 7.6.2023; e 2ª Turma, EDcl no AgInt no AREsp n. 2.124.543/RJ, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe de 23.5.2023). In casu, não verifico omissão acerca de questão essencial ao deslinde da demanda e oportunamente suscitada, tampouco de outro vício a impor a revisão do julgado. Quanto à questão de fundo, o Tribunal de origem manifestou-se nos seguintes termos (fls. 1.279/1.281e): No caso, a sentença exequenda transitou em julgado antes do marco definido pelo STJ. Todavia, não é possível a aplicação do Tema 880/STJ, pois a situação em tela não se amolda à hipótese paradigma, que, conforme dito, pressupõe a necessidade de fornecimento de documentos ou fichas financeiras pelo devedor para ser executada. Afinal, a pretensão executória inicial não dependia da apresentação de qualquer documento pelo executado, tanto que as exequentes indicaram os valores individuais pretendidos na inicial, sem precisar ou requerer a imposição de fornecimento de fichas ou o outro pelo executado ou mesmo a inversão do ônus da prova. .. Destaque-se que não se olvida que a execução coletiva implica em interrupção do prazo prescricional da pretensão individual, que somente volta a correr, pela metade, do último ato do processo coletivo. No entanto, no caso, a execução coletiva da obrigação de pagar somente foi promovida em 11.04.2005, quando a pretensão já estava prescrita, conforme reconhecido no acórdão nº 435.096 desta Corte, confirmado pelo STJ, no julgamento do AgRg no AgRg no RESP nº 1.301.935 - DF e respectivos embargos. .. Observe que não se trata de vinculação de decisão, mesmo por que não há litispendência entre as demandas, mas de reconhecimento da inaplicabilidade do Tema 880/STJ à situação, porque desnecessária a juntada de documentação pelo executado, e de inocorrência de quaisquer outra causa suspensiva ou interruptiva do lapso prescricional iniciado com o trânsito em julgado da sentença ocorrido em 10.03.2000. Entretanto, a parte recorrente deixou de impugnar fundamento suficiente do acórdão recorrido (supra destacado), alegando, tão somente, que "o referido acórdão proferido nos autos do REsp nº 1301935/DF em nada compromete a regular tramitação dos presentes autos, uma vez que aquela decisão, NÃO TRANSITADA EM JULGADO e proferida nos autos de execução coletiva, não vincula o presente processo" e que "não há que se falar em prescrição de pretensão executória, na medida em que o termo inicial consiste na data de 30.06.2017". Desse modo, verifica-se que as razões recursais apresentadas se encontram dissociadas daquilo que restou decidido pelo Tribunal de origem, o que caracteriza deficiência na fundamentação do recurso especial e atrai, por analogia, os óbices das Súmulas 283 e 284, do Supremo Tribunal Federal, as quais dispõem, respectivamente: "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles"; e "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, os seguintes precedentes: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO MOVIDA CONTRA ESTADO. CHAMAMENTO DA UNIÃO AO PROCESSO. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. RAZÕES DOS EMBARGOS DISSOCIADAS DO FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. SÚMULAS 283 E 284 DO STF. SUSPENSÃO EM RAZÃO DE RESP ADMITIDO COMO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. DESCABIMENTO. TEMA ESPECÍFICO. (..) 3. A alegação de omissão do acórdão embargado por ter a ora embargante impugnando os fundamentos da decisão do Tribunal a quo atrai a incidência, por analogia, das Súmulas 283 e 284 do STF, uma vez que não houve menção na decisão monocrática nem no acórdão em agravo regimental sobre tal ponto, de modo que restam dissociadas as razões dos embargos de declaração com relação ao constante nos autos. 4. Quanto à suspensão do recurso especial, tendo em vista a admissão do REsp n. 1.144.382/AL como representativo de controvérsia, tem-se que este recurso trata da solidariedade passiva da União, dos Estados e dos Municípios tão somente, e não, como no caso em exame, sobre eventual chamamento ao processo de um dos entes. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg no Ag 1.309.607/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/08/2012, DJe 22/08/2012). TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. CONCURSO DE PREFERÊNCIA. VIOLAÇÃO AO ART. 535 NÃO CONFIGURADA. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 283 E 284/STF. 1. Constata-se que não se configura a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. 2. Na leitura do acórdão recorrido, verifica-se que o Tribunal local não olvidou o fato de possivelmente existir concurso de preferência. Apenas foi consignado que a competência para análise de tal instituto seria do Juízo da Execução. Logo, não merece respaldo a tese da agravante de que foi "inobservada a existência de concursus fiscalis entre a Fazenda Nacional e Fazenda Estadual" (fl. 861, e-STJ). Nesse sentido, verifica-se que as razões recursais mostram-se dissociadas da motivação perfilhada no acórdão recorrido e que não houve impugnação de fundamento autônomo do aresto impugnado. Incidem, portanto, os óbices das súmulas 283 e 284/STF. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 254.814/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/02/2013, DJe 15/02/2013). Outrossim, rever a conclusão alcançada pela origem, com o objetivo de acolher a pretensão recursal, demandaria necessário revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula n. 7 desta Corte, assim enunciada: "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Por fim, nos termos d o art. 85, §§ 11 e 3º, majoro em 10% (dez por cento) o montante dos honorários advocatícios apurado em decorrência da condenação fixada nas instâncias ordinárias. Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III e IV, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, do RISTJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Publique-se e intimem-se. EMENTA