AREsp 2801587 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem concluiu que, quando ajuizada a ação, já havia decorrido o prazo prescricional aplicável às parcelas, o que, por via reflexa, impediu o direito à rescisão contratual ao afastar o inadimplemento que sustentaria tal pedido; para acolher a tese recursal seria...
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- Parties
- Agravante: COOPERATIVA HABITACIONAL TERRA PAULISTA (EM LIQUIDAÇÃO); Agravado: CLOVIS GONÇALVES e OUTRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial (admissibilidade Do Recurso Especial)
- Outcome
- nego provimento ao agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Prescrição, Rescisão Contratual, Reintegração De Posse, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7 Do STJ, Prequestionamento
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Parties
COOPERATIVA HABITACIONAL TERRA PAULISTA (EM LIQUIDAÇÃO)
Agravante
CLOVIS GONÇALVES e OUTRA
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial (admissibilidade Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 se a prescrição extingue a obrigação ou apenas a pretensão de cobrança
- 2 se a prescrição impede a rescisão contratual
- 3 se houve prequestionamento suficiente para admissibilidade do recurso especial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem concluiu que, quando ajuizada a ação, já havia decorrido o prazo prescricional aplicável às parcelas, o que, por via reflexa, impediu o direito à rescisão contratual ao afastar o inadimplemento que sustentaria tal pedido; para acolher a tese recursal seria necessário reexaminar o conjunto fático-probatório, procedimento proibido em recurso especial pela Súmula n. 7 do STJ.
Court Disposition
nego provimento ao agravo em recurso especial
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial
- Majorar em 10% os honorários advocatícios sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do § 11 do art. 85 do CPC
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por COOPERATIVA HABITACIONAL TERRA PAULISTA (EM LIQUIDAÇÃO) contra a decisão que inadmitiu o recurso especial com fundamento na ausência de demonstração de vulneração ao dispositivo legal mencionado, pois as exigências legais foram atendidas pelo acórdão recorrido, bem como pela incidência da Súmula n. 7 do STJ, que veda o reexame de provas e circunstâncias fáticas (fls. 400-401). Nas razões do agravo, a parte agravante alega o seguinte: a) houve prequestionamento dos dispositivos legais violados, estando a tese jurídica sustentada devidamente prequestionada (fls. 405-407); b) não há incidência da Súmula n. 7 do STJ, pois a discussão não adentra na seara fático-probatória, tratando-se de questão exclusivamente de direito (fls. 407-408); e c) a violação ao dispositivo legal foi devidamente fundamentada, visto que a prescrição não extingue a obrigação em si, mas apenas a pretensão de cobrança (fls. 408-409). Requer que o agravo seja provido para que o recurso especial seja admitido e julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (fl. 417). O recurso especial foi interposto com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo em apelação nos autos de ação declaratória de resolução contratual c/c reintegração de posse. O acórdão recorrido foi assim ementado (fl. 355): APELAÇÃO. Compra e venda. Pedido de rescisão c.c. reintegração de posse. Sentença de extinção, com resolução do mérito, pelo reconhecimento da prescrição. Insurgência da autora. Pretensão de cobrança do saldo devedor pela autora que obsta o pleito de rescisão, calcado no inadimplemento do preço. Recurso a que se nega provimento. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. Eis a ementa (fl. 385): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Vícios do art. 1.022 do CPC inexistentes. Interposição do recurso com finalidade de reanálise do mérito. Controvérsia recursal que foi devidamente enfrentada no julgado. Embargos rejeitados. No recurso especial, a parte recorrente alega, além de divergência jurisprudencial, violação dos seguintes artigos: a) 206, § 5º, do Código Civil, dado que a prescrição não extingue a obrigação em si, mas apenas a pretensão de cobrança, não impedindo a rescisão contratual por inadimplência (fls. 366-369); e b) 1.029 e seguintes do Código de Processo Civil, pois o recurso especial foi inadmitido indevidamente, visto que a matéria foi devidamente prequestionada (fls. 361-362). Aduz que o Tribunal de origem divergiu ao interpretar que a prescrição da dívida extinguiria o direito subjetivo da recorrente, impedindo a rescisão contratual, em desacordo com o entendimento do STJ no REsp n. 1.694.322/SP (fls. 366-367). Não foram interpostas contrarrazões ao agravo em recurso especial (fl. 418). Requer o provimento do recurso especial para que se reforme o acórdão recorrido, declarando a rescisão do contrato de compra e venda e a reintegração na posse do imóvel (fl. 369). Nas contrarrazões, CLOVIS GONÇALVES e OUTRA (fls. 397-399) alegam que o recurso especial não merece admissão por ausência de comprovação das hipóteses elencadas no artigo 105, III, a, da Constituição Federal, bem como que a pretensão da recorrente visa a reapreciação da matéria fática, o que é vedado pela Súmula n. 7 do STJ. É o relatório. Decido. O recurso não reúne condições de êxito. O Tribunal a quo negou provimento ao apelo, concluindo que, quando do ajuizamento da ação, referido prazo já havia se escoado, o que acabou por impossibilitar, por via reflexa, o direito da apelada à rescisão contratual. Confiram-se os trechos do acórdão recorrido (fl. 356): A autora ajuizou a presente ação pleiteando a rescisão de compromisso de compra e venda, com a sua consequente reintegração na posse do bem. Ocorre que a causa de pedir está calcada no inadimplemento do preço e o vencimento da última parcela assumida pelos apelados foi previsto para 10.06.2008, sendo certo que a apelante permaneceu inerte por todos esses anos, não tendo cobrado dos devedores as parcelas em aberto, tampouco pedido a resolução do contrato. Nesse contexto, considerando que o prazo prescricional da pretensão de cobrança de eventuais parcelas em atraso, in casu, vem regulado pelo artigo 206, § 5º, inciso I, do Código Civil, verifica-se que quando do ajuizamento desta ação, referido prazo já havia se escoado, o que acaba impossibilitando, por via reflexa, o direito da apelada à rescisão contratual, uma vez que atingidas as parcelas em aberto pela prescrição, desaparece o inadimplemento contratual que sustentaria o pedido de rescisão da avença. Nesse contexto, para rever as conclusões adotadas na instância de origem e acatar a tese recursal da parte ora agravante, seria imprescindível o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, medida vedada em recurso especial, em face do óbice da Súmula n. 7 do STJ. Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, majoro, em 10% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, os honorários advocatícios em desfavor da parte ora recorrente, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos no § 2º do referido artigo e ressalvada eventual concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA