REsp 2195549 - DECISAO
Não conheço do recurso especial com fundamento no art.255, §4º, I, do RISTJ porque a pretensão recursal implicaria revisão de todo o conjunto fático-probatório (vedada pela Súmula 7/STJ) e porque o acórdão recorrido corretamente concluiu que o pedido de suspensão das tratativas extrajudiciais (art.34 da Lei nº...
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- Parties
- Recorrente: Estado do Paraná; Recorrido: sindicato
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 March 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Prescrição, Cumprimento De Sentença Coletiva, Suspensão Do Prazo Prescricional, Mediação E Tratativas De Acordo, Súmula 7/stj
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
Estado do Paraná
Recorrente
sindicato
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Incidência da suspensão do prazo prescricional por pedido expresso de suspensão para tratativas de acordo do ente público (art.34 da Lei nº 13.140/2015)
- 2 Se a prescrição foi consumada ou suspensa no caso concreto
- 3 Possibilidade de reexame de matéria fático-probatória em recurso especial diante da Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
Não conheço do recurso especial com fundamento no art.255, §4º, I, do RISTJ porque a pretensão recursal implicaria revisão de todo o conjunto fático-probatório (vedada pela Súmula 7/STJ) e porque o acórdão recorrido corretamente concluiu que o pedido de suspensão das tratativas extrajudiciais (art.34 da Lei nº 13.140/2015) suspendeu o prazo prescricional, de modo que a execução só se consumou em 30/05/2022.
Court Disposition
recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso especial com fundamento no art.255, §4º, I, do RISTJ.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo Estado do Paraná com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal. Na origem, o Estado do Paraná interpôs agravo de instrumento contra decisão que, em cumprimento individual de sentença coletiva decorrente do título judicial formado nos autos de n. 0003203-59.2008.8.16.0004, afastou a alegação de prescrição arguida pelo ente público. O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ negou provimento ao agravo de instrumento do ente público, ficando consignado que nos períodos de suspensão do processo por conta de tentativas de composição entre as partes, não corre o prazo prescricional, restando o acórdão assim ementado: CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA PROFERIDA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. DECISÃO QUE REJEITA A PREJUDICIAL DE PRESCRIÇÃO ARGUIDA PELO ENTE PÚBLICO. CASO EM QUE, NA AÇÃO PRINCIPAL, O ESTADO DO PARANÁ NOTICIOU A EXISTÊNCIA DE TRATATIVAS DE ACORDO. CAUSA SUSPENSIVA DO PRAZO PRESCRICIONAL. ART. 34 DA LEI Nº 13.140/2015. IRRELEVÂNCIA DO FATO DE TER SIDO EFETIVAMENTE INSTAURADO O PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO PARA NEGOCIAÇÃO E CONFECÇÃO DO ACORDO. PRINCÍPIOS DA PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA, BOA-FÉ OBJETIVA E COOPERAÇÃO. INTERPRETAÇÃO QUE MELHOR SE COADUNA COM A REGRA LEGAL QUE ESTABELECE O ESTÍMULO À SOLUÇÃO CONSENSUAL DOS CONFLITOS. DECISÃO CORRETA. O pedido expresso de suspensão do processo deduzido por ente ou entidade pública para tratativas de acordo suspende o prazo prescricional a partir do despacho que o defere, conforme previsto no art. 34 da Lei nº 13.140/2015. AGRAVO DE INSTRUMENTO DESPROVIDO. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. Contra a decisão cuja ementa se encontra acima transcrita, foi interposto o presente recurso especial, apontando violação dos arts. 197 a 202 do Código Civil; arts. 523, 524 e 534 do CPC/2015 e art. 1º do Decreto n. 20.910/32 e divergência jurisprudencial com o entendimento firmado nos Temas n. 877 e 880 do STJ. É o relatório. Decido. A respeito da suspensão do prazo prescricional, o acórdão recorrido, integrado pelo acórdão proferido nos embargos de declaração, assim se manifestou (fl. 240): O exame dessa petição deixa claro que àquela altura, conforme trecho da decisão de primeiro grau transcrito no acórdão embargado, o executado, ora embargante, já havia cumprido a obrigação de entrega de entrega da documentação (CD com as fichas financeiras) em 14/05/2019, em seq. 53 dos mencionados autos. Ou seja, o acordo que seria buscado pelas partes não dizia mais respeito à juntada das fichas financeiras, mas à obrigação de pagar do ente público. Tanto isso é verdade que o Estado do Paraná referiu à possibilidade de execução global, hipótese na qual, mencionando o art. 535 do CPC - cumprimento da sentença que reconheça a exigibilidade de pagar quantia certa pela Fazenda Pública -, antecipou-se requerendo desde logo "prazo mais dilatado do que o previsto no art. 535 do Código de Processo Civil, haja vista a quantidade astronômica de servidores envolvidos - segundo a parte adversa, em torno de 20 mil. Sugere-se prazo de 180 dias, que é apenas seis vezes maior que o prazo ordinário". Deve-se lembrar que o sindicato, na condição de substituto processual, tem plena legitimidade para requerer a execução coletiva dos interesses individuais, além da execução fluída (fluid recovery), previstas nos arts. 98 e 100 do CDC. Portanto, embora o embargante tenha razão ao afirmar a independência dos prazos prescricionais (obrigação de fazer e obrigação de pagar), o pedido de suspensão deduzido nos autos 0008041-64.2016.8.16.0004 certamente dizia respeito à obrigação de pagar, até porque a obrigação de fazer já havia sido cumprida e não haveria qualquer razão para as partes iniciarem tratativas voltadas à singela exibição de documentos. A propósito, o acórdão embargado em momento algum considerou o pedido de exibição de documentos como marco interruptivo da prescrição. Na realidade, reportando-se aos fundamentos da decisão de primeiro grau, demonstrou-se que o prazo prescricional, iniciado com o trânsito em julgado da sentença coletiva (08/04/2016), conforme Tema Repetitivo nº 877/STJ, foi suspenso em 06/10/2020 (art. 34 da Lei nº 13.140/2015), retomando seu curso apenas em 30 /10/2011, de modo que os 05 anos para execução do julgado somente se consumaram em 30/05 /2022. Ademais, o acórdão embargado demonstrou ser inteiramente irrelevante o disposto no Tema Repetitivo nº 880/STJ, seja porque o trânsito em julgado ocorreu após a data fixada pelo STJ na modulação de efeitos, seja porque, como se viu, em momento algum se utilizou do argumento de demora na exibição das fichas financeiras para fins de exame da prescrição. A história aqui é outra e consiste na suspensão do prazo prescricional que decorreu das tratativas extrajudiciais mantidas entre o ente público e o sindicato com a finalidade de acertar o próprio pagamento do débito aos servidores substituídos. Portanto, a pretensão recursal de rever o posicionamento adotado no acórdão recorrido teria necessariamente que passar pela revisão de todo o conjunto fático/probatório apresentado, a qual poderia até mesmo não ser suficiente, demandando outras provas. Ocorre que tal atividade probatória é típica das instâncias ordinárias, sendo vedada nas instâncias extraordinárias. Logo, o recurso é inviável, assim porque chegar a entendimento diverso, in casu, demandaria revolvimento fático probatório inviável em sede de Recurso Especial ante o óbice da Súmula 7/STJ. No mesmo sentido as decisões monocráticas proferidas no REsp n. 2.124.842, Ministro Gurgel de Faria, DJe de 14/03/2024; REsp n. 2.120.425, Ministro Afrânio Vilela, DJe de 19/03/2024; REsp n. 2.129.829, Ministra Regina Helena Costa, DJe de 04/04/2024. Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA