REsp 2203093 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a parte recorrente não indicou de forma adequada e pormenorizada o dispositivo de lei federal que teria sido violado, e porque o acórdão recorrido fundamentou-se na aplicação do art. 24-D da Lei nº 9.656/98, que remete à incidência da Lei nº 6.024/74 nas liquidações...
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- Parties
- Recorrente: ALL LIFE ASSISTENCIA MEDIA LTDA. - FALIDA; Recorrido: Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 March 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido (decisão Monocrática)
- Outcome
- NÃO CONHEÇO do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Prescrição, Liquidação Extrajudicial, Execução Fiscal, Aplicação Da Lei Nº 6.024/74, Honorários Recursais
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Parties
ALL LIFE ASSISTENCIA MEDIA LTDA. - FALIDA
Recorrente
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 Incidência do art. 18 da Lei nº 6.024/74 em execuções fiscais promovidas pela ANS
- 2 Efeito do art. 24-D da Lei nº 9.656/98 quanto à aplicação da Lei nº 6.024/74 às liquidações extrajudiciais de operadoras de saúde
- 3 Interrupção da prescrição durante liquidação extrajudicial
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a parte recorrente não indicou de forma adequada e pormenorizada o dispositivo de lei federal que teria sido violado, e porque o acórdão recorrido fundamentou-se na aplicação do art. 24-D da Lei nº 9.656/98, que remete à incidência da Lei nº 6.024/74 nas liquidações extrajudiciais de operadoras de saúde, e, especificamente, no art. 18, alínea "e", da Lei nº 6.024/74, que determina a interrupção da prescrição durante o período da liquidação extrajudicial, afastando assim a alegação de prescrição.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO do Recurso Especial.
Orders
- Não conhecer do Recurso Especial.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por ALL LIFE ASSISTENCIA MEDIA LTDA. - FALIDA contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 7ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região no julgamento de agravo de instrumento, assim ementado (fl. 63e): DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXCEÇÃO DE PRÉ- EXECUTIVIDADE. MULTA ADMINISTRATIVA. ANS. PRESCRIÇÃO INTERROMPIDA. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 18, E, DA LEI Nº 6.024/74. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Agravo de instrumento interposto pela Massa Falida de All Life Assistência Médica Ltda. contra decisão que rejeitou exceção de pré-executividade, afastando alegação de prescrição em execução fiscal promovida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 2. O vencimento da dívida ocorreu em 29/12/2008 e o trânsito em julgado do processo administrativo se deu em 30/09/2009. A falência da agravante foi decretada em 06/11/2014, após liquidação extrajudicial iniciada em 01/06/2010. 3. Nos termos do art. 24-D da Lei nº 9.656/98, aplicam-se às operadoras de planos de saúde, em regime de liquidação extrajudicial, as disposições da Lei nº 6.024/74, que, em seu art. 18, "e", prevê a interrupção da prescrição relativa a obrigações da instituição. 4. A liquidação extrajudicial da agravante interrompeu o prazo prescricional, que ficou suspenso entre 01/06/2010 (início da liquidação) e 06/11/2014 (decretação da falência), razão pela qual não houve a consumação do prazo prescricional. 5. Agravo de instrumento conhecido e desprovido. Opostos Embargos de Declaração, foram rejeitados (fls. 94-96e). Com amparo no art. 105, III, a e c, da Constituição da República, além da divergência jurisprudencial, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: I. Art. 18, "a", da Lei n. 6.024/1974: "É entendimento sedimentado nesse E. STJ que a Lei de Execução Fiscal constitui norma especial em relação à Lei n. 6.024/74, de maneira que a execução fiscal não tem seu curso suspenso em razão de liquidação processual, ou seja, o art. 18, a, da Lei n. 6.024/74 não tem aplicabilidade quando se está diante de executivo fiscal" (fl. 108e). Com contrarrazões (fls. 119-124e), o recurso foi admitido (fl. 131e). Feito breve relato, decido. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, mediante decisão monocrática, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. - DA INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO Ao analisar a possibilidade de suspensão da prescrição de multa administrativa cobrada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, a Corte de origem assim se manifestou (fls. 60-61e): Dando seguimento, da análise dos autos, verifica-se que a execução fiscal de origem, promovida pela ANS em face da Massa Falida All Life Assistência Médica LTDA, visa a cobrança de multa administrativa aplicada nos autos do processo administrativo nº 33902.048365/2008-76, oriundo do Auto de Infração nº 27126, de 07/04/2008 (Evento 32, PROCADM2 - SJRJ). Deve-se consignar, igualmente, que o vencimento da dívida ocorreu em 29/12/2008 e o trânsito em julgado do processo administrativo se deu em 30/09/2009. Contudo, em 01/06/2010 houve a decretação da liquidação extrajudicial da agravante e em 06/11/2014 a decretação da falência. Neste sentido, não se desconhece o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça sobre da inaplicabilidade do art. 18 da Lei 6.024/74 às execuções fiscais. Ocorre que, em razão do art. 24-D da Lei 9.656/98, em se tratando de casos de liquidação extrajudicial de operadoras de planos de saúde - como o presente caso - há a necessária incidência das disposições da Lei 6.024/74. Veja-se: Art. 24-D. Aplica-se à liquidação extrajudicial das operadoras de planos privados de assistência à saúde e ao disposto nos arts. 24-A e 35-I, no que couber com os preceitos desta Lei, o disposto na Lei no 6.024, de 13 de março de 1974, no Decreto-Lei no 7.661, de 21 de junho de 1945, no Decreto-Lei no 41, de 18 de novembro de 1966, e no Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, conforme o que dispuser a ANS. Depreende-se, por conseguinte, que, quando a ação executiva for ajuizada pela ANS, haverá a incidência do art. 18 da Lei 6.024/74, ante o princípio da especialidade. E, assim, nos termos da alínea "e" do mencionado artigo, haverá a interrupção do prazo prescricional. Observa-se: Art. 18. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: (..) e) interrupção da prescrição relativa a obrigações de responsabilidade da instituição; Assim, no caso vertente, não houve a incidência da prescrição, uma vez que a liquidação extrajudicial da agravante se iniciou, conforme já mencionado, em 01/06/2010 e se prolongou até a decretação de sua falência, em 06/11/2014, período em que restou obstado o fluxo prescricional. A presente execução, por sua vez, foi ajuizada em 06/11/2015. Quanto ao artigo tido por violado, a Recorrente limita-se a citá-lo nas razões recursais, sem demonstrar, efetivamente, como teria ocorrido a violação. Enquanto o acórdão recorrido fundamenta-se na alínea "e" do art. 18 da Lei n. 6.024/1974 para consignar que a liquidação extrajudicial de operadoras de saúde interrompe a prescrição relativa a obrigações da instituição, a Recorrente aponta a alínea "a" do mesmo art. 18 como violado, cuja previsão diz respeito à suspensão ou interrupção da execução iniciada. O recurso especial possui natureza vinculada e por objetivo a aplicação ou interpretação adequada de comando de lei federal, de modo que compete à parte a indicação de forma clara e pormenorizada do dispositivo legal que entende ofendido, não sendo suficiente a mera citação no corpo das razões recursais (1ª T., AgInt no REsp n. 1.930.411/RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. 4.9.2023, DJe de 6.9.2023). Em consonância com o entendimento desta Corte, nos casos em que a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se ao recurso especial, por analogia, o entendimento da Súmula 284, do Colendo Supremo Tribunal Federal, in verbis: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. Ressalte-se, não basta indicar como violado qualquer dispositivo legal, mas aquele cujo comando normativo é capaz de sustentar a tese recursal. Tais dispositivos não possuem comando normativo suficiente para afastar a expressa vedação legal ao direito de apuração dos créditos questionados. É firme o posicionamento desta Corte segundo o qual se revela incabível conhecer do recurso especial quando o dispositivo de lei federal tido por violado não possui comando normativo capaz de impugnar os fundamentos do acórdão recorrido, incidindo, por analogia, a orientação contida na Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PESSOA JURÍDICA. QUALIFICAÇÃO COMO AGROINDÚSTRIA. ART. 489 DO CPC/2015. VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA. REENQUADRAMENTO DA EMPRESA. EXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. CONSULTA. FISCALIZAÇÃO IN LOCO. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. SÚMULA 284 DO STF. INCIDÊNCIA. LANÇAMENTO FISCAL. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. SÚMULA 283 DO STF. CARÁTER CONFISCATÓRIO. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS JULGADOS CONFRONTADOS. AUSÊNCIA. HONORÁRIOS RECURSAIS. CABIMENTO. .. 4. O art. 100 do CTN não possui comando normativo suficiente para infirmar o entendimento da Corte Regional de que as soluções de consulta não vinculam o Fisco na hipótese da ocorrência de fiscalização tributária in loco, na qual se verifica situação fática diversa daquela apresentada pelo consulente, incidindo no ponto o óbice da Súmula 284 do STF. .. (AgInt nos EDcl no AREsp 1.343.527/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/11/2019, DJe 03/12/2019). TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO A EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SEGURANÇA CONCEDIDA, COM LIMITAÇÃO TEMPORAL DOS EFEITOS DO JULGADO A 31/12/2014, EM FACE DA LEI 12.973/2014. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 1.039, CAPUT, E 1.040, III, DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. ART. 1.025 DO CPC/2015. INAPLICABILIDADE, NO CASO. DISPOSITIVOS PROCESSUAIS APONTADOS QUE, ADEMAIS, NÃO POSSUEM COMANDO NORMATIVO APTO A SUSTENTAR A TESE DA RECORRENTE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF, POR ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE, AINDA, DE ANÁLISE, EM RECURSO ESPECIAL, DA ADEQUAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, COM A TESE FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA, SOB PENA DE ANÁLISE, POR VIA REFLEXA, DE QUESTÃO CONSTITUCIONAL. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. .. VII. De todo modo, em relação à alegada violação aos arts. 1.039, caput, e 1.040, III, do CPC/2015, os referidos dispositivos legais não possuem comando normativo apto a infirmar a conclusão, tal como posta no acórdão recorrido, em relação à limitação temporal dos efeitos do julgado a 31/12/2014, de forma a atrair, no ponto, a aplicação analógica da Súmula 2 84/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"). .. (AgInt no AREsp 1.510.210/SC, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/11/2019, DJe 29/11/2019). - DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL Nesse cenário impõe-se a prejudicialidade do exame da divergência jurisprudencial. De fato, os óbices os quais impedem a análise do recurso pela alínea a prejudicam o exame do especial manejado pela alínea c do permissivo constitucional para questionar a mesma matéria. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 282/STF. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS DO ACÓRDÃO NÃO IMPUGNADOS. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS. NÃO INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL VIOLADO. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA A DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DAS SÚMULAS N. 283 E 284/STF. TITULARIDADE DOS CRÉDITOS EXECUTADOS. ACÓRDÃO EMBASADO EM PREMISSAS FÁTICAS E NA INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS. REVISÃO. SÚMULAS N. 05 E 07/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. INADEQUADA AO CASO CONCRETO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - É entendimento pacífico desta Corte que a ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia pelo tribunal a quo impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula n. 282 do Supremo Tribunal Federal. III - Revela-se deficiente a fundamentação quando a parte deixa de impugnar fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido, apresentando razões recursais dissociadas dos fundamentos utilizados pela Corte de origem, bem como quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica ou não aponta o dispositivo de lei federal violado. Incidência, por analogia, das Súmulas n. 283 e 284/STF. IV - In casu, rever o entendimento do Tribunal de origem acerca da titularidade dos créditos executados demandaria interpretação de cláusula contratual e revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz dos óbices contidos nas Súmulas n. 05 e 07/STJ. V - Os óbices que impedem o exame do especial pela alínea a prejudicam a análise do recurso interposto pela alínea c do permissivo constitucional para discutir a mesma matéria. Precedentes. VI - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VII - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp 1883971/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/10/2020, DJe 08/10/2020) - DOS HONORÁRIOS RECURSAIS No que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos Enunciados Administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais em favor do patrono da parte recorrida está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou de improvimento do recurso. Impende destacar que a Corte Especial deste Tribunal Superior, na sessão de 9.11.2023, concluiu o julgamento do Tema n. 1.059/STJ (Recursos Especiais ns. 1.864.633/RS, 1.865.223/SC e 1.865.553/PR), fixando a tese segundo a qual a majoração dos honorários de sucumbência prevista no art. 85, § 11, do CPC pressupõe que o recurso tenha sido integralmente desprovido ou não conhecido pelo tribunal, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente. Não se aplica o art. 85, § 11, do CPC em caso de provimento total ou parcial do recurso, ainda que mínima a alteração do resultado do julgamento e limitada a consectários da condenação. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/2015), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Isto posto, com fundamento nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do RISTJ, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA