AREsp 2750985 - ACORDAO
O Tribunal de origem concluiu que a demora na citação decorreu exclusivamente da morosidade do serviço judiciário, de sorte que, nos termos da Súmula 106/STJ, não se opera a prescrição; acolher a tese contrária exigiria o reexame de elementos fático-probatórios, providência vedada pela Súmula 7/STJ, razão pela qual...
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- Parties
- Agravante: CENTRAL QUIMICA COMERCIO DE PRODUTOS AGRICOLAS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Decisão Colegiada Da Quarta Turma (sessão Virtual De 18/03/2025 a 24/03/2025)
- Outcome
- Agravo interno desprovido (nego provimento ao agravo interno)
- Legal Topics
- Prescrição, Citação, Súmula 106/stj, Súmula 7/stj, Ação Monitória
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Parties
CENTRAL QUIMICA COMERCIO DE PRODUTOS AGRICOLAS LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Decisão Colegiada Da Quarta Turma (sessão Virtual De 18/03/2025 a 24/03/2025)
Legal Issues
- 1 ocorrência de prescrição em razão da demora na citação
- 2 responsabilidade pela demora da citação (serviço judiciário versus desídia do autor)
- 3 incidência das Súmulas 106 e 7 do STJ e vedação de revolvimento de matéria fático-probatória
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem concluiu que a demora na citação decorreu exclusivamente da morosidade do serviço judiciário, de sorte que, nos termos da Súmula 106/STJ, não se opera a prescrição; acolher a tese contrária exigiria o reexame de elementos fático-probatórios, providência vedada pela Súmula 7/STJ, razão pela qual o agravo interno foi negado provimento.
Court Disposition
Agravo interno desprovido (nego provimento ao agravo interno)
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 18/03/2025 a 24/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO MONITÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DO STJ QUE NEGOU PROVIMENTO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA DEMANDADA. 1. Nos termos da Súmula 106/STJ, "proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao mecanismo da justiça, não justifica o acolhimento da arguição de prescrição ou decadência". 1.1. No caso dos autos, o Tribunal de origem concluiu que a citação apenas não se efetivou no prazo legal por demora exclusiva do serviço judiciário, pois o autor tomou todas as providências necessárias para viabilizá-la, cumprindo com o dever processual que lhe competia. A alteração do entendimento firmado, no sentido de reconhecer que a demora na citação decorreu de desídia da parte autora, demandaria o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos, providência vedada pela Súmula 7/STJ. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por CENTRAL QUIMICA COMERCIO DE PRODUTOS AGRICOLAS LTDA, contra decisão monocrática de fls. 1.195/1.198 (e-STJ), a qual conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial interposto pela parte ora agravante. O apelo extremo desafiou acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Tocantins, assim sintetizado (fl. 1210/1211, e-STJ): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO MONITÓRIA. TÍTULO EXECUTIVO PLENAMENTE CONSTITUÍDO. JUSTIÇA GRATUITA. CONCESSÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. MORA ATRIBUÍDA AOS MECANISMOS DA JUSTIÇA. DESÍDIA DA AUTORA NÃO COMPROVADA. DUPLICATA SEM ACEITE. NOTAS FISCAIS ACOMPANHADAS DE PROVAS DA ENTREGA DOS PRODUTOS. VALIDADE. COMPROVANTES DE PAGAMENTO QUE SE REFEREM A PERÍODO DIVERSO DA COBRANÇA. PROVA TESTEMUNHAL QUE NÃO CONTRIBUI PARA O ESCLARECIMENTO DOS FATOS. PARCIAL PROVIMENTO. 1- O pedido de justiça gratuita deve ser concedido à Apelante, conforme restou decidido no acórdão acostado ao Evento 10. 2- Apesar de decorridos mais de cinco anos entre a propositura da ação e a citação válida da Apelante, necessário reconhecer que a demora na máquina judiciária não pode ocasionar prejuízo à justa solução da presente demanda e à parte autora. 3- A Autora comprovou de forma satisfatória a existência e a exigibilidade dos débitos referentes aos contratos de compra e venda de insumos agrícolas, arrolados na exordial. 4- A duplicata sem aceite, acompanhada do protesto respectivo, bem como, de notas fiscais e canhotos de entrega das mercadorias, são suficientes para comprovar o direito da Autora ao recebimento dos valores cobrados. 5- Apesar de a Apelante sustentar que a dívida está paga, os comprovantes acostados aos autos referem-se a cobranças vencidas no ano de 2006, ao passo que a documentação constituída como título executivo encontra-se com vencimento no ano de 2007. 6- A testemunha ouvida em juízo não comprova as alegações da Apelante de que a dívida foi paga, uma vez que esta só trabalhou na empresa até novembro de 2006, período inferior àquele em que a dívida fora contraída (maio de 2007). 7- Os títulos apresentados pela Autora correspondem ao conceito de prova escrita de dívida previsto no artigo 784, VIII, do CPC, inexistindo óbice para que sejam constituídos em título executivo judicial. 8- Parcial provimento. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Nas razões do recurso especial (fls. 1273/1279, e-STJ), a parte insurgente aponta ofensa ao artigo 240, § 2º, do CPC/2015. Sustenta a inexistência de interrupção da prescrição, afirmando que não foi a morosidade da máquina judiciária a causa da demora da citação. Alega que houve flagrante inércia do credor ao proceder as diligências necessárias para a citação da recorrente. Contrarrazões às fls. 1285/1311, e-STJ. Em juízo prévio de admissibilidade (fls. 1317/1321, e-STJ), a Corte de origem negou o processamento ao recurso. Daí o agravo (fls. 1329/1333, e-STJ). Por decisão monocrática (fls. 1359/1361, e-STJ), proferida pela presidência deste Superior Tribunal de Justiça, que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, com amparo no enunciado contido nas Súmula 7/STJ. Em suas razões de agravo interno (fls. 1365/1368, e-STJ), a recorrente refuta os fundamentos em que se lastreou o decisum hostilizado, oportunidade em que reafirma os argumentos deduzidos no apelo nobre. Impugnação às fls. 1374/1393, e-STJ. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO MONITÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DO STJ QUE NEGOU PROVIMENTO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA DEMANDADA. 1. Nos termos da Súmula 106/STJ, "proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao mecanismo da justiça, não justifica o acolhimento da arguição de prescrição ou decadência". 1.1. No caso dos autos, o Tribunal de origem concluiu que a citação apenas não se efetivou no prazo legal por demora exclusiva do serviço judiciário, pois o autor tomou todas as providências necessárias para viabilizá-la, cumprindo com o dever processual que lhe competia. A alteração do entendimento firmado, no sentido de reconhecer que a demora na citação decorreu de desídia da parte autora, demandaria o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos, providência vedada pela Súmula 7/STJ. 2. Agravo interno desprovido. VOTO O presente recurso não merece prosperar, porquanto as razões expendidas pela parte agravante são insuficientes a derruir a fundamentação do decisum ora impugnado, motivo pelo qual ele merece ser mantido na íntegra por seus próprios fundamentos. 1. Consoante o anteriormente decidido, cinge-se a controvérsia recursal acerca da ocorrência da prescrição no caso dos autos. A parte insurgente aponta ofensa artigo 240, § 2º, do CPC/2015. Sustenta a inexistência de interrupção da prescrição, afirmando que não foi a morosidade da máquina judiciária a causa da demora da citação. Alega que houve flagrante inércia do credor ao proceder as diligências necessárias para a citação da recorrente no prazo legal. No particular, o Tribunal local assim decidiu (fl. 1203, e-STJ): No tocante à prescrição, sem necessidade de maiores delongas, apesar de decorridos mais de cinco anos entre a propositura da ação e a citação válida da Apelante, necessário reconhecer que a demora na máquina judiciária não pode ocasionar prejuízo à justa solução da presente demanda e em prejuízo à parte autora. Por oportuno, destaco que a Apelada manifestou nos autos em todas as oportunidades que lhe foram concedidas, respeitando todos os prazos e tentando de diversas formas citar a Apelante, não tendo sido demonstrada sua desídia ao ponto de responsabilizá-la pela demora na marcha processual. Como se verifica, o órgão julgador concluiu que não se operou a prescrição no caso em análise, ante a ausência de inércia da parte autora em promover a citação da ré. Ainda, asseverou que a parte não deve ser penalizada pela demora na prática do ato processual decorrente da atuação dos órgãos judiciais. 1.1 Com efeito, para derruir as conclusões contidas no decisum recorrido e acolher o inconformismo recursal, no sentido de reconhecer a ocorrência da prescrição na hipótese, segundo as razões vertidas no apelo extremo, seria imprescindível o revolvimento dos elementos fático-probatórios, providência que esbarra no óbice da Súmula 7 desta Corte. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. ALEGADA CULPA DA PARTE AUTORA. INEXISTENTE. ENTENDIMENTO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. CITAÇÃO REALIZADA. HIPOSSUFICIÊNCIA. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. INVERSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. DIREITO DO CONSUMIDOR. SÚMULA 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. PREJUDICADO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Consoante a jurisprudência consolidada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos serviços médicos, inclusive o prazo prescricional previsto no artigo 27 da Lei n. 8.078/1990.Prazo quinquenal. Precedentes. 2. De acordo com o art. 240, § 1º, do Código de Processo Civil, a interrupção da prescrição, operada pelo despacho que ordena a citação, ainda que proferido por juízo incompetente, retroagirá à data de propositura da ação. 3. Por outro lado, o § 4º do aludido dispositivo prevê que, se a citação não for efetivada nos prazos legais, haver-se-á por não interrompida a prescrição, salvo nos casos em que o atraso não puder ser imputado ao autor da ação (Súmula 106/STJ) (AgInt no AREsp 1.300.199/PR, Relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, Dje de 6.4.2021). 4. O acórdão recorrido concluiu que não houve configuração de quaisquer das hipóteses excepcionais que levariam à impossibilidade de interrupção do prazo prescricional. Pelo contrário: reconheceu que o prolongamento no despacho citatório se deveu exclusivamente à morosidade da Justiça, e não por culpa da agravada. 5. Concluir em sentido diverso no sentido de verificar se efetivamente houve inércia da autora em promover o andamento regular do feito, a impedir a interrupção da prescricional no caso em questão, demandaria reexame de matéria fático-probatória, o que é vedado em sede de recurso especial, a teor da Súmula 7 do STJ. 6. A inversão do ônus da prova, nos termos do art. 6º, VIII do Código de Defesa do Consumidor, não é automática, dependendo da constatação, pelas instâncias ordinárias, da presença ou não da verossimilhança das alegações e da hipossuficiência do consumidor. Precedentes. 7. O Tribunal de origem entendeu que houve o preenchimento desses dois requisitos. Por isso, concluir em sentido diverso, verificando a presença dos requisitos estabelecidos no art. 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor (verossimilhança das alegações e hipossuficiência), claramente demanda reexame de matéria fático-probatória, providência vedada em sede de recurso especial, a teor da Súmula 7 do STJ. 8. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.206.840/MG, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 5/10/2023.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PRESCRIÇÃO. INEXISTÊNCIA. INÉRCIA DA PARTE AFASTADA. DEMORA DA CITAÇÃO ATRIBUÍDA AOS MECANISMOS DA JUSTIÇA. SÚMULA 106/STJ. VERIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS FÁTICOS QUE LEVARAM À DEMORA DA CITAÇÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. CONSONÂNCIA DO ACÓRDÃO RECORRIDO COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. É pacífico o entendimento de que a demora na citação, atribuída aos mecanismos inerentes ao funcionamento da Justiça, não acarreta a configuração da prescrição, por inércia do autor (Súmula 106 do STJ). 2. "A verificação de responsabilidade pela demora na prática dos atos processuais implica indispensável reexame de matéria fático-probatória, o que é vedado a esta Corte Superior, na estreita via do recurso especial, ante o disposto na Súmula 7/STJ" (REsp 1.102.431/RJ, PRIMEIRA SEÇÃO, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJe de 1º/2/2010. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008). 3. O entendimento adotado no acórdão recorrido coincide com a jurisprudência assente desta Corte Superior, circunstância que atrai a incidência da Súmula 83/STJ. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.179.758/SC, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 29/5/2023, DJe de 7/6/2023.) TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA N. 106 DO STJ. INAPLICABILIDADE. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. 1. Nos termos da Súmula n. 106 do STJ: "proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao mecanismo da Justiça, não justifica o acolhimento da argüição de prescrição". 2. Verificação quanto à responsabilidade por eventual paralisação do processo para aplicação ou afastamento da Súmula n. 106 do STJ, por demandar reexame de matéria fático-probatória, esbarra no óbice da Súmula n. 7 do STJ. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.998.791/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 14/11/2022, DJe de 30/11/2022.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. PRESCRIÇÃO. DEMORA NA CITAÇÃO. ALEGAÇÃO DE INÉRCIA DA PARTE EXEQUENTE. NÃO CONFIGURAÇÃO. REVISÃO DAS CONCLUSÕES DO ARESTO RECORRIDO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Nos termos da Súmula 106/STJ, "proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao mecanismo da justiça, não justifica o acolhimento da arguição de prescrição ou decadência". 2. No caso em estudo, a Corte de origem rejeitou a alegação de prescrição suscitada pela parte executada, consignando expressamente que a demora na citação não foi decorrente da conduta da exequente. Diante desse contexto, para alterar a conclusão do Tribunal de origem e acolher a pretensão recursal com vistas a atribuir à exequente a responsabilidade pela demora na citação da executada, reconhecendo a prescrição da pretensão executiva, é imprescindível o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que não é admitido, no âmbito do recurso especial, conforme a Súmula 7/STJ. (..) 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1781578/DF, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/06/2021, DJe 25/06/2021) AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. NECESSIDADE DE CITAÇÃO VALIDA E TEMPESTIVA. EXCEPCIONADA DEMORA DO PODER JUDCIÁRIO. 1. Impõe-se solucionar a questão acerca da efetivação da citação em consonância com o regramento e o entendimento vigente em relação ao CPC/1973, que era o diploma vigente ao tempo de tal ato, tendo em vista a Teoria do Isolamento dos Atos Processuais e do princípio tempus regit actum. 2. A prescrição somente pode ser considerada interrompida com o despacho que ordena a citação, se o autor promover o aperfeiçoamento do ato citatório no prazo processual previsto para tanto, ressalvado o reconhecimento de culpa exclusiva do serviço judiciário pela demora eventualmente verificada. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1799683/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 14/06/2021, DJe 21/06/2021) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. PRAZO PRESCRICIONAL. DEMORA NA CITAÇÃO. AUSÊNCIA DE DESÍDIA DO AUTOR. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. É firme o entendimento do STJ de que somente a inércia injustificada do credor caracteriza a prescrição intercorrente na execução, o que não se verifica no caso de demora no andamento do feito por motivos inerentes ao próprio mecanismo judiciário. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. No caso dos autos, o Tribunal de origem concluiu que a citação apenas não se efetivou no prazo legal por demora exclusiva do serviço judiciário, pois o autor tomou todas as providências necessárias para viabilizá-la, cumprindo com o dever processual que lhe competia. A alteração do entendimento firmado, no sentido de reconhecer que a demora na citação decorreu de desídia da parte autora, demandaria o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1778946/GO, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 17/05/2021, DJe 18/06/2021) Inafastável, portanto, o óbice da Súmula 7/STJ. De rigor, portanto, a manutenção da decisão ora impugnada. 2. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.