AREsp 2885536 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial porque a parte recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, a violação de dispositivo de lei federal (aplicação da Súmula n. 284/STF) e a matéria não estava prequestionada na Corte a quo sob o viés invocado; em consequência, o...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MUNICIPIO DE BARRA DO PIRAI; Agravante: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Interlocutória Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo e não conheço do Recurso Especial; majoro os honorários advocatícios em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
- Legal Topics
- Prescrição, Execução Fiscal, Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 284 STF, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MUNICIPIO DE BARRA DO PIRAI
Agravante
OUTRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Interlocutória Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 admissibilidade do Recurso Especial
- 2 prazo prescricional aplicável a tarifas de água e esgoto (tributário vs não tributário)
- 3 aplicação do art.205 do Código Civil
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial porque a parte recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, a violação de dispositivo de lei federal (aplicação da Súmula n. 284/STF) e a matéria não estava prequestionada na Corte a quo sob o viés invocado; em consequência, o recurso não foi admitido e houve majoração de honorários advocatícios nos termos do art.85, §11, CPC.
Court Disposition
Conheço do Agravo e não conheço do Recurso Especial; majoro os honorários advocatícios em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
Orders
- Conhecer do Agravo
- Não conhecer do Recurso Especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por MUNICIPIO DE BARRA DO PIRAI e OUTRO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. MUNICÍPIO DE BARRA DO PIRAÍ. COBRANÇA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DOS EXERCÍCIOS DE 2008 A 2010. A SENTENÇA ACOLHEU A EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUITIVIDADE E EXTINGUIU A EXECUÇÃO, SOB O FUNDAMENTO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA DA EXECUTADA. NOTA-SE QUE AS ALEGAÇÕES TRAZIDAS NA EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUITIVIDADE NÃO SE ENCONTRAM COMPROVADAS DE PLANO, E POR SER MATÉRIA COMPLEXA, DEMANDAM DILAÇÃO PROBATÓRIA, O QUE NÃO É CABÍVEL NA ESTREITA VIA DA EXCEÇÃO DE PRÉ- EXECUITIVIDADE. ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL DAS CORTES SUPERIORES. RESP 1.110.925/SP E ENUNCIADO DA SÚMULA Nº 393. É CERTO QUE A PRESCRIÇÃO É MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA, PODENDO SER RECONHECIDA DE OFÍCIO PELO MAGISTRADO. IN CASU, OS CRÉDITOS EXEQUENDOS, REFERENTES AOS EXERCÍCIOS DE 2008 A 2010, JÁ SE ENCONTRAVAM FULMINADOS PELA PRESCRIÇÃO ORIGINÁRIA, QUANDO DO AJUIZAMENTO DO EXECUTIVO, QUE OCORREU EM 26.12.2017, EIS QUE DECORRIDOS MAIS DE 05 (CINCO) ANOS CONTADOS A PARTIR DA DATA DA CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DOS CRÉDITOS, NOS TERMOS DO ARTIGO 174, DO CTN. IMPOSITIVO RECONHECER, DE OFÍCIO, A PRESCRIÇÃO ORIGINÁRIA DOS CRÉDITOS PRETENDIDOS PELO MUNICÍPIO/EXEQUENTE. PROVIMENTO DO RECURSO. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa aos arts. 205 do CC, 8º e 40 da LEF e aos temas repetitivos nº 566; nº 567 e nº 569, no que concerne à não ocorrência da prescrição, visto que o prazo correto aplicável a tarifas de água e esgoto por serem créditos não tributários, seria o decenal. Argumenta: Ab initio, destaca-se que o acórdão ora impugnado contrariou a Lei Federal 10.406/2022 (Código Civil), notadamente a norma prevista em seu art. 205, no momento em que reconheceu a inexigibilidade do crédito não tributário relacionado a tarifa de água e esgoto do ano de 2008 a 2010. Excelências, compulsando os autos, é possível verificar que a execução fiscal foi distribuída em 16 de dezembro de 2017, objetivando a recuperação dos débitos de natureza não tributária referente a tarifa de água e esgoto dos exercícios fiscais de 2008 a 2010. Inicialmente, importante esclarecer que aos débitos oriundos do inadimplemento dos serviços de água e esgoto inscritos em dívida ativa, e exigidos mediante execução fiscal, não é aplicado o regime tributário no Código Tributário Nacional - CTN, in casu, o relativo à prescrição/decadência, porquanto é pertinente às dívidas tributárias. .. Especificamente quanto ao prazo prescricional dos serviços de água e esgoto, nos termos do entendimento sólido dos Tribunais, sob a égide do Código Civil de 2002, passou a ser aplicado o seu artigo 205, que define o prazo decenal (fls. 161-162). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, relativamente aos art. 8º e 40 da LEF, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, como o acórdão recorrido violou o(s) dispositivo(s) de lei federal, o que atrai, por conseguinte, a aplicação do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "Evidencia-se a deficiência na fundamentação recursal quando o recorrente indica os artigos de lei federal que teriam sido violados, mas não desenvolve argumentação suficiente a fim de demonstrar a inequívoca ofensa aos dispositivos mencionados nas razões do recurso, situação que caracteriza deficiência na argumentação recursal e atrai, por analogia, o óbice da Súmula n. 284 do STF" ;(AgInt no REsp n. 2.059.001/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJEN de 23/12/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 2.174.828/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.442.094/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 6/12/2024; AgInt no REsp n. 2.131.333/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024; AgRg nos EDcl no REsp n. 2.136.200/RJ, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 25/11/2024; AgRg no AREsp n. 2.566.408/MT, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, DJe de 6/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.542.223/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 30/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.411.552/DF, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 3/7/2024; (REsp n. 1.883.187/RJ, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 14/12/2022; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.106.824/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 18/11/2022. Ademais, não é cabível o Recurso Especial quando se busca analisar a violação ou a interpretação divergente de norma diversa de tratado ou lei federal. Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no REsp n. 2.126.160/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 4/9/2024; ;AgInt no AgInt no AREsp n. 2.518.816/DF, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 22/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.461.770/TO, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe de 29/2/2024; AgInt no AREsp n. 1.565.020/RJ, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 14/8/2020; AgInt no REsp n. 1.832.794/RO, relator Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 27/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.425.911/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 15/10/2019; AgInt no REsp n. 1.864.804/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 7/6/2021. Além disso, não houve o prequestionamento da tese recursal, porquanto a questão postulada não foi examinada pela Corte a quo sob o viés pretendido pela parte recorrente, no sentido de que o prazo correto aplicável a tarifas de água e esgoto por serem créditos não tributários, seria o decenal. Nesse sentido: "Não há prequestionamento da tese recursal quando a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente" ;(AgInt no AREsp n. 1.946.228/DF, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 28/4/2022). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.023.510/GO, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 29/2/2024; AgRg no AREsp n. 2.354.290/ES, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/2/2024; AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/5/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.9.2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA