AREsp 2920084 - DECISAO
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por RAFAEL ANTPACK contra decisão que inadmitiu seu recurso especial, fundamentado no art. 105, III, "a" e "c" da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo eg. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado: "AGRAVO DE...
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- Parties
- Agravante: RAFAEL ANTPACK
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Pós Inadmissão Do Recurso Especial
- Legal Topics
- Prescrição, Ilegitimidade Passiva, Agravo De Instrumento, Recurso Especial, Prequestionamento, Art. 1.015 Do CPC, Súmula 283/stf
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Parties
RAFAEL ANTPACK
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Pós Inadmissão Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 cabimento de agravo de instrumento contra decisão que afasta alegação de ilegitimidade passiva
- 2 início e interrupção do prazo prescricional na ação indenizatória
- 3 impugnação de fundamento autônomo suficiente e incidência da Súmula 283/STF
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por RAFAEL ANTPACK contra decisão que inadmitiu seu recurso especial, fundamentado no art. 105, III, "a" e "c" da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo eg. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado: "AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. INSURGÊNCIA RECURSAL EM FACE DA DECISÃO QUE AFASTOU A TESE DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. HIPÓTESE QUE NÃO SE ENQUADRA NO ROL TAXATIVO DE CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO. ARTIGO 1.015 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. TEMA 988 DA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS. INAPLICABILIDADE AO CASO. CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. PRESCRIÇÃO. NÃO IMPLEMENTAÇÃO. DECISÃO MANTIDA. PREQUESTIONAMENTO." (fls. 125-126) Os embargos de declaração de fls. 157-158 foram rejeitados. (fls. 163) Nas razões do recurso especial, a parte alega violação aos arts. 22, § único, da Lei nº 8.935/1994, 202, I, e 206, §3º, do Código Civil, e 1.015, 1.022 do CPC, sustentando em síntese, que: (a) o acórdão recorrido não teria enfrentado adequadamente as questões de ilegitimidade passiva e prescrição, deixando de analisar argumentos essenciais para o deslinde do feito; (b) deve ser reconhecida a prescrição da pretensão indenizatória, uma vez que o prazo trienal iniciou-se na data da lavratura do ato notarial e a citação do recorrente somente ocorreu quando já decorrido o lapso prescricional; (c) dissídio jurisprudencial quanto ao cabimento de agravo de instrumento contra decisão que enfrenta o tema da ilegitimidade passiva de litisconsorte que pode acarretar a exclusão da parte; (d) é parte ilegítima para figurar no polo passivo, pois a lei impõe tão somente aos notários e oficiais de registro titulares a responsabilidade por prejuízos causados a terceiros. Foram apresentadas contrarrazões. (fls. 221-232, 244-249) O recurso especial foi inadmitido na origem, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. Decido. Inicialmente, não prospera a alegada ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, tendo em vista que o v. acórdão recorrido adotou fundamentação suficiente, decidindo integralmente a controvérsia, como se verá adiante. É indevido conjecturar-se a existência de omissão, obscuridade ou contradição no julgado apenas porque decidido em desconformidade com os interesses da parte. Quanto à alegação de que deve ser reconhecida a prescrição da pretensão indenizatória, uma vez que o prazo trienal iniciou-se na data da lavratura do ato notarial e a citação do recorrente somente ocorreu quando já decorrido o lapso prescricional, a COrte de origem consignou: "No caso dos autos, a falsa procuração por instrumento público foi lavrada em 22/05/2015 (evento 2, documento 3, s. 01/02, dos autos originários), a contratação efetivada em 25/05/2015, e a ação indenizatória foi ajuizada em 04/05/2018, conforme documentos abaixo colacionados: (..) Ou seja, o ajuizamento se deu em período anterior à implementação do prazo prescricional trienal. Destaca-se, outrossim, que proposta a ação e com a citação dos réus, interrompeu-se o prazo prescricional, retroagindo a interrupção para a data da propositura da ação, nos termos do artigo 240, § 1º, do CPC: Art. 240. A citação válida, ainda quando ordenada por juízo incompetente, induz litispendência, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor, ressalvado o disposto nos arts. 397 e 398 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil) . § 1º A interrupção da prescrição, operada pelo despacho que ordena a citação, ainda que proferido por juízo incompetente, retroagirá à data de propositura da ação." (e-STJ fls. 122/123) Contudo, tal fundamento - retroatividade da interrupção da prescrição à data de propositura da ação - autônomo e suficiente à manutenção do v. acórdão recorrido, não foi impugnado nas razões do recurso especial, convocando, na hipótese, a incidência da Súmula 283/STF, segundo a qual "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Neste sentido: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RAZÕES QUE NÃO ENFRENTAM O FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. NÃO IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DAS RAZÕES DO ACÓRDÃO ESTADUAL. INCIDÊNCIA DO VERBETE Nº 283/STF.EXECUÇÃO. CÉDULA RURAL. ARGUIÇÃO DE EXCESSO DE COBRANÇA. ANÁLISE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. 1. Ante a deficiência na motivação e a ausência de impugnação de fundamento autônomo, aplica-se, por analogia, o óbice da Súmula nº 283, do STF. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória e a interpretação de cláusulas contratuais (Súmulas 5 e 7/STJ). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 687.997/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 08/11/2018, DJe 13/11/2018) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO COMINATÓRIA. PLANO DE SAÚDE COLETIVO. FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO ATACADOS. SÚMULA 283/STF. RESCISÃO UNILATERAL. BENEFICIÁRIO EM TRATAMENTO MÉDICO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. DECISÃO MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. 1. A ausência de impugnação, nas razões do recurso especial, de fundamento autônomo e suficiente à manutenção do acórdão recorrido atrai o óbice da Súmula 283 do STF, segundo a qual: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." 2. Não obstante o plano de saúde coletivo possa ser rescindido unilateralmente, mediante prévia notificação do usuário, esta Corte reconhece ser abusiva a rescisão do contrato durante o tratamento médico garantidor da sobrevivência e/ou incolumidade física, como no caso em apreço, no qual a segurada diagnosticada com câncer se encontra em tratamento oncológico. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1298878/SP, relator Ministro Raul Araújo, QUARTA TURMA, julgado em 23/10/2018, DJe 31/10/2018) Quanto à tese de dissídio jurisprudencial quanto ao cabimento de agravo de instrumento contra decisão que exclui litisconsorte, decidiu a Corte a quo: "Veja-se que o rol prevê a "exclusão de litisconsorte" (inciso VII do art. 1.015 do CPC), e não a manutenção no polo passivo." (e-STJ fls.121) O entendimento acima encontra-se de acordo com a jurisprudência desta Corte Superior: "RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MONITÓRIA. SANEAMENTO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. REJEIÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ARTIGO 1.015 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ROL TAXATIVO. MITIGAÇÃO. URGÊNCIA. AUSÊNCIA. NÃO CABIMENTO. 1. A controvérsia dos autos resume-se em definir se a decisão que rejeita a alegação de ilegitimidade passiva desafia agravo de instrumento. 2. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que o rol do artigo 1.015 do CPC é de taxatividade mitigada, por isso, admite a interposição de agravo de instrumento quando verificada a urgência decorrente da inutilidade do julgamento da questão no recurso de apelação. 3. A decisão que não acolhe a alegação de ilegitimidade passiva não tem similitude com a exclusão de litisconsorte, cuja previsão do cabimento do agravo de instrumento não pode ser utilizada analogicamente, e não revela situação de urgência ou risco do perecimento do direito que autorize o cabimento do referido recurso. 4. Recurso especial não provido. (REsp n. 2.183.113/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/2/2025, DJEN de 5/3/2025.)" "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. LEGITIMIDADE PASSIVA. REVISÃO. SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ROL DO ART. 1.015 DO CPC. TAXATIVIDADE MITIGADA. RESP 1.704.520/MT. AUSÊNCIA DE URGÊNCIA. EXCLUSÃO DE LITISCONSORTE. SITUAÇÃO DIVERSA DA MANUTENÇÃO DO LITISCONSORTE NA DEMANDA. 1. O Tribunal de origem consignou que não ficou demonstrada, "de plano, a ilegitimidade da recorrente", visto que, aparentemente, faz ela parte de um "pool" de seguradoras, cabendo a sua manutenção no polo passivo da demanda. Neste contexto, a revisão do entendimento de origem quanto à legitimidade passiva da agravante esbarra no citado óbice da Súmula n. 7/STJ. 2. A jurisprudência do STJ, no julgamento do REsp n. 1.704.520/MT, de Relatoria da Ministra Nancy Andrighi, no qual ficou consignado que "o rol do art. 1.015, do CPC/15 é de taxatividade mitigada, admitindo, por isso, a interposição de agravo de instrumento quando verificada a urgência decorrente da inutilidade do julgamento da questão no recurso de apelação" (Tema n. 988/STJ), urgência inexistente na hipótese dos autos, em especial porque a literalidade do inciso VII do citado normativo prevê a interposição do instrumental contra decisão que promove a "exclusão de litisconsorte" e não sua manutenção no feito. Precedente: REsp n. 1.724.453/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 22/3/2019. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.184.661/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 18/12/2023.)" E diante do entendimento acima quanto ao não cabimento do agravo de instrumento, resta prejudicada a discussão acerca da ilegitimidade passiva do recorrente, por ausência de prequestionamento. Publique-se. EMENTA