REsp 2159148 - DECISAO
Não conhecer do Recurso Especial porque o acórdão recorrido reconheceu a prescrição da ação regressiva com fundamento no trânsito em julgado da sentença indenizatória, entendimento em consonância com a jurisprudência dominante do STJ; além disso, as alegações relativas aos arts. 884 e 934 do CC foram tratadas como...
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- Parties
- Recorrente: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 August 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecimento Do Recurso Especial (decisão Monocrática)
- Outcome
- NÃO CONHEÇO do Recurso Especial
- Legal Topics
- Prescrição, Ação De Regresso, Responsabilidade Civil Do Estado, Termo Inicial Da Prescrição, Honorários Advocatícios
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Parties
UNIÃO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecimento Do Recurso Especial (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 termo inicial da prescrição da ação de regresso
- 2 aplicabilidade do Decreto nº 20.910/1932
- 3 incidência da Súmula 284/STF sobre deficiência de fundamentação recursal
Ratio Decidendi
Não conhecer do Recurso Especial porque o acórdão recorrido reconheceu a prescrição da ação regressiva com fundamento no trânsito em julgado da sentença indenizatória, entendimento em consonância com a jurisprudência dominante do STJ; além disso, as alegações relativas aos arts. 884 e 934 do CC foram tratadas como genéricas, atraindo o óbice da Súmula 284/STF; assim estando, o recurso não preenche os requisitos para acesso à instância especial e foi indeferido monocraticamente nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e dispositivos regimentais aplicáveis.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO do Recurso Especial
Orders
- Publique-se e intimem-se.
- Majoração dos honorários recursais em 10% (dos honorários anteriormente fixados)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto pela UNIÃO contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 5ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região no julgamento de Apelação, assim ementado (fls. 1.132/1.142e): DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. AÇÃO DE REGRESSO DA UNIÃO. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA QUE RECONHECEU A RESPONSABILIDADE CIVIL DA UNIÃO. APELAÇÃO DESPROVIDA. I - A pretensão da ação de regresso da União prescreve em cinco anos, nos termos do Decreto 20.910-32, cujo termo inicial se dá a partir da data do trânsito em julgado da sentença que reconheceu a responsabilidade civil da União, não a partir do efetivo pagamento da indenização. II - Apelação desprovida. Com amparo no art. 105, III, a e c, da Constituição da República, além de divergência jurisprudencial, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: i. Violação aos arts. 884 e 934 do Código Civil: necessidade de ressarcir quem causou o dano, devendo haver a satisfação do crédito, sob pena de enriquecimento ilícito; iii. Violação ao art. 1º do Decreto nº 20.910/1932 e aos arts. 186, 189 927 do Código Civil: existência de dano patrimonial da União pelo ato ilícito, havendo prescrição em cinco anos contados a partir da data em que o credor pode demandar judicialmente a satisfação do direito; Com contrarrazões (fls. 1.148/1.164e e 1.166/1.178e), o recurso foi admitido (fl. 1.184e). O Ministério Público Federal manifestou-se, na qualidade de custos iuris, às fls. 1.196/1.200e. Feito breve relato, decido. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, mediante decisão monocrática, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. - Da alegada violação aos arts. 884 e 934 do Código Civil Inicialmente, verifico não ser possível conhecer da suscitada violação, porquanto o recurso, nessa extensão, cinge-se a alegações genéricas e, por isso, não demonstra, com transparência e precisão, qual seria o vício integrativo a inquinar o acórdão recorrido, bem como a sua importância para o deslinde da controvérsia, atraindo o óbice da Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal, aplicável, por analogia, no âmbito desta Corte, como espelham os julgados assim ementados: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. INCIDÊNCIA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. TERMO INICIAL DO PRAZO PRESCRICIONAL. PROVIMENTO NEGADO. 1. É inviável o conhecimento do recurso quando a alegação de violação à norma se dá de forma genérica. Incidência, por analogia, da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal (STF). 2. A ausência de enfrentamento no acórdão recorrido da matéria impugnada, objeto do recurso, impede o acesso à instância especial por faltar o requisito constitucional do prequestionamento. Incidência, por analogia, das Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal (STF). 3. Ao definir o termo inicial do prazo prescricional para o cumprimento de sentença, o Tribunal de origem seguiu o entendimento consolidado nesta Corte Superior de que o recurso interposto de forma intempestiva não obsta a formação da coisa julgada, razão pela qual a decisão que atesta a sua intempestividade não posterga o termo final do trânsito em julgado, que se inicia no dia seguinte ao encerramento do prazo recursal. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 2.036.100/RN, relator Ministro PAULO SÉRGIO DOMINGUES, PRIMEIRA TURMA, j. em 23/6/2025, DJe de 27/6/2025.) - Da alegação de violação ao art. 1º do Decreto nº 20.910/1932 e aos arts. 186, 189 927 do Código Civil Na ação regressiva proposta pela União, o óbice prescricional foi reconhecido, pois a " .. ação de indenização que condenou a União, reconhecendo a sua responsabilidade civil, transitou em julgado no ano de 2013 (Evento 1, anexo 16, p. 25), e tendo a presente ação de regresso sido ajuizada em 05-04-2019, deve ser reconhecida a prescrição do direito da União em propor a respectiva ação de regresso" (fl. 1.119e). Acerca da controvérsia, sublinho que o entendimento sufragado na origem coincide com a orientação predominante nesta Corte Superior segundo a qual o início do prazo prescricional para as ações regressivas nas hipóteses de responsabilidade civil do Estado é o trânsito em julgado da ação indenizatória, em homenagem à vertente objetiva do princípio da actio nata. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REGRESSO. TERMO INICIAL DA PRESCRIÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO DA AÇÃO CONDENATÓRIA. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal, é no sentido de que o termo inicial do prazo prescricional da ação regressiva é o trânsito em julgado da ação indenizatória. Precedentes. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.946.594/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 25/4/2022, DJe de 27/4/2022). PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE DA ADMINISTRAÇÃO. INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 284/STF. DECISÃO RECORRIDA EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. I - Na origem, trata-se de ação regressiva de ressarcimento de danos, objetivando pagamento de quantia paga em razão de condenação sofrida em ação de reparação cível. Na sentença, o pedido foi julgado extinto, com resolução de mérito, em face da prescrição de direito. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Inicialmente, em relação à alegada ofensa ao art. 1.022, II, do CPC/2015, observa-se que, em suas razões de apelo nobre, o recorrente limitou-se a suscitar a ocorrência de omissão por parte da Corte a quo sem, contudo, especificar qual teria sido a matéria suscitada em embargos de declaração e não apreciada pelo acórdão integrativo, bem como deixou de argumentar a sua relevância para alteração do entendimento firmado no acórdão recorrido, o que inviabiliza a exata compreensão da controvérsia por deficiência na argumentação recursal, a teor da Súmula n. 284/STF. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.139.513/MS, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 7/11/2017, DJe 14/11/2017; e AgRg no REsp 1.014.923/GO, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 20/11/2014, DJe 25/11/2014. III - No que diz respeito aos arts. 43 e 934 do CC/2002, vinculados à tese de que o termo inicial do prazo prescricional para ajuizamento de ação regressiva é o efetivo pagamento da indenização, o recurso não comporta êxito. IV - Isso porque a jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que o direito do Estado de ajuizar ação de regresso contra seu agente com o intuito de ver ressarcido valor que fora condenado em razão de sua responsabilidade civil objetiva nasce com a condenação em sentença transitada em julgado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.139.513/MS, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 7/11/2017, DJe 14/11/2017; e AgRg no REsp 1.014.923/GO, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 20/11/2014, DJe 25/11/2014. V - No caso dos autos, a Corte de origem manteve a sentença que reconheceu prescrito o direito de regresso do recorrente ao fundamento de que entre o ajuizamento da ação e o trânsito em julgado da sentença condenatória transcorreram mais de 5 (cinco) anos, prazo previsto no Decreto n. 20.910/1932. VI - Portanto, estando o entendimento a quo em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, não há que se falar em sua reforma. VII - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.827.571/SP, relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, j. em 29/8/2022, DJe de 31/8/2022 - destaques meus). Diante desse cenário, eventual insurgência recursal que sustente marco inicial diverso encontra óbice na Súmula 83 do STJ, segundo a qual "não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Assim, o recurso especial não pode ser admitido quando o acórdão recorrido está em plena consonância com a orientação pacífica da Corte. - Dos honorários advocatícios Quanto aos honorários recursais, nos termos do art. 85, §§ 2º e 11, de rigor a majoração, em 10% (dez por cento), dos honorários anteriormente fixados (fl. 1.119e). - Conclusão Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do RISTJ, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA