AREsp 2894230 - ACORDAO
Conheceu-se do agravo em recurso especial, mas não se conheceu do recurso especial porque a modificação da decisão recorrida exigiria reexame de fatos e provas vedado pelo Enunciado 7 da Súmula do STJ e porque as demais alegações de violação não foram prequestionadas no acórdão do Tribunal a quo, nos termos da...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (decisão De Não Conhecer Do Recurso)
- Outcome
- Agravo em recurso especial conhecido; recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Prescrição, Interrupção Da Prescrição, Reexame Fático Probatório, Prequestionamento, Dissídio Jurisprudencial, Honorários Advocatícios, Súmula 7 Do STJ, Súmula 211 Do STJ, Súmula 83 Do STJ
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Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (decisão De Não Conhecer Do Recurso)
Legal Issues
- 1 Incidência do enunciado n. 7 da Súmula do STJ (vedação ao reexame de provas)
- 2 Ausência de prequestionamento impede o conhecimento do recurso especial (Súmula 211 do STJ)
- 3 Prescrição e sua interrupção (art. 202 do Código Civil; art. 240 do CPC)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo em recurso especial, mas não se conheceu do recurso especial porque a modificação da decisão recorrida exigiria reexame de fatos e provas vedado pelo Enunciado 7 da Súmula do STJ e porque as demais alegações de violação não foram prequestionadas no acórdão do Tribunal a quo, nos termos da Súmula 211; além disso, o Tribunal de origem corretamente entendeu pela prescrição.
Court Disposition
Agravo em recurso especial conhecido; recurso especial não conhecido
Orders
- Agravo em recurso especial conhecido
- Recurso especial não conhecido
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 21/08/2025 a 27/08/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONHECIDO. ÓBICES À ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. I - Na origem, trata-se de ação de cobrança objetivando o recebimento do pagamento de serviços prestados. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 728,93 (setecentos e vinte e oito reais e noventa e três centavos). II - Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. O recurso especial não deve ser conhecido. III - Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. IV - Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". V - Relativamente às demais alegações de violação indicadas na peça de recurso especial, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Tampouco o dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional foi demonstrado nos moldes legais VI - Agravo em recurso especial conhecido. Recurso especial não conhecido.
RELATÓRIO O recurso especial foi interposto no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: APELAÇÃO CÍVEL. SERVIÇO DE FORNECIMENTO DE ÁGUA. AÇÃO DE COBRANÇA AJUIZADA EM 2013. ALEGAÇÃO DA AUTORA DE QUE O RÉU NÃO PAGOU AS CONTAS VENCIDAS ENTRE JUNHO A AGOSTO DE 2004. SENTENÇA QUE PRONUNCIOU A PRESCRIÇÃO, DEPOIS DE CONCEDER ÀS PARTES A OPORTUNIDADE PARA QUE SE POSICIONASSEM SOBRE O TEMA. APELO DA AUTORA EM QUE SUSTENTA SE DEVA APLICAR À DEMANDA O PRAZO PRESCRICIONAL DE DEZ ANOS, PREVISTO NO ARTIGO 205 DO CÓDIGO CIVIL E QUE, EM FUNÇÃO DO DESPACHO QUE DETERMINOU A CITAÇÃO, O LAPSO PRESCRICIONAL FOI ENTÃO INTERROMPIDO, E QUE A PARTIR DAQUELE MOMENTO ADOTOU TODAS AS PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS A QUE O ATO DE CITAÇÃO OCORRESSE, O QUE SOMENTE FOI ALCANÇADO EM AGOSTO DE 2013, SEM QUE HOUVESSE NESSE INTERVALO DE TEMPO OMISSÃO DE SUA PARTE. APELO INSUBSISTENTE. LAPSO PRESCRICIONAL QUE, SEGUNDO O QUE ESTATUI O ARTIGO 202 DO CÓDIGO CIVIL, SOMENTE É INTERROMPIDO UMA VEZ, O QUE SIGNIFICA DIZER QUE, NO CASO EM QUESTÃO, ESSA INTERRUPÇÃO SE DEU EM JANEIRO DE 2013, QUANDO DO DESPACHO QUE HAVIA DETERMINADO A CITAÇÃO, TRANSCORRENDO O PRAZO DE DEZ ANOS SEM QUE A AUTORA CONSEGUISSE REALIZAR O ATO DE CITAÇÃO, O QUE SOMENTE OCORREU EM AGOSTO DE 2023, QUANDO JÁ CONSUMADA A PRESCRIÇÃO, TAL COMO CORRETAMENTE DECIDIU O JUÍZO DE ORIGEM. SENTENÇA MANTIDA. APELO DESPROVIDO. ENCARGOS DE SUCUMBÊNCIA, COM A MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS DE ADVOGADO. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONHECIDO. ÓBICES À ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. I - Na origem, trata-se de ação de cobrança objetivando o recebimento do pagamento de serviços prestados. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 728,93 (setecentos e vinte e oito reais e noventa e três centavos). II - Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. O recurso especial não deve ser conhecido. III - Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. IV - Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". V - Relativamente às demais alegações de violação indicadas na peça de recurso especial, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Tampouco o dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional foi demonstrado nos moldes legais VI - Agravo em recurso especial conhecido. Recurso especial não conhecido. VOTO No recurso especial, a parte recorrente alega, resumidamente: O art. 202 do Código Civil, uma das causas da interrupção da prescrição é o despacho que ordena a citação. O Código de Processo Civil complementa a previsão ao estabelecer, no art. 240, incisos I e II, que essa interrupção retroage à data do ajuizamento da demanda. Em uma leitura do artigo 240, § 1º, do Código de Processo Civil, com o artigo 202, I, do Código Civil Brasileiro, tem-se que o despacho do juiz que ordena a citação interrompe a prescrição: .. Registre-se também que, como prevê a parte final do §3º do mencionado dispositivo processual, o atraso na realização da citação por demora imputável exclusivamente ao serviço judiciário não pode prejudicar a parte. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, emanado por intermédio da Súmula 106, que dispõe que, proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao mecanismo da justiça, não justifica o acolhimento da arguição de prescrição ou decadência. .. Dessa forma, considerando que apesar do prazo decorrido entre o ajuizamento da demanda e a citação do devedor, a demora não pode ser imputada à Recorrente, que durante todo o tempo impulsionou o processo a fim de que fosse citada a parte requerida. Neste diapasão, não há que se falar em prescrição, pois a cada despacho proferido pelo r. juízo "a quo" na tentativa de citação do Recorrido, interrompe a prescrição, nos termos do art. 240 §1º do CPC. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: Destarte, transcorridos os dez anos, apenas em agosto de 2023, é que a citação ocorreu, quando a prescrição já estava consumada. Insubsistente o argumento da autora-apelante de que não ficara inerte durante o longo tempo entre a propositura da ação e aquele em que a citação foi realizada, porque se há considerar que, em tendo havido a interrupção do lapso prescricional, de outra interrupção não poderia se beneficiar, como bem observou o juízo de origem. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação indicadas na peça de recurso especial (art. 240, §§ 1º e 3º, do CPC), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo Tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Embora não fique exatamente clara a insurgência com fundamento no art. 105, III, c, do texto constitucional, o dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado de forma clara qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se, ainda, que a incidência do Enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp n. 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." Fixados honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, conheço do agravo em recurso especial e não conheço do recurso especial. É o voto.