REsp 2263894 - DECISAO
Conheceu‑se do recurso especial e negou‑se provimento porque, segundo a jurisprudência desta Corte (Tema 880/STJ e Súmula 150/STF), o prazo prescricional da pretensão executória contra a Fazenda Pública inicia‑se após a liquidação do julgado; como a liquidação coletivamente encerrada ocorreu em 06/07/2022 e o...
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- Parties
- Recorrente: Município de São Paulo; Agravado: Sindicato (SINDEP/SINDSEP)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 May 2026
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Recurso Conhecido E Negado Provimento
- Outcome
- Recurso especial conhecido e negado provimento; agravo interno prejudicado.
- Legal Topics
- Prescrição, Cumprimento De Sentença, Execução, Obrigação De Fazer, Liquidação De Sentença, Aplicação Da Lei 14.010/2020, Súmula 150/stf
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Parties
Município de São Paulo
Recorrente
Sindicato (SINDEP/SINDSEP)
Agravado
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Recurso Conhecido E Negado Provimento
Legal Issues
- 1 Início do prazo prescricional da execução contra a Fazenda Pública
- 2 Aplicabilidade do prazo quinquenal do art. 1º do Decreto n. 20.910/1932
- 3 Se a liquidação integra a fase de conhecimento e atrasa o termo inicial da prescrição
Ratio Decidendi
Conheceu‑se do recurso especial e negou‑se provimento porque, segundo a jurisprudência desta Corte (Tema 880/STJ e Súmula 150/STF), o prazo prescricional da pretensão executória contra a Fazenda Pública inicia‑se após a liquidação do julgado; como a liquidação coletivamente encerrada ocorreu em 06/07/2022 e o cumprimento individual foi proposto dentro do prazo quinquenal previsto no Decreto n. 20.910/1932, não houve prescrição, tornando desnecessária a análise dos demais fundamentos invocados.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e negado provimento; agravo interno prejudicado.
Orders
- Recurso especial conhecido e negado provimento
- Agravo interno prejudicado
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo Município de São Paulo, com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acordão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 71): AGRAVO DE INSTRUMENTO EXECUÇÃO INDIVIDUAL EM AÇÃO COLETIVA AJUIZADA PELO SINDSEP SOB O Nº 0402415-05.1995.8.26.0053 SERVIDORES QUE PLEITEIAM O CUMPRIMENTO INTEGRAL DA OBRIGAÇÃO DE FAZER PRESCRIÇÃO NÃO OCORRÊNCIA Impugnação fazendária em que se alega prescrição da execução - Nos termos da Súmula 150 do STF a execução prescreve no mesmo prazo da prescrição da ação - Aplicação do prazo prescricional quinquenal previsto no artigo 1º do Decreto n. 20.910/1932 - Termo inicial - Trânsito em julgado do processo de conhecimento em 26/03/2019 Por outro lado a Lei Federal nº 14.010/2020 que instituiu o Regime Jurídico Emergencial aplicável às relações jurídicas de Direito Privado deve, também, alcançar as relações jurídicas de Direito Público sob pena de ofensa ao princípio da isonomia Precedentes desta E. Corte de Justiça - Necessidade de cumprimento integral da obrigação de fazer, com o apostilamento do direito reconhecido no título executivo para início da obrigação de pagar Informação nos autos do cumprimento de sentença coletivo de nº 1061962-81.2019.8.26.0053, proposto pelo Sindicato de que em 06/07/2022 ocorreu o encerramento da fase de obrigação de fazer Agravados beneficiados pelo título ingressaram com o cumprimento buscando saldar os atrasados que não foram pagos dentro do prazo legal Afastamento da alegação de ocorrência de prescrição - Decisão mantida Recurso não provido. Sustenta a parte recorrente violação ao art. 1º do Decreto n. 20.910/1932, ao argumento de que a pretensão executória da parte ora agravada foi alcançada pela prescrição, tendo em vista que o subjacente cumprimento individual de sentença coletiva foi promovida quando já ultrapassado cinco anos do trânsito em julgado do título executivo judicial. Nesse fio, afirma que " a decisão guerreada, ao condicionar o início do prazo prescricional da obrigação de pagar ao término do cumprimento de uma suposta e pendente obrigação de fazer, contrariou a literalidade da norma federal que rege a prescrição quinquenal contra a Fazenda Pública, além de subverter a lógica jurídica e a autonomia das obrigações, em manifesta dissonância com a pacífica jurisprudência desta Corte Superior, consolidada em sede de recursos repetitivos" (fl. 90). Segue afirmando que (fls. 95/96): O art. 3ª da Lei Federal 14.010/2020 determina: Os prazos prescricionais consideram-se impedidos ou suspensos, conforme o caso, a partir da entrada em vigor desta Lei até 30 de outubro de 2020. Todavia, o diploma normativo aplica-se especificamente às relações jurídicas de Direito Privado, nos exatos termos do seu art. 1º: Esta Lei institui normas de caráter transitório e emergencial para a regulação de relações jurídicas de Direito Privado em virtude da pandemia do coronavírus (Covid-19). Por conseguinte, tal suspensão não encontra qualquer guarida em relações de Direito Público, tal como a presente. A r. decisão recorrida afirma que a norma poderia ser estendida em atenção ao princípio da isonomia. Com a devida vênia, equivoca-se. Dispõe o art. 4º da Lei de Introdução à Normas de Direito Brasileiro: "Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito". Note-se a importante observação: NA OMISSÃO. Vale recordar o antigo brocardo: a lei não possui palavras inúteis. A regra obviamente não limita o julgador a apenas repetir o texto normativo, mas fornece critérios: quanto mais claro o sentido normativo da regra, naturalmente mais próxima ele será do sentido textual da lei. No caso em questão, a clareza textual salta aos olhos: todo o diploma normativo "institui normas de caráter transitório e emergencial para a regulação de relações jurídicas de Direito Privado". Não será diferente a regra inscrita no art. 3º: ao trazer uma norma de suspensão do curso do prazo prescricional, assim o faz para as relações de direito privado. Mas cabe recordar também a natureza jurídica do instituto: a prescrição é uma exceção, uma defesa, que visa a preservar a própria segurança jurídica das relações sociais. Entende-se que o interessado não pode ao seu alvedrio e A QUALQUER TEMPO - em especial depois de largo prazo de espera - demandar em juízo para satisfazer sua pretensão. Logo, é regra albergada pela garantia constitucional do exercício da ampla defesa. Não por outro motivo sua arguição pode ser conhecida a qualquer tempo e grau de jurisdição, inclusive de ofício. Em contraposição, as normas que estabelecem causas impeditivas, interruptivas e suspensivas do curso do prazo prescricional devem ser entendidas como normas que excepcionam a aplicação de normas de direito público. Ora, como normas excepcionais, reclamam INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. Não por outra razão tais causas estão previstas EM ROL TAXATIVO nos arts. 197 e seguintes do Código Civil. Tece, ainda, considerações no sentido de que (fl. 97): .. acaso mantida a orientação esposada pelo juízo de origem, plenamente aplicável à espécie a reserva de plenário, consubstanciada na Súmula Vinculante nº 10 do STF: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte". Com efeito, apesar de não declarar manifestamente a inconstitucionalidade de lei do Poder Público, o juízo reduziu a expressão normativa em função de um princípio constitucional, o que implica na exigência da cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97). Nesse sentido, colhe-se da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: .. Requer, assim, o provimento do apelo nobre. Contrarrazões às fls. 103/118. Recurso admitido na origem (fls. 152/157). Em 8/4/2026 proferi decisão unipessoal não conhecendo do recurso especial (fls. 169/172), contra a qual foi interposto agravo interno (fls. 176/184), pendente de apreciação. É O RELATÓRIO. PASSO À FUNDAMENTAÇÃO. De início, considerando-se que a controvérsia foi decidida no acórdão recorrido a partir de fundamentação exclusivamente infraconstitucional, nos termos do art. 1.021, § 2º, reconsidero a decisão de fls. 169/172, e passo ao exame do apelo nobre. Da leitura do acórdão recorrido extrai-se o seguinte quadro fático: (a) "o trânsito em julgado da r. sentença proferida no mandado de segurança coletivo ocorreu em 26/03/2019" (fl. 77); (b) "existência de liquidação coletiva em trâmite perante o D. Juízo da 11ª Varada Fazenda Pública da Capital (Ação Coletiva nº 1061962-81.2019.8.26.0053) e do acordo estabelecido entre o SINDEP (atuando na qualidade de substituo processual) e o Município de São Paulo" (fl. 76); (c) essa liquidação foi encerrada em 6/7/2022, em decorrência de acordo celebrado entre as partes, no qual "concordaram, inclusive, pela aplicabilidade dos critérios de juros e correção monetária consolidadas no julgamento do Tema 905 do C. STJ, sendo que as planilhas com os valores atualizados haviam sido produzidos e fornecidos para a d. patrona do Sindicato para conferência. Por fim, informaram que diante do volume de informação, não seria possível o encerramento da liquidação, com a apresentação dos valores finais para homologação" (fl. 84); (d) "A ora agravada ingressou em 26/06/2025 no Juízo de Direito da 3ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de São Paulo, nos autos da execução individual (cumprimento de sentença distribuído sob o Proc. nº 1058255-95.2025.8.26.0053), pleiteando o cumprimento da obrigação de fazer (apostilamento do benefício) e posterior fornecimento das planilhas com as diferenças devidas necessárias para elaboração dos cálculos de atrasados, para posterior prosseguimento da obrigação de pagar, nos moldes do artigo 535 do CPC" (fls. 74/75). À luz desses fatos, a Corte estadual entendeu que: (i) tendo sido o subjacente cumprimento de sentença (da obrigação de fazer) instaurado em 26/6/2025, pouco menos de três anos após a conclusão da fase de liquidação do título executivo judicial, em 6/7/2022, não restou caracterizada a prescrição da pretensão executória da parte ora recorrida, considerando-se a incidência, no caso, da Súmula 150/STF (fls. 80/84); (ii) "não seria possível dar início à fase de obrigação de pagar objeto do cumprimento de sentença antes do prévio adimplemento da obrigação de fazer relativa ao apostilamento, de modo que o termo inicial do prazo quinquenal de prescrição, no caso concreto, materializou-se no momento em que reunidas as condições de execução da obrigação pecuniária" (fl. 84); (iii) "em que pese eventual transcurso do prazo quinquenal entre o trânsito em julgado do título executivo judicial e a instauração da fase executiva cumprimento de sentença deve ser observada a aplicação da Lei 14.010/2020" (fl. 81); (iv) inaplicabilidade do Tema repetitivo n. 1.311/STJ (fl. 85). Pois bem. Inicialmente, examino o segundo e quartos fundamentos do acórdão recorrido. Segundo entendimento da Câmara Julgadora, "não seria possível dar início à fase de obrigação de pagar objeto do cumprimento de sentença antes do prévio adimplemento da obrigação de fazer relativa ao apostilamento, de modo que o termo inicial do prazo quinquenal de prescrição, no caso concreto, materializou-se no momento em que reunidas as condições de execução da obrigação pecuniária" (fl. 84), assim como que não se aplica ao caso o Tema 1.311/STJ. Ocorre que apresentam-se inadequados tais fundamentos, em primeiro lugar, porque não guardam efetiva pertinência com a questão sub judice, considerando-se que a hipótese dos autos versa acerca da cumprimento de sentença individual da obrigação de fazer contida no título executivo judicial, promovida após a conclusão da fase de liquidação coletiva. Em segundo lugar, porque são contrários à tese firmada por este Superior Tribunal no julgamento do referido Tema repetitivo n. 1.311: "O curso do prazo prescricional da obrigação de pagar quantia certa pela fazenda pública não é suspenso durante o cumprimento da obrigação de implantar em folha de pagamento imposta na mesma sentença". Nada obstante, deve o aresto atacado ser confirmado em relação ao seu primeiro fundamento, eis que suficiente para a solução integral da controvérsia. Com efeito, a Primeira Seção deste Superior Tribunal, no julgamento do Tema repetitivo n. 880/STJ, concluiu que, em relação às sentenças ilíquidas, o prazo prescricional da pretensão executória somente se inicial após a liquidação do julgado, haja vista que tal procedimento integra a própria fase de conhecimento. Confira-se a ementa desse precedente: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. DEMORA OU DIFICULDADE NO FORNECIMENTO DE FICHAS FINANCEIRAS. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO OU INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA APÓS A ENTRADA EM VIGOR DA LEI N. 10.444/2002, QUE INCLUIU O § 1º AO ART. 604, REDAÇÃO TRANSPOSTA PARA O ART. 475-B, §§ 1º E 2º, TODOS DO CPC/1973. CASO CONCRETO EM QUE A DEMANDA EXECUTIVA FOI APRESENTADA DENTRO DO LAPSO QUINQUENAL, CONTADO A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI N. 10.444/2002. PRESCRIÇÃO AFASTADA NA ESPÉCIE DOS AUTOS. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. RECURSO JULGADO SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015 E ART. 256-N E SEGUINTES DO REGIMENTO INTERNO DO STJ. 1. Nos termos da Súmula 150/STF, o prazo prescricional da execução é o mesmo da ação de conhecimento. Dito entendimento externado pelo STF leva em conta que o procedimento de liquidação, da forma como regulado pelas normas processuais civis, integra, na prática, o próprio processo de conhecimento. Se o título judicial estabelecido no processo de conhecimento não firmara o quantum debeatur, somente efetivada a liquidação da sentença é que se poderá falar em inércia do credor em propor a execução, independentemente de tratar-se de liquidação por artigos, por arbitramento ou por cálculos. 2. Esse termo inicial para contagem do prazo prescricional da ação executiva, que se mantém para as modalidades de liquidação por artigos e por arbitramento, sofreu sensível modificação a partir da alteração da natureza jurídica da "liquidação" por meros cálculos aritméticos. Tal ocorrera, em parte, com a edição da Lei n. 8.898/1994, cuja redação somente foi completada, a qual persiste até hoje - mesmo com a edição do CPC/2015 -, com a inclusão do § 1º ao art. 604 do CPC/1973. 3. Com a vigência da Lei n. 10.444/2002, foi mantida a extinção do procedimento de liquidação por cálculos, acrescentando o § 1º ao art. 604 do CPC/1973, permitindo sejam considerados corretos os cálculos do credor quando os dados requisitados pelo juiz do devedor não forem trazidos aos autos, sem justificativa. A partir de então, extinto, por completo, qualquer resquício de necessidade de uma fase prévia à execução para acertamento da conta exequenda, tendo transcorrido o prazo de cinco anos, quando devedora a Fazenda Pública, incidirá o lapso prescricional quanto à execução. 4. No caso, consoante o acórdão recorrido, a sentença prolatada na Ação Ordinária n. 97.0004216-2, que reconheceu aos autores da demanda o direito ao reajuste de 28,86% a partir de janeiro de 1993 até a efetiva implantação em folha de pagamento, transitou em julgado em 25/3/2002. 5. Considerando que a execução foi ajuizada em 17/5/2007, mesmo após demora na entrega das fichas financeiras pela parte devedora, não transcorreu o lustro prescricional, porquanto a redação dada pela Lei n. 10.444/2002, que introduziu o § 1º ao art. 604 do CPC/1973, somente entrou em vigor em três meses depois, contados a partir do dia 85/2002 (data da sua publicação). Assim, por ocasião do ajuizamento da execução, em 17/5/2007, ainda não havia transcorrido o lapso quinquenal, contado da vigência da Lei n. 10.444/2002, diploma legal que tornou desnecessário qualquer procedimento prévio de efetivação da conta antes de a parte exequente ajuizar a execução. 6. Tese firmada: "A partir da vigência da Lei n. 10.444/2002, que incluiu o § 1º ao art. 604, dispositivo que foi sucedido, conforme Lei n. 11.232/2005, pelo art. 475-B, §§ 1º e 2º, todos do CPC/1973, não é mais imprescindível, para acertamento de cálculos, a juntada de documentos pela parte executada ou por terceiros, reputando-se correta a conta apresentada pelo exequente, quando a requisição judicial de tais documentos deixar de ser atendida, injustificadamente, depois de transcorrido o prazo legal. Assim, sob a égide do diploma legal citado, incide o lapso prescricional, pelo prazo respectivo da demanda de conhecimento (Súmula 150/STF), sem interrupção ou suspensão, não se podendo invocar qualquer demora na diligência para obtenção de fichas financeiras ou outros documentos perante a administração ou junto a terceiros". 7. Recurso especial a que se nega provimento. 8. Recurso julgado sob a sistemática do art. 1.036 e seguintes do CPC/2015 e do art. 256-N e seguintes do Regimento Interno do STJ. (REsp n. 1.336.026/PE, relator Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, DJe de 30/6/2017, grifo nosso.) Nesse mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. EXECUÇÃO DE SENTENÇA ILÍQUIDA. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. NÃO OCORRÊNCIA. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a liquidação é ainda fase do processo de cognição, desse modo só é possível iniciar a execução quando o título, certo pelo trânsito em julgado da sentença de conhecimento, apresenta-se também líquido. III - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. IV - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. V - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.090.580/MA, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 25/4/2024, grifo nosso.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA GENÉRICA PROFERIDA EM AÇÃO COLETIVA. SENTENÇA ILÍQUIDA. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. TÉRMINO DA FASE DE LIQUIDAÇÃO. PACÍFICA ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Este Tribunal Superior tem pacífico entendimento jurisprudencial, segundo o qual a fase de liquidação do título executivo judicial, na hipótese de sentença ilíquida, deve ser entendida como uma fase do processo de conhecimento, razão pela qual o prazo de prescrição para a pretensão executória só se inicia após sua finalização. Precedentes. 3. No caso dos autos, o conhecimento do recurso encontra óbice na Súmula 83 do STJ. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AgInt no AREsp n. 2.270.064/MA, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 6/9/2023, grifo nosso.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO CONTRA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. RECONSIDERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. PRAZO PRESCRICIONAL. INÍCIO APÓS LIQUIDAÇÃO DO TÍTULO. SIMPLES CÁLCULOS ARITMÉTICOS. REEXAME PROBATÓRIO VEDADO. SÚMULA 7/STJ. 1. Hipótese em que a decisão agravada consignou: "Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a tese recursal está fundada em premissa fática totalmente dissociada daquela fixada no aresto impugnado, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"" (fl. 311, e-STJ). 2. Assiste razão ao agravante no que se refere à inexistência de deficiência nas razões recursais, pois bem delimitada a tese apresentada acerca da contagem do prazo prescricional. Afasta-se, portanto, o óbice apontado e passa-se a analisar as razões recursais. 3. O Tribunal de origem afastou a alegação de prescrição do agravante por considerar que o início do prazo para o cumprimento individual de sentença coletiva se dá com a homologação dos cálculos de liquidação. 4. O Superior Tribunal de Justiça consignou, nos Embargos de Divergência no REsp 1.426.968/MG: "a Primeira Seção, no REsp 1.336.026/PE, julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973, assentou que "o entendimento externado pelo STF leva em conta que o procedimento de liquidação, da forma como regulado pelas normas processuais civis, integra, na prática, o próprio processo de conhecimento. Se o título judicial estabelecido no processo de conhecimento não firmara o quantum debeatur, somente efetivada a liquidação da sentença é que se poderá falar em inércia do credor em propor a execução, independentemente de tratar-se de liquidação por artigos, por arbitramento ou por cálculos"." (EREsp 1.426.968/MG, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Seção, DJe 22/6/2018). 5. No mais, aferir se a liquidação de sentença depende, de fato, apenas de simples cálculo aritmético, como defendido nas razões recursais, demanda reexame probatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. 6. Agravo Interno provido para conhecer do Agravo do art. 1.042 do CPC e negar provimento ao Recurso Especial. (AgInt no AREsp n. 2.188.688/MA, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 27/3/2023, grifo nosso.) Nessa linha de ideias, considerando-se que o procedimento de liquidação do julgado - que, repita-se, integra a própria fase de conhecimento - foi encerrado em 6/7 /2022 e que o subjacente cumprimento individual de sentença (referente à obrigação de fazer) foi proposta em 18/8/2025, inexiste falar em prescrição, nos termos da Súmula 150/STF: "Prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação". Via de consequência, torna-se desinfluente para a solução do caso o terceiro fundamento invocado no acórdão recorrido, à luz da Lei n. 14.010/2020, na medida em que, como acima demonstrado, o subjacente cumprimento individual de sentença foi proposto dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 1º do Decreto n. 20.910/1932. De todo modo, ainda que em obiter dictum, cabe ressaltar que esse terceiro fundamento - aplicabilidade da Lei n. 14.010/2020 ao caso - não se sustentaria, na medida em que " a Lei n. 14.010/2020, que instituiu normas transitórias e emergenciais para regular relações jurídicas de direito privado em virtude da pandemia da Covid-19, não se aplica às relações de direito público, como aquelas decorrentes do vínculo entre a Administração Pública e seus servidores" (AREsp n. 2.669.223/PE, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 28/10/2025, grifo nosso). ANTE O EXPOSTO, nos termos do art. 1.021, § 2º, do CPC, reconsidero a decisão de fls. 169/172 a fim de conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento. Prejudicado o agravo interno de fls. 176/184. Publique-se. EMENTA