AREsp 2698203 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem fundamentadamente concluiu que não houve prescrição aplicando o art. 142, I, da Lei 8.112/90 (contagem a partir do término da sindicância em 1999 e instauração do processo em 26-08-2002, dentro do prazo de cinco anos), além de reconhecer que a reforma...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2024
- Procedural Posture
- Ação Anulatória De Ato Administrativo / Recurso Especial Decisão De Não Conhecimento Pelo STJ
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Prescrição Administrativa, Prazo Prescricional Art. 142 Lei 8.112/90, Sindicância, Processo Administrativo Disciplinar, Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 7 Do STJ, Honorários Advocatícios Art. 85 §11 Cpc/2015, Dissídio Jurisprudencial
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Procedural Posture
Ação Anulatória De Ato Administrativo / Recurso Especial Decisão De Não Conhecimento Pelo STJ
Legal Issues
- 1 Se houve prescrição da ação administrativa nos termos do art. 142, I, da Lei 8.112/90
- 2 Se o Tribunal a quo violou os arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 por não se manifestar sobre pontos suscitados
- 3 Se é possível o reexame de matéria fático-probatória pelo STJ (Súmula 7)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem fundamentadamente concluiu que não houve prescrição aplicando o art. 142, I, da Lei 8.112/90 (contagem a partir do término da sindicância em 1999 e instauração do processo em 26-08-2002, dentro do prazo de cinco anos), além de reconhecer que a reforma pretendida demandaria reexame fático-probatório vedado ao STJ (Súmula 7), e por ausência de prequestionamento e demonstração de dissídio jurisprudencial nos termos exigidos.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação anulatória de ato administrativo. Na sentença, julgou-se o pedido improcedente. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 1.000,00 (um mil reais). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. APURAÇÃO DE INFRAÇÃO DISCIPLINAR. INSTAURAÇÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRAZO PRESCRICIONAL ART. 142, I, DA LEI 8.112/90. PENALIDADE DE SUSPENSÃO MANTIDA. APELAÇÃO DESPROVIDA. 1. O art. 142 da Lei 8.112/90 prevê, quanto às infrações puníveis com demissão ou suspensão, caso dos autos, os prazos de 5 (cinco) e de 2 (dois) anos para o Poder Público exercer sua pretensão punitiva. 2. O prazo prescricional somente passou a correr a partir do término da sindicância que apurou a conduta do servidor, ocorrido em 1999. Tendo o processo disciplinar sido instaurado em 26-08- 2002, foi respeitado o prazo de cinco anos previsto no inciso I do art. 142 do Regime Jurídico Único, razão por que não houve prescrição. 3. A prescrição da infração administrativa não encontra na sua legislação de regência instituto similar ao das infrações penais, nas quais a pena em concreto retroage e gera nova contagem de prazo, muitas vezes menor do que o inicialmente previsto como possível pela pena em abstrato de um delito. O prazo prescrição da ação disciplinar tem em mira sempre a pena em abstrato tida como passível de aplicação na abertura do processo administrativo disciplinar, independentemente da pena em concreto que seja efetivamente aplicada ao final. 4. Apelação desprovida. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: conforme se vê da fl. 84, no momento de sua instauração e do indiciamento, as circunstâncias fáticas permitiam a adequação da conduta às hipóteses previstas com penalidade de demissão, cujo prazo prescricional é de cinco anos. (..) No caso dos autos, o prazo prescricional somente passou a correr a partir do término da sindicância que apurou a conduta do servidor, ocorrido em 1999. Tendo o processo disciplinar sido instaurado 26-08-2002, foi respeitado o prazo de cinco anos previsto no inciso I do art. 142 do Regime Jurídico Único, razão por que não houve prescrição. Não há violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (artigos 469, § 1º, do CPC; 142, II, § 3º, da Lei n. 8112/90) , esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA