REsp 2015792 - DECISAO
Tendo sido fixada a pena definitiva em 3 anos, 9 meses e 15 dias de reclusão, aplica-se o prazo prescricional de 8 anos (art. 109, IV, CP). O marco interruptivo é o recebimento da denúncia em 9/4/2003 (art. 117, I, CP) e o termo final é a sentença condenatória de 11/2/2014 (art. 110, §1º, CP, redação anterior à Lei...
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- Parties
- Requerente: MARCO ANTÔNIO BARRETO; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 November 2025
- Procedural Posture
- Pedido De Reconhecimento Da Prescrição Da Pretensão Punitiva E Extinção Da Punibilidade / Decisão
- Outcome
- Julgo procedente o pedido para extinguir a punibilidade de MARCO ANTÔNIO BARRETO pela prescrição da pretensão punitiva.
- Legal Topics
- Prescrição Da Pretensão Punitiva, Extinção Da Punibilidade, Cálculo Do Prazo Prescricional, Marco Interruptivo Da Prescrição, Art. 109, Inciso IV, Art. 110, § 1º
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Parties
MARCO ANTÔNIO BARRETO
Requerente
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Pedido De Reconhecimento Da Prescrição Da Pretensão Punitiva E Extinção Da Punibilidade / Decisão
Legal Issues
- 1 Reconhecimento da prescrição retroativa da pretensão punitiva
- 2 Determinação do prazo prescricional aplicável com base na pena definitiva
- 3 Identificação do marco interruptivo (recebimento da denúncia) e termo final (sentença condenatória recorrível)
Ratio Decidendi
Tendo sido fixada a pena definitiva em 3 anos, 9 meses e 15 dias de reclusão, aplica-se o prazo prescricional de 8 anos (art. 109, IV, CP). O marco interruptivo é o recebimento da denúncia em 9/4/2003 (art. 117, I, CP) e o termo final é a sentença condenatória de 11/2/2014 (art. 110, §1º, CP, redação anterior à Lei 12.234/2010). Como entre essas datas decorreram mais de 10 anos, o prazo prescricional de 8 anos foi ultrapassado, cabendo o reconhecimento da prescrição retroativa e a extinção da punibilidade nos termos do art. 107, IV, do CP.
Court Disposition
Julgo procedente o pedido para extinguir a punibilidade de MARCO ANTÔNIO BARRETO pela prescrição da pretensão punitiva.
Orders
- Extinguir a punibilidade de MARCO ANTÔNIO BARRETO nos termos do art. 107, inciso IV, c/c art. 109, inciso IV, e art. 110, § 1º, todos do Código Penal.
- Tornar prejudicado o recurso especial interposto.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de pedido de reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva estatal com a consequente extinção da sua punibilidade apresentado por MARCO ANTÔNIO BARRETO (fls. 5072-5074). Instado a manifestar, o Ministério Público Federal opinou pelo acolhimento do pedido para que seja declarada a extinção da punibilidade em favor do requerente (fls. 5082-5083). É o relatório. DECIDO. Pugna a parte pelo reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva, com base no art. 109, IV c/c art. 110, § 1º, ambos do CP, considerando a pena aplicada. O requerente foi condenado pelo juízo de origem à pena privativa de liberdade definitiva de 10 (dez) anos, sendo, desse tempo, 06 (seis) anos de reclusão pela prática do crime previsto no art. 1º, I, do Decreto-lei nº. 201/67 e 04 (quatro) anos de detenção pelo crime disposto no art. 96, 1, IV e V, da Lei nº. 8.666/93, em regime inicial fechado, além de 120 (cento e vinte) dias-multa (fls. 1099-1136). O Tribunal de origem deu parcial provimento ao recurso de apelação defensivo para reconhecer a prescrição dos crimes relacionados à Lei de Licitações e redimensionar a pena pela prática do crime descrito no art. 1º, inciso I, do Decreto Lei 201/1967 para 04 (quatro) anos, 10 (dez) meses e 10 (dez) dias de reclusão (fls. 215). Após o provimento dos embargos de declaração opostos por ele, a pena restou fixada em 03 (três) anos, 09 (nove) meses e 15 (quinze) dias de reclusão, mantido o regime prisional e a não substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos (fls. 4745-4753). No caso, conforme consta do acórdão recorrido (fls. 202), a denúncia foi recebida em 9 de abril de 2003. A sentença condenatória transitou em julgado para o Ministério Público em 11 de fevereiro de 2014. O acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em grau de apelação, fixou a pena definitiva do recorrente em 3 (três) anos, 9 (nove) meses e 15 (quinze) dias de reclusão. Com essa reprimenda, o prazo prescricional aplicável é de 8 (oito) anos, conforme disposto no art. 109, inciso IV, do Código Penal. O marco interruptivo da prescrição retroativa corresponde ao recebimento da denúncia (art. 117, inciso I, do Código Penal), e o termo final é a sentença condenatória recorrível, consoante o art. 110, § 1º, do Código Penal, na redação anterior à Lei n. 12.234/2010, aplicável ao caso em razão da data do fato delituoso (1998), em respeito ao princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa. Entre o recebimento da denúncia, em 9 de abril de 2003 (fls. 3815-3816), e a data da sentença condenatória, em 11 de fevereiro de 2014 (fls. 1099-1135) , transitada em julgado para a acusação, transcorreram mais de 10 (dez) anos (fl. 4864). O prazo prescricional de 8 (oito) anos, portanto, foi amplamente ultrapassado, impondo-se o reconhecimento da prescrição retroativa com a consequente extinção da punibilidade do requerente, nos termos do art. 107, inciso IV, do Código Penal, tornando prejudicado o recurso especial interposto. Ante o exposto, julgo procedente o pedido para extinguir a punibilidade de MARCO ANTÔNIO BARRETO pela prescrição da pretensão punitiva, nos termos do art. 107, inciso IV, c/c o art. 109, inciso IV, e o art. 110, § 1º, todos do Código Penal. EMENTA