AREsp 1031287 - DECISAO
Havendo trânsito em julgado em 27/04/2016 e considerando as penas aplicadas (1 ano e 8 meses e 1 ano), aplica-se o prazo prescricional de 4 anos (art.109, V, CP) nos termos do art.110, §1º; tendo decorrido mais de quatro anos entre a publicação da sentença condenatória e a apreciação do recurso, restou configurada a...
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- Parties
- Embargante: PEDRO AUGUSTO SALVADOR; Autor: Ministério Público
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 April 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Acolhendo Embargos De Declaração, Com Reconhecimento Da Prescrição Da Pretensão Punitiva
- Outcome
- Acolho os embargos de declaração e declaro extinta a punibilidade do embargante em virtude da prescrição da pretensão punitiva estatal.
- Legal Topics
- Prescrição Da Pretensão Punitiva, Tráfico De Drogas, Receptação, Embargos De Declaração, Extinção Da Punibilidade
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Parties
PEDRO AUGUSTO SALVADOR
Embargante
Ministério Público
Autor
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Acolhendo Embargos De Declaração, Com Reconhecimento Da Prescrição Da Pretensão Punitiva
Legal Issues
- 1 Ocorrência de prescrição da pretensão punitiva estatal
- 2 Natureza dolosa ou culposa da conduta (art. 180 CP)
- 3 Admissibilidade dos embargos de declaração nos termos do art. 619 do CPP
Ratio Decidendi
Havendo trânsito em julgado em 27/04/2016 e considerando as penas aplicadas (1 ano e 8 meses e 1 ano), aplica-se o prazo prescricional de 4 anos (art.109, V, CP) nos termos do art.110, §1º; tendo decorrido mais de quatro anos entre a publicação da sentença condenatória e a apreciação do recurso, restou configurada a prescrição da pretensão punitiva, razão pela qual se declarou extinta a punibilidade do embargante com fulcro no art.107, IV, do CP.
Court Disposition
Acolho os embargos de declaração e declaro extinta a punibilidade do embargante em virtude da prescrição da pretensão punitiva estatal.
Orders
- Declaro extinta a punibilidade do embargante, com fundamento no art. 107, IV, do Código Penal, na Ação Penal n. 2013.5368-2.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por PEDRO AUGUSTO SALVADOR contra decisão de fls. 938-944 (e-STJ), que conheceu do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negou-lhe provimento. O embargante alega, preliminarmente, a ocorrênciadaprescrição punitiva estatal, em relação ao delito de tráfico de drogas. Afirma que transcorreu o prazo prescricional de 4 anos desde a publicação da sentença condenatória. Afirmaque "como agir imprudente é incompatível com a conduta enunciada no "caput" do artigo 180, CP, sendo insuficiente para defini-la também expressões no sentido de ser "presumível a consciência da ilicitude", que engloba tanto os tipos dolosos, como culposos, impõe-se a declaração do julgado a fim de ser esclarecido em que consistiu a conduta dolosa atribuída ao embargante." (e-STJ, fl. 954) Requer, assim, o pronunciamento sobre a prescrição da pena que lhe foi imposta pelo crime do artigo 33 da Lei nº 11.343/2006, bem como "a respeito da conduta por ele desenvolvida, especialmente no tocante à assertiva do acórdão recorrido, no sentido de ter agido de maneira "imprudente" e de ser presumível a ilicitude da sua conduta, esclarecendo em que consistiu, de fato, o dolo." (e-STJ, fl. 955) É o breve relato. Decido. A teor do art. 619 do Código de Processo Penal, os embargos de declaração são recurso com fundamentação vinculada, sendo imprescindível a demonstração de que a decisão embargada se mostrou ambígua, obscura, contraditória ou omissa, conforme disciplina o art. 619 do Código de Processo Penal. Podem ser admitidos, ainda, para correção de eventual erro material e, excepcionalmente, para alteração ou modificação do decisum embargado (EDcl no AgRg no AREsp 669.505/RN, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, DJe 25/8/2015). Todavia, aprescrição da pretensão punitiva estatal,como matéria de ordem pública, cognoscível de ofício pelo julgador, de fato, deve ser declarada, em qualquer momento e grau de jurisdição. Nos termos do art. 110, § 1º, do Código Penal (com a redação dada pela Lei n. 12.234/2010) " aprescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo inicial data anterior à da denúncia ou queixa". No caso, observa-se que, em 27/4/2016, houve o transito em julgado para o Ministério Público. Ao embargante foi aplicada a pena de 1 ano e 8 meses de reclusão, pelo delito previsto no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006;e 1 anode reclusãopelo crime tipificado no art. 180 do Código Penal (acórdão condenatório tão somente pelo delito de receptação).Logo,o prazo prescricional a ser aplicado é de 4 (quatro) anos, conforme o art. 109, V, do CP. Sob tal contexto, verifica-sea ocorrência da prescrição punitiva estatal, pois houve o transcurso de mais de 4 anos entre a data da publicação da sentença condenatória - em 30/5/2014 (e-STJ, 362), e do acórdão condenatório pelo delito de receptação - em21/01/2016(e-STJ, fl. 536)- e a apreciação deste recurso, conforme os arts. 109, V, 110, § 1º, e 117, I e IV, do CP. Ante o exposto, acolho os embargos de declaração e, com fulcro no art. 107, IV, do CP, declaro extinta a punibilidade do embargante, em virtude da prescrição da pretensão punitiva estatal, na Ação Penal n. 2013.5368-2. Publique-se. Intimem-se.