AREsp 2432093 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem, em consonância com a jurisprudência do STJ, reconheceu a prescrição decenal do direito pleiteado, tomando-se como marco inicial a data de assinatura do contrato (contrato firmado em 2011; ação ajuizada em 2022), inexistindo demonstração de dissídio...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interposto Contra Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial / Julgamento Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça; Decisão De Negar Provimento
- Outcome
- Nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Prescrição Decenal, Ação Revisional De Contrato, Termo Inicial Da Prescrição, Honorários Recursais, Dissídio Jurisprudencial, Novação E Renovação De Contratos
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Procedural Posture
Agravo Interposto Contra Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial / Julgamento Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça; Decisão De Negar Provimento
Legal Issues
- 1 Qual é o termo inicial do prazo prescricional nas ações revisionais de contrato bancário?
- 2 Aplicação do prazo prescricional decenal (art.205 CC) a ações revisionais de contrato bancário
- 3 Possibilidade de demonstração de dissídio jurisprudencial nos termos do art.1029, §1º do CPC
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem, em consonância com a jurisprudência do STJ, reconheceu a prescrição decenal do direito pleiteado, tomando-se como marco inicial a data de assinatura do contrato (contrato firmado em 2011; ação ajuizada em 2022), inexistindo demonstração de dissídio jurisprudencial nos termos do art.1029, §1º do CPC; aplicou-se ainda o art.85, §11 do CPC/2015 para majorar em 10% os honorários recursais.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Majoro em 10% a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do art.85 do CPC/2015.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão que negou seguimento ao recurso especial, em face de acórdão assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO DE EMPRÉSTIMO PESSOAL. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. APLICA-SE ÀS AÇÕES REVISIONAIS DE CONTRATO BANCÁRIO O PRAZO PRESCRICIONAL DE DEZ ANOS (ART. 206, § 3º, V, CC/2002), A CONTAR DA DATA DE PACTUAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. MANTIDA A SENTENÇA. HONORÁRIOS RECURSAIS. APELAÇÃO INTERPOSTA EM FACE DE DECISÃO PUBLICADA JÁ SOB A VIGÊNCIA DA LEI 13.105/2015. INCIDÊNCIA DO DISPOSTO NO ARTIGO 85, § 11, DE REFERIDA LEGISLAÇÃO. VERBA MAJORADA. UNÂNIME. RECURSO DESPROVIDO. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação dos arts. 205, 206 e 369 do Código Civil e 42 do Código de Defesa do Consumidor, bem como divergência jurisprudencial. Sustenta que "O termo inicial para a contagem da prescrição deve ser a data de vencimento do instrumento contratual ou do último pagamento realizado. Neste diapasão, o marco para o cômputo da prescrição é a data finda do mesmo ou quando ocorrido o último pagamento" (fl. 209). Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. O Tribunal local, ao reexaminar a prejudicial de mérito, reconheceu a ocorrência da prescrição da demanda em análise, pois decorridos 10 (dez) anos, considerando como início a assinatura do contrato. Assim se manifestou o acórdão recorrido (e-STJ, fls. 164-165): Em se tratando de ação revisional de contrato, isto é, ação de natureza pessoal, o prazo prescricional é de dez anos consoante art. 205 do Código Civil, transcrevo: Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. (..). Tocante ao marco inicial do prazo prescricional, é considerado a data de assinatura do contrato, pois foi quando a parte aderente ao contrato tomou conhecimento de suas cláusulas. (..). No caso, o contrato foi firmado no ano de 2011 e o autor ingressou com a ação no ano de 2022, logo transcorreu o prazo prescricional aplicável ao caso, qual seja, dez anos. Feitas tais considerações, vai desprovido o recurso com a manutenção do reconhecimento da prescrição do direito do autor. Constato que o entendimento prolatado pelo Tribunal de origem está em sintonia com a jurisprudência desta Corte. Esta Corte Superior tem firmado o entendimento no sentido de que o termo inicial do prazo prescricional decenal nas ações de revisão de contrato bancário, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do contrato. A propósito: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. CIVIL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATOS DE MÚTUO. PRESCRIÇÃO DECENAL. TERMO INICIAL. DATA DA ASSINATURA DO CONTRATO. NOVAÇÃO DE DÍVIDAS E RENOVAÇÃO DOS CONTRATOS. ASSINATURA DO ÚLTIMO CONTRATO RENOVADO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça assenta que o termo inicial do prazo prescricional decenal nas ações de revisão de contrato bancário, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do contrato. 2. Consoante o aresto, houve sucessão negocial com a novação das dívidas mediante contratação de créditos sucessivos, com renegociação do contrato preexistente, de maneira que foi observada uma continuidade e dependência entre os contratos realizados. 3. Em razão da sucessão negocial a partir da novação das dívidas mediante contratação de créditos sucessivos, para harmonizar o quadro desenhado nos autos com a jurisprudência desta Corte Superior, percebe-se que, na aferição da prescrição, deve-se apurar a data da assinatura do último contrato renovado. Nesse contexto, ocorrerá a prescrição se a última avença tiver sido assinada anteriormente ao prazo decenal da prescrição. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.954.274/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 21/2/2022, DJe de 23/2/2022.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. CONTRATOS DE MÚTUO. PRESCRIÇÃO DECENAL. TERMO INICIAL. DATA DA ASSINATURA DO CONTRATO. NOVAÇÃO DE DÍVIDAS E RENOVAÇÃO DOS CONTRATOS. ASSINATURA DO ÚLTIMO CONTRATO RENOVADO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. SÚMULA 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. PREJUDICADO. 1. Ação revisional de contrato. 2. Consoante o aresto, houve sucessão negocial com a novação das dívidas mediante contratação de créditos sucessivos, com renegociação do contrato preexistente, de maneira que foi observada uma continuidade e dependência entre os contratos realizados. 3. Em razão da sucessão negocial a partir da novação das dívidas mediante contratação de créditos sucessivos, para harmonizar o quadro desenhado nos autos com a jurisprudência desta Corte Superior, percebe-se que, na aferição da prescrição, deve-se apurar a data da assinatura do último contrato renovado. Nesse contexto, ocorrerá a prescrição se a última avença tiver sido assinada anteriormente ao prazo decenal da prescrição. 4. O reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 5. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 6. A incidência da Súmula 7 do STJ prejudica a análise do dissídio jurisprudencial pretendido. Precedentes desta Corte. 7. Agravo interno no recurso especial não provido. (AgInt no REsp n. 1.987.739/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 15/8/2022, DJe de 17/8/2022.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. CONTRATO BANCÁRIO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. CONTRATO. ASSINATURA. DATA. REPACTUAÇÃO. ÚLTIMO CONTRATO RENOVADO. ASSINATURA. SUCESSÃO NEGOCIAL. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que o termo inicial do prazo prescricional, no qual o mutuário pretende rever cláusulas de contrato de empréstimo pessoal firmado com a recorrida, é a data da assinatura do contrato. 3. Esta Corte Superior entende que, havendo sucessão negocial com a novação das dívidas mediante contratação de créditos sucessivos, com renegociação do contrato preexistente, o prazo de prescrição tem início a partir da data do último contrato avençado. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.998.681/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 3/10/2022, DJe de 10/10/2022.) Portanto, aplica-se ao caso a Súmula n. 83 do STJ. Observo, por fim, que o dissídio jurisprudencial não foi demonstrado nos termos do art. 1029, § 1º, do Código de Processo Civil. Para tanto, é necessária a demonstração da similitude de panorama de fato e da divergência na interpretação do direito entre os acórdãos confrontados, o que não foi feito no caso concreto. Em face do exposto, nego provimento ao agravo. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, majoro em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo. Intimem-se. EMENTA