AREsp 2668606 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, com fundamento na jurisprudência consolidada do STJ de que o termo inicial da prescrição em ações de revisão contratual é a data de assinatura do contrato, concluiu-se que a ação estava prescrita em razão de ser proposta após o prazo decenal, razão pela qual negou-se provimento ao recurso...
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- Parties
- Agravante: JOSÉ ERINALDO DA COSTA SALES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042 Do Cpc/15) / Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Prescrição Decenal, Revisão De Contrato, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 83/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
JOSÉ ERINALDO DA COSTA SALES
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042 Do Cpc/15) / Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 termo inicial do prazo prescricional nas ações de revisão de contrato
- 2 incidência da Súmula 83/STJ sobre a admissibilidade do recurso especial
- 3 contagem da prescrição decenal a partir da assinatura do contrato
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, com fundamento na jurisprudência consolidada do STJ de que o termo inicial da prescrição em ações de revisão contratual é a data de assinatura do contrato, concluiu-se que a ação estava prescrita em razão de ser proposta após o prazo decenal, razão pela qual negou-se provimento ao recurso especial e majorou-se os honorários de advogado em 10% nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Majorou-se em 10% o valor dos honorários advocatícios arbitrados na origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observado o disposto no art. 98, § 3º, do CPC/2015, se for o caso.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo (art. 1.042 do CPC/15), interposto por JOSÉ ERINALDO DA COSTA SALES, em face de decisão que não admitiu recurso especial (fls. 262-264, e-STJ). O apelo nobre, de sua vez, fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, desafia acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, assim ementado (fls. 175-183, e-STJ): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. DEVOLUÇÃO DE JUROSSOBRE TARIFAS DECLARADAS ILEGAIS EM PROCESSO ANTERIOR. PROCEDÊNCIA PARCIAL. IRRESIGNAÇÃO. PRESCRIÇÃO DECENAL. CONTAGEM A PARTIR DA ASSINATURA DO CONTRATO. OCORRÊNCIA. EXTINÇÃO SEM APRECIAÇÃO DO MÉRITO. PROVIMENTO DO APELO. A pretensão em debate refere-se às cláusulas contratuais (juros remuneratórios) que podem ser discutidas desde a assinatura do contrato, motivo pelo qual o termo inicial do prazo prescricional é de 10 (dez) anos contados da data em que o pacto foi firmado. No caso em tela, extrai-se do contrato (id. 16074159 - pág. 01/02) que a avença entre as partes fora firmada em 07.12.2009, ao passo que esta Ação foi proposta em 28/12/2021, portanto após o termo final do prazo decenal, ocorrendo a prescrição. Nas razões do recurso especial (fls. 188-200, e-STJ), a recorrente, além de dissídio jurisprudencial, aponta violação aos seguintes artigos: (i) 205 do CC/02, pois não há se falar em prescrição, já que o termo inicial do referido prazo tem início com o vencimento da última prestação; Contrarrazões às fls. 254-257, e-STJ. Em juízo de admissibilidade, negou-se o processamento do recurso especial, com amparo na Súmula 83/STJ. Irresignada, aduz a agravante, em suma, que o reclamo merece trânsito, uma vez que o supracitado óbice não subsistiria. É o relatório. Decido. O inconformismo não merece prosperar. 1. De acordo com a jurisprudência do STJ, "o termo inicial do prazo prescricional nas ações de revisão de contrato, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do instrumento contratual. Precedentes. Incidência da Súmula 83 do STJ." (AgInt no AREsp n. 2.313.390/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 28/9/2023.). Nesse sentido, citam-se, ainda, os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRATO BANCÁRIO. DISCUSSÃO. CLÁUSULAS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. ASSINATURA DO CONTRATO. REEXAME. SÚMULAS N. 7 E 83/STJ. NÃO PROVIMENTO. 1. O acórdão recorrido analisou todas as questões necessárias ao deslinde da controvérsia, não se configurando omissão, contradição ou negativa de prestação jurisdicional. 2. "Consoante o entendimento desta Corte Superior, o termo inicial do prazo prescricional nas ações de revisão de contrato, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do instrumento contratual. Precedentes. Incidência da Súmula 83 do STJ." (AgInt no AREsp n. 2.313.390/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 28/9/2023.) 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.428.831/PB, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 14/8/2024.) PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA E INDENIZAÇÃO. APRECIAÇÃO DE TODAS AS QUESTÕES RELEVANTES DA LIDE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE AFRONTA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. CONTRATO BANCÁRIO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. DATA DA ASSINATURA DO CONTRATO. SÚMULA N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Inexiste afronta aos arts. 489 e 1.022 do CPC quando o acórdão recorrido pronuncia-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. 2. O termo inicial do prazo prescricional nas ações de revisão de contrato bancário, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do contrato. Incide a Súmula n. 83/STJ. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.628.671/PB, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 5/9/2024.) Na hipótese dos autos, tal posicionamento foi seguido pela Corte local, ao afirmar que a pretensão de revisão de cláusulas já dispostas na contratação desde sua origem tem como termo inicial do prazo prescricional a assinatura da avença. Veja-se (fl. 178-183, e-STJ): É que a pretensão em debate se refere às cláusulas contratuais (juros remuneratórios) que podem ser discutidas desde a assinatura do contrato, motivo pelo qual o termo inicial do prazo prescricional é de 10 (dez) anos contados da data em que o pacto foi firmado. (..) Dito isso, no caso em tela, extrai-se do contrato (id. 16074159 - pág. 01/02) que a avença entre as partes fora firmada em 07.12.2009, ao passo que esta Ação foi proposta em 28/12/2021, portanto após o termo final do prazo decenal, ocorrendo a prescrição. Logo, inviável a admissão do apelo, nos termos da Súmula 83/STJ. 2. Ante o exposto, com fulcro no art. 932 do CPC/2015 c/c Súmula 568/STJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Por conseguinte, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro em 10% (dez por cento) o valor dos honorários advocatícios arbitrados na origem, observado, se for o caso, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC/2015. Publique-se. Intimem-se. EMENTA