AREsp 2801839 - ACORDAO
Conheceu-se do agravo e do recurso especial e negou-se provimento ao recurso porque, na hipótese, a pretensão versa sobre cláusulas contratuais discutíveis desde a assinatura do contrato, de modo que o prazo prescricional decenal começou na data da assinatura do contrato e a ação, proposta em 14/11/2019, ocorreu...
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- Parties
- Agravante: ROBERTA CHAGAS DE OLIVEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgado Recurso Especial Conhecido E Não Provido (sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido e não provido; majoração de honorários advocatícios para R$ 1.500,00.
- Legal Topics
- Prescrição Decenal, Revisional Contratual, Contratos Bancários, Honorários Advocatícios
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Parties
ROBERTA CHAGAS DE OLIVEIRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgado Recurso Especial Conhecido E Não Provido (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 termo inicial do prazo prescricional decenal em ações revisionais de contrato bancário
- 2 incidência da Súmula n. 83 do STJ
- 3 aplicação do art. 205 do Código Civil de 2002
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e do recurso especial e negou-se provimento ao recurso porque, na hipótese, a pretensão versa sobre cláusulas contratuais discutíveis desde a assinatura do contrato, de modo que o prazo prescricional decenal começou na data da assinatura do contrato e a ação, proposta em 14/11/2019, ocorreu após o término do prazo decenal; aplica-se a Súmula n. 83 do STJ. Ademais, houve majoração dos honorários advocatícios para R$ 1.500,00 nos termos do art. 85, §§ 2º e 11 do NCPC, observada a justiça gratuita.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial conhecido e não provido; majoração de honorários advocatícios para R$ 1.500,00.
Orders
- Conhecer do agravo
- Conhecer do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/03/2025 a 17/03/2025, por unanimidade, conhecer do recurso mas lhe negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CONTRATO BANCÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DECENAL. TERMO INICIAL. DATA DA ASSINATURA DO CONTRATO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. O entendimento desta Corte Superior consolidou-se no sentido de que o termo inicial do prazo prescricional decenal para questionar as cláusulas do contrato bancário, em ações revisionais de empréstimo pessoal, é a data da assinatura do contrato. Incidência da Súmula n. 83 do STJ. 2. Agravo conhecido para conhecer do recurso especial, mas negar-lhe provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por ROBERTA CHAGAS DE OLIVEIRA (ROBERTA) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre anteriormente manejado. Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 623/630). O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, do agravo e passo ao exame do recurso especial. O recurso especial, amparado no art. 105, III, a e c, da CF, foi interposto contra acórdão do Tribunal estadual assim ementado: AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE CLÁUSULA CONTRATUAL COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DEVOLUÇÃO DE JUROS SOBRE TARIFAS DECLARADAS ILEGAIS EM PROCESSO ANTERIOR. IMPROCEDÊNCIA. IRRESIGNAÇÃO. PRESCRIÇÃO DECENAL. CONTAGEM A PARTIR DA ASSINATURA DO CONTRATO. OCORRÊNCIA. EXTINÇÃO SEM APRECIAÇÃO DO MÉRITO. PROVIMENTO DO APELO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO. A pretensão em debate refere-se às cláusulas contratuais (juros remuneratórios) que podem ser discutidas desde a assinatura do contrato, motivo pelo qual o termo inicial do prazo prescricional é de 10 (dez) anos contados da data em que o pacto foi firmado. No caso em tela, observa-se que o contrato (id. 13234392 - pág. 01/02) de financiamento tem programado o pagamento da primeira prestação (12.01.2007), considerando que tal avença fora firmado entre as partes no mês anterior, ao passo que esta Ação foi proposta em 14/11/2019, portanto após o termo final do prazo decenal (e-STJ, fl. 478). Nas razões do seu inconformismo, ROBERTA alegou ofensa ao art. 205 do CC/2002, além de divergência jurisprudencial. Sustentou que se trata de ação revisional de contrato bancário fundada em direito pessoal, devendo ser aplicado o prazo prescricional decenal, cujo marco inicial ocorre na data de vencimento da última parcela. Foram apresentadas contrarrazões (e-STJ, fls. 551/560). É o relatório. EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CONTRATO BANCÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DECENAL. TERMO INICIAL. DATA DA ASSINATURA DO CONTRATO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. O entendimento desta Corte Superior consolidou-se no sentido de que o termo inicial do prazo prescricional decenal para questionar as cláusulas do contrato bancário, em ações revisionais de empréstimo pessoal, é a data da assinatura do contrato. Incidência da Súmula n. 83 do STJ. 2. Agravo conhecido para conhecer do recurso especial, mas negar-lhe provimento. VOTO O inconformismo, no entanto, não merece prosperar. No tocante ao prazo prescricional e ao termo inicial e da divergência jurisprudencial ROBERTA alegou ofensa ao art. 205 do CC/2002, além de divergência jurisprudencial. Sustentou que se trata de ação revisional de contrato bancário fundada em direito pessoal, devendo ser aplicado o prazo prescricional decenal, cujo marco inicial ocorre na data de vencimento da última parcela. Sobre o tema, a Corte local decidiu: É que a pretensão a debatida referia-se às cláusulas contratuais (juros remuneratórios) que poderiam ter sido discutidas desde a assinatura do contrato, motivo pelo qual o termo inicial do prazo prescricional seria de 10 (dez) anos contados da data em que fora firmado o pacto. .. Dito isso, no caso em tela, observou-se que o contrato (id. 13234392 - pág. 01/02) de financiamento tinha programado o pagamento da primeira prestação (12.01.2007), considerando que tal avença fora firmado entre as partes no mês anterior, ao passo que esta Ação foi proposta em 14/11/2019, portanto após o termo final do prazo decenal (e-STJ, fls. 479/480). Nesse sentido, no presente caso, a jurisprudência do Tribunal de Justiça da Paraíba está em consonância com o entendimento desta Corte Superior consolidada no sentido de que o termo inicial do prazo prescricional decenal para questionar as cláusulas do contrato bancário, em ações revisionais de empréstimo pessoal, é a data da assinatura do contrato e não do vencimento da última parcela, o que atrai a incidência da Súmula n. 83 do STJ. Ilustrativamente: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C NULIDADE CONTRATUAL E RESTITUIÇÃO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES CLARAS E PRECISAS. VIOLAÇÃO DO DEVER DE INFORMAÇÃO CONSTATADO. REVISÃO. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. DISSÍDIO PREJUDICADO. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA N. 83 DO STJ. 1. A reforma do julgado quanto à regularidade do contrato mostra-se inviável, pois seria necessário o revolvimento do conjunto fático-probatório bem como das cláusulas contratuais, o que é vedado pelas Súmulas n. 5 e 7/STJ. 2. A jurisprudência do STJ estabeleceu que, nas ações revisionais de contrato de empréstimo pessoal nas quais se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, a contagem do prazo prescricional decenal tem início a partir da data da assinatura do contrato. Incidência da Súmula n. 83/STJ. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.668.346/MT, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 2/12/2024, DJEN de 5/12/2024 - sem destaque no original ) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATOS DE MÚTUO. PRESCRIÇÃO DECENAL. TERMO INICIAL. DATA DA ASSINATURA DO AJUSTE. REPACTUAÇÃO. CONTINUIDADE NEGOCIAL. ASSINATURA DO ÚLTIMO CONTRATO RENOVADO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Nas ações revisionais de contrato de empréstimo pessoal, nas quais se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, a contagem do prazo prescricional decenal tem início a partir da data da assinatura do contrato. 2. Havendo sucessão negocial com a novação das dívidas mediante contratação de créditos sucessivos, com renegociação do contrato preexistente, é a data do último contrato avençado que deve contar como prazo prescricional. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.117.154/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024 - sem destaque no original) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATOS DE EMPRESTIMO. PRESCRIÇÃO DECENAL. TERMO INICIAL. DATA DA ASSINATURA DO CONTRATO. REPACTUAÇÃO DOS CONTRATOS. ASSINATURA DO ÚLTIMO CONTRATO RENOVADO. SUCESSÃO NEGOCIAL. 1. Cuida-se de ação revisional de contratos. Recursos especiais interpostos em 16/09/2021 e em 11/10/2021. Conclusos ao gabinete em 11/03/2022. 2. Os propósitos recursais consistem em (I) definir o termo inicial do prazo prescricional dos contratos de empréstimo sucessivamente renovados e (II) decidir se, na hipótese, o valor da causa pode ser estabelecido como base de cálculo para a fixação de honorários advocatícios. 3. As ações revisionais de contrato cuidam de direito obrigacional, derivado da relação contratual estabelecida entre as partes e, portanto, são fundadas em direito pessoal. Por esse motivo, o prazo prescricional, que era vintenário sob a égide do Código Civil de 1916, passou a ser decenal, conforme determina o art. 205, do Código Civil de 2002. Precedentes. 4. A jurisprudência desta Corte é firme em determinar que o termo inicial do prazo prescricional decenal nas ações de revisão contratual é a data da assinatura do contrato. 5. Considera-se a peculiaridade de contratos em que houve sucessivas renovações negociais, isto é, existiu a novação das dívidas mediante contratação de créditos sucessivos, com renegociação do contrato preexistente, de maneira que se verifique continuidade e dependência entre os contratos realizados. 6. Em virtude da continuidade e da relação entre os contratos realizados, o prazo prescricional deve ser contado a partir da data de assinatura do último contrato firmado entre as partes. 7. Nos termos da jurisprudência deste STJ, não sendo possível mensurar o proveito econômico obtido, os honorários poderão ser fixados sobre o valor atualizado da causa. 8. Recursos especiais desprovidos (I) porquanto o termo inicial do prazo prescricional decenal deve ser a data de assinatura do último contrato avençado entre as partes e (II) para manter a base de cálculo utilizada na Corte Estadual que fixou os honorários advocatícios. (REsp n. 1.989.284/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 29/11/2022, DJe de 1/12/2022 - sem destaque no original) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL - AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATOS BANCÁRIOS - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PARCIAL PROVIMENTO AO APELO ESPECIAL. INSURGÊNCIA DA PARTE AUTORA. 1. Nos termos do entendimento jurisprudencial adotado por este Superior Tribunal de Justiça, o termo inicial do prazo prescricional, no qual o mutuário pretende rever cláusulas de contrato de empréstimo pessoal é a data da assinatura do contrato. 2. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.987.256/RS, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 22/8/2022, DJe de 26/8/2022 - sem destaque no original) Nessas condições, CONHEÇO do agravo para CONHECER do recurso especial, mas NEGAR-LHE PROVIMENTO. Considerando a aplicabilidade do NCPC, MAJORO para R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) o valor dos honorários advocatícios anteriormente fixados em desfavor de ROBERTA, nos termos do art. 85, §§ 2º e 11, do NCPC, observada a justiça gratuita Por oportuno, previno as partes de que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas no art. 1.026, § 2º, do NCPC. É o voto.