REsp 2233767 - DECISAO
O Relator não conheceu do recurso especial em razão do óbice da Súmula 7/STJ, porquanto a demonstração da alegada divergência jurisprudencial exigiria reexame da data da efetiva ciência dos supostos desfalques (fatos e provas), o que é vedado em recurso especial; o acórdão recorrido, aplicando o art. 205 do Código...
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- Parties
- Recorrente: IDALBERTO MATIAS DE ARAÚJO; Recorrido: BANCO DO BRASIL S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 March 2026
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Recurso Especial Não Conhecido (decisão Monocrática)
- Outcome
- Não conheço do Recurso Especial
- Legal Topics
- Prescrição Decenal, PASEP, Responsabilidade Civil Contratual, Termo Inicial Da Prescrição, Tema 1150/stj, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
IDALBERTO MATIAS DE ARAÚJO
Recorrente
BANCO DO BRASIL S.A.
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Recurso Especial Não Conhecido (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 qual é o termo inicial do prazo prescricional decenal para pretensão de ressarcimento por má administração de conta individual do PASEP
- 2 aplicabilidade do Tema 1150 do STJ e do art. 205 do Código Civil
- 3 incidência da Súmula 7/STJ quanto à impossibilidade de reexame de fatos e provas em recurso especial para aferir dissídio jurisprudencial
Ratio Decidendi
O Relator não conheceu do recurso especial em razão do óbice da Súmula 7/STJ, porquanto a demonstração da alegada divergência jurisprudencial exigiria reexame da data da efetiva ciência dos supostos desfalques (fatos e provas), o que é vedado em recurso especial; o acórdão recorrido, aplicando o art. 205 do Código Civil e o entendimento do Tema 1150/STJ, considerou que o termo inicial da prescrição decenal é a data do saque (08/04/2010), tornando a pretensão prescrita.
Court Disposition
Não conheço do Recurso Especial
Orders
- Não conhecer do Recurso Especial
- Majorar em 10% os honorários advocatícios anteriormente fixados (art. 85, §§ 2º e 11, CPC)
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DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por IDALBERTO MATIAS DE ARAÚJO contra acordão prolatado no julgamento de apelação por unanimidade pela 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, assim ementado (fls. 306/307e): DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER E INDENIZAÇÃO. PASEP. RESPONSABILIDADE CIVIL DO BANCO DO BRASIL. PRESCRIÇÃO DECENAL. TERMO INICIAL. CIÊNCIA INEQUÍVOCA DO DANO. DATA DO SAQUE. TEORIA DA . APLICAÇÃO DO TEMA 1150 DOACTIO NATA STJ. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Apelação cível interposta contra sentença que reconheceu a prescrição da pretensão de ressarcimento de valores supostamente devidos a título de correção monetária e encargos remuneratórios do saldo PASEP, em razão da má administração da conta individual do titular pelo Banco do Brasil. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Se a pretensão da parte autora está prescrita, a partir da análise do termo inicial da contagem do prazo prescricional decenal, conforme entendimento consolidado no Tema 1150 do STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O STJ decidiu, também no IRDR de Tema nº 1150, que as demandas propostas em face do Banco do Brasil, sociedade de economia mista que não se submete ao Decreto 20.910/32, fundamentadas em pretensão de ressarcimento decorrente da alegada má administração dos recursos repassados à conta individual do PASEP, configurada está relação jurídica de caráter privado, lastreada em responsabilidade civil contratual - e não aquiliana - sendo, portanto, aplicável o prazo prescricional decenal previsto no art. 205 do CC. 3.1. Em razão de não poderem os titulares dispor livremente dos recursos depositados em suas contas individuais, na forma do art. 4º da Lei Complementar 26/1975, ressalvadas as hipóteses do § 1º então vigente, não se pode considerar que a obrigação seria de trato sucessivo, pelo que o termo inicial para a contagem do prazo prescricional de 10 (dez) anos é a data da ciência do suposto valor corrigido a menor, ou seja, da data do efetivo saque dos valores depositados nas contas individuais do PASEP, ante a aplicação da teoria da , porquanto é actio nata da ciência da suposta lesão que nasceu ao autor a pretensão de reparação. 3.2. Aplicado o lapso prescricional previsto no art. 205 do Código Civil e superado o lapso decenal entre a data em que a parte sacou os valores de sua conta individual do PASEP (08/04/2010) e o aforamento da presente demanda (07/11/2024), verifica-se fulminada pela prescrição a pretensão autoral. IV. DISPOSITIVO 4.Apelação cível desprovida. Dispositivos relevantes citados: CC, art. 205; CPC, art. 487, II. Jurisprudência relevante citada: STJ, Tema 1150 (R Esp 1.895.936/TO, R Esp 1.895.941/TO e R Esp 1.951.931/DF); STJ, AgInt no R Esp 1.928.752/TO; TJDFT, Acórdão 1961011, 0745908-33.2024.8.07.0000, Relator(a): GETÚLIO DE MORAES OLIVEIRA, 7ª TURMA CÍVEL, data de julgamento: 29/01/2025, publicado no D Je: 14/02/2025; TJDFT, Acórdão 1964629, 0721898-19.2024.8.07.0001, Relator(a): JOSE FIRMO REIS SOUB, 8ª TURMA CÍVEL, data de julgamento: 11/02/2025, publicado no D Je: 14/02/2025; TJDFT, Acórdão 1963312, 0738776-24.2021.8.07.0001, Relator(a): ROBERTO FREITAS FILHO, 3ª TURMA CÍVEL, data de julgamento: 30/01/2025, publicado no D Je: 13/02/2025; TJDFT, Acórdão 1963353, 0736817-13.2024.8.07.0001, Relator(a): FÁTIMA RAFAEL, 3ª TURMA CÍVEL, data de julgamento: 30/01/2025, publicado no D Je: 13/02/2025. Com amparo no art. 105, III, c, da Constituição da República, aponta-se divergência jurisprudencial em relação à interpretação do art. 205 do Código Civil, alegando, em síntese, que o termo inicial do prazo decenal para a pretensão de ressarcimento de danos decorrentes de desfalques em conta individual vinculada ao PASEP deve observar a ciência inequívoca do dano, e não a data do saque, conforme o Tema n. 1.150/STJ. Com contrarrazões (fls. 338/342e), o recurso foi admitido (fl. 419e). O Ministério Público Federal manifestou-se às fls. 430/439e. Feito breve relato, decido. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, mediante decisão monocrática, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. - Do Dissídio Jurisprudencial À vista da incidência do óbice constante da Súmula n. 7 desta Corte, o recurso especial não pode ser conhecido com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, porquanto, para a comprovação da similitude fática entre os julgados confrontados, faz-se necessário o reexame de fatos e provas. Acerca da data da ciência dano por parte do Recorrente a Corte a qua, após minucioso exame dos elementos fáticos contidos nos autos, consignou (fl. 286e): Importante destacar que a apelante alega que o termo inicial do prazo prescricional deve ser contado a partir do momento em que tomou ciência do alegado equívoco nos cálculos. No entanto, como dito acima, o termo inicial se confunde com a data em que a autora sacou os valores de sua conta individual do PASEP quando do implemento do requisito legal consubstanciado em sua aposentadoria, que se deu em abril de 2010 (ID 69668839). Assim, com o saque integral dos v alores quando de sua aposentadoria, notadamente em razão da enorme diferença que sustenta existir entre o valor sacado e aquele entendido como devido em decorrência da apontada má gestão e indevida aplicação dos índices de atualização pelo Banco réu, a participante já naquela oportunidade teve a ciência, de modo inequívoco, de que o valor obtido não estava correto. Da leitura da peça exordial (ID 69668834) e da peça recursal (ID 69668866), verifica-se que a autora possuía ciência da diferença entre os valores que foram sacados daqueles que supostamente lhe seriam devidos. Isso porque a dinâmica fática narrada pela parte autora aponta que ao se aposentar, buscou o réu Banco do Brasil para sacar os valores depositados na conta individual do PASEP, momento em que verificou o valor irrisório. Ou seja, percebe-se que já desde o momento do saque dos valores inseridos em sua conta individual do PASEP, a autora já tinha ciência de que os valores vindicados lhe pareciam inferiores ao devido, o que afasta cabalmente a tese de que somente teria sido cientificada dos supostos atos ilícitos e valores a menor após ter requisitado o aludido extrato ao banco réu. Desse modo, a comprovação da similitude fática entre os julgados confrontados exige o exame da data da efetiva ciência dos desfalques, o que demanda reexame de fatos e provas. Na mesma esteira, os seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. INOCORRÊNCIA. IPTU. USO DO IMÓVEL. INVIABILIDADE NÃO COMPROVADA. HIGIDEZ DO TÍTULO EXECUTIVO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS ARTS. 472 DO CPC E 113, § 1º, DO CTN. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 211/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. ANÁLISE PREJUDICADA. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. .. V - O recurso especial não pode ser conhecido com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, porquanto o óbice da Súmula n. 7/STJ impede o exame do dissídio jurisprudencial quando, para a comprovação da similitude fática entre os julgados confrontados, é necessário o reexame de fatos e provas. .. VII - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.139.482/SP, Relatora Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, j. 02.09.2024, DJEN 05.09.2024 - destaque meu) DIREITO CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 489, §1º, I AO IV, E 1.022, I E II, DO CPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. AÇÃO REGRESSIVA DO ART. 120 DA LEI 8.213/1991. ACIDENTE DE TRABALHO. RESPONSABILIDADE CIVIL. NORMAS DE SEGURANÇA DO TRABALHO. NEGLIGÊNCIA DA EMPRESA EMPREGADORA. DEVER DE RESSARCIMENTO AO INSS. ALTERAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO TRIBUNAL A QUO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. ÓBICE DA SÚMULA N. 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INSURGÊNCIA CONTRA A MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AUSÊNCIA DE COMANDO NORMATIVO DO ARTIGO DE LEI FEDERAL APONTADO COMO VIOLADO. SÚMULA N. 284/STF. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. .. 3. "A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a incidência da Súmula 7/STJ também impede o conhecimento do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional, uma vez que falta identidade fática entre os paradigmas apresentados e o acórdão recorrido". (AgInt no AREsp 1.402.598/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 22/5/2019.) .. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.467.155/SP, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, j. 02.09.2024, DJEN 04.09.2024 - destaque meu) Assim, nos termos do art. 85, §§ 2º e 11, de rigor a majoração, em 10% (dez por cento), dos honorários anteriormente fixados (fl. 289) Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do RISTJ, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA