REsp 1920171 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a jurisprudência desta Corte estabelece que, em ação revisional de contrato, o termo inicial do prazo prescricional decenal é a data da assinatura do contrato (Súmula 568/STJ); diante da repactuação/novação verificada no caso, é necessário apurar a data de assinatura do...
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- Parties
- Agravante: Fundação Corsan dos Funcionários da Companhia Riograndense de Saneamento Corsan
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Recurso Especial / Decisão Colegiada Acórdão
- Outcome
- agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Prescrição Decenal, Ação Revisional De Contrato, Novação, Contratos De Mútuo, Termo Inicial Da Prescrição
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Parties
Fundação Corsan dos Funcionários da Companhia Riograndense de Saneamento Corsan
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Recurso Especial / Decisão Colegiada Acórdão
Legal Issues
- 1 Qual é o termo inicial do prazo prescricional decenal em ação revisional de contrato: data da assinatura do contrato ou vencimento do último contrato?
- 2 Efeito da novação/repactuação das dívidas sobre o termo inicial da prescrição
- 3 Aplicabilidade do art. 205 do Código Civil à ação revisional de contrato
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a jurisprudência desta Corte estabelece que, em ação revisional de contrato, o termo inicial do prazo prescricional decenal é a data da assinatura do contrato (Súmula 568/STJ); diante da repactuação/novação verificada no caso, é necessário apurar a data de assinatura do último contrato renovado para verificar se ocorreu a prescrição, de modo que não se pode declarar a prescrição sobre cada contrato anterior sem tal apuração.
Court Disposition
agravo interno desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Cientificar as partes de que a oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios poderá ensejar a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Paulo de Tarso Sanseverino, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por Fundação Corsan dos Funcionários da Companhia Riograndense de Saneamento Corsan contra as decisões desta relatoria de fls. 137-139 e 167-169 (e-STJ), que desproveram seu recurso especial. O apelo especial foi fundado nas alíneas a e c do permissivo constitucional, no qual se insurgiu contra acórdão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul assim ementado (e-STJ, fl. 48): AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO PRIVADO NÃO ESPECIFICADO. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATOS DE MÚTUO. FUNDAÇÃO CORSAN. PRESCRIÇÃO. O PRAZO APLICÁVEL É O DECENAL, PREVISTO NO ART. 205, DO CPC, TANTO PARA A PRETENSÃO DE REVISÃO DOS CONTRATOS, QUANTO DA COMPENSAÇÃO/REPETIÇÃO DO INDÉBITO, HAJA VISTA TRATAR-SE DE AÇÃO DE NATUREZA PESSOAL. CASO CONCRETO EM QUE NÃO HÁ FALAR EM PRESCRIÇÃO, UMA VEZ QUE OS VÁRIOS CONTRATOS QUE SUCEDERAM O PRIMEIRO FORAM OBJETO DE REPACTUAÇÃO PELAS PARTES. ASSIM, TENDO HAVIDO NOVAÇÃO, O PRAZO PRESCRICIONAL TEM INÍCIO A CONTAR DO VENCIMENTO DO ÚLTIMO CONTRATO. AGRAVO DE INSTRUMENTO DESPROVIDO. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 75-80). No recurso especial, a recorrente apontou, além de divergência jurisprudencial, violação do art. 205 do Código Civil. Esclareceu que se opôs ao acórdão que rejeitou a preliminar de prescrição sustentada pela insurgente na ação revisional intentada pela parte recorrida. Defendeu a aplicabilidade do prazo prescricional decenal a contar da data da assinatura de cada contrato, e não do vencimento ordinário de cada avença. Salientou que a circunstância de o prazo ser decenal não afasta a possibilidade de que seja reconhecida a prescrição dos 5 (cinco) contratos mais antigos firmados com a parte recorrida, ante a mera aplicação do princípio da actio nata. Pugnou pelo provimento do recurso para que seja reconhecida a incidência da prescrição sobre os contratos firmados anteriormente ao decênio que antecede o ajuizamento da ação. Em face do juízo positivo de admissibilidade, os autos ascenderam a esta Corte de Justiça, ocasião em que houve o desprovimento do reclamo, nos termos da seguinte ementa (e-STJ, fls. 137-139): RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATOS DE MÚTUO. PRESCRIÇÃO. DECENAL. TERMO INICIAL. DATA EM QUE O CONTRATO FOI FIRMADO. NOVAÇÃO DE DÍVIDAS E RENOVAÇÃO DOS CONTRATOS. ASSINATURA DO ÚLTIMO CONTRATO RENOVADO. RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. Na sequência, foram opostos embargos declaração, os quais foram rejeitados (e-STJ, fls. 167-169). Contra essas decisões interpõe a insurgente o presente agravo interno (e-STJ, fls. 172-185). Reforça os fundamentos do recurso especial acima sumariados. Declina julgados do Superior Tribunal de Justiça a fim de comprovar sua pretensão. Refuta, assim, a incidência das Súmulas 7 e 83 desta Corte. Contraminuta apresentada (e-STJ, fls. 188-242). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESCRIÇÃO DECENAL DA AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL. NOVAÇÃO DE DÍVIDAS E RENOVAÇÃO DOS CONTRATOS. POSSIBILIDADE DE INFLUENCIAR NA AVERIGUAÇÃO DA PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. DATA DE ASSINATURA DO ÚLTIMO CONTRATO RENOVADO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Entende o Superior Tribunal de Justiça que, em ação revisional de contrato, "o termo inicial do prazo prescricional decenal nas ações de revisão de contrato bancário, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do contrato. Súmula 568/STJ" (AgInt nos EDcl no REsp 1.897.309/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 15/3/2021, DJe 18/3/2021). 2. Consoante o aresto, houve sucessão negocial com a repactuação das dívidas. Esse quadro revela a necessidade apuração da data da assinatura do último contrato renovado para verificar a ocorrência, ou não, de prescrição. 3. Agravo interno desprovido. VOTO Reexaminando os autos, não se observam razões para o provimento deste agravo interno. Entende esta Corte Superior que "o termo inicial do prazo prescricional decenal nas ações de revisão de contrato bancário, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do contrato. Súmula 568/STJ" (AgInt nos EDcl no REsp 1.897.309/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 15/3/2021, DJe 18/3/2021). Nessa mesma direção: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. CONTRATO DE MÚTUO. PRESCRIÇÃO. TERMO A QUO. DATA DA ASSINATURA DO AJUSTE. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Consoante entendimento desta Corte Superior, o termo inicial do prazo prescricional nas ações de revisão de contrato bancário, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do contrato. Precedentes. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1.444.255/MS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 20/04/2020, DJe 04/05/2020) DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. CÉDULAS DE CRÉDITO RURAL. PRESCRIÇÃO. AÇÃO PESSOAL. VINTENÁRIA SOB A ÉGIDE DO CC/16. DECENAL A PARTIR DO INÍCIO DA VIGÊNCIA DO CC/02. TERMO INICIAL. DATA EM QUE O CONTRATO FOI FIRMADO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. 1. Ação revisional de contratos de cédula de crédito rural, ajuizada em 11.03.2008, da qual foi extraído o presente recurso especial, concluso ao Gabinete em 05.09.2012. 2. Determinar o termo inicial do prazo prescricional da ação revisional de cláusulas de cédula de crédito rural. 3. As ações revisionais de contrato bancário são fundadas em direito pessoal, motivo pelo qual o prazo prescricional, sob a égide do Código Civil de 1.916 era vintenário, e passou a ser decenal, a partir do Código Civil de 2.002. 4. A pretensão se refere às cláusulas contratuais, que podem ser discutidas desde a assinatura do contrato, motivo pelo qual o termo inicial do prazo prescricional é a data em que o contrato foi firmado. 5. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 6. Negado provimento ao recurso especial. (REsp 1.326.445/PR, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/02/2014, DJe 17/02/2014) Conforme o acórdão, incide sobre a ação revisional o prazo prescricional de 10 (dez) anos previsto no art. 205 do Código Civil, cujo termo inicial seria a data de vencimento do último instrumento contratual. Com base nessa premissa, afastou-se a incidência do transcurso da prescrição (e-STJ, fl. 62). Veja-se (e-STJ, fl. 52): Salienta-se que o prazo prescricional aplicável à hipótese dos autos é o decenal, previsto no art. 205, do Código Civil, tanto para a pretensão revisional, quanto para a compensação/repetição do indébito. E, no caso em tela, não há falar em prescrição, uma vez que os vários contratos que sucederam ao primeiro foram objeto de repactuação pelas partes, conforme reconhecido pela agravante. Assim, tendo havido novação, o prazo prescricional tem início a contar do vencimento do último contrato. Assim, o caso em exame guarda uma peculiaridade. Consoante o aresto, houve sucessão negocial com a repactuação das dívidas, de maneira que levou em consideração o último contrato avençado como marco inicial da prescrição. Diante dessas premissas, para harmonizar o quadro desenhado nos autos com a jurisprudência desta Corte Superior, percebe-se que, na aferição da prescrição, deve-se apurar a data da assinatura do último contrato renovado. Nesse contexto, ocorrerá a prescrição se a última avença tiver sido assinada anteriormente ao prazo decenal da prescrição. É importante frisar que, em virtudes das mencionadas novas contratações, renovações, sucessões e renegociações mencionadas, não há como declarar a prescrição decenal sobre cada contrato. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios a este acórdão, ensejará a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. É o voto.