AREsp 2860261 - DECISAO
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial porque o recorrente não comprovou o dissídio jurisprudencial exigido pela alínea c do art.105, III, da CF/88, não realizando o cotejo analítico com transcrições e demonstração da similitude fática e jurídica exigidos pelo CPC e pelo RISTJ.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: HORMEZINDO VASCONCELOS DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Prescrição Decenal, Revisão Contratual, Trato Sucessivo, Admissibilidade De Recurso Especial, Dissídio Jurisprudencial
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Parties
HORMEZINDO VASCONCELOS DOS SANTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Termo inicial da prescrição em revisão de cláusulas bancárias em contrato de trato sucessivo (art.189 e art.205 do CC)
- 2 Requisito de demonstração do dissídio jurisprudencial para conhecimento do recurso especial, nos termos da alínea c do art.105, III, da CF/88
Ratio Decidendi
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial porque o recorrente não comprovou o dissídio jurisprudencial exigido pela alínea c do art.105, III, da CF/88, não realizando o cotejo analítico com transcrições e demonstração da similitude fática e jurídica exigidos pelo CPC e pelo RISTJ.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por HORMEZINDO VASCONCELOS DOS SANTOS à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL C/C RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS. INVALIDADE DAS COBRANÇAS DOS "SERVIÇOS DE TERCEIROS", "INSERÇÃO DE GRAVAME" E DA "TARIFA DE CADASTRO". SENTENÇA QUE JULGOU PROCEDENTE A AÇÃO. INCONFORMISMO DA RÉ. PEDIDO DE REVISÃO DE CONTRATO BANCÁRIO SUJEITO AO PRAZO PRESCRICIONAL DECENAL (ARTIGO 205 DO CÓDIGO CIVIL), QUE É CONTADO DESDE A CELEBRAÇÃO. CARACTERIZADA A PRESCRIÇÃO. SENTENÇA REFORMADA. RECURSO DA RÉ PREJUDICADO E, DE OFÍCIO, EXTINTO O PROCESSO, COM FUNDAMENTO NO ARTIGO 487, II, DO CPC (fl. 170). Quanto à controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega divergência de interpretação do art. 189 do CC, no que concerne à fixação do final das parcelas contratadas - a partir do vencimento da última parcela - como termo inicial do prazo prescricional em revisão de cláusulas bancárias, trazendo a seguinte argumentação: Entretanto, não observou o TJ-SP que o contrato é de trato sucessivo, de modo que esta Corte já firmou entendimento no sentido de que o termo inicial para contagem de prazo prescricional se dá apenas ao final das parcelas contratadas.
No caso em tela, o contrato foi firmado em 13/07/2009 com previsão de pagamento em 60 parcelas, com a data da última parcela em 13/07/2014, sendo que a presente ação foi proposta em 08/06/2022, sendo certo que não se operou a prescrição decenal. Ademais, a jurisprudência desta Corte não faz qualquer menção a extinção antecipada do contrato em virtude reintegração de posse do bem, como feito no acórdão recorrido. Assim sendo, o acórdão recorrido não está em conformidade com a mais atual jurisprudência deste tribunal de justiça e, inclusive, não encontra respaldo no Código Civil, merecendo reparo por esta Corte. Imperioso, portanto, a declaração de inocorrência de prescrição da pretensão de devolução da tarifa de serviço de terceiros (fls. 189/192). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o paradigma indicado , não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Nos termos dos arts. 1.029, § 1º, do CPC; e 255, § 1º, do RISTJ, a divergência jurisprudencial, com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, exige comprovação e demonstração, em qualquer caso, por meio de transcrição dos trechos dos acórdãos que configurem o dissídio. Devem ser mencionadas as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, a evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações, providência não realizada nos autos deste recurso especial" (AgInt no AREsp n. 2.275.996/BA, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025). Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 2.168.140/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.452.246/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 20/3/2025; REsp n. 2.105.162/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.243.277/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no REsp n. 2.155.276/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025; AgRg no REsp n. 2.103.480/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 7/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.702.402/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.735.498/MT, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.169.326/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AREsp n. 2.732.296/GO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 25/2/2025; EDcl no AgInt no AREsp n. 2.256.359/MS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.620.468/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA