AREsp 1952108 - DECISAO
O STJ não conheceu do recurso especial porque o tribunal de origem examinou e fundamentou adequadamente os pontos essenciais da controvérsia, reconhecendo prescrição de fundo de direito a partir da edição da lei estadual nº 6.682/2006; a pretensão de reexame de matéria fático-probatória está vedada pela Súmula 7 do...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Interposto Contra Inadmissão De Recurso Especial, Com Conhecimento Parcial Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial Pelo STJ
- Outcome
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Prescrição De Fundo De Direito, Prequestionamento, Interpretação De Lei Estadual, Inadmissibilidade De Recurso Especial, Reexame Fático Probatório
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Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Interposto Contra Inadmissão De Recurso Especial, Com Conhecimento Parcial Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial Pelo STJ
Legal Issues
- 1 Violação do art. 535 do CPC/1973 (art. 1.022 do CPC/2015)
- 2 Aplicação da prescrição de fundo de direito em razão de lei estadual nº 6.682/2006
- 3 Vedação ao reexame fático-probatório (Súmula 7 do STJ)
Ratio Decidendi
O STJ não conheceu do recurso especial porque o tribunal de origem examinou e fundamentou adequadamente os pontos essenciais da controvérsia, reconhecendo prescrição de fundo de direito a partir da edição da lei estadual nº 6.682/2006; a pretensão de reexame de matéria fático-probatória está vedada pela Súmula 7 do STJ; e há ausência de prequestionamento quanto a algumas alegadas violações, impedindo o conhecimento dessas questões pelo STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo e não conheço do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial na origem. O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOAS, contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: APELAÇÃO CÍVEL SERVIDOR PÚBLICO AGENTE PENITENCIÁRIO GRATIFICAÇÃO DE AÇÃO POLICIAL GAP EXCLUSÃO DA VERBA LEI 668206 DE EFEITO CONCRETO INICIO DO PRAZO PRESCRICIONAL AJUIZAMENTO DA AÇÃO EM LAPSO TEMPORAL QUINQUENAL SUPERIOR PRESCRIÇÃO DE FUNDO DE DIREITO MANUTENÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU POR FUNDAMENTAÇÃO DIVERSA RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. Não há violação do 535 do CPC/1973 (art. 1.022 do CPC/2015) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a fundamentadamente (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". (EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016.) A Corte de origem considerou a existência de prescrição de fundo de direito com fundamento em lei local. É o que se confere do seguinte trecho do acórdão: Com efeito, pertinente consignar que se trata de ato normativo de efeito concreto, o qual acarreta a prescrição de fundo de direito, quando não impugnado nos 05 (cinco) anos subsequentes, considerando-se, assim, que a edição da lei estadual nº 6.682/2006 é o início do citado lapso temporal. Verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". O Tribunal a quo, para decidir a controvérsia, interpretou legislação local, in casu, lei estadual nº 6.682/2006, o que implica a inviabilidade do recurso especial, aplicando-se, por analogia, o teor do enunciado n. 280 da Súmula do STF, que assim dispõe: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário." Relativamente às demais alegações de violação (artigos 85, § 8º e 926, CPC), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.