PUIL 4194 - ACORDAO
Não havendo nos autos informação de negativa formal da Administração ao direito pleiteado, aplica-se a jurisprudência do STJ de que em atos omissivos continuados não se opera a prescrição do fundo de direito, apenas das parcelas anteriores ao quinquênio que precedeu o ajuizamento; assim, o agravo interno do Estado...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DO CEARA; Agravado: FRANCISCO ROBERVAN ARNAUD GOMES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Sessão Virtual De 12/03/2025 a 18/03/2025 (julgamento Colegiado)
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Prescrição Do Fundo De Direito, Trato Sucessivo, Promoção De Servidor Público, Omissão Administrativa, Uniformização De Interpretação De Lei
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Parties
ESTADO DO CEARA
Agravante
FRANCISCO ROBERVAN ARNAUD GOMES
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno / Sessão Virtual De 12/03/2025 a 18/03/2025 (julgamento Colegiado)
Legal Issues
- 1 Incidência da prescrição do fundo de direito em caso de omissão continuada da Administração
- 2 Alcance da prescrição quinquenal quanto às parcelas anteriores ao ajuizamento
- 3 Necessidade de negativa formal da Administração para que opere a prescrição do fundo de direito
Ratio Decidendi
Não havendo nos autos informação de negativa formal da Administração ao direito pleiteado, aplica-se a jurisprudência do STJ de que em atos omissivos continuados não se opera a prescrição do fundo de direito, apenas das parcelas anteriores ao quinquênio que precedeu o ajuizamento; assim, o agravo interno do Estado do Ceará foi negado provimento.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno interposto pelo Estado do Ceará.
- Manter a decisão agravada (decisão de fls. 692/696).
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 12/03/2025 a 18/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Benedito Gonçalves, Marco Aurélio Bellizze, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Regina Helena Costa. EMENTA DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO. PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE INTERPRETAÇÃO DE LEI. PROMOÇÃO DE SERVIDOR PÚBLICO. AUSÊNCIA DE NEGATIVA DA ADMINISTRAÇÃO. PRESCRIÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. PROVIMENTO NEGADO. 1. Agravo interno interposto pelo Estado do Ceará da decisão que deu provimento ao pedido de uniformização de e interpretação de lei federal para afastar a prescrição do fundo de direito. 2. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça é o de que, em casos de ato omissivo continuado sem negativa formal do direito, não se opera a prescrição do fundo de direito, mas apenas das parcelas anteriores ao quinquênio que antecedeu à ação. No presente caso, não há informação de que a administração tenha negado formalmente o direito ao agravado, o que afasta a prescrição do fundo de direito. 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pelo ESTADO DO CEARA da decisão de minha relatoria de fls. 692/696. A parte agravante alega o seguinte: (1) " .. o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou quanto à temática, firmando entendimento que "nas ações em que o militar postula promoção por ressarcimento de preterição, ocorre a prescrição do próprio fundo de direito após o transcurso de mais de cinco anos entre o ato de reforma e o ajuizamento da ação" (AgInt no REsp: 1954268 AL 2021/0105606-3, Relator: Ministro BENEDITO GONÇALVES, Data de Julgamento: 28/03/2022)" (fl. 705); e (2) "Assim, em análise ao caso concreto, não poderia mais o militar recorrido se insurgir a respeito do ato de agregação, como também não cabe mais pretender promoção que supostamente deveria ter ocorrido em 2015" (fl. 706). Requer a reconsideração da decisão agravada ou a apresentação do processo ao órgão colegiado competente. A parte adversa não apresentou impugnação (fl. 712). É o relatório. EMENTA DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO. PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE INTERPRETAÇÃO DE LEI. PROMOÇÃO DE SERVIDOR PÚBLICO. AUSÊNCIA DE NEGATIVA DA ADMINISTRAÇÃO. PRESCRIÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. PROVIMENTO NEGADO. 1. Agravo interno interposto pelo Estado do Ceará da decisão que deu provimento ao pedido de uniformização de e interpretação de lei federal para afastar a prescrição do fundo de direito. 2. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça é o de que, em casos de ato omissivo continuado sem negativa formal do direito, não se opera a prescrição do fundo de direito, mas apenas das parcelas anteriores ao quinquênio que antecedeu à ação. No presente caso, não há informação de que a administração tenha negado formalmente o direito ao agravado, o que afasta a prescrição do fundo de direito. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO A irresignação não merece prosperar. Discute-se neste caso sobre a interpretação divergente da Súmula 85/STJ dada pela 3ª Turma Recursal do Estado do Ceará em caso de omissão da administração em promover servidor público. A Turma Recursal, ao analisar a controvérsia, afirmou (fls. 498/500): A controvérsia dos autos cinge-se à pretensão autoral de obter promoções retroativas, alegando que poderia ter sido promovido, desde 24/12/2015, e, depois, em sequência, entre dezembro de 2020, conforme o regramento da Lei de Promoções da Polícia Militar Estadual. Vê-se, contudo, que o pleito de ascensão funcional quanto à promoção de 2015 está alcançado pela prescrição do fundo de direito, uma vez que a presente demanda foi instaurada fora do lapso temporal de cinco anos estabelecido pelo Decreto nº 20.910/1932: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Sabe-se que a promoção de servidor público é ato único de efeitos concretos. Tal é a posição mais atual do Superior Tribunal de Justiça. Senão vejamos: .. Observe-se que não poderia mais o militar requerente pretender promoção que alega que deveria ter ocorrido em 24/12/2015. Friso que a ação somente foi interposta em janeiro de 2022. Nesses casos, impõe-se a resolução do feito, com resolução de mérito: CPC, Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: (..) H - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição; Portanto, a prescrição não atingiu somente as parcelas sucessivas que adviriam da graduação dos promoventes, caso tivessem ocorrido na época indicada, mas também o próprio fundo de direito (o pretenso direito à reclassificação na carreira militar), uma vez decorrido o lapso temporal extintivo de sua pretensão. Assim, resta, em consequência, improcedente a ação, devendo ser mantida a sentença singular. Diante dessas razões, voto pelo conhecimento e não provimento do Recurso Inominado interposto, mantendo-se incólume a sentença vergastada em todos seus termos. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é o de que, "tratando-se de ato omissivo continuado, tal como ocorre nos casos em que a Administração Pública deixa de proceder à progressão funcional de servidor público, e não havendo negativa do direito pretendido, não se opera a prescrição do fundo de direito, mas sim das parcelas anteriores ao quinquênio que antecedeu à ação" (AgInt no AREsp 2.110.595/AL, de minha relatoria, Primeira Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 3/11/2023). Nesse mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. POLICIAL MILITAR. PROMOÇÃO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem policial militar ajuizou, contra Estado de Tocantins, ação objetivando o reconhecimento de promoção na graduação de 1º sargento retroativo ao ano de 2012, além de duas promoções imediatas (subtenente e 2º tenente). Na sentença o pedido foi julgado improcedente. No Tribunal de origem, a sentença foi reformada para julgar procedentes os pedidos. No Superior Tribunal de Justiça, trata-se de agravo interno interposto pelo Estado contra decisão que não conheceu do recurso especial. II - Nas ações em que se discute progressão funcional, se inexistente recusa formal da administração na implementação do direito, tem-se relação de trato sucessivo. Assim, a prescrição atingirá apenas as parcelas vencidas antes do quinquênio que antecede o ajuizamento. Nesse sentido: AgInt no AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.055.792/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 29/5/2023, DJe de 26/6/2023. AgInt no REsp n. 2.090.529/TO, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 6/12/2023. AgRg no AREsp n. 753.519/MG, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 22/9/2015, DJe de 30/9/2015. Dessa forma, aplica-se, à espécie, o enunciado da Súmula n. 83/STJ. Ressalte-se que o teor do referido enunciado aplica-se, inclusive, aos recursos especiais interpostos com fundamento na alínea a do permissivo constitucional. III - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.159.577/TO, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 27/11/2024, DJe de 03/12/2024) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MILITAR. PROMOÇÃO. OMISSÃO ADMINISTRATIVA. PRESCRIÇÃO DAS PARCELAS ANTERIORES AO PRAZO QUINQUENAL ANTERIOR AO AJUIZAMENTO DA DEMANDA. PROVIMENTO NEGADO. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte, tratando-se de ato omissivo continuado, tal como ocorre nos casos em que a Administração Pública deixa de proceder à progressão funcional de servidor público, e não havendo negativa do direito pretendido, não se opera a prescrição do fundo de direito, mas sim das parcelas anteriores ao quinquênio que antecedeu à ação. Precedentes. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.110.595/AL, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 3/11/2023.) PROCESSUAL CIVIL. DIREITO ADMINISTRATIVO. REENQUADRAMENTO FUNCIONAL. POLICIAL MILITAR. CABO. ALTERAÇÃO DA GRADUAÇÃO INICIAL DA CARREIRA. OMISSÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 83 DA SÚMULA DO STJ. I - Na origem, trata-se de ação ordinária objetivando o reconhecimento de promoção na graduação de 1º sargento retroativo a 2012, além de duas promoções imediatas (subtenente e 2º tenente). Na sentença o pedido foi julgado procedente. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Não merece reparos o acórdão ora recorrido, uma vez que está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a qual é firme no sentido de que, nas ações em que se discute progressão funcional, se inexistente recusa formal da administração na implementação do direito, tem-se relação de trato sucessivo. Assim, a prescrição atingirá apenas as parcelas vencidas antes do quinquênio que antecede o ajuizamento. Nesse sentido: AgInt no AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.055.792/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 29/5/2023, DJe de 26/6/2023; AgInt no AREsp n. 511.071/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 26/2/2019, DJe de 11/3/2019; AgInt no REsp n. 1.820.729/MG, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 29/4/2020, DJe de 5/5/2020. Dessa forma, aplica-se, à espécie, o enunciado da Súmula n. 83/STJ: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." Ressalte-se que o teor do referido enunciado aplica-se, inclusive, aos recursos especiais interpostos com fundamento na alínea a do permissivo constitucional. III - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.090.529/TO, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 6/12/2023.) Considerando que no presente caso não consta a informação de que a administração negou o direito ao ora agravado, FRANCISCO ROBERVAN ARNAUD GOMES, não há que se falar em prescrição do fundo de direito. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.