AREsp 3070305 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, no mérito, confirmou-se que o Tribunal de origem aplicou corretamente o entendimento da Corte Especial do STJ (EREsp 1.121.138/RS): o ajuizamento da execução coletiva pelo sindicato interrompe a prescrição e faz o prazo recomeçar a correr pela metade (2,5 anos) a partir do último ato...
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- Parties
- Agravante/recorrente: MUNICÍPIO DE EXU; Órgão Decisório/recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO; Recorrido/parte Interessada: Sindicato (cumprimento de sentença coletivo)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão No Superior Tribunal De Justiça (conhecimento Do Agravo E Exame Parcial Do Recurso Especial, Mérito Decidido)
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Prescrição Executória, Cumprimento De Sentença Coletivo, Interrupção Da Prescrição, Legitimidade Sindical, Prequestionamento
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Parties
MUNICÍPIO DE EXU
Agravante/recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Órgão Decisório/recorrido
Sindicato (cumprimento de sentença coletivo)
Recorrido/parte Interessada
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão No Superior Tribunal De Justiça (conhecimento Do Agravo E Exame Parcial Do Recurso Especial, Mérito Decidido)
Legal Issues
- 1 Se o ajuizamento de cumprimento de sentença coletivo pelo sindicato interrompe a prescrição para o cumprimento individual
- 2 Qual o marco temporal e o prazo a correr após a interrupção (recomeço pela metade/2,5 anos ou suspensão durante toda a execução coletiva)
- 3 Se a interrupção da prescrição está condicionada à discussão sobre a legitimidade do sindicato
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, no mérito, confirmou-se que o Tribunal de origem aplicou corretamente o entendimento da Corte Especial do STJ (EREsp 1.121.138/RS): o ajuizamento da execução coletiva pelo sindicato interrompe a prescrição e faz o prazo recomeçar a correr pela metade (2,5 anos) a partir do último ato interruptivo; no caso, os atos interruptivos ocorreram dentro do quinquênio e o cumprimento individual foi ajuizado dentro dos 2,5 anos posteriores, razão pela qual não ocorreu prescrição; ademais, parte das alegações não foi conhecida por ausência de prequestionamento ou por serem inadequadas ao recurso especial (violação de súmula).
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
Orders
- Caso exista nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determina-se a majoração dessa verba em 10% (dez por cento) sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites dos §§ 2º e 3º do dispositivo e eventual concessão de gratuidade de justiça.
- Publique-se.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto por MUNICÍPIO DE EXU contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO, que não admitiu recurso especial, fundado na alínea "a" do permissivo constitucional, o qual desafia acórdão assim ementado (e-STJ fl. 535): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO DE APELAÇÃO. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA. PRESCRIÇÃO EXECUTÓRIA. NÃO OCORRÊNCIA. AJUIZAMENTO DE EXECUÇÃO COLETIVA PELO SINDICATO DA CATEGORIA. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL PARA A PRETENSÃO INDIVIDUAL, QUE COMEÇA A CORRER PELA METADE. SÚMULAS N. 150 E 383 DO STF. AUSÊNCIA DE INÉRCIA DOS BENEFICIÁRIOS DO TÍTULO. PRECEDENTES STJ. 1. Em conformidade com as Súmulas nº 150 do STF, a Ação de execução promovida contra a Fazenda Pública prescreve em cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença de conhecimento. 2. Todavia, o ajuizamento do Cumprimento de Sentença Coletivo pelo Sindicato da categoria interrompe a contagem do prazo prescricional, recomeçando a correr pela metade, isto é, em dois anos e meio, a partir do último ato processual da causa interruptiva, nos termos do art. 9º do Decreto nº 20.910/32, resguardado o prazo mínimo de cinco anos (EREsp 1.121.138/RS, rel. Ministro Humberto Martins, Corte Especial, DJe 18/06/2019). 3. In casu, denota-se que i) a sentença da Ação Coletiva teve o trânsito em julgado certificado em 01.03.2016; ii) o Sindicato formulou pedido de Cumprimento de Sentença coletivo na data de 21.03.2018, dentro do prazo prescricional quinquenal, por conseguinte e iii) as apelantes ajuizaram o pedido de Cumprimento Individual de Sentença em 15.10.2022, antes do decurso dos dois anos e meio da data interruptiva - trânsito em julgado da sentença extintiva do Cumprimento de Sentença Coletivo (09.03.2022), razão pela qual desavém cogitar de prescrição in casu. 4. Recurso de Apelação provido, à unanimidade. Embargos de declaração rejeitados (e-STJ fls. 560/567). No recurso especial obstaculizado, a parte recorrente apontou violação dos arts. 1º e 9º do Decreto n. 20.910, de 6 de janeiro de 1932, do art. 240 do Código de Processo Civil e do art. 40 da Lei n. 6.830/1980, sustentando, em síntese, que: (i) a pretensão executória dos recorridos encontra-se prescrita, tendo em vista que o cumprimento individual de sentença foi ajuizado seis anos após o trânsito em julgado da sentença coletiva (1º/03/2016), ultrapassado, portanto, o prazo quinquenal previsto no Decreto n. 20.910/1932 e na Súmula 150 do STF; (ii) o ajuizamento da execução coletiva pelo sindicato não tem aptidão para interromper ou suspender o prazo prescricional para o cumprimento individual, cujo cômputo se daria de forma autônoma, conforme entendimento firmado nos Temas 877 e 515 do STJ; (iii) ainda que admitida a interrupção, o prazo prescricional deveria repassar a fluir pela metade dois anos e meio a partir do ato interruptivo, e não permanecer suspenso durante todo o curso da execução coletiva, nos termos do art. 9º do Decreto n. 20.910/1932 e da Súmula 383 do STF; e (iv) a suspensão integral do prazo durante o curso da execução coletiva somente se justificaria nos casos em que a legitimidade do sindicato para propor a execução coletiva estivesse em discussão, circunstância inocorrente na espécie (e-STJ fls. 576/595). Contrarrazões às e-STJ fls. 602/612. O apelo nobre recebeu juízo negativo de admissibilidade pelo Tribunal de origem (e-STJ fls. 620/632). Passo a decidir. Considerando que os fundamentos da decisão de inadmissibilidade foram devidamente atacados (e-STJ fls. 634/669), é o caso de examinar o recurso especial. No que se refere à alegação violação dos arts. 240 do CPC e 40 da Lei n. 6.830/1980, destaco que o acórdão recorrido não emitiu juízo de valor sobre os mencionados dispositivos. A matéria foi suscitada nos embargos de declaração opostos pelo agravante, que, todavia, foram rejeitados sem apreciação específica desses dispositivos, tampouco foi arguida, no recurso especial, a violação do art. 1.022 do CPC para fins de prequestionamento ficto, na forma do art. 1.025 do CPC. Nos termos das Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal, aplicáveis por analogia ao recurso especial, o recurso não pode ser conhecido nessa parte, por ausência do indispensável prequestionamento. O recorrente aponta, no recurso especial, suposta violação às Súmulas n.ºs 150 e 383 do Supremo Tribunal Federal. Contudo, o recurso especial não é a via adequada para discutir alegada violação de enunciado de súmula, nos termos da Súmula 518 do STJ, segundo a qual, "para fins do art. 105, III, "a", da Constituição Federal, não é cabível Recurso Especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula". O recurso especial não pode ser conhecido nessa parte. No mérito, a parte recorrente suscita violação dos arts. 1º e 9º do Decreto n. 20.910/1932. Ocorre que, ao contrário do que sustenta a parte recorrente, o Tribunal de origem decidiu com base no entendimento firmado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça nos EREsp 1.121.138/RS (Rel. Ministro Humberto Martins, DJe 18/06/2019), segundo o qual: "1. Em conformidade com as Súmulas 150 e 383 do STF, a ação de execução promovida contra a Fazenda Pública prescreve em cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença de conhecimento. Todavia, o ajuizamento da ação de execução coletiva pelo sindicato interrompe a contagem do prazo prescricional, recomeçando a correr pela metade, isto é, em dois anos e meio, a partir do último ato processual da causa interruptiva, nos termos do art. 9º do Decreto n. 20.910/32, resguardado o prazo mínimo de cinco anos." (EREsp n. 1.121.138/RS, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 15/5/2019, DJe de 18/6/2019.)." Especificamente quanto à tese central do agravante de que a interrupção da prescrição pela execução coletiva estaria restrita às hipóteses em que a legitimidade do sindicato fosse objeto de discussão , a jurisprudência desta Corte firmou-se em sentido contrário. Com efeito, em julgados posteriores ao próprio EREsp 1.121.138/RS, ficou assentado que o referido entendimento não está adstrito às hipóteses em que haja discussão sobre a legitimidade do sindicato, conforme se verifica dos seguintes precedentes: "3. O entendimento de que a propositura da execução coletiva interrompe a contagem do prazo prescricional para a execução individual não está adstrito às hipóteses em que haja discussão sobre a legitimidade do sindicato. Precedentes. (AgInt no REsp n. 2.003.355/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 3/10/2022.)" "III - Encontra-se sedimentado, pela Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça, o entendimento consoante o qual "o ajuizamento da ação de execução coletiva pelo sindicato interrompe a contagem do prazo prescricional, recomeçando a correr pela metade, isto é, em dois anos e meio, a partir do último ato processual da causa interruptiva, nos termos do art. 9º do Decreto n. 20.910/32, resguardado o prazo mínimo de cinco anos" (EREsp 1.121.138/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Corte Especial, DJe 18.6.2019), tese que não está, certamente, adstrita às situações em que se discute a legitimidade ativa do sindicato para a execução. (..) (AgInt no AgInt no REsp n. 1.958.579/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 13/3/2023, DJe de 16/3/2023.)" À luz do quadro fático incontroverso nos autos (i) trânsito em julgado da sentença coletiva em 01/03/2016; (ii) ajuizamento do cumprimento de sentença coletivo pelo Sindicato em 21/03/2018, dentro do prazo quinquenal; (iii) trânsito em julgado da decisão extintiva do cumprimento coletivo em 09/03/2022; e (iv) ajuizamento do cumprimento individual em outubro de 2022, antes do esgotamento do prazo de dois anos e meio , o Tribunal de origem aplicou corretamente o entendimento desta Corte Superior (e-STJ fl. 535). A pretensão do agravante, no ponto, dirige-se à obtenção de solução diversa daquela adotada pelo acórdão recorrido, em contrariedade à orientação jurisprudencial dominante deste STJ. Incide no caso, portanto, a Súmula 83 do STJ. Ante o exposto, com base no art. 253, parágrafo único, II, "a", do RISTJ, CONHEÇO do agravo para CONHECER EM PARTE do recurso especial , nessa extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO . Caso exista nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a majoração de tal verba, em desfavor da parte recorrente, em 10% (dez por cento) sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA