AREsp 2647243 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial em razão da deficiência de fundamentação do recurso especial (ausência de indicação precisa do comando normativo de lei federal supostamente violado), aplicando-se a Súmula n. 284 do STF, o que impede o exame da matéria de mérito no recurso especial.
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- Parties
- Agravante: ESTADO DO PIAUÍ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça (conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Prescrição Executiva, Interrupção Da Prescrição, Fazenda Pública, Modulação Do Tema 880 Do STJ, Súmula 284 STF, Decreto N. 20.910/1932
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Parties
ESTADO DO PIAUÍ
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça (conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Alegada afronta ao art. 1º do Decreto n. 20.910/1932
- 2 Marco inicial da prescrição da pretensão executiva (trânsito em julgado vs. retorno dos autos)
- 3 Aplicabilidade da Súmula n. 284 do STF por ausência de indicação de comando normativo
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial em razão da deficiência de fundamentação do recurso especial (ausência de indicação precisa do comando normativo de lei federal supostamente violado), aplicando-se a Súmula n. 284 do STF, o que impede o exame da matéria de mérito no recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por ESTADO DO PIAUÍ contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ, que inadmitiu recurso especial dirigido contra o acórdão prolatado no Agravo de Instrumento n. 0755861-83.2022.8.18.0000, assim ementado (fls. 767-768): AGRAVO DE INSTRUMENTO. INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. I. Trata-se de AGRAVO DE INSTRUMENTO que ESTADO DO PIAUÍ interpõem contra decisão do JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA DOS FEITOS DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE TERESINA/PI que julgou "PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação ao cumprimento de sentença, acolhendo o excesso de execução". II. Nos termos da fundamentação consignada pelo MM. Juiz a quo na decisão atacada, aqui incorporada ao presente voto. III. "Em análise dos autos e em consulta processual, observo que o processo foi recebido do TJ-PI em 2010, somente em 2013 foi que as partes tiveram acesso ao retorno dos autos, sendo que desde o ano de 2013 a parte autora realiza atos de regularização do feito e preparatórios à execução, com peticionamento a respeito do pedido de cumprimento da decisão no ano de 2016. IV. Ainda que tenha transcorrido longo prazo entre o retorno dos autos ao 1º grau e a intimação pessoal da parte exequente, o prazo para apresentação do cumprimento de sentença apenas se iniciou com a intimação do ente requerido, sendo portanto, ajuizado dentro do prazo prescricional. V. Assim, reconheço que houve impulso da parte exequente em promover os atos executórios do direito reconhecido, interrompendo, portanto, a prescrição quinquenal aplicável à Fazenda Pública." VI. De fato, o art. 1º do Decreto n. 20.910/32 preceitua que: Art. 1º- As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. VII. Por sua vez, a Súmula n. 150 do Supremo Tribunal Federal estabelece que a execução prescreve no mesmo prazo de prescricional da ação. VIII. Vale ressaltar, contudo, no caso, considerando a data do trânsito em julgado do feito e a modulação dos efeitos do Tema Repetitivo 880 do Superior Tribunal de Justiça, a liquidez, a certeza e a exigibilidade requisitos do título executivo, só seria possível se iniciar a execução quando o título, certo pelo trânsito em julgado da sentença de conhecimento, fosse também dotado de liquidez. IX. Dessa forma, o prazo prescricional para a presente execução só teria início após o término da fase de liquidação. X. E como não haviam decorrido cinco anos quando do pedido de execução, não há que se falar em ocorrência do instituto da prescrição. XI. Registre-se que, nos termos da modulação dos efeitos do Tema Repetitivo 880 do Superior Tribunal de Justiça: 10. Os efeitos decorrentes dos comandos contidos neste acórdão ficam modulados a partir de 30/6/2017, com fundamento no § 3º do art. 927 do CPC/2015. Resta firmado, com essa modulação, que, para as decisões transitada sem julgado até 17/3/2016 (quando ainda em vigor o CPC/1973) e que estejam dependendo, para ingressar com o pedido de cumprimento de sentença, do fornecimento pelo executado de documentos ou fichas financeiras (tenha tal providência sido deferida, ou não, pelo juiz ou esteja, ou não, completa a documentação), o prazo prescricional de 5 anos para propositura da execução ou cumprimento de sentença conta-se a partir de 30/6/2017. XII. Isto posto, é mister que se confirme a decisão monocrática atacada. XIII. Agravo de Instrumento conhecido e improvido. Os embargos de declaração opostos (fls. 782-786) foram rejeitados (fls. 797-811). Nas razões do apelo nobre, interposto com fundamentado no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, a parte agravante alega violação do art. 1º do Decreto n. 20.910/1932, sustentando que o marco inicial da prescrição da pretensão executiva é o trânsito em julgado, sob pena de existir indevida alteração da jurisprudência do STJ, considerando-se o termo nascente do prazo prescricional o retorno dos autos à origem. Aliado a isso, argumenta que o advogado da parte agravada estava ciente dos atos processuais, não podendo usufruir de benefício desarrazoado contra a Fazenda Pública. Suscita, ainda, subsistência de distinção em relação ao disposto no Tema n. 880, decidido no REsp n. 1.336.026/PE, e a prescrição supostamente ocorrida no autos deste processo, não havendo que se falar em interrupção do prazo prescricional. Requer, assim, o provimento do recurso. Não foram apresentadas contrarrazões. O recurso especial não foi admitido, devido à incidência da Súmula n. 284 do STF, por deficiência na fundamentação (fls. 833-837). Não apresentada contraminuta ao agravo em recurso especial (fl. 846). É o relatório. Decido. Constatadas as condições para o conhecimento do agravo, passo à análise do recurso especial. Na origem, trata-se de agravo de instrumento questionando a interrupção do prazo da prescrição executiva, em execução de sentença contra à Fazenda Pública. De início, com relação à questão da alegada afronta ao art. 1º do Decreto n. 20.910/1932, incide, por analogia, o óbice da Súmula n. 284 do STF em razão da ausência de comando normativo do dispositivo apontado como violado. Segundo a jurisprudência do STJ, o óbice de ausência de comando normativo do artigo de lei federal apontado como violado ou como objeto de divergência jurisprudencial incide nas seguintes situações: quando não tem correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque o dispositivo legal tem caráter genérico, seja porque, embora consigne em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. Ressalte-se que a indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, pois a ofensa aos seus desdobramentos também deve ser expressamente indicada. Nesse sentido, este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. REGIME ESPECIAL ADUANEIRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. PRORROGAÇÃO. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N. 284/STF. AUSÊNCIA DE COMANDO NORMATIVO PARA INFIRMAR ACÓRDÃO RECORRIDO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. A jurisprudência de ambas as Turmas da Primeira Seção desta Corte Superior firmou-se no sentido da não incidência de juros de mora no recolhimento de tributos no âmbito da prorrogação de regime especial de admissão temporária para uso econômico. 2. "O regulamento aduaneiro, ditado pelo Decreto 6.759/2009, não contém previsão para incidência de juros de mora sobre o tributo objeto do regime especial de admissão temporária, mesmo na hipótese de prorrogação. .. Embora haja previsão legal para a incidência de juros de mora sobre os tributos não pagos no prazo estipulado pela legislação específica (art. 161 do CTN e art. 61 da Lei 9.430/1996), a concessão do regime especial resulta na suspensão da exigibilidade e, durante sua vigência, não podem incidir juros. Logicamente, a vigência se refere ao período em que o regime produz seus efeitos, o que engloba todo período, inclusive o de prorrogação" (AgInt no AREsp 2.336.898/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 21/9/2023). 3. Por outro lado, "os arts. 61 e 79 da Lei n. 9.430/1996 não servem à pretensão fazendária, pois não contêm comando normativo apto a ensejar a alteração do acórdão recorrido" (AgInt no REsp 1.930.684/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 30/8/2021, DJe de 1/9/2021). 4. Agravo em recurso especial conhecido para negar provimento ao recurso especial. (AREsp n. 2.131.306/RJ, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, julgado em 4/6/2024, DJe de 10/6/2024.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO A ENUNCIADO SUMULAR. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 518 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL OBJETO DA DIVERGÊNCIA. SÚMULA N. 284 DO STF. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 80 E 81 DO CPC. MATÉRIA RELATIVA À POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO REITERADA DE EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. AUSÊNCIA DE COMANDO NORMATIVO APTO A SUSTENTAR A TESE. SÚMULA N. 284 DO STF. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. INVERSÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Em relação à alegação de ofensa à Súmula n. 393 do STJ, cabe ressaltar que, na dicção da Súmula n. 518 do STJ: " p ara fins do art. 105, inciso III, a, da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula". 2. Quanto ao suposto dissídio jurisprudencial, as razões do recurso especial não indicaram o dispositivo de lei federal cuja interpretação seria controvertida entre tribunais diversos, o que caracteriza a ausência de delimitação da controvérsia, atraindo a incidência da Súmula n. 284/STF. 3. No mais, verifica-se que os arts. 80 e 81 do CPC não possuem comando normativo capaz de amparar uma das teses neles fundamentada - relativa à possibilidade de apresentação reiterada de exceção de pré-executividade -, que está dissociada de seu conteúdo, o que caracteriza a ausência de delimitação da controvérsia e atrai a incidência da Súmula n. 284 do STF. 4. A alteração do resultado do julgamento, para se acolher a tese defensiva de que não há litigância de má-fé, exigiria aprofundado reexame do conjunto fático-probatório, o que não é possível no recurso especial, conforme se extrai da Súmula n. 7/STJ. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.386.678/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 21/5/2024.) Ademais, quanto à segunda controvérsia, a qual trata da aplicação da distinção em relação ao disposto no Tema n. 880 do STJ e o caso dos autos, observa-se que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artig o de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o óbice da Súmula n. 284 do STF. A propósito: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL. NÃO INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DE LEI VIOLADOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284 DO STF. INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS. QUANTUM INDENIZATÓRIO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF. 2. A revisão pelo STJ da indenização arbitrada a título de danos morais exige que o valor tenha sido irrisório ou exorbitante, fora dos padrões de razoabilidade. Salvo essas hipóteses, incide a Súmula n. 7 do STJ, impedindo o conhecimento do recurso especial. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.117.115/MG, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 12/12/2022, DJe de 15/12/2022.) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. PRECEITO CONSTITUCIONAL. AFRONTA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. REQUISITOS. AUSÊNCIA. MULTA. DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. INDICAÇÃO. AUSÊNCIA. 1. Segundo jurisprudência pacífica desta Casa de Justiça, é inviável a análise de irresignação fundada em suposta afronta a dispositivo constitucional, uma vez que essa atribuição compete, exclusivamente, à Suprema Corte, nos termos do art. 102, inciso III, da CF. 2. É inviável, em sede de recurso especial, o reexame de matéria fático-probatória, nos termos da Súmula n. 7 do STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 3. Hipótese em que o Tribunal de origem, soberano na análise das circunstâncias fáticas da causa, reconheceu a procedência da demanda indenizatória. 4. Inviável a apreciação de recurso especial fundado em divergência jurisprudencial quando o recorrente não demonstra o alegado dissídio, nos moldes do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, § 1º, do RISTJ. 5. É firme a jurisprudência desta Corte Superior no sentido de que a falta de indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal alegadamente violado implica deficiência na fundamentação do recurso especial (Súmula n. 284 do STF). 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.996.560/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 9/5/2022, DJe de 12/5/2022.) Ante o exposto, com fundamento no art. 932 do CPC , CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTERRUPÇÃO DO PRAZO DA PRESCRIÇÃO EXECUTIVA. AUSÊNCIA DE COMANDO NORMATIVO PARA INFIRMAR ACÓRDÃO RECORRIDO. NÃO INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DE LEI VIOLADOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284 DO STF. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL .