REsp 1902877 - ACORDAO
Não houve omissão no acórdão recorrido, que apreciou de forma fundamentada as questões essenciais, e, em conformidade com a jurisprudência desta Corte, pelo princípio da causalidade é incabível a condenação em honorários quando a execução fiscal é extinta pela prescrição intercorrente em razão da ausência de...
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- Parties
- Agravante: Centro Mineiro de Ensino Superior - Cemes Ltda.; Agravada: Fazenda Municipal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Recurso Especial / Decisão Colegiada (segunda Turma)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Prescrição Intercorrente, Honorários Advocatícios, Execução Fiscal, Princípio Da Causalidade, Omissão (art. 1.022 Cpc/2015)
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Parties
Centro Mineiro de Ensino Superior - Cemes Ltda.
Agravante
Fazenda Municipal
Agravada
Procedural Posture
Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Recurso Especial / Decisão Colegiada (segunda Turma)
Legal Issues
- 1 Existência de omissão no acórdão quanto à fundamentação para afastar condenação em honorários
- 2 Possibilidade de condenação em honorários quando a execução é extinta por prescrição intercorrente decorrente da ausência de bens
- 3 Aplicação do princípio da causalidade na fixação de honorários
Ratio Decidendi
Não houve omissão no acórdão recorrido, que apreciou de forma fundamentada as questões essenciais, e, em conformidade com a jurisprudência desta Corte, pelo princípio da causalidade é incabível a condenação em honorários quando a execução fiscal é extinta pela prescrição intercorrente em razão da ausência de localização de bens do executado; assim, o agravo interno é improvido.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. HONORÁRIOS EM FAVOR DO EXECUTADO. DESCABIMENTO. CAUSALIDADE. 1.Não há omissão no acórdão recorrido, tendo o Tribunal de origem apreciado de forma fundamentada as matérias necessárias à solução da controvérsia, dando-lhe, contudo, solução jurídica diversa da pretendida pelo agravante. Não se pode confundir decisão contrária ao pretendido pela parte com negativa de prestação jurisdicional. 2. Esta Corte de Justiça já se manifestou no sentido de que, pelo princípio da causalidade, é incabível a condenação em honorários nos casos de extinção da execução pela prescrição intercorrente em decorrência da ausência de localização de bens do executado. 3.Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por Centro Mineiro de Ensino Superior - Cemes Ltda. contra decisão que deu provimento ao recurso especial da Fazenda Municipal para afastar a condenação do exequente em verbas sucumbenciais (e-STJ, fls. 211-213). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 228-230). O agravante aduz, em suma, que(e-STJ, fl. 234): .. concessa máxima vênia ,foi omisso o r. Acórdão supracitado ao não esclarecer se a sua decisão em dar procedência ao pedido daFazenda Nacional em não condena-la ao pagamento de honorários estaria ou não amparado no artigo de lei citado na decisão do regional (§1º, artigo 19, da Lei Federal 10.522/2002) já que este foi o fundamento do Tribunal de Justiça Mineira para a manutenção da decisão monocrática, bem como se a reforma da decisão de piso estaria ou não infringindo a Súmula 153 deste Superior Tribunal de Justiça, já que também expressamente citada no acórdão reformado. Requer, assim, "o seu legítimo direito à percepção dos honorários sucumbenciais acertadamente deferidos pela instância inicial" (e-STJ, fl. 234) A parte agravada apresentou contradita às e-STJ, fls. 241-242. É o relatório EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. HONORÁRIOS EM FAVOR DO EXECUTADO. DESCABIMENTO. CAUSALIDADE. 1.Não há omissão no acórdão recorrido, tendo o Tribunal de origem apreciado de forma fundamentada as matérias necessárias à solução da controvérsia, dando-lhe, contudo, solução jurídica diversa da pretendida pelo agravante. Não se pode confundir decisão contrária ao pretendido pela parte com negativa de prestação jurisdicional. 2. Esta Corte de Justiça já se manifestou no sentido de que, pelo princípio da causalidade, é incabível a condenação em honorários nos casos de extinção da execução pela prescrição intercorrente em decorrência da ausência de localização de bens do executado. 3.Agravo interno a que se nega provimento. VOTO Verifico que o requerente não trouxe tese jurídica capaz de modificar o posicionamento anteriormente firmado. Conforme mencionado na decisão impugnada, não há omissão na decisão agravada, que apreciou de forma fundamentada as matérias necessárias à solução da controvérsia, dando-lhe, contudo, solução jurídica diversa da pretendida pelo agravante. Ficou registrado queesta Corte de Justiça possui o entendimentono sentido de que, pelo princípio da causalidade, é incabível a condenação em honorários nos casos de extinção da execução pela prescrição intercorrente em decorrência da ausência de localização de bens do executado. Ademais, o recurso especial da Fazenda municipal foi interposto e provido pela alegação deviolação do art. 85 do CPC,com amparo no art. 105, III, c, da CF. Não se configura ofensa aos arts 489, § 1º, e 1.022 do Código de Processo Civil/2015, uma vez que a Corte regional julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PEDIDO DE REVISÃO. ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART.1022 DO CPC/2015. NÃO VERIFICADA. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO.DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 283 DO STF.AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N.7 DO STJ. .. II - Não há violação do art. 535 do CPC/1973 (art. 1.022 do CPC/2015) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a fundamentadamente (art. 165 do CPC/1973 e art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. .. (AgInt no REsp 1.858.752/SP, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/5/2021, DJe 28/5/2021.). AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. ART. 1.022 DO CPC/2015. OMISSÃO E OBSCURIDADE.RELAÇÃO CONTRATUAL. COMPROVAÇÃO. EMISSÃO DE TÍTULO DE CRÉDITO.LEGÍTIMA. ANÁLISE. INTERPRETAÇÃO DAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS E REEXAME DE PROVAS. VEDAÇÃO. SÚMULAS 5 E 7/STJ. INCIDÊNCIA. INEXISTÊNCIA.AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Todas as matérias foram devidamente enfrentadas pelo Tribunal de origem de forma fundamentada, sem as apontadas omissão e obscuridade. O julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, quando encontra motivação satisfatória para dirimir o litígio. .. (AgInt no AREsp 1.667.316/SP, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 29/3/2021, DJe 6/4/2021.). Por fim, vale conferir recentes julgados de ambas as Turmas de Direito Público desta Corte sobre o tema: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. IRPF. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. OCORRÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ACÓRDÃO ALINHADO COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. I - Na origem, trata-se de exceção de pré-executividade, ajuizada nos autos da execução fiscal de dívida referente ao IRPF proposta pela União, objetivando o reconhecimento da prescrição intercorrente. Na sentença, julgou-se procedente o pedido extinguindo a execução fiscal e fixando os honorários advocatícios no mínimo previsto no § 3º do art. 85 do CPC/2015. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada para afastar a condenação no pagamento de honorários advocatícios. Nesta Corte, negou-se provimento ao recurso especial. II - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, firme no sentido de que, pelo princípio da causalidade, é incabível a condenação em honorários nos casos de extinção da execução pela prescrição intercorrente em decorrência da ausência de localização de bens do executado. Nesse sentido: (AgInt no AREsp n.1.532.496/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 18/2/2020, DJe 27/2/2020 e REsp n. 1.768.530/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 2/6/2020, DJe 29/6/2020). III - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1.892.578/CE, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 29/3/2021, DJe 6/4/2021.). TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO POR PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. HONORÁRIOS EM FAVOR DO EXECUTADO. DESCABIMENTO. 1. O acórdão recorrido, ao afastar a condenação do ente público em honorários de sucumbência, por haver reconhecido a alegação do executado de prescrição intercorrente, encontra-se em harmonia com a jurisprudência do STJ sobre o tema. Precedentes: AgInt no REsp 1.849.437/SC, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 6/10/2020, DJe 28/10/2020; AgInt no REsp 1.850.404/SC, Rel.Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 26/10/2020, DJe 12/11/2020; AgInt no AREsp 1.532.496/SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 18/2/2020, DJe 27/2/2020. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1.823.309/RS, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 1º/3/2021, DJe 4/3/2021.). Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.