AREsp 1920521 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, com base na jurisprudência deste Tribunal, entendeu-se que a Lei 9.873/99 não alcança as ações administrativas punitivas estaduais e municipais e que a prescrição intercorrente não pode ser reconhecida com fundamento no Decreto nº 20.910/32 por ausência de previsão legal para tal fim; assim,...
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- Parties
- Agravante: Estado do Paraná; Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Agravo provido; afastada a prescrição intercorrente; autos retornem ao Tribunal de origem para prosseguimento.
- Legal Topics
- Prescrição Intercorrente, Aplicação Da Lei 9.873/99, Decreto Nº 20.910/32, Sistema De Defesa Do Consumidor, Competência Administrativa
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Parties
Estado do Paraná
Agravante
Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da Lei 9.873/99 às ações administrativas punitivas estaduais e municipais
- 2 Possibilidade de reconhecimento da prescrição intercorrente com fundamento no Decreto nº 20.910/32
- 3 Aplicação analógica do art. 1º do Decreto nº 20.910/32 em face de omissão legislativa estadual
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, com base na jurisprudência deste Tribunal, entendeu-se que a Lei 9.873/99 não alcança as ações administrativas punitivas estaduais e municipais e que a prescrição intercorrente não pode ser reconhecida com fundamento no Decreto nº 20.910/32 por ausência de previsão legal para tal fim; assim, afastou-se a prescrição e determinou-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para prosseguimento da análise dos pedidos.
Court Disposition
Agravo provido; afastada a prescrição intercorrente; autos retornem ao Tribunal de origem para prosseguimento.
Orders
- Conhecer do agravo e dar provimento ao recurso especial
- Afastar a prescrição intercorrente reconhecida pelo Tribunal de origem
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado peloEstado do Paranácontra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, assim ementado (fl. 370): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ANULATÓRIA. MULTA ADMINISTRATIVA APLICADA PELO PROCON. PARALISAÇÃO ININTERRUPTA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO POR MAIS DE CINCO ANOS, SEM A PRÁTICA DE QUALQUER ATO DE EMPENHO PROCEDIMENTAL. RETARDAMENTO INJUSTIFICÁVEL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. RECONHECIDA. APLICAÇÃO DO PRAZO PREVISTO NO ART. 1º DO DECRETO Nº 20.910/32 POR ANALOGIA. OMISSÃO LEGISLATIVA QUE NÃO IMPEDE A APLICAÇÃO DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, POR FORÇA DO ART. 5º, LXXVIII E § 1º, DA CF. NORMA DE APLICABILIDADE IMEDIATA. PRINCÍPIOS DA DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO, DA SEGURANÇA JURÍDICA E DA EFICIÊNCIA QUE DEVEM SER RESPEITADOS. RECURSO PROVIDO. Opostos embargos declaratórios, foram parcialmente acolhidos, nos termos da seguinte ementa(fl. 433): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARGUIÇÃO DE OMISSÃO QUANTO À APLICAÇÃO DO ARTIGO 4º, DO DECRETO Nº 20.910/32. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ESCLARECIMENTO. NO RESTANTE, MERO INCONFORMISMO. PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE ACOLHIDOS, SEM ATRIBUIÇÃO DE EFEITO INFRINGENTE. Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação aos arts. 1º e 4º doDecreto 20.910/32. Sustenta, em resumo, que não há falar em prescrição intercorrente nos processos administrativos do PROCON, por inexistir tal previsão na legislação do Estado do Paraná. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. De início, verifica-se que airresignação merece prosperar. Com efeito, aPrimeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, no julgamento doRecurso Especial Repetitivo nº 1.115.078/RS(Rel. Min. Castro Meira, DJe de 24/3/2010), firmou o entendimento de que a Lei 9.873/99 não se aplica às ações administrativas punitivas desenvolvidas por estados e municípios, pois o âmbito espacial da lei limita-se ao plano federal. Confira-se, a propósito, a ementa do julgado: ADMINISTRATIVO. EXECUÇÃO FISCAL. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO DO MEIO AMBIENTE. PRESCRIÇÃO. SUCESSÃO LEGISLATIVA. LEI 9.873/99. PRAZO DECADENCIAL. OBSERVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO AO RITO DO ART. 543-C DO CPC E À RESOLUÇÃO STJ N.º 08/2008. 1. O Ibama lavrou auto de infração contra o recorrido, aplicando-lhe multa no valor de R$ 3.628,80 (três mil e seiscentos e vinte e oito reais e oitenta centavos), por contrariedade às regras de defesa do meio ambiente. O ato infracional foi cometido no ano de 2000 e, nesse mesmo ano, precisamente em 18.10.00, foi o crédito inscrito em Dívida Ativa, tendo sido a execução proposta em 21.5.07. 2. A questão debatida nos autos é, apenas em parte, coincidente com a veiculada no REsp 1.112.577/SP, também de minha relatoria e já julgado sob o regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008. Neste caso particular, a multa foi aplicada pelo Ibama, entidade federal de fiscalização e controle do meio ambiente, sendo possível discutir a incidência da Lei 9.873, de 23 de novembro de 1999, com os acréscimos da Lei 11.941, de 27 de maio de 2009. No outro processo anterior, a multa decorria do poder de polícia ambiental exercido por entidade vinculada ao Estado de São Paulo, em que não seria pertinente a discussão sobre essas duas leis federais. 3. A jurisprudência desta Corte preconiza que o prazo para a cobrança da multa aplicada em virtude de infração administrativa ao meio ambiente é de cinco anos, nos termos do Decreto n.º 20.910/32, aplicável por isonomia por falta de regra específica para regular esse prazo prescricional. 4. Embora esteja sedimentada a orientação de que o prazo prescricional do art. 1º do Decreto 20.910/32 - e não os do Código Civil - aplicam-se às relações regidas pelo Direito Público, o caso dos autos comporta exame à luz das disposições contidas na Lei 9.873, de 23 de novembro de 1999, com os acréscimos da Lei 11.941, de 27 de maio de 2009. 5. A Lei 9.873/99, no art. 1º, estabeleceu prazo de cinco anos para que a Administração Pública Federal, direta ou indireta, no exercício do Poder de Polícia, apure o cometimento de infração à legislação em vigor, prazo que deve ser contado da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado a infração. 6. Esse dispositivo estabeleceu, em verdade, prazo para a constituição do crédito, e não para a cobrança judicial do crédito inadimplido. Com efeito, a Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, acrescentou o art. 1º-A à Lei 9.873/99, prevendo, expressamente, prazo de cinco anos para a cobrança do crédito decorrente de infração à legislação em vigor, a par do prazo também quinquenal previsto no art. 1º desta Lei para a apuração da infração e constituição do respectivo crédito. 7. Antes da Medida Provisória 1.708, de 30 de junho de 1998, posteriormente convertida na Lei 9.873/99, não existia prazo decadencial para o exercício do poder de polícia por parte da Administração Pública Federal. Assim, a penalidade acaso aplicada sujeitava-se apenas ao prazo prescricional de cinco anos, segundo a jurisprudência desta Corte, em face da aplicação analógica do art. 1º do Decreto 20.910/32. 8. A infração em exame foi cometida no ano de 2000, quando já em vigor a Lei 9.873/99, devendo ser aplicado o art. 1º, o qual fixa prazo à Administração Pública Federal para, no exercício do poder de polícia, apurar a infração à legislação em vigor e constituir o crédito decorrente da multa aplicada, o que foi feito, já que o crédito foi inscrito em Dívida Ativa em 18 de outubro de 2000. 9. A partir da constituição definitiva do crédito, ocorrida no próprio ano de 2000, computam-se mais cinco anos para sua cobrança judicial. Esse prazo, portanto, venceu no ano de 2005, mas a execução foi proposta apenas em 21 de maio de 2007, quando já operada a prescrição. Deve, pois, ser mantido o acórdão impugnado, ainda que por fundamentos diversos. 10. Recurso especial não provido. Acórdão sujeito ao art. 543-C do CPC e à Resolução STJ n.º 08/2008. (REsp 1.115.078/RS, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJe 6/4/2010) No voto proferido no aludido julgamento, restou consignado que: Pode-se afirmar que somente as ações administrativas punitivas desenvolvidas no plano da Administração Federal, seja direta, seja indireta, recebem a incidência do disposto nesta lei, como fica claro da parte inicial do seu art. 1º.Conjugam-se, pois, dois elementos na determinação do âmbito de aplicação da Lei 9.873/99, os quais serão úteis para se fixar, a contrário senso, as atividades dele excluídas: (a)a natureza punitiva da ação administrativa; e(b) o caráter federal da autoridade responsável por essa ação. Por outro lado, a jurisprudência deste Sodalícioé pacífica no sentido da impossibilidade de reconhecimento da prescrição intercorrente com base no Decreto n. 20.910/1932, por ausência de previsão legal. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. MULTA ADMINISTRATIVA. PROCON. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DA LEI 9.873/99 ÀS AÇÕES ADMINISTRATIVAS PUNITIVAS PROPOSTAS POR ESTADOS E MUNICÍPIOS. APLICAÇÃO DO DECRETO 20.910/32. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão publicada em 04/05/2017, que, por sua vez, julgara recurso interposto contra decisum publicado na vigência do CPC/73. II. Na origem, trata-se de exceção de pré-executividade, oposta por Oi S/A em face da Fazenda Pública do Município de Maringá, sustentando que foi instaurado, pelo Procon, o procedimento administrativo 292/2006, em virtude de reclamação formalizada pela consumidora Samira Pires da Silva, e que o procedimento administrativo ficou paralisado por mais de três anos, tendo sido fulminado pela ocorrência da prescrição intercorrente, em face do art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99. III. O Tribunal de origem manteve a sentença, que acolhera a exceção de pré-executividade, concluindo que "o § 1.º do art. 1.º da Lei Federal n.º 9.873/1999, embora voltado à Administração Pública Federal, aplica-se em todos os processos administrativos instaurados pelos Órgãos que integram o Sistema de Defesa do Consumidor, mesmo que estaduais, municipais ou do Distrito Federal". IV. Na forma da jurisprudência desta Corte, firmada no julgamento do Recurso Especial 1.115.078/RS, sob a sistemática dos recursos repetitivos, a Lei 9.873/99 - cujo art. 1º, § 1º, prevê a prescrição intercorrente - não se aplica às ações administrativas punitivas desenvolvidas por Estados e Municípios, pois o âmbito espacial da aludida Lei limita-se ao plano federal, nos termos de seu art. 1º. No ponto, cabe ressaltar que o referido entendimento não se restringe aos procedimentos de apuração de infrações ambientais, na forma da pacífica jurisprudência do STJ (AgInt no REsp 1.608.710/PR, Rel.Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, DJe de 28/08/2017; AgRg no AREsp 750.574/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 13/11/2015; AgInt no REsp 1.609.487/PR, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 23/02/2017; AgRg no REsp 1.513.771/PR, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 26/04/2016; AgRg no AREsp 509.704/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/07/2014). V. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1.665.491/PR, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 28/11/2017) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. MULTA ADMINISTRATIVA. PROCON. LEI 9.873/1999. INAPLICABILIDADE ÀS AÇÕES ADMINISTRATIVAS PUNITIVAS DESENVOLVIDAS POR ESTADOS E MUNICÍPIOS. PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO DO DECRETO 20.910/1932. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. 1. O Superior Tribunal de Justiça entende que em casos de ação anulatória de ato administrativo ajuizada em desfavor da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor, em decorrência do exercício do poder de polícia do Procon, é inaplicável a Lei 9.873/1999, sujeitando-se a ação ao prazo prescricional quinquenal previsto no art. 1º do Decreto 20.910/1932. 2. É indubitável a aplicação analógica desse dispositivo para a execução de multas administrativas no prazo de cinco anos, contados do término do processo administrativo, conforme teor da Súmula 467 do STJ. 3. Contudo, no caso dos autos, não houve transcurso do prazo prescricional, porquanto encerrado o processo administrativo em 2012, sendo esse o termo inicial para a cobrança da multa, o que afasta a prescrição quinquenal. 4. O art. 1º do Decreto 20.910/1932 regula somente a prescrição quinquenal, não havendo previsão acerca de prescrição intercorrente, prevista apenas na Lei 9.873/1999, que, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica às ações administrativas punitivas desenvolvidas por Estados e Municípios, em razão da limitação do âmbito espacial da lei ao plano federal. 5. Dessa forma, ante a ausência de previsão legal específica para o reconhecimento da prescrição administrativa intercorrente na legislação do Estado do Paraná, ante a inaplicabilidade do art. 1º do Decreto 20.910/1932 para este fim, bem como das disposições da Lei 9.873/1999, deve ser afastada a prescrição da multa administrava no caso, já que, em tais situações, o STJ entende caber "a máxima inclusio unius alterius exclusio, isto é, o que a lei não incluiu é porque desejou excluir, não devendo o intérprete incluí-la" (REsp 685.983/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 20/6/2005, p. 228). 6. Recurso Especial provido. (REsp 1.662.786/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/5/2017, DJe 16/6/2017) ADMINISTRATIVO. PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. MULTA ADMINISTRATIVA. PROCON. LEI N. 9.873/1999. INAPLICABILIDADE ÀS AÇÕES ADMINISTRATIVAS PUNITIVAS DESENVOLVIDAS POR ESTADOS E MUNICÍPIOS. PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO DO DECRETO N. 20.910/1932. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. 1. O Superior Tribunal de Justiça entende que, em casos de ação anulatória de ato administrativo ajuizada em desfavor da Coordenadoria Estadual de Proteção de Defesa do Consumidor, em decorrência do exercício do poder de polícia do Procon, é inaplicável a Lei n. 9.873/1999, sujeitando-se a ação ao prazo prescricional quinquenal previsto no art. 1º do Decreto n.20.910/1932. 2. O art. 1º do Decreto n. 20.910/1932 apenas regula a prescrição quinquenal, não havendo previsão acerca de prescrição intercorrente, apenas prevista na Lei n. 9.873/1999, que, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica às ações administrativas punitivas desenvolvidas por Estados e Municípios, em razão da limitação do âmbito espacial da lei ao plano federal. 3. Precedente: AgRg no REsp 1.566.304/PR, Relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 10/3/2016, DJe 31/5/2016. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1.609.487/PR, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/2/2017, DJe 23/2/2017) Destacam-se, ainda, as decisões monocráticas proferidas nos seguintes feitos:REsp 1.762.205/RS, Relator Ministro Gurgel de Faria, DJe de 5/11/2018; eREsp 1.741.896/PR, Relatora Ministra Regina Helena Costa, DJe de 5/10/2018. No caso dos autos, a Corte local concluiu pela ocorrência da prescrição intercorrente, adotando os seguintes fundamentos (fls. 434/436): 2.1. O Decreto nº 2.181/97 estabeleceu as normas gerais de aplicação das sanções administrativas previstas no Código de Defesa do Consumidor e atribuiu competência aos órgãos da Administração Pública municipal para apurar e punir infrações, com o fito de defender os interesses e direitos do consumidor, observe-se: .. Ocorre que, em que pese a previsão legal de práticas infrativas e penalidades administrativas, o Decreto em comento nada previu acerca da prescrição intercorrente no âmbito dos processos administrativos. De igual forma, a Lei nº 8.078/90 também é silente neste ponto. Assim, diante da omissão legislativa, deve ser aplicado, por força de interpretação analógica, o prazo quinquenal estabelecido no art. 1º do Decreto nº 20.910/32 para a consumação da prescrição intercorrente nas ações administrativas punitivas desenvolvidas por Estados e Municípios, conforme entendimento sedimentado pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do recurso representativo de controvérsia RE nº 1.115.078/RS. 2.2. No que se refere à prescrição intercorrente, inicialmente, cumpre esclarecer que, no processo administrativo, essa não se confunde com a prescrição de natureza material, a qual está relacionada com o direito à exigência da multa propriamente dita. No processo administrativo, a prescrição intercorrente é definida como aquela que se consuma pela paralisação dos autos por longo período sem que a Autoridade Administrativa pratique qualquer ato de empenho procedimental. .. Logo, o termo a quo para a cobrança do crédito já formado não se confunde com o termo inicial da prescrição intercorrente no âmbito administrativo, já que este é identificado a partir do momento em que a Administração Pública deveria atuar no processo, mas não o fez. Com efeito, quanto ao que dispõe o art. 4º do Decreto nº 20.910/32, constata-se que a intenção do legislador foi tratar da prescrição de natureza material e não da intercorrente, estabelecendoque aquela fica suspensa "durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurá-la." .. Sendo assim, conclui-se que o art. 4º do Decreto nº 20.910/32, ao estabelecer que "não corre a prescrição durante a demora (..)", refere-se à suspensão da prescrição quinquenal do direito ou ação e não à impossibilidade de declaração da prescrição intercorrente, como quer fazer crer o embargante. Constata-se, na hipótese, que, embora a instância recorridatenha assentado a não aplicação da Lei n. 9.873/1999, decidiu que "diante da omissão legislativa, deve ser aplicado, por força de interpretação analógica, o prazo quinquenal estabelecido no art. 1º do Decreto nº 20.910/32 para a consumação da prescrição intercorrente nas ações administrativas punitivas desenvolvidas por Estados e Municípios" (fl. 435), em confronto com o entendimento jurisprudencial deste Superior Tribunal de Justiça. Dessarte, deve ser restabelecido o procedimento administrativo e a aplicação da respectiva multa. ANTE O EXPOSTO, conheço do agravo para darprovimento ao recurso especial, afastandoa prescrição e determinandoo retorno do autos ao Tribunal de origem, a fim de que prossiga na análise dos demais pedidos contidos na apelação. Publique-se.