AREsp 2693702 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque, diante da jurisprudência dominante do STJ e da aplicação do princípio da causalidade, a execução extinta por prescrição intercorrente não enseja a condenação da parte exequente ao pagamento de honorários sucumbenciais, devendo ser aplicada a Súmula 568/STJ.
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- Parties
- Exequente: BANCO DO BRASIL S/A; Executados: MOUSTAFA MOURAD e OUTRO; Patrono/advogado Da Parte Executada: MARCONI HOLANDA MENDES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 October 2024
- Procedural Posture
- AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Julgamento Colegiado (sessão Virtual De 08/10/2024 a 14/10/2024)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Prescrição Intercorrente, Honorários Sucumbenciais, Princípio Da Causalidade, Extinção Do Processo, Súmula 568/stj
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Parties
BANCO DO BRASIL S/A
Exequente
MOUSTAFA MOURAD e OUTRO
Executados
MARCONI HOLANDA MENDES
Patrono/advogado Da Parte Executada
Procedural Posture
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Julgamento Colegiado (sessão Virtual De 08/10/2024 a 14/10/2024)
Legal Issues
- 1 possibilidade de condenação da parte exequente ao pagamento de honorários sucumbenciais em caso de extinção da execução por prescrição intercorrente
- 2 aplicação do princípio da causalidade na imputação dos honorários
- 3 incidência da Súmula 568/STJ
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque, diante da jurisprudência dominante do STJ e da aplicação do princípio da causalidade, a execução extinta por prescrição intercorrente não enseja a condenação da parte exequente ao pagamento de honorários sucumbenciais, devendo ser aplicada a Súmula 568/STJ.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial.
- Manter a decisão de extinção do processo por prescrição intercorrente e a não condenação da parte exequente ao pagamento de honorários sucumbenciais.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 08/10/2024 a 14/10/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE EXECUÇÃO. EXTINÇÃO DO PROCESSO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. PARTE EXEQUENTE. INCABÍVEL. 1. Ação de execução. 2. Em caso de extinção da execução, a imposição de obrigação de pagamento de honorários advocatícios deve levar em conta tanto a regra geral da sucumbência quanto o princípio da causalidade. Não se justifica a imposição de sucumbência à parte exequente, que teve frustrada a pretensão de satisfação de seu crédito, em razão de prescrição. A parte devedora, ao deixar de cumprir a obrigação (pagar a dívida), deu causa ao ajuizamento da execução. A causalidade diz respeito a quem deu causa ao ajuizamento da execução - no caso, a parte devedora, que deixou de satisfazer a obrigação -, não tendo relação com o motivo que ensejou a decretação da prescrição (inércia/desídia da parte credora). Precedentes. Ante o entendimento dominante do tema nesta Corte Superior, aplica-se, no particular, a Súmula 568/STJ. 3. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido.
RELATÓRIO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): Examina-se de agravo interno interposto por MARCONI HOLANDA MENDES contra decisão monocrática que conheceu do agravo para negar provimento ao seu recurso especial. Ação: de execução ajuizada por BANCO DO BRASIL S/A em face de MOUSTAFA MOURAD e OUTRO na qual requer o pagamento de dívida atinente a instrumento particular para confissão e composição de dívidas. Sentença: julgou extinto o processo pela prescrição intercorrente. Acórdão: negou provimento às apelações interpostas por MARCONI HOLANDA MENDES (patrono da parte executada) e pelo BANCO DO BRASIL S/A, nos termos da seguinte ementa: "PROCESSO Incabível a instauração de incidente de resolução de demandas repetitivas formulado nas razões de apelação, relativamente à condenação em honorários advocatícios, em execução contra devedor solvente, julgada extinta por prescrição, por sentença prolatada, após a alteração do art. 921, § 5º, do CPC, pela LF 14.195, de 26 de agosto de 2021, como acontece no caso dos autos -, visto que não está satisfeito o requisito indispensável do inciso II, do art. 976, do CPC, consistente na existência de justo receio de ofensa à isonomia e à segurança jurídica, (a) porquanto o Eg. STJ, a Col. Corte uniformizadora da interpretação da legislação federal, tem jurisprudência consolidada a respeito do tema, conforme revelam os julgados identificados neste Acórdão, (b) sendo certo que o reconhecimento da não satisfação do requisito, em questão, não é infirmado pela mera possibilidade de decisões em sentido contrário por outros órgãos fracionários deste e/ou Egs. Tribunais de Justiça. PRESCRIÇÃO - A execução lastreada em "termo de composição amigável e confissão de dívida", caso dos autos, está sujeita à prescrição vintenária, prevista no art. 177, do CC/1916, previsto para as ações pessoais, em geral, e à prescrição quinquenal, estabelecida no art. 206, § 5º, I, do CC/2002, para "pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular" - Para o reconhecimento da prescrição intercorrente, adotam- se as mais recentes teses da Eg. 2ª Seção do STJ, fixadas no julgamento do IAC Incidente de Assunção de Competência no REsp 1604412/SC, relatado pelo Min. Marco Aurélio Bellizze: "1.1 Incide a prescrição intercorrente, nas causas regidas pelo CPC/73, quando o exequente permanece inerte por prazo superior ao de prescrição do direito material vindicado, conforme interpretação extraída do art. 202, parágrafo único, do Código Civil de 2002. 1.2 O termo inicial do prazo prescricional, na vigência do CPC/1973, conta-se do fim do prazo judicial de suspensão do processo ou, inexistindo prazo fixado, do transcurso de 1 (um) ano (aplicação analógica do art. 40, § 2º, da Lei 6.830/1980). 1.3. O termo inicial do art. 1.056 do CPC/2015 tem incidência apenas nas hipóteses em que o processo se encontrava suspenso na data da entrada em vigor da novel lei processual, uma vez que não se pode extrair interpretação que viabilize o reinício ou a reabertura de prazo prescricional ocorridos na vigência do revogado CPC/1973 (aplicação irretroativa da norma processual). 1.4 O contraditório é princípio que deve ser respeitado em todas as manifestações do Poder Judiciário, que deve zelar pela sua observância, inclusive nas hipóteses de declaração de ofício da prescrição intercorrente, devendo o credor ser previamente intimado para opor algum fato impeditivo à incidência da prescrição." - A realização de diligências infrutíferas para localização do devedor, ou de seus bens, não suspende, nem interrompe o prazo da prescrição intercorrente - Como (a) a realização de diligências infrutíferas para localização do devedor, ou de seus bens, não suspende, nem interrompe o prazo da prescrição, e (b) embora o feito não tenha permanecido paralisado, (b.1) por demora imputável exclusivamente ao serviço judiciário, (b.2) nem por inércia da parte credora que formulou diversos requerimentos de localização de bens da parte devedora, (c) de rigor, o reconhecimento de que restou consumada a prescrição da execução, ajuizada em 17.07.2000, porquanto já decorrido o prazo de prescrição da ação, no caso dos autos, de cinco anos (art. 206, § 5º, I, do CC/2002), contados de 18.03.2016, data da entrada em vigor do CPC/2015. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - Em se tratando de execução julgada extinta pela ocorrência da prescrição, por ato judicial posterior à alteração do art. 921, § 5º, do CPC, pela LF 14.195, de 26 de agosto de 2021, incabível a condenação de qualquer parte ao pagamento de verba honorária, por aplicação do princípio da sucumbência, norteado pela causalidade No caso dos autos, é de se reconhecer indevida a condenação da parte credora em verba honorária, na espécie, dado que se trata de julgamento de extinção do processo, pelo reconhecimento de prescrição intercorrente, por r. sentença proferida na vigência do art. 921, § 5º, do CPC, com redação dada pela LF 14.195/2021 Mantida a r. sentença apelada, no que concerne a não condenação da parte exequente credora ao pagamento de honorários advocatícios. Recursos desprovidos." (fls. 1.716/1.717, e-STJ). Embargos de declaração: opostos por MARCONI HOLANDA MENDES, foram rejeitados. Recurso especial: alega, além de dissídio jurisprudencial, violação do art. 85, §§ 1º e 2º, do CPC, sustentando, em síntese, a fixação de honorários sucumbenciais ao exequente tendo em vista a extinção do processo ante a prescrição intercorrente. Decisão monocrática: conheceu do agravo em recurso especial para negar provimento ao recurso especial em virtude da incidência da Súmula 568/STJ no tocante aos honorários sucumbenciais ante a extinção do processo pela prescrição intercorrente. Agravo interno: alega, em síntese, as mesmas razões recursais despendidas em seu apelo extremo quanto à possibilidade de fixação de honorários recursais ao exequente na hipótese de extinção do processo pela prescrição intercorrente. Pugna, por fim, pelo conhecimento e provimento do agravo interno e pela reforma da decisão agravada. É O RELATÓRIO. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE EXECUÇÃO. EXTINÇÃO DO PROCESSO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. PARTE EXEQUENTE. INCABÍVEL. 1. Ação de execução. 2. Em caso de extinção da execução, a imposição de obrigação de pagamento de honorários advocatícios deve levar em conta tanto a regra geral da sucumbência quanto o princípio da causalidade. Não se justifica a imposição de sucumbência à parte exequente, que teve frustrada a pretensão de satisfação de seu crédito, em razão de prescrição. A parte devedora, ao deixar de cumprir a obrigação (pagar a dívida), deu causa ao ajuizamento da execução. A causalidade diz respeito a quem deu causa ao ajuizamento da execução - no caso, a parte devedora, que deixou de satisfazer a obrigação -, não tendo relação com o motivo que ensejou a decretação da prescrição (inércia/desídia da parte credora). Precedentes. Ante o entendimento dominante do tema nesta Corte Superior, aplica-se, no particular, a Súmula 568/STJ. 3. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido. VOTO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): A despeito das alegações aduzidas neste recurso, percebe-se que a parte agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de ilidir o entendimento firmado na decisão ora agravada. - Dos honorários sucumbenciais ante a extinção do processo pela prescrição intercorrente (Súmula 568/STJ) Confirma-se o assentado no sentido de que, no que se refere ao art. 85, § 10, do CPC, considerada a aplicação do princípio da causalidade na imputação dos honorários sucumbenciais, as duas Turmas de Direito Privado do STJ entendem que "em caso de extinção da execução, a imposição de obrigação de pagamento de honorários advocatícios deve levar em conta tanto a regra geral da sucumbência quanto o princípio da causalidade. Não se justifica a imposição de sucumbência à parte exequente, que teve frustrada a pretensão de satisfação de seu crédito, em razão de prescrição. A parte devedora, ao deixar de cumprir a obrigação (pagar a dívida), deu causa ao ajuizamento da execução. A causalidade diz respeito a quem deu causa ao ajuizamento da execução - no caso, a parte devedora, que deixou de satisfazer a obrigação -, não tendo relação com o motivo que ensejou a decretação da prescrição (inércia/desídia da parte credora)" (AgInt no REsp n. 1.959.952/SP, 4ª Turma, DJe de 12/8/2022). Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 2.263.465/PR, 4ª Turma, DJe de 14/3/2024; AgInt no AREsp n. 2.378.001/SP, 4ª Turma, DJe de 1/12/2023; AgInt no REsp n. 2.034.341/MS, 3ª Turma, DJe de 17/11/2023; AgInt no AREsp n. 2.194.938/SP, 4ª Turma, DJe de 31/3/2023; e AgInt no AREsp n. 1.742.912/SP, 3ª Turma, DJe de 6/4/2021. Na hipótese, o Tribunal de origem manteve a sentença que entendeu pela não fixação dos honorários advocatícios sucumbenciais em desfavor do agravado, parte exequente credora, nos seguintes termos: "Destarte, deve ser mantida a r. sentença, que julgou extinto o processo, pela ocorrência da prescrição intercorrente. 5. Mantém-se a r. sentença apelada, no que concerne a não condenação da parte exequente credora ao pagamento de honorários advocatícios. 5.1. Em se tratando de execução julgada extinta pela ocorrência da prescrição, por ato judicial posterior à alteração do art. 921, § 5º, do CPC, pela LF 14.195, de 26 de agosto de 2021, incabível a condenação de qualquer parte ao pagamento de verba honorária, por aplicação do princípio da sucumbência, norteado pela causalidade. O § 5º, do art. 921, § 5º, do CPC, com redação dada pela LF14.195, de 26 de agosto de 2021, dispõe: "O juiz, depois de ouvidas as partes, no prazo de 15 (quinze) dias, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição no curso do processo e extingui-lo, sem ônus para as partes." (..) 5.2. Aplicando-se as premissas supra, no caso dos autos, é de se reconhecer indevida a condenação da parte credora em verba honorária, na espécie, dado que se trata de julgamento de extinção do processo, pelo reconhecimento de prescrição intercorrente, por r. sentença proferida na vigência do art. 921, § 5º, do CPC, com redação dada pela LF 14.195/2021." (fls. 1.727/1.729, e-STJ). Dessa forma, o entendimento proferido pelo Tribunal está alinhado com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, aplicando-se, portanto a súmula 568 do STJ. Logo, a decisão agravada não merece reforma. DISPOSITIVO Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno no agravo em recurso especial.