REsp 2177684 - DECISAO
A análise do recurso ficou prejudicada em razão da afetação do tema da prescrição intercorrente relativa a infrações aduaneiras não-tributárias ao regime dos recursos repetitivos (Tema 1.293/STJ); deve-se aguardar a fixação da tese pelo STJ e, posteriormente, o Tribunal de origem realizará o juízo de conformação ou...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Fazenda Nacional; Apelada: União
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Análise Prejudicada E Devolução Ao Tribunal De Origem Para Observância Da Sistemática Dos Recursos Repetitivos (tema 1.293/stj)
- Outcome
- Análise do recurso prejudicada; devolução dos autos ao Tribunal de origem para observância da sistemática dos recursos repetitivos (Tema 1.293/STJ)
- Legal Topics
- Prescrição Intercorrente, Multas Aduaneiras, Denúncia Espontânea, Responsabilidade Do Agente Marítimo, Recursos Repetitivos
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Fazenda Nacional
Agravante
União
Apelada
Procedural Posture
Agravo / Análise Prejudicada E Devolução Ao Tribunal De Origem Para Observância Da Sistemática Dos Recursos Repetitivos (tema 1.293/stj)
Legal Issues
- 1 Incidência da prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999 em processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras de natureza não tributária paralisados por mais de 3 anos
- 2 Legitimidade e responsabilidade tributária do agente marítimo representante de transportadora
- 3 Natureza (tributária ou administrativa) das sanções aduaneiras e aplicação de regras do processo administrativo fiscal
Ratio Decidendi
A análise do recurso ficou prejudicada em razão da afetação do tema da prescrição intercorrente relativa a infrações aduaneiras não-tributárias ao regime dos recursos repetitivos (Tema 1.293/STJ); deve-se aguardar a fixação da tese pelo STJ e, posteriormente, o Tribunal de origem realizará o juízo de conformação ou manutenção do acórdão local nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, motivo pelo qual os autos foram devolvidos ao Tribunal de origem.
Court Disposition
Análise do recurso prejudicada; devolução dos autos ao Tribunal de origem para observância da sistemática dos recursos repetitivos (Tema 1.293/STJ)
Orders
- Determino a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem para que, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, seja realizado o juízo de conformação ou manutenção do acórdão local
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado pela Fazenda Nacional contra decisão que inadmitiu o recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, em face de acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (fls. 981/982): ADUANEIRO. APELAÇÃO. PENA DE MULTA. ARTIGO 107, INCISO IV, ALÍNEAS "D" E "E", DO DECRETO-LEI N.º 37/99. INFORMAÇÕES PRESTADAS EXTEMPORANEAMENTE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE. NÃO INSERÇÃO DE DADOS NO SISCOMEX. MULTA. DECRETO-LEI N.º 37/66. LEGALIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZADA. RECURSO DESPROVIDO. - Segundo o entendimento firmado no Recurso Especial nº 1.129.430/SP, representativo da controvérsia, só há responsabilidade tributária solidária do agente marítimo representante de transportadora a partir da vigência do Decreto-Lei n.º 2.472/88, que conferiu nova redação ao artigo 32, parágrafo único, alínea "b", do Decreto-Lei n.º 37/66. Assim, realizada a hipótese de incidência após a alteração legislativa mencionada, é de rigor o reconhecimento da responsabilidade tributária do apelante e, por consequência, a sua legitimidade passiva. - As informações sobre as cargas foram lançadas no sistema após a atracação no porto de destino, em contrariedade com a previsão do artigo 22, inciso II, alínea "d", e III, da IN RFB n.º 800/2007. - O instituto da denúncia espontânea, previsto nos artigos 102, §2º, do Decreto-Lei n. º 37/66 e 683 do Decreto n.º 6.759/09, não é aplicável em relação às obrigações de caráter aduaneiro administrativo, uma vez que elas se consumam com a simples inobservância da norma, no caso, do prazo definido para informar a autoridade aduaneira, independentemente da comprovação de dano ao erário, da intenção do agente ou da existência de culpa ou dolo. - A alteração promovida no artigo 45, §1º, da IN RFB n.º 800/2007 pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014, excluiu a penalidade apenas nos casos de alteração e retificação quando as informações prestadas anteriormente fossem tempestivas. - Apelação provida. Pedido julgado improcedente. Opostos embargos declaratórios, foram parcialmente acolhidos, nos termos da seguinte ementa (fl.1.043): ADUANEIRO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO. INSERÇÃO EXTEMPORÂNEA DE DADOS NO SISCOMEX. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. LEI N.º 9.873/99. OCORRÊNCIA. ACLARATÓRIOS PARCIALMENTE ACOLHIDOS. - Ao contrário do afirmado pela embargante, não se verifica omissão na decisão impugnada em relação ao exame da legitimidade do agente marítimo, pois a referida questão foi devidamente apreciada pelo decisum. - No desenvolvimento das atribuições de natureza aduaneira é possível verificar a intersecção entre as esferas tributária e administrativa, com o surgimento de obrigações oriundas de uma relação aduaneira-tributária com natureza tributária e obrigações provenientes de uma relação aduaneira não-tributária, com natureza administrativa. - O Decreto-Lei n.º 37/66, que dispõe sobre o imposto de importação e reorganiza os serviços aduaneiros, contempla a penalidade da multa às infrações de natureza tributária, como aquelas descritas no artigo 106, diretamente relacionadas aos elementos que compõem o imposto de importação, bem como àquelas de natureza não-tributária referentes ao controle das atividades de comércio exterior, decorrentes do exercício do poder de polícia, enumeradas no artigo 107. - Não obstante o processo administrativo fiscal federal (PAF) seja regido pelo Decreto nº 70.235/72, impende destacar que é norma que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e que não há disposição que trate dos institutos da decadência e da prescrição. Outrossim, em atenção ao princípio da especialidade, ao se tratar do reconhecimento desses institutos em relação à penalidade administrativa de natureza aduaneira não-tributária, é aplicável a Lei n.º 9.873/1999. - Decorrido o prazo de três anos sem movimentação do feito, verifica-se a ocorrência da prescrição intercorrente. - Devido à reforma parcial da sentença, é de rigor a condenação da União ao pagamento dos honorários advocatícios - Embargos de declaração parcialmente acolhidos para reconhecer a prescrição intercorrente administrativa. Em suas razões de recurso especial, a parte agravante aponta violação aos arts. 1.022, II, do CPC; 113, §§ 2º e 3º, e 151, III, do Código Tributário Nacional; 3º da Lei 6.562/78; 1º, § 1º, e 5º da Lei 9.873/99; e 707, II, 766 e 768 do Decreto 6.759/09. Sustenta, em resumo, que: (I) o Tribunal a quo incorreu em negativa de prestação jurisdicional; (II) "as sanções aduaneiras têm inegável natureza jurídico-tributária e adotam, por expressa determinação legal, o mesmo processo administrativo fiscal aplicável aos tributos federais" (fl. 1.256); (III) "ainda que não se reconheça a natureza tributária das penalidades aduaneiras, há de se reconhecer que por estarem submetidas ao processo administrativo fiscal, a elas se aplicam as regras de suspensão da exigibilidade do crédito" (fl. 1.259); (IV) "a própria Lei 9.873/99, em seu art. 5º, expressamente salienta que as disposições nela contidas não se aplicam aos processos e procedimentos de natureza tributária" (fl. 1.260); e (V) "não se pode reconhecer prescrição intercorrente em razão da lentidão do Estado-juiz" (fl. 1.267). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. De início, acerca da matéria trazida à discussão, cumpre dizer que se encontra pendente de análise no âmbito deste Sodalício, sob a sistemática dos recursos repetitivos, a seguinte questão jurídica: "Definir se incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos" (Tema 1.293/STJ). A proposta de afetação foi acolhida pela Segunda Seção do STJ, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INFRAÇÃO NÃO TRIBUTÁRIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. QUESTÃO DE DIREITO. MULTIPLICIDADE DE CAUSAS PARELHAS. RECURSO SELECIONADO COMO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. AFETAÇÃO AO REGIME DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS. 1. Controvérsia jurídica submetida ao Superior Tribunal de Justiça: "definir se incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos". 2. Recurso especial selecionado que preenche os requisitos de admissibilidade, permitindo o conhecimento da questão de direito controvertida. 3. Existência de multiplicidade de causas parelhas a espelhar a mesma controvérsia presente nas amostras selecionadas para julgamento paradigmático. 4. Conveniência de se uniformizar, com força vinculante, o entendimento do STJ quanto à matéria, dada a inexistência de uniformidade quanto ao tratamento da controvérsia no âmbito das instâncias ordinárias, especialmente no que toca à aplicação do art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 aos processos administrativos relativos à cobrança de multas por infringência à legislação aduaneira. 5. Afetação do recurso especial ao regime dos recursos repetitivos. (ProAfR no REsp n. 2.147.578/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Seção, julgado em 5/11/2024, DJe de 8/11/2024) Nesse contexto, impõe-se aguardar o exaurimento da jurisdição do Tribunal a quo, a qual apenas se esgotará com a fixação da tese por este STJ, oportunidade em que a Corte de origem, relativamente ao recurso especial lá sobrestado, haverá de observar o iter delineado nos arts. 1.040 e 1.041 do CPC. A propósito, confiram-se os seguintes acórdãos: EDcl no AgRg no REsp n. 1.510.988/PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 7/12/2023; EDcl no AgInt no REsp n. 1.922.773/PE, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 15/9/2023; e EDcl nos EDcl no AgInt no AREsp n. 1.750.982/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 6/6/2023, DJe de 15/6/2023. Observa-se, ainda, que, de acordo com o artigo 1.041, § 2º, do referido diploma legal, "quando ocorrer a hipótese do inciso II do caput do art. 1.040 e o recurso versar sobre outras questões, caberá ao presidente ou ao vice-presidente do Tribunal recorrido, depois do reexame pelo órgão de origem e independentemente de ratificação do recurso, sendo positivo o juízo de ad missibilidade, determinar a remessa do recurso ao tribunal superior para julgamento das demais questões", cuja diretriz metodológica, por certo, deve alcançar também aqueles feitos que já tenham ascendido a este STJ. ANTE O EXPOSTO, julgo prejudicada a análise do recurso e determino a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação ou manutenção do acórdão local frente ao que vier a ser decidido por este Superior Tribunal de Justiça sobre o tema recursal, na sistemática dos recursos repetitivos (Tema 1.293/STJ). Publique-se. EMENTA