AREsp 2769975 - DECISAO
Negado provimento ao agravo porque o tribunal a quo não examinou o dispositivo apontado como violado (art. 6º do CPC) em conformidade com o prequestionamento exigido (art. 1.022/1.025 CPC), incidindo o óbice da Súmula 211/STJ; além disso, a tese de prescrição intercorrente demandaria reexame de matéria...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Lambda Informática Ltda.; Agravado: Fazenda Municipal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Prescrição Intercorrente, Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Omissão E Embargos De Declaração, Súmula 106/stj, Súmula 7/stj, Súmula 211/stj
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Parties
Lambda Informática Ltda.
Agravante
Fazenda Municipal
Agravado
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ocorrência de prescrição intercorrente
- 2 admissibilidade do recurso especial por prequestionamento
- 3 responsabilidade pelo atraso na prática dos atos processuais (exequente vs serventia)
Ratio Decidendi
Negado provimento ao agravo porque o tribunal a quo não examinou o dispositivo apontado como violado (art. 6º do CPC) em conformidade com o prequestionamento exigido (art. 1.022/1.025 CPC), incidindo o óbice da Súmula 211/STJ; além disso, a tese de prescrição intercorrente demandaria reexame de matéria fático-probatória (vedado pela Súmula 7/STJ) diante da conclusão do tribunal de origem de que a paralisação ocorreu por falta de cumprimento do despacho/citação pela serventia e da aplicação da Súmula 106 em casos de longa morosidade.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado por Lambda Informática Ltda. contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 88): AGRAVO INTERNO- Insurgência contra decisão que negou provimento ao Agravo de Instrumento- Manutenção da decisão- Não reconhecimento da prescrição intercorrente, ante a aplicação da Súmula 106 do STJ -Agravo interno não provido. Opostos embargos declaratórios, foram estes acolhidos parcialmente sem efeitos modificativos (fls. 97/98). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação ao art. 6º do CPC. Sustenta, em resumo, a ocorrência de prescrição intercorrente, tendo em vista que "cabia à Fazenda Municipal, ora recorrida, dar o devido andamento ao feito, mesmo na ausência de impulso oficial. O excesso de demandas não é motivo suficiente para justificar o abandono, pelas Fazendas Municipais, dos processos com os quais ingressou objetivando a cobrança de créditos tributários" (fl. 108). Contrarrazões ofertadas às fls. 132/140. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. De início, observa-se que o Tribunal de origem não examinou a controvérsia sob o enfoque do dispositivo legal apontado como violado, a saber, 6º do CPC., apesar de instado a fazê-lo por meio dos competentes embargos de declaração. Nesse contexto, caberia à parte recorrente, nas razões do apelo especial, indicar ofensa ao art. 1.022 do CPC, alegando a existência de possível omissão, providência da qual não se desincumbiu. Incide, pois, o óbice da Súmula 211/STJ ("Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo."). Nessa linha de entendimento: AgInt no AgInt no AREsp 1.621.025/RJ, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe 1º/9/2020. Ressalta-se que esta Corte firmou a compreensão de que "a admissão de prequestionamento ficto (art. 1.025 do CPC), em recurso especial, exige que no mesmo recurso seja indicada violação ao art. 1.022 do CPC, para que se possibilite ao Órgão julgador verificar a existência do vício inquinado ao acórdão, que uma vez constatado, poderá dar ensejo à supressão de grau facultada pelo dispositivo de lei" (REsp 1.639.314/MG, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe 10/4/2017). No mesmo sentido, confiram-se: AgInt no REsp 1.562.190/RS, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 18/12/2020; AgInt no AREsp 1.685.851/GO, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 11/2/2021; e AgInt no AREsp 1.677.739/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 2/12/2020. Lado outro, nota-se, ademais, que o referido dispositivo legal não contém comando capaz de sustentar a tese recursal fundada na ocorrência de prescrição intercorrente e infirmar o juízo formulado pelo acórdão recorrido, de maneira que se impõe ao caso concreto a incidência da Súmula 284/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia."). Por oportuno, destacam-se os seguintes precedentes: AgInt no REsp n. 2.154.627/PE, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 3/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.288.113/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 23/9/2024, DJe de 27/9/2024; AgInt no AREsp n. 2.524.167/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024. Passo seguinte, ao decidir a questão, o Tribunal de origem assim se pronunciou (fls. 88/89): Como suficientemente fundamentado na r. decisão recorrida, não é caso de reconhecimento da prescrição intercorrente, dado que o processo permaneceu paralisado logo após a prolação do despacho inaugural, sem a expedição da carta citatória ou a intimação da Fazenda para se manifestar. Consignou-se o Acórdão, a fls. 63, que a Serventia não deu cumprimento ao despacho que ordenara a citação, o que manteve o processo paralisado por cerca de sete anos, retomando-se o seu curso somente após a oposição espontânea da Exceção de Pré-Executividade, em 2021. Por fim, não se dá guarida à tese de não incidência da Súmula 106, tendo em vista que sua aplicação em casos de longa morosidade em execuções fiscais é reconhecida e vem sido reiterada há décadas pela jurisprudência pátria. Da leitura do excerto supracitado, verifica-se que a alteração das premissas adotadas pela Corte de origem acerca da imputação de culpa ao exequente pelo atraso do despacho ou da citação, tal como colocada a questão nas razões recursais demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. O PRAZO PRESCRICIONAL PARA AJUIZAR-SE A EXECUÇÃO FISCAL DE MULTA ADMINISTRATIVA É QUINQUENAL E CONTADO DO MOMENTO EM QUE SE TORNA EXIGÍVEL O CRÉDITO (ART. 1o. DO DECRETO-LEI 20.910/32). RESP. 1.105.442/RJ, REL. MIN. HAMILTON CARVALHIDO, DJE 22.02.2011, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. INOCORRE, NO CASO, A PRESCRIÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. É de cinco anos o prazo prescricional para o ajuizamento da execução fiscal de cobrança de multa de natureza administrativa, contado do momento em que se torna exigível o crédito - art. 1o. do Decreto 20.910/32. Recurso representativo da controvérsia: REsp. 1.105.442/RJ, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, DJe 22.02.2011. No caso dos autos, o crédito exeqüendo oriundo da multa administrativa aplicada pelo Tribunal de Contas estadual foi constituído em 15.04.2004, a execução fiscal ajuizada em 13.11.2006 e a citação por edital realizada em 14.04.2010. 2. Ao julgar o REsp 1.120.295/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe 21.05.2010, representativo da controvérsia, esta Corte Superior fixou o entendimento de que nas execuções fiscais a citação retroage à data da propositura da ação para o fim de interromper a prescrição, a teor do art. 219, § 1º. do CPC, desde que a citação tenha ocorrido em condições regulares, ou que, havendo mora, seja esta imputável aos mecanismos do Poder Judiciário. 3. O acórdão combatido revela que o Tribunal de origem não se manifestou a respeito da responsabilidade pelo tempo decorrido entre a propositura da demanda e a citação editalícia, de modo que não se pode, nesta sede, imputá-la à exequente, mesmo porque o presente caso não se mostra violador da razoabilidade, afinal, foram três anos e cinco meses para a citação por edital. Em suma: a verificação de responsabilidade pela demora na prática dos atos processuais implica indispensável reexame de matéria fático-probatória, o que é vedado a esta Corte Superior, na estreita via do Recurso Especial, ante o disposto na Súmula 07/STJ. Recurso representativo da controvérsia: REsp. 1.102.431/RJ, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe 01.02.2010. 4. Agravo Regimental desprovido. (AgRg no REsp 1.409.183/PR, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 16/06/2014, DJe 06/08/2014) (grifou-se). Nesse panorama, fica prejudicado o exame do apelo especial na parte em que suscita divergência jurisprudencial, pois o não conhecimento do recurso quanto às razões invocadas pela alínea a diz respeito aos mesmos dispositivos legais e tese jurídica atinentes ao dissídio. ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo. Publique-se. EMENTA