Rcl 49177 - DECISAO
A reclamação foi não conhecida porque a recorrente, na prática, busca obter efeito suspensivo da execução e não demonstrou identidade fática necessária para aplicação imediata do IAC n. 1/STJ; além disso, o reconhecimento da prescrição intercorrente no caso exige exame pormenorizado dos atos e prazos processuais, o...
Source-derived case information.
- Parties
- Reclamante: TEREZA CRISTINA DE ALBERGARIA; Decisão Reclamada: Tribunal de Justiça de Pernambuco - 1ª Câmara Cível
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 June 2025
- Procedural Posture
- Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Reclamação não conhecida
- Legal Topics
- Prescrição Intercorrente, Incidente De Assunção De Competência (iac), Reclamação, Efeito Suspensivo
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
TEREZA CRISTINA DE ALBERGARIA
Reclamante
Tribunal de Justiça de Pernambuco - 1ª Câmara Cível
Decisão Reclamada
Procedural Posture
Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Aplicação do IAC n. 1/STJ acerca da prescrição intercorrente em processos regidos pelo CPC/1973
- 2 Cabimento de reclamação para obter efeito suspensivo ou para fazer aplicar precedentes vinculantes sem identidade fática
- 3 Necessidade de exame pormenorizado para reconhecimento da prescrição intercorrente
Ratio Decidendi
A reclamação foi não conhecida porque a recorrente, na prática, busca obter efeito suspensivo da execução e não demonstrou identidade fática necessária para aplicação imediata do IAC n. 1/STJ; além disso, o reconhecimento da prescrição intercorrente no caso exige exame pormenorizado dos atos e prazos processuais, o que torna inadequado o manejo da reclamação nesta fase.
Court Disposition
Reclamação não conhecida
Orders
- Não conheço da reclamação nos termos do art. 34, XVIII, a, do RISTJ.
- Julgo prejudicado o pedido de liminar.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO TEREZA CRISTINA DE ALBERGARIA ajuíza a presente reclamação com pedido liminar, contra a decisão proferida pela 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Pernambuco nos autos do Agravo de Instrumento n. 0010334-40.2025.8.17.9000, cujo pedido de efeito suspensivo lá requerido foi indeferido. Referida decisão, segundo sustenta, negou a aplicação da tese firmada em incidente de assunção de competência (IAC) pelo STJ no caso concreto. A reclamante, então, busca, por meio do presente feito, que seja observado o IAC n. 1, que versa sobre a prescrição intercorrente em processos regidos pelo CPC de 1973. Sustenta que a execução da nota promissória firmada em 22/6/1995 está prescrita, pois o prazo de 3 anos foi ultrapassado. Afirma que a execução tramita há 27 anos e que a prescrição intercorrente teria ocorrido devido à inércia do exequente, o que ocorreu em dois períodos: 11/10/2002, encerrando-se em 11/10/2005; e 22/10/2017, encerrando-se em 20/02/2022. Argumenta que a decisão reclamada violou o art. 927, III, do CPC ao não observar o entendimento fixado no IAC n. 1/STJ, segundo o qual a prescrição intercorrente deve iniciar automaticamente, sem necessidade de decisão de suspensão, mesmo diante de diligências infrutíferas para localização de bens. Requer a concessão de liminar para suspender o trâmite do feito executivo na origem, até o julgamento da presente reclamação; após, pede o julgamento procedente da reclamação para se determinar a aplicação do IAC n. 1/STJ ao caso. É o relatório. Decido. A Segunda Seção firmou o entendimento que, "nos termos do art. 988, IV, do CPC/2015, é cabível reclamação para garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de assunção de competência, sendo desnecessário o esgotamento da instância ordinária para o seu conhecimento. Precedente" (Rcl n. 45.753/DF, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 27/9/2023, DJe de 2/10/2023). A presente reclamação está amparada na inobservância da tese estabelecida no IAC n. 1, a saber: 1.1 Incide a prescrição intercorrente, nas causas regidas pelo CPC/73, quando o exequente permanece inerte por prazo superior ao de prescrição do direito material vindicado, conforme interpretação extraída do art. 202, parágrafo único, do Código Civil de 2002; e 1.2 O termo inicial do prazo prescricional, na vigência do CPC/1973, conta-se do fim do prazo judicial de suspensão do processo ou, inexistindo prazo fixado, do transcurso de um ano (aplicação analógica do art. 40, § 2º, da Lei 6.830/1980). Nada obstante a desnecessidade de esgotamento da instância originária, a decisão reclamada apenas indeferiu o efeito suspensivo requerido no agravo de instrumento na origem, indeferimento que teve por fundamento o entendimento de que a prescrição objeto da Tese 1.2 do IAC não é automática, dependendo da análise de outros elementos. Entendeu-se que o primeiro ato judicial que reconheceu a paralisação processual datou de 11/6/2009, quando o Juízo instou o exequente a impulsionar o feito. Se considerado esse marco inicial, o prazo de suspensão findaria em 11/6/2010, e o prazo prescricional intercorrente começaria a fluir em 12/6/2010, consumando-se em 12/6/2013. Mas as diligências empreendidas pelo credor a partir de 2011 teriam ocorrido antes da consumação do prazo prescricional intercorrente, demonstrando movimentação processual e ausência da inércia qualificada exigida pela Tese 1.1 do IAC em questão. Também se afirmou que a aferição da prescrição intercorrente demanda exame pormenorizado de todo esse período, incompatível com os limites da cognição sumária daquela fase recursal. Portanto, inegável que o Tribunal de Justiça não deixou de aplicar o IAC n. 1 por eventual entendimento contrário, e sim por momento processual não oportuno. Daí o indeferimento do efeito suspensivo requerido. Portanto, não se verifica a hipótese de ajuizamento da presente reclamação, uma vez que, a pretexto de descumprimento do IAC n. 1/STJ, a reclamante pretende mesmo é obter o efeito suspensivo da execução por meio da presente reclamação. Assim, carece de previsão legal o manejo de reclamação no presente caso. Não fosse por isso, também a aplicação da ratio decidendi aos casos concretos exige que haja identificação entre os fatos que acarretaram a formação do precedente e os fatos do caso em que se deve aplicar o precedente (Rcl n. 49.099). Não se constata, pois, similitude fática entre a decisão reclamada e o precedente vinculante, que, para as causas regidas pelo CPC de 1973, exige a inércia do credor, a justificar o cabimento da presente reclamação. Ante o exposto, não conheço da reclamação nos termos do art. 34, XVIII, a, do RISTJ. Julgo prejudicado o pedido de liminar . Publique-se. Intimem-se. EMENTA