REsp 2223676 - DECISAO
Aplicando a jurisprudência uniformizada do STJ (REsp 2046269, Tema 1.229) e o princípio da causalidade, entendeu-se que não se deve manter a condenação em honorários advocatícios em desfavor da Fazenda Pública quando a execução fiscal é extinta por prescrição intercorrente prevista no art. 40 da Lei n. 6.830/1980;...
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- Parties
- Recorrente: DISTRITO FEDERAL; Recorrido: contribuinte
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial
- Outcome
- Recurso especial provido
- Legal Topics
- Prescrição Intercorrente, Honorários Advocatícios Sucumbenciais, Princípio Da Causalidade, Art. 40 Da Lei N. 6.830/1980, Gratuidade De Justiça, Enunciado Sumular N. 106/stj, Súmula 168/stj
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Parties
DISTRITO FEDERAL
Recorrente
contribuinte
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ocorrência de prescrição intercorrente
- 2 fixação de honorários advocatícios em desfavor da Fazenda Pública
- 3 aplicação do princípio da causalidade na execução fiscal
Ratio Decidendi
Aplicando a jurisprudência uniformizada do STJ (REsp 2046269, Tema 1.229) e o princípio da causalidade, entendeu-se que não se deve manter a condenação em honorários advocatícios em desfavor da Fazenda Pública quando a execução fiscal é extinta por prescrição intercorrente prevista no art. 40 da Lei n. 6.830/1980; assim, deu-se provimento ao recurso especial para inverter a condenação em honorários.
Court Disposition
Recurso especial provido
Orders
- Dar provimento ao recurso especial para inverter a condenação em honorários advocatícios.
- Suspender a exigibilidade em face da gratuidade de justiça deferida pelo Tribunal a quo.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por DISTRITO FEDERAL com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal. Na origem, o contribuinte ajuizou ação anulatória, visando a desconstituição das Certidões de Dívida Ativa (CDAs) que lastreiam execuções fiscais contra ele propostas, alegando a ocorrência de prescrição intercorrente. Deu-se, à causa, o valor de R$ 107.695,18 (cento e sete mil seiscentos e noventa e cinco reais e dezoito centavos). Na sentença, julgou-se improcedente a demanda. A apelação foi parcialmente provida pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS. O referido acórdão foi assim ementado, in verbis: APELAÇÃO CÍVEL. TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. OCORRÊNCIA. ENUNCIADO SUMULAR N. 106 DO STJ. INAPLICÁVEL. PARCIAL PROVIMENTO. I. Caso em exame: 1. Trata-se de apelação cível em execução fiscal, na qual se discute a ocorrência de prescrição intercorrente. A parte exequente não requereu o andamento regular dos feitos há mais de dez anos. II. Questão em discussão: 2. A controvérsia gira em torno da aplicação da prescrição intercorrente, conforme o art. 40 da Lei de Execução Fiscal, e a inaplicabilidade do Enunciado Sumular n. 106 do STJ. III. Razões de decidir: 3. O art. 40 da Lei de Execução Fiscal dispõe que o juiz suspenderá o curso da execução enquanto não for localizado o devedor ou encontrados bens penhoráveis, não correndo o prazo de prescrição nesses casos. Decorrido o prazo máximo de um ano sem localização do devedor ou bens, o juiz ordenará o arquivamento do feito. Se da decisão de arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz poderá reconhecer a prescrição intercorrente de ofício. No caso, não houve requerimento da parte exequente para o andamento dos feitos há mais de dez anos, configurando a prescrição intercorrente. IV. Dispositivo: 4. Deu-se parcial provimento à apelação, com inversão do ônus da sucumbência. Sem honorários recursais. Não foram opostos embargos de declaração. O DISTRITO FEDERAL alega violação dos arts. 85, caput e § 10, do Código de Processo Civil, sustentando, em síntese, que o acórdão recorrido desconsiderou o princípio da causalidade ao fixar honorários advocatícios em desfavor do Distrito Federal, uma vez que, quando as execuções fiscais foram ajuizadas, os créditos tributários eram exigíveis e não foram adimplidos voluntariamente pelo contribuinte. Contrarrazões apresentadas às fls. 288/296. É o relatório. Decido. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 2046269 (Tema 1.229), sob a sistemática dos recursos repetitivos, fixou a seguinte tese jurídica: "À luz do princípio da causalidade, não cabe fixação de honorários advocatícios quando a exceção de pré-executividade é acolhida para extinguir a execução fiscal em razão do reconhecimento da prescrição intercorrente, prevista no art. 40 da Lei n. 6.830/1980". No caso concreto, a Fazenda Pública ajuizou diversas execuções fiscais e o contribuinte ajuizou ação anulatória buscando o reconhecimento da prescrição intercorrente para fulminá-las. Tal fato no entanto, sob a análise do princípio da causalidade, não legitima o devedor a se beneficiar da inação da Fazenda Pública, sendo que foi o contribuinte devedor que deu causa ao ajuizamento da ação executiva com o não pagamento voluntário do tributo. Sobre o assunto, confiram-se: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ACOLHIMENTO DE EXCEÇAO DE PRÉ-EXECUTIVODADE POR FORÇA DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. CONDENAÇÃO DO EXEQUENTE EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. IMPOSSIBILIDADE, PRINCÍPIO DA CAUASALIDADE. ACÓRDÃO EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SÚMULA 168/STJ. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Os embargos de divergência têm por escopo uniformizar a jurisprudência do Tribunal ante a adoção de teses conflitantes pelos seus órgãos fracionários, cabendo ao embargante a comprovação do dissídio pretoriano nos moldes estabelecidos no art. 266 do RISTJ. 3. In casu, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, espelhando a orientação contida no acórdão embargado, assenta que " O reconhecimento da ocorrência de prescrição intercorrente não autoriza a condenação da Fazenda Pública ao pagamento de honorários sucumbenciais do advogado, ainda que oferecida exceção de pré-executividade, pois, nessa hipótese, não foi a Fazenda exequente a responsável pelo ajuizamento da ação executiva nem pela não localização do devedor ou de seus bens" (AgInt no REsp 1.929.415/SC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22/9/2021). Logo, ressoa evidente inexistir divergência de entendimentos entre os órgãos fracionários desta Corte, razão pela qual deve incidir a Súmula n. 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado." Outros precedentes: AgInt nos EDcl no AgInt no REsp 1.733.227/SC, Relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 14/6/2021; AgInt no AREsp 1.180.127/PR, Relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe 1/7/2020; e AgInt no REsp 1.823.309/RS, Relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 4/3/2021. 4. Agravo interno não provido. (AgInt nos EAREsp n. 1.667.204/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, julgado em 8/2/2022, DJe de 16/2/2022.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. RECONHECIMENTO DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DESCABIMENTO EM DESFAVOR DO EXEQUENTE. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. PRINCÍPIO DO NON REFORMATIO IN PEJUS. DISSÍDIO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. DECISÃO MANTIDA. 1. Ação de cobrança. Cumprimento de sentença. 2. Em face do princípio da causalidade, não se justifica a imposição de sucumbência ao exequente, frustrado em seu direito de crédito, em razão de prescrição intercorrente. Isso porque quem deu causa ao ajuizamento da execução foi o devedor que não cumpriu a obrigação de satisfazer dívida líquida e certa. A causalidade diz respeito a quem deu causa ao ajuizamento da execução - no caso, o devedor que deixou de satisfazer espontaneamente a obrigação - não tendo relação com a causa que ensejou a decretação da prescrição intercorrente (inação do credor durante o prazo prescricional). 3. Observância ao princípio do non reformatio in pejus, em razão da falta de impugnação do agravado quando da fixação dos honorários sucumbenciais. 4. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 5. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.180.877/MG, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023.) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. DECISÃO QUE REJEITOU A EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO FISCAL. ANÁLISE DO PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. I - Trata-se de agravo de instrumento interposto contra decisão dos autos de Execução Fiscal n. 0005446-73.2004.8.16.0017, que rejeitou os embargos declaratórios, mantendo a decisão de mov. 122.1, que rejeitou a exceção de pré-executividade, determinando o prosseguimento do feito. No Tribunal a quo, o agravo foi parcialmente provido. II - No mérito, na hipótese dos autos, o exequente requereu a extinção da execução fiscal diante da ocorrência de prescrição intercorrente decorrente da nulidade da citação por edital. Tal fato no entanto, sob a análise do princípio da causalidade, não legitima o devedor a se beneficiar da inação da Fazenda Pública, sendo que foi o contribuinte devedor que deu causa ao ajuizamento da ação executiva com o não pagamento voluntário do tributo. Sobre o assunto, confiram-se: AgInt no REsp 1.929.415/SC, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22/9/2021, AgInt nos EDcl no AgInt no REsp 1.733.227/SC, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 14/6/2021; AgInt no AREsp 1.180.127/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe 1/7/2020; e AgInt no REsp 1.823.309/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 4/3/2021; AgInt nos EAREsp n. 1.667.204/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, julgado em 8/2/2022, DJe de 16/2/2022; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.180.877/MG, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023. III - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.096.911/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 28/2/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, dou provimento ao recurso especial para inverter a condenação em honorários advocatícios. Suspensa a exigibilidade em face da gratuidade de justiça deferida pelo Tribunal a quo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA