AREsp 3227879 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o recurso especial não impugnou fundamento suficiente do acórdão recorrido sobre a inadmissibilidade da reconvenção por ausência de identidade subjetiva entre a ação administrativa e a ação civil pública (impedindo o reapreciação plena por força da Súmula 283/STF), e porque ficou...
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- Parties
- Agravante: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2026
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Denegatória
- Outcome
- Nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Prescrição Intercorrente, Interrupção Da Prescrição, Reconvenção, Legitimidade Ativa, Ação Civil Pública, Poder De Polícia, Honorários Advocatícios
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Parties
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Denegatória
Legal Issues
- 1 Prescrição intercorrente e suas hipóteses de interrupção
- 2 Efeito de despachos meramente administrativos na interrupção da prescrição
- 3 Admissibilidade da reconvenção entre processo administrativo e ação civil pública
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o recurso especial não impugnou fundamento suficiente do acórdão recorrido sobre a inadmissibilidade da reconvenção por ausência de identidade subjetiva entre a ação administrativa e a ação civil pública (impedindo o reapreciação plena por força da Súmula 283/STF), e porque ficou reconhecida a prescrição intercorrente em razão de mais de três anos de paralisação com atos meramente administrativos que não interrompem o prazo prescricional, nos termos da Lei nº 9.873/1999.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Condena-se a parte recorrente ao pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 10% do valor a esse título já fixado no processo (art. 85, § 11, do CPC/2015).
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado por Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado (fls. 273/274): ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. APELAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. IBAMA. PROCESSO ADMINISTRATIVO PARALISADO POR PRAZO SUPERIOR A TRÊS ANOS. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. CONFIGURADA. AUSÊNCIA DE CAUSA INTERRUPTIVA. PEDIDO DE RECONVENÇÃO OPOSTO PELO IBAMA. EXTINÇÃO SEM MÉRITO. OBJETOS DISTINTOS. INCOMPATIBILIDADE PROCEDIMENTAL. RECURSO DESPROVIDO. 1. A Lei nº 9.873/1999 regulamentou, no âmbito dos processos administrativos federais, as hipóteses de prescrição da pretensão punitiva, que são: a) a prescrição da pretensão punitiva propriamente dita (art. 1º, caput) e b) a prescrição da pretensão punitiva intercorrente (art. 1º, § 1º). Já, o art. 2º, da referida lei, elencou as hipóteses de interrupção da prescrição. 2. Analisando o processo administrativo, no presente caso, verifica-se que ocorreu a prescrição intercorrente, uma vez que entre a intimação para alegações finais e o Relatório Circunstanciado, houve apenas despachos de mero expediente, encaminhamento entre setores internos do IBAMA e atendimento a ofícios de outro órgão, ou seja, transcorreram mais de 3 anos sem a prática de qualquer ato que importasse em interrupção do prazo prescricional. 3. Conforme entendimento deste Tribunal, não é qualquer despacho que interrompe a prescrição intercorrente, mas somente aqueles que importem em apuração da infração, ou seja, os despachos de mero encaminhamento ou de certificação do estado do processo administrativo não obstam o curso do prazo prescricional. Precedentes. 4. Embora a compreensão seja de que, realmente, o IBAMA detenha legitimidade para ajuizar ação civil pública, a utilização do instituto processual da reconvenção tem seus pressupostos de admissibilidade. No caso dos autos, na ação principal o IBAMA responde em nome próprio e se relaciona ao exercício do poder de polícia que lhe confere a lei. Na ação civil pública, embora a autarquia seja legitimada a figurar no polo ativo, o faz em nome da coletividade, para preservar direito difuso. Não se configura, portanto, a identidade subjetiva entre uma ação e outra, já que aqui responde por interesse individual, lá por interesse coletivo. Essa diversidade de sujeitos inviabiliza a via reconvencional. Precedentes deste Tribunal. 5. Assim, tendo em vista que a reconvenção proposta pelo apelante busca a reparação do dano (de natureza cível) com base na Lei 7.347/85, que inclusive demanda instrução probatória independente e mais complexa, configura-se discussão destoante do objeto da ação de origem (nulidade do ato administrativo pautado no poder de polícia, de natureza administrativa). Resta afastada, destarte, qualquer possibilidade de conexão com o objeto da primeira ação. 6. Apelação não provida. 7. Honorários advocatícios majorados em grau recursal em 1% (um por cento) do valor da causa (art. 85, § 11º do CPC/2015). Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 359/366). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta, além do dissídio jurisprudencial, violação ao art. 1º, §1º, da Lei n. 9.873/1999, ao argumento de que a controvérsia é exclusivamente de direito e não demanda reexame de fatos ou provas, sustentando que quaisquer atos de movimentação do processo administrativo sancionador, ainda que sem conteúdo decisório ou apuratório, são suficientes para interromper a prescrição intercorrente. Sem contrarrazões. É O RELATÓRIO.SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. O recurso não prospera. No presente caso, o recurso especial não impugnou fundamento basilar que ampara o acórdão recorrido, qual seja, "ação principal o IBAMA responde em nome próprio e se relaciona ao exercício do poder de polícia que lhe confere a lei. Na ação civil pública, embora a autarquia seja legitimada a figurar no polo ativo, o faz em nome da coletividade, para preservar direito difuso. Não se configura, portanto, a identidade subjetiva entre uma ação e outra, já que aqui responde por interesse individual, lá por interesse coletivo. Essa diversidade de sujeitos inviabiliza a via reconvencional." (fl. 278) esbarrando, pois, no obstáculo da Súmula 283/STF, que assim dispõe: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". A respeito do tema: AgInt no REsp 1.711.262/SE, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 17/2/2021; AgInt no AREsp 1.679.006/SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe 23/2/2021. ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo. Levando-se em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, impõe-se à parte recorrente o pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 10% (dez por cento) do valor a esse título já fixado no processo (art. 85, § 11, do CPC). Publique-se. EMENTA