HC 1060861 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque as instâncias ordinárias demonstraram, com base em elementos dos autos e boletins carcerários, que a suspensão do processo nos termos do art. 366 do CPP foi válida (citação por edital ante não localização), que as prisões apontadas referiam-se a outros fatos e processos, e que,...
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- Parties
- Paciente: RAFAEL TOZZATO; Órgão Jurisdicional Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 December 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido (decisão Monocrática)
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Prescrição Punitiva, Prescrição Executória, Suspensão Do Processo (art. 366 Do Cpp), Redução Do Prazo Prescricional Por Menoridade (art. 115 Do Cp), Contagem Separada Da Prescrição Por Crime (art. 119 Do Cp), Citação Por Edital, Trânsito Em Julgado
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Parties
RAFAEL TOZZATO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Órgão Jurisdicional Recorrido
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 validade da suspensão do processo nos termos do art. 366 do CPP
- 2 incidência de prescrição punitiva e executória
- 3 redução do prazo prescricional pela menoridade (art. 115 do CP)
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque as instâncias ordinárias demonstraram, com base em elementos dos autos e boletins carcerários, que a suspensão do processo nos termos do art. 366 do CPP foi válida (citação por edital ante não localização), que as prisões apontadas referiam-se a outros fatos e processos, e que, após a redução das penas pela menoridade e contagem separada por delito, os prazos prescricionais não se consumaram; assim não se verifica ilegalidade flagrante justificadora da via eleita.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de RAFAEL TOZZATO contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, proferido no julgamento do Agravo de Execução Penal n. 0005446-84.2025.8.26.0041. Extrai-se dos autos que, no processo de execução nº 0009314-41.2023.8.26.0041, foi indeferido o reconhecimento da prescrição relativamente ao processo-crime nº 0007279-04.2003.8.02.0001, no qual o paciente foi condenado pelos crimes de extorsão mediante sequestro (art. 159, § 1º, do Código Penal), em concurso material (art. 69, caput, do CP), e roubo majorado (art. 157, § 2º, incisos I e II, do CP), à pena de 23 anos e 4 meses de reclusão, em regime fechado, com fato ocorrido em 16/6/2003, denúncia recebida em 15/8/2003, suspensão do processo e do prazo prescricional pelo art. 366 do CPP em 12/5/2004 até 6/6/2013, sentença proferida em 30/5/2016, apelação improvida publicada em 16/4/2019, e trânsito em julgado em 22/10/2021, concluindo-se pela inocorrência de prescrição punitiva e executória (e-STJ fls. 89/90). Irresignada, a defesa interpôs agravo em execução penal alegando, em síntese, que não houve suspensão válida do processo nos termos do art. 366 do CPP entre 12/5/2004 e 6/6/2013 porque o paciente esteve preso em diversos períodos, que o paciente era menor de 21 anos à época dos fatos o que impõe a redução pela metade do prazo prescricional e que, em caso de condenação por mais de um crime, a contagem deve ser feita separadamente para cada delito (e-STJ fls. 109/110). O Tribunal de origem negou provimento ao agravo, em acórdão assim ementado (e-STJ fl. 109): Agravo em Execução - Recurso Defensivo almejando o reconhecimento da prescrição da pretensão executória, argumentando que o feito de origem não ficou suspenso nos termos do art. 366 do Código de Processo Penal, pois o agravante esteve preso por várias vezes durante o período da suposta suspensão. Aduz a Defesa que o agravante, à época dos fatos, era menor de 21 anos, de modo que o prazo prescricional é reduzido pela metade. Aduz, ainda, que em caso de condenação por mais de um crime, a contagem do prazo prescricional deve ser feita para cada crime. Prescrição da pretensão executória Inocorrência - Autos originários que efetivamente ficaram suspensos nos termos do art. 366 do Código de Processo Penal, entre 12/05/2004 e 06/06/2013 - Prisões do agravante durante o mencionado período que se referem a outros crimes por ele perpetrados - Penas concretamente aplicadas ao agravante que, consideradas separadamente e ainda que reduzidas pela metade (art. 115 do Código Penal), ensejam prazos prescricionais que, consideradas as causas interruptivas, ainda não decorreram - Sentenciado preso em 25/02/2023. Agravo improvido. No presente writ, a defesa sustenta constrangimento ilegal decorrente da convalidação, pelo acórdão atacado, da suspensão do processo e do curso da prescrição (art. 366 do CPP) decretada em 12/5/2004, embora o paciente estivesse preso em diversos períodos entre 2004 e 2013, o que tornaria indevida a citação por edital e a suspensão processual e prescricional; afirma que não houve revogação da suspensão apesar da prisão do paciente e que, por estar à disposição do Estado, a prescrição deve ser reconhecida; aduz aplicação da redução pela metade do prazo prescricional, por ser o paciente menor de 21 anos à época dos fatos; e defende que, havendo condenação por mais de um crime, a prescrição deve ser contada separadamente, nos termos do art. 119 do CP (e-STJ fls. 4/10). Requer a concessão de habeas corpus de ofício, com tutela de urgência, para suspender a execução da pena; pleiteia o reconhecimento da nulidade da suspensão processual, o reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva e, alternativamente, da pretensão executória quanto ao processo nº 0007279-04.2003.8.02.0001 (PEC nº 0027292-94.2024.8.26.0041), com a decretação da extinção da punibilidade e a expedição de alvará de soltura clausulado (e-STJ fls. 11/12). É o relatório. As disposições previstas nos arts. 64, III, e 202, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça não afastam do relator a faculdade de decidir liminarmente, em sede de habeas corpus e de recurso em habeas corpus, a pretensão que se conforma com súmula ou a jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores ou a contraria (AgRg no HC n. 513.993/RJ, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 25/6/2019, DJe º1/7/2019; AgRg no HC n. 475.293/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 27/11/2018, DJe 3/12/2018; AgRg no HC n. 499.838/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 11/4/2019, DJe 22/4/2019; AgRg no HC n. 426.703/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 18/10/2018, DJe 23/10/2018 e AgRg no RHC n. 37.622/RN, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, julgado em 6/6/2013, DJe 14/6/2013). Nesse diapasão, uma vez verificado que as matérias trazidas a debate por meio do habeas corpus constituem objeto de jurisprudência consolidada neste Superior Tribunal, não há nenhum óbice a que o Relator conceda a ordem liminarmente, sobretudo ante a evidência de manifesto e grave constrangimento ilegal a que estava sendo submetido o paciente, pois a concessão liminar da ordem de habeas corpus apenas consagra a exigência de racionalização do processo decisório e de efetivação do próprio princípio constitucional da razoável duração do processo, previsto no art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal, o qual foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela EC n. 45/2004 com status de princípio fundamental (AgRg no HC n. 268.099/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 2/5/2013, DJe 13/5/2013). Na verdade, a ciência posterior do Parquet, longe de suplantar sua prerrogativa institucional, homenageia o princípio da celeridade processual e inviabiliza a tramitação de ações cujo desfecho, em princípio, já é conhecido (EDcl no AgRg no HC n. 324.401/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Quinta Turma, julgado em 2/2/2016, DJe 23/2/2016). Em suma, para conferir maior celeridade aos habeas corpus e garantir a efetividade das decisões judiciais que versam sobre o direito de locomoção, bem como por se tratar de medida necessária para assegurar a viabilidade dos trabalhos das Turmas que compõem a Terceira Seção, a jurisprudência desta Corte admite o julgamento monocrático do writ antes da ouvida do Parquet em casos de jurisprudência pacífica (AgRg no HC n. 514.048/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 6/8/2019, DJe 13/8/2019). De acordo com a nossa sistemática recursal, o recurso cabível contra acórdão do Tribunal de origem que denega a ordem no habeas corpus é o recurso ordinário, consoante dispõe o art. 105, II, a, da Constituição Federal. Assim, o habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício. A respeito da alegação de prescrição punitiva/executória e da validade da suspensão do processo e do curso da prescrição (art. 366 do CPP), o magistrado de primeiro grau indeferiu o pedido nos seguintes termos (e-STJ fls. 89/90): "Vistos. Trata-se de requerimento da Defesa Técnica do sentenciado, Rafael Tozzato, para o reconhecimento da prescrição, referente ao processo crime nº 0007279-04.2003.8.02.0001 (PEC nº 0027292-94.2024.8.26.0041), com manifestação Ministerial a folhas 620/621. O pedido não merece guarida. Com efeito, conforme bem pontuado pelo DD. Promotor de Justiça, que acolho como razão de decidir, o que não me é defeso, não ocorreu o fenômeno prescricional, tanto na modalidade punitiva como executória. Observo que o apenado foi condenado, nos autos do processo crime nº 0007279-04.2003.8.02.0001, por infração ao artigo 159, §1º, c.c. o artigo 69, "caput", e artigo 157, §2º, incisos I e II, todos do Código Penal, à sanção privativa de liberdade de 23 (vinte e três) anos e 04 (quatro) meses de reclusão, em regime fechado. O fato ocorreu na data de 16 de junho de 2003, a denúncia recebida em 15 de agosto de 2003, e a r. sentença condenatória proferida no dia 30 de maio de 2016 (fls. 109/120 do processo crime nº 0027292-94.2024.8.26.0041). Houve interposição de recurso de apelação, que restou improvido (fls. 122/134 do processo crime nº 0027292-94.2024.8.26.0041), com publicação na data de 16 de abril de 2019 (fls. 135 do processo crime nº 0027292-94.2024.8.26.0041). O trânsito em julgado ocorreu em 22 de outubro de 2021 (fls. 154 do processo crime nº 0027292-94.2024.8.26.0041). Conforme consta na mencionada r.sentença, verifico que o executado se evadiu do sistema prisional em 18 de julho de 2003, e, assim, permaneceu preso durante 01 (um) mês e 01 (um) dia, entre 17 de junho de 2003 e 18 de julho de 2003. Por não ser encontrado para a citação, foi determinada a suspensão do processo e do prazo prescricional na data de 12 de maio de 2004. O processo somente voltou a tramitar no dia 06 de junho de 2013. Conforme disposto no artigo 109, inciso I, do Código Penal, o prazo prescricional no caso em análise é de 20 (vinte) anos. No entanto, uma vez que o sentenciado era menor de 21 (vinte e um) anos,na data do fato, o prazo prescricional se conta pela metade, nos termos do artigo 115 do Código Penal, ou seja, em 10 (dez) anos. Portanto, destaco que entre os marcos interruptivos não decorreu o lapso temporal superior a 10 (dez) anos, especialmente por se considerar o tempo em que o feito permaneceu suspenso, entre 12 de maio de 2004 e 06 de junho de 2013. Portanto, não há falar em prescrição da pretensão punitiva." No âmbito do Tribunal de Justiça, ao julgar o agravo em execução, o voto condutor manteve a decisão, delineando que as prisões do agravante no período de suspensão do processo não se relacionavam ao feito de Maceió/AL e, além disso, explicitou os marcos da prescrição executória com a redução dos prazos pela menoridade, nos seguintes termos (e-STJ fls. 109/112): "Não há que se falar em reconhecimento da prescrição da pretensão executória relativa ao processo-crime nº 0007279-04.2003.8.02.0001, oriundo da 10ª Vara Criminal de Maceió/AL. Em consulta aos autos de execução nº 0027292-94.2024.8.26.0041 (relativo ao processo-crime acima mencionado), verifica-se que os fatos lá tratados ocorreram em 16/06/2003 (denúncia - fls. 05/08 de referidos autos de execução); a denúncia foi recebida em 15/08/2003 (fls. 108, idem); a sentença condenatória foi publicada em 06/06/2016 (fls. 121, idem), sendo interposto recurso de apelação pela Defesa; o v. Acórdão foi publicado em 22/04/2019 (fls. 135, idem) e transitou em julgado em 22/10/2021 (fls. 154, idem), tendo a pena sido fixada em 08 anos e 04 meses de reclusão para o crime de roubo (art. 157, §2º, incisos I e II, do Código Penal) e em 15 anos de reclusão para o crime de extorsão mediante sequestro (art. 159, §1º, do Código Penal), ambos em regime inicial fechado. Verifica-se, ainda, que o feito ficou suspenso nos termos do art. 366 do Código de Processo Penal no período entre 12/05/2004 e 06/06/2013 (fls. 02, idem). Em consulta aos autos de execução principais nº 0009314-41.2023.8.26.0041, verifica-se que às fls. 695/697 consta v. Acórdão proferido pelo C. Superior Tribunal de Justiça nos autos do RHC nº 213014-AL (2025/0088263-2), o qual não conheceu do recurso em habeas corpus, porém, concedeu a ordem de ofício para, reconhecendo a incidência da atenuante da menoridade relativa do sentenciado, reduzir as reprimendas de cada infração penal, fixando a pena do crime de roubo em 06 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão e a pena do delito de extorsão mediante sequestro em 12 anos e 06 meses de reclusão. Assim, considerando a pena concretamente imposta para cada infração penal, constata-se que, quanto ao crime de roubo, nos termos do art. 109, inciso III, do Código Penal, o prazo prescricional é de 12 anos; quanto ao delito de extorsão mediante sequestro, nos termos do art. 109, inciso I, do Código Penal, o prazo prescricional é de 20 anos. Contudo, Rafael Tozzato era menor de 21 anos à época dos fatos em questão, de modo que se aplica a redução de metade do prazo prescricional, conforme disposto no art. 115, primeira parte, do Código Penal. Nessa linha, o prazo prescricional a ser considerado no tocante ao delito de roubo é de 06 anos e, no que se refere ao delito de extorsão mediante sequestro, é de 10 anos. O réu, com relação aos crimes em comento, somente foi preso aos 25/02/2023 (fls. 02 e 163 dos autos de execução nº 0027292- 94.2024.8.26.0041), restando claro, portanto, que entre os marcos interruptivos não decorreu período superior a seis anos (menor prazo prescricional), tampouco dez anos, considerados os prazos prescricionais relativos a cada crime, separadamente. Anoto, por oportuno, que resta claro que a d. Defesa insiste em afirmar que não houve suspensão do feito originário nº 0007279-04.2003.8.02.0001, nos termos do art. 366 do Código de Processo Penal, argumentando que o agravado esteve preso por diversos períodos dentro daquele que foi considerada aludida suspensão. Contudo, sem razão, pois da simples análise dos boletins informativos e cálculos de pena acostados na execução principal, constata-se que referidas prisões não tinham relação alguma com os fatos atinentes do feito originário ora em análise, pois que concernentes a outros crimes então perpetrados por Rafael Tozzato ao longo dos anos, sobretudo no período ora contestado, no qual o processo oriundo de Maceió/AL ficou suspenso nos termos do disposto no art. 366 do Código de Processo Penal (12/05/2004 e 06/06/2013). Ante o exposto, pelo meu voto, nego provimento ao Agravo em execução." Examinando a inicial, depreende-se que a defesa sustenta a ilegitimidade da suspensão do processo e da prescrição, decretada sob o art. 366 do CPP, afirmando que o paciente esteve preso em diversos períodos entre 2004 e 2013, a exigir a revogação da suspensão e, por consequência, o reconhecimento da prescrição punitiva/executória, com redução pela metade dos prazos (art. 115 do CP) e contagem separada por delitos (art. 119 do CP) (e-STJ fls. 4/12). A tese não prospera. As instâncias ordinárias assentaram, com base em dados objetivos extraídos dos próprios autos de execução do processo de Maceió/AL e dos boletins informativos carcerários, que: a) o feito originário ficou regularmente suspenso entre 12/5/2004 e 6/ 6/2013, por citação por edital ante não localização do réu (art. 366 do CPP); b) as prisões apontadas pela defesa no intervalo de suspensão referiam-se a outros processos e fatos diversos, sem relação com o feito oriundo de Maceió/AL; c) após a redução das penas individualmente consideradas - inclusive por determinação desta Corte em RHC relacionado à menoridade relativa -, os prazos prescricionais, já reduzidos pela metade em razão do art. 115 do CP, não se consumaram entre os marcos interruptivos, mesmo com a contagem separada por delitos, como preconiza o art. 119 do CP (e-STJ fls. 110/112). Não há, pois, flagrante ilegalidade a permitir a superação da inadequação da via eleita. A conclusão do Tribunal a quo é lastreada em elementos concretos dos próprios autos, que evidenciam a regularidade da suspensão processual e a inocorrência de prescrição punitiva ou executória, consideradas as causas suspensivas e interruptivas e os prazos legais reduzidos pela menoridade. Com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do habeas corpus. Intimem-se. EMENTA