REsp 1939154 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e deu-se provimento nessa extensão para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem, a fim de que, com base no acervo fático, se verifique a existência de autorização expressa da municipalidade para o ajuizamento da Ação de Protesto Judicial pela APPM e se o nome...
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- Parties
- Recorrente: UNIÃO; Entidade Associativa Autora: APPM; Municipalidade Recorrida: municipalidade recorrida
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecido Em Parte E Provido Em Parte, Com Determinação De Retorno Ao Tribunal De Origem
- Outcome
- Conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, dou-lhe provimento para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para verificação de pressupostos de interrupção da prescrição.
- Legal Topics
- Prescrição Quinquenal, Interrupção Da Prescrição Por Protesto Judicial, Legitimidade E Representação De Associações Em Ações Coletivas, Complementação Do Fundef, Valor Mínimo Anual Por Aluno (vmaa)
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Parties
UNIÃO
Recorrente
APPM
Entidade Associativa Autora
municipalidade recorrida
Municipalidade Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecido Em Parte E Provido Em Parte, Com Determinação De Retorno Ao Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 se o protesto judicial promovido pela associação interrompeu a prescrição quinquenal das pretensões do município perante a União
- 2 necessidade de autorização expressa dos associados e relação de associados para legitimar representação de associação em ação coletiva
- 3 critério para fixação do valor mínimo anual por aluno (VMAA) do Fundef
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e deu-se provimento nessa extensão para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem, a fim de que, com base no acervo fático, se verifique a existência de autorização expressa da municipalidade para o ajuizamento da Ação de Protesto Judicial pela APPM e se o nome do Município consta na relação da petição inicial, pressupostos necessários para aferir se houve ou não interrupção da prescrição.
Court Disposition
Conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, dou-lhe provimento para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para verificação de pressupostos de interrupção da prescrição.
Orders
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região para que verifique, com base no acervo fático, a existência de autorização expressa da municipalidade recorrida para ajuizamento da Ação de Protesto Judicial pela APPM
- Determinar que o Tribunal de origem verifique se consta o nome do Município recorrido na relação da petição inicial da demanda
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de recurso especial interposto pelaUNIÃO, com fundamento na alínea "a"do inciso III do art. 105 da CF/1988, contra acórdão doTRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃOassim ementado (e-STJfl. 262): ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. COMPLEMENTAÇÃO DE DIFERENÇA DO FUNDEF PELA UNIÃO. VALOR MÍNIMO ANUAL POR ALUNO (VMAA). FIXAÇÃO SEGUNDO A MÉDIA NACIONAL. PROTESTOINTERRUPTIVO. 1. Protesto interruptivo da prescrição quinquenal. Vencido o relator nesse ponto. AC 0012671-62.2011.4.01.3700-MA, r. Des. Federal Marcos Augusto de Sousa, 8 a Turma em 14/11/2014: - "Válida a interrupção do curso do prazo prescricional em decorrência do ajuizamento de ação cautelar de protesto pela entidade associativa da qual o Município apelante é parte". - "Tratando-se de matéria atinente a direito financeiro, a prescrição rege-se pelo disposto no Decreto 20.910/32, que estabelece o prazo prescricional quinquenal para qualquer direito ou cobrança contra a União. Precedentes". 2. Considerando o protesto interruptivo em 31.08.2010, estariam prescritos os créditos anteriores a 31.08.2005. Todavia, como a complementação devida pela União ao Fundef se fazia com base no "valor mínimo anual por aluno", as diferenças serão calculadas abrangendo todo o ano de 2005. 3. O Superior Tribunal de Justiça, no REsp 1.101.015-BA, r. Ministro Teori Zavarski, 1a Seção (recurso representativo da controvérsia), considerou que o "piso" para fixação do valor mínimo anual previsto no art. 6º, § 1º da Lei 9.424/96 por discente do Fundef é a média nacional. 4. Apelação do autor e remessa de ofício providas. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJfls. 281-285). A recorrente defende, em síntese: i) violação do art. 1.022, parágrafo único, II, do CPC/2015, porquanto os dispositivos tidos por violados foram prequestionados; eii) ofensa aos arts. 75, III, do CPC de 2015; 6º, § 3º, da Lei n. 9.424 de 1996, c/c o art. 3º do Decreto n. 20.910 de 1932, sob a alegação da inexistência da interrupção da prescrição da pretensão do ente municipal, ante a ausência de autorização legal ou constitucional prévia para se fazer representar em juízo pela APPM. Apresentadascontrarrazões (e-STJfls. 312-324), o recurso especial foi admitido na origem (e-STJfls. 429-430). É o relatório. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 1.022 do CPC pressupõe que sejam demonstrados, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanar a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegação por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Com efeito, a parte insurgente limitou-se a indicar a necessidade de abordagem de alguns pontos pela Corte de origem, sem especificá-los, nem justificar, nas razões do apelo, a importância do enfrentamento do tema para a correta solução do litígio. A suscitada violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil foi deduzida de modo genérico, o que justifica a aplicação da Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia.". A esse respeito, destaco os seguintes precedentes: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO DO PLANO GERAL DE CARGOS DO PODER EXECUTIVO - GDPGPE. EXTENSÃO AOS INATIVOS. POSSIBILIDADE. GRATIFICAÇÃO GENÉRICA. AUSÊNCIA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO ATACADO. SÚMULA 283/STF. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. 1. Inviável o apelo especial quanto à alegação de ofensa ao art. 535 do CPC se as razões expendidas no recurso forem genéricas, constituindo simples remissão aos embargos de declaração opostos na origem, sem particularizar os pontos em que o acórdão teria sido omisso, contraditório ou obscuro. Incidência da Súmula 284/STF. 2. O recurso esbarra no obstáculo da Súmula 283/STF, uma vez que a recorrente não impugnou os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem ao considerar o caráter genérico da vantagem pleiteada por não ter sido realizada avaliação de desempenho dos servidores da ativa. 3. Ainda que superado o referido óbice, o julgado reconheceu o direito dos autores baseado na necessidade de tratamento paritário entre ativos e inativos, garantido pela Constituição Federal, matéria insuscetível de ser examinada em recurso especial. 4. Ademais, esta Turma já se manifestou no sentido de que a Gratificação de Desempenho do Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (GDPGPE) vem sendo paga de forma genérica aos servidores da ativa, devendo ser estendida aos aposentados e pensionistas no mesmo percentual. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 304.959/PE, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/9/2013, DJe 27/9/2013). PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. INTERRUPÇÃO. DANOS MORAIS. OCORRÊNCIA. CONCLUSÃO OBTIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM MEDIANTE ANÁLISE DAS PROVAS DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Não se conhece da violação ao art. 535 do CPC, pois as alegações que fundamentaram a pretensa ofensa são genéricas, sem discriminação dos pontos efetivamente omissos, contraditórios ou obscuros. Incide, no caso, a Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal, por analogia. 2. O Tribunal de origem, ao concluir pela responsabilidade da concessionária ao pagamento dos danos morais sofridos pelo autor, entendeu que o dano decorreu da demora no restabelecimento da energia. Assim, para alterar tal conclusão, necessário o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos, o que é vedado nesta seara recursal, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.370.724/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/9/2013, DJe 2/10/2013). No que tange à alegação de contrariedade aos arts. 75, III, do CPC/2015; 6º, § 3º, da Lei n. 9.424/1996,c/c o art. 3º do Decreto n. 20.910/1932, verifica ajurisprudência desta Corteque a atuação de associações não enseja substituição processual, mas representação específica, não sendo possível mera previsão genérica no estatuto da entidade associativa, sendo necessária, na propositura de ação coletiva, a autorização expressa dos associados para ajuizamento da demanda e a lista destes juntadas à inicial. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3/STJ. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. FUNDEF. AÇÃO ORDINÁRIA COLETIVA. ASSOCIAÇÃO REPRESENTATIVA. ILEGITIMIDADE ATIVA. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO ASSEMBLEAR. NÃO INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. PRESCRIÇÃO CONFIGURADA. INOVAÇÃO RECURSAL EM SEDE DE AGRAVO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O Poder Judiciário não está obrigado a emitir expresso juízo de valor a respeito de todas as teses e artigos de lei invocados pelas partes, bastando para fundamentar o decidido fazer uso de argumentação adequada, ainda que não espelhe quaisquer das linhas de argumentação invocadas. 2. O Tribunal a quo consignou que o município não comprovou sua filiação à associação (APRECE), contemporânea à propositura da ação coletiva, nem tampouco que outorgara autorização para tanto, a fim de que se pudesse supor que sua pretensão estivesse contida naquela demanda. 3. Há de se ater à orientação do Supremo Tribunal Federal - tal como firmada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 573.232/SC, para a qual a atuação das associações não enseja substituição processual, mas representação específica, consoante o disposto no artigo 5º, XXI, da Constituição Federal. 4. A tese não suscitada no recurso especial caracteriza inovação recursal, tornando inviável a análise de matéria alegada apenas no âmbito de agravo interno. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.494.752/CE, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 27/8/2019). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO COLETIVA PROPOSTA POR ENTIDADE ASSOCIATIVA. SENTENÇA GENÉRICA DE PROCEDÊNCIA. EXECUÇÃO INDIVIDUAL. ILEGITIMIDADE DE ASSOCIADO NÃO CONSTANTE DE RELAÇÃO COLACIONADA AOS AUTOS NA FASE DE CONHECIMENTO. RECONHECIMENTO. JUÍZO DE RETRATAÇÃO (ARTIGO 543-B, § 3º, DO CPC). REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1 - Na anterior apreciação deste feito, decidiu-se, com amparo na então predominante jurisprudência do STJ, que as associações de classe detêm legitimidade ativa ad causam para atuar como substitutas processuais em ações coletivas, sendo desnecessária a prévia autorização expressa dos associados, inclusive para fins de execução individual da sentença genérica de procedência. 2 - Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 573.232/SC, com repercussão geral, assentou a compreensão de que as balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, são definidas "pela representação no processo de conhecimento, presente a autorização expressa dos associados e a lista destes juntada à inicial". 3 - Realinhamento da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 4 - Juízo de retratação exercido (artigo 543-B, § 3º, do Código de Processo Civil) para negar provimento ao recurso especial. (REsp 1.185.823/GO, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA,DJe 28/3/2016). Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III e V, do CPC/2015, c/c o art. 255, § 4º, I e III, do RISTJ, conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, dou-lhe provimento paradeterminaro retorno dos autos ao Tribunal de origem, a fim de, com base no acervo fático dos autos, proceder à verificação da existência de autorização expressa da municipalidade recorrida para ajuizamento da Ação de Protesto Judicial pela APPM, bem como se de fato consta o nome do Município recorrido na relação da petição inicial da demanda, pressupostos necessários à verificação da interrupção ou não da prescrição da presente lide. Publique-se. Intimem-se.